Work exchange

work exchange em permacultura

IMG_1564

Eu já havia testado trabalhar em troca de hospedagem sendo voluntária em um hostel no Sri Lanka, um ano antes, através da plataforma Worldpackers, e escrevi um post sobre esta experiência aqui, mas desta vez, agora em 2019, usei a plataforma do Workaway para esta experiência de work exchange (troca de trabalho por hospedagem) na Dinamarca, que é uma ótima forma de viajar sem gastos com hospedagens!

No fim do ano passado, completando 18 meses de estrada mochilando, conheci Copenhagen e me apaixonei pelo estilo de vida da cidade, resolvi voltar pra passar (ao menos) o verão aqui, segui minhas viagens por Suíça, Índia e Rússia mas estava sempre de olho em Copenhagen, de olho em empregos pelo linkedin e buscando apartamento pra alugar pelos grupos de facebook, mas à distância não é muito fácil conseguir oportunidades e ainda mais decidí-las, como por exemplo alugar um quarto sem nunca ter visitado. 

Foi daí que me surgiu a ideia de fazer um work exchange (trabalho em troca de hospedagem) ao menos no primeiro mês de Dinamarca, pra eu me instalar no país de graça e ir buscando trabalho e quarto pra alugar presencialmente. Tentei pela plataforma do workaway, e o que me surpreendeu é que não eram apenas hostels, eram muitas casas de família  buscando gente pra cuidar dos filhos e limpar a casa, muitas fazendas querendo ajuda em jardinagem e plantio, muitos campings e centros de retiro buscando ajuda pra reparos gerais e limpeza. Mandei quase 20 e-mails me apresentando e pedindo um mês de trabalho, mas apenas dois me responderam, e nem em Copenhagen eram, mas tudo bem, escolhi uma mulher que tinha um sítio de permacultura há 1 hora de trem de Copenhagen e precisava de ajuda no jardim e na renovação da casa.

Ela pedia alguém com experiência em reforma e jardinagem, e eu não tinha, mas ela me escolheu porque já tinha sido mochileira por 15 anos e se identificou com muita coisa que contei naquele e-mail. Eu a escolhi porque era numa ilha, pertinho do mar, e eu já tinha conhecido um pouco de permacultura em Piracanga e me interessei em me aprofundar mais.

Fiquei com um pouco de medo de morar na casa de uma pessoa, é como dividir apartamento com alguém, às vezes o santo não bate, mas foi simplesmente incrível! Tínhamos filosofias de vidas parecidas, experiências em comum, ambas feministas, conectadas às terapias holísticas, minimalistas e lutávamos pelo meio ambiente e não desperdício, o match foi certeiro e passei 1 mês com esta host que virou amiga.

Aprendi muito sobre permacultura. Permacultura é uma forma de plantio que busca replicar os padrões da própria natureza, simular pequenos ecossistemas, além de toda uma filosofia de vida de reaproveitamento, não desperdício, e uso de aprendizados ancestrais.

Eu plantava mudinhas, fazia compostagem, arrancava muito mato, removia pedras das passagens, buscava plantas selvagens comestíveis no jardim pro jantar, me aventurava na cozinha mesmo sem nunca ter cozinhado nada direito, alimentava os patos e as galinhas, trazia lenha para aquecer a casa, separava o lixo e levava na estação de reciclagem.

Eu que nunca tinha usado a furadeira na minha casa, aprendi a serrar madeira, lixar, furar as tábuas, e instalei prateleiras pras plantas! Fiquei craque na furadeira! Mas escapei da serra elétrica, graças a Deus, ela ia me ensinar a cortar lenha pro aquecimento central da casa, mas o amigo dela visitou a gente e ele gostava desta função. Além da estante, erguemos uma cerca ao redor de todo o terreno. 

A ideia de comer uma refeição quase toda vindo direto da natureza, a salada do jardim e os ovos do galinheiro no quintal, me encantava, é o conceito “farm to table”que está tão na moda nos restaurantes por aqui. E o que era industrializado na refeição vinha do que seria desperdiçado nos supermercados. Isso mesmo, lá descobri o que era dumpster diving (retirar das grandes lixeiras dos supermercados produtos à vencer ou danificados, fizemos em uma noite!) e descobri que na Dinamarca tem até feira de doação de alimentos e que a rede de mercados wefood só vende produtos à vencer ou vencidos que iriam para o lixo.

Além das atividades no jardim, eu também ficava encarregada da faxina na casa, de limpar as janelas, e pintar algumas portas e janelas pois a casa estava em renovação. Foi a primeira vez que trabalhei com faxina na vida, e isto foi muito importante pro meu crescimento pessoal, humildade e ego. Em SP, venho de uma família de classe média onde sempre tivemos apoio de funcionários para limpar nossas casas, sejam diaristas, outras épocas mensalistas, pra mim, foi de extrema importância me encontrar no lugar destas pessoas, o medo de quebrar algo na casa dos outros, o cuidado, o tentar não fazer barulho enquanto o dono da casa está trabalhando no computador. 

Eram apenas 5 a 6 horas de trabalho por dia, mas com muitas pausas para um chá no jardim com bate papo, e a maior parte das atividades fazíamos em dupla, minha host e eu, depois cozinhávamos juntas, escutávamos música, tomávamos vinho no jantar. Eu sempre tinha um tempo só pra mim de manhã, onde eu pedalava pela ilha ou praticava yoga e um tempo após o jantar onde eu lia, estudava e via documentários. A rotina era de 5 dias de trabalho para dois de folga, que eu sempre ia pra Copenhagen fazer entrevistas de emprego, visitar quartos pra alugar e participar de um curso de empreendedorismo da rede Professional Women’s Network. Era engraçado faxinar uma casa que não era minha em um dia e no dia seguinte colocar minha melhor roupa para este curso com executivas do mundo inteiro, gosto muito desta pluraridade!

A experiência foi incrível e recomendo demais o uso das plataformas workaway, worldpackers ou wwoof para fazer voluntariado, trocar trabalho por hospedagem e continuar suas viagens de forma barata por este mundão!

Reflexões

Seja bem vindo 36

img_2596.jpg

Hoje foi meu último dia dos 35, será meu terceiro aniversário seguido que passo longe de “casa”, nesta aventura que sigo chamando de sabático. Sigo chamando porque já virou estilo de vida, viver com pouco, sem rotina, sem planos, seguindo o fluxo das conexões e oportunidades que aparecem, sem pensar muito antes de qualquer decisão, só vai! Se joga! A vida é um sopro.

Apesar de estar em sabático há 2,5 anos, escolhi Copenhagen pra me estabelecer, passei o verão aqui, foi maravilhoso, está sendo, apesar dos 3º graus com pôr-do-sol às 16:30 neste mês, segue maravilhosa esta cidade e minha vida nela, meus amigos, minha liberdade de viajar, a segurança, os encontros, as conexões, os aprendizados… mas sinceramente não sei se aqui será minha “casa”no futuro, vou passar uma temporada de verão no Brasil e a ideia é voltar, mas… “se quieres hacer a Diós reír, cuentále tus planes”.

Hoje foi meu último dia dos 35, madruguei às 7 (após quase 1 ano acordando 9 da manhã, achei que hoje tinha que ser especial), fui na academia, malhei, fiz sauna, que é tradição aqui e tomei um banho. Às 9:30 estava no meu novo curso de dinamarquês, nova escola, nova turma, novos amigos, começando hoje o terceiro nível. Saí de lá, comi num food hall que amo e fui ao museu (coisa que todo mundo deveria fazer, mas muita gente dá valor apenas após começar a mochilar pelo mundo).  Às 18h fui trabalhar, só 2 horinhas pra fechar a loja, porque esta vida sem rotina é mesmo maravilhosa. Terminei o dia em casa, no meu quarto alugado, com um incenso aceso, uma taça de vinho, uma meditação e uma carta pra mim mesma de agradecimento a tudo que vivi nos 35 anos. Mas logo mais vou seguir assistindo Handmaid’s Tale que estou viciada.

Tudo isso numa terça-feira sem rotina, tudo isso sozinha, na minha melhor companhia. Lembrei dos meus últimos 2 aniversários, lembrei dos meus planos pros meus 35 anos, que estão terminando hoje. Há 2 anos eu estava sozinha no Sri Lanka, trabalhando em um Hostel em troca de hospedagem, lembro que no dia 5 de novembro não tinha nenhum hóspede no hostel, mas dia 6 chegaram 5 australianos de 22 anos, cheguei na mesa deles, me apresentei, falei que tava fazendo 34 anos e fizemos drinking games a noite toda até finalizar na balada. Já ano passado, nos meus 35, eu tinha acabado de terminar o caminho de Santiago de Compostela sozinha e ter passado uma semana em Portugal com o grego delícia de 23 anos, e fui pra Madrid, comemorar meu aniversário com amigos muito muito queridos. Cada momento, especial na sua forma.

Amanhã faço 36, estou do jeito que a Marina do passado projetou a Marina do futuro? não. A Marina do passado, durante a escola, faculdade e início da carreira projetava uma Marina “bem sucedida” aos 36, e aquela Marina pensava que “bem-sucedida” era: alto cargo e alto salário. A Marina de hoje se considera bem sucedida por viver a vida na sua maior intensidade, em plena felicidade, fazendo todo o que e quando quer, na mais alta potência de seu encontro.

Já a Marina que começou um sabático há quase 3 anos atrás achava que aos 35 iria encontrar o seu propósito de vida e estaria trabalhando nele. Achei meu propósito? não. Só reconheci a minha coragem e a certeza que vivo feliz e gosto de ajudar pessoas, e principalmente inspirar mulheres, a seguirem seus sonhos, a não terem medo de viajar solas, a saírem de suas zonas de conforto, a mudarem suas rotas. Aquela Marina também achava por vezes, que aos 35 poderia estar com um companheiro (ou companheira), se fixando em alguma cidade do mundo ou mochilando, construindo família… mas cheguei aos 35, passei dos 35, cheguei nos 36 e sigo em carreira sabático sola, com muitos amores vividos, muitos tombos após expectativas criadas, muitas paixões, muitas experiências… mas a certeza que sou mesmo minha melhor companhia e que esta liberdade é um vício! 

Ah os amores, foram muitos, e de todos os tipos, quem sabe um dia escrevo um livro só sobre estes casos… do Burning Man ao Everest (modificando os nomes obviamente).  Alguns amores marcaram mais, quando escrevi este post sobre os amores sabáticos, no comecinho do blog, tinha acabado de conhecer o primeiro (significativo) na varanda de um hotel nas Filipinas às 9 da manhã, e às 15h do mesmo dia  fiz o checkout do meu quarto e mudei pro quarto dele, vivemos um romance de 5 dias e escrevi este post aos prantos na praia, 5 dias depois, quando ele foi embora. O que eu não sabia, na época do post, é que nos reencontraríamos 2 meses depois, pra 1 semana juntos em outro país. Depois dele foram vários outros, que surgiram e passaram, e eu vivi o momento presente com cada um, aproveitei a viagem, a companhia, vivi cada relacionamento e entrega de poucos dias ou semanas até a despedida na plataforma de trem ou aeroporto. O que ficam são as boas lembranças, os aprendizados, o crescimento e nosso amor próprio. E por isso hoje gostei tanto de passar este último dia dos 35 comigo mesma, aproveitando minha melhor companhia, ouvindo Radiohead enquanto observava esculturas no museu Glyptotek, sentindo uma grande felicidade interna e não baseada no outro.

Foi assim que eu vim ao mundo há quase 36 anos atrás certo? sozinha. E é assim que todos nós devemos encontrar nossa felicidade, em nós mesmos, depois se vier alguém, ou alguéns, é só somar as felicidades e aproveitar todo o amor!

Seja bem vindo 36, agora mais próximo dos 40 que dos 30, mas com aquela energia dos 20, sempre a última a sair da balada e a primeira a topar uma viagem de mochila. 

A Marina dos 10, dos 20, dos 30, agradece.

Marrocos, Roteiros de viagem

Marrocos

IMG_1971

Marrocos estava na minha bucket list de sabático há 3 anos, era um grande sonho meu, mas demorou pra se realizar…um pouco por medo de ir sozinha (pelas histórias que chegaram a mim) e um pouco por mudanças de rotas e outros projetos que surgiram pela viagem, como por exemplo, passar este verão em Copenhagen ;-).

Mas eis que surgiu esta oportunidade de eu pisar em solo africano e fazer uma road trip pelo Marrocos, de carro e acompanhada, o que me deixou muito mais tranquila! Fui agora, em outubro, e a viagem durou 11 dias, um pouco corrido pros meus padrões de mochileira mas foi na baixa temporada e achei tudo muito vazio e tranquilo, ótimo pra se visitar! O que inclusive me deixou com uma sensação de muita segurança e tranquilidade pra mulheres viajando sozinhas, ainda mais pós Índia (risos de nervoso) tudo parece mais tranquilo pós Índia, não é mesmo?

A vantagem de ir acompanhada pro Marrocos, seja com marido, peguete, uma amiga, ou qualquer outrx mochileirx que encontrar (aliás minha viagem pelo Rajastão fiz com outros 2 mochileiros que conheci online, pelo facebook do mochileiros.com) é o fato de alugar e dividir um carro, que permite muito mais mobilidade e autonomia do que de ônibus. Desta vez arrumei um boy, encontrei na rua mesmo, outro viajante sabático e tínhamos este destino em comum, então por que não?

As estradas no Marrocos são ótimas, o carro de modelo mais simples saiu EUR 20 por dia (não precisa ser 4×4), a gasolina para rodar os 2.000 km entre 7 cidades foi EUR 100. Mas prepare também o dindin das multas, tem muito policial e câmeras por todas as estradas, nos pararam 3 vezes, e tivemos que pagar 1 multa, as outras conseguimos nos livrar depois de muita conversa. As multas custam de 150 a 400 dirhams (EUR 15 a 40) e é preciso pagar em cash para os policiais, que te entregam um recibo…da primeira vez achei que o policial estava sendo corrupto nos pedindo pra pagar em dinheiro na hora e discuti com ele dizendo que era brasileira, que conhecia esse tipo de “esquema”, falei tanto até o coitado desistir de me aplicar a multa kkk depois vi que a errada era eu, o sistema deles não é de envio de multa por correio, e paga-se na hora sim. Na real eu não dirigi nem um quilometro, porque minha habilitação internacional não chegou a tempo, o boy que dirigiu 2000 km… arebaba!

IMG_1673
pelas ruas azuis de Chefchauen

Vamos à road trip: pousamos em Fez, alugamos o carro e subimos direto 200km para Chefchauen, a cidade azul. Tem duas teorias sobre esta cidade ser azul: a primeira é que os judeus ali refugiados da Inquisição Espanhola em 1471 pintaram as casa de azul para reproduzir o paraíso e a segunda é que a cor azul repele mosquitos… não sei, não vi judeus nem mosquitos, apenas muçulmanos parando 5x por dia para a reza, que se escuta de onde estiver.  É um destino super turístico e muito gostoso, onde se fala espanhol por todas as partes, pela proximidade com a Espanha, ao contrário do resto dos destinos onde se fala mais francês que inglês (o boy também falava francês, arebaba!). Você também irá encontrar muitas bloguers de vestido amarelo, prepare-se, é que o contraste do amarelo com o azul fica lindo no feed, eu não tinha vestido amarelo… Um dia e uma noite nesta cidade são suficientes pra se perder pelas ruas azuis, ver o pôr-do-sol do alto do morro e jantar num restaurante gostoso da praça Place Outa El Hamam. Mas caso tenha dois dias neste destino, tem uma cachoeira próxima que vale um trekking.

 

De Chefchauen voltamos à Fez para apenas 1 dia e 1 noite que achei bem suficiente, não me agrada muito passar muitos dias em cidades muvucadas, mas pra quem gosta de destino de compras talvez valha a pena ficar mais. Chegando em Fez pela manhã, deixamos o carro no Hotel-Riad  (o Dar Aline delícia e com bom preço) na porta da Medina, e nos perdemos pelas ruas da Medina (a maior do mundo) até achar o famoso Cortume (Chouara Tannery), e ver dos terraços ao redor como é o processo (e o cheiro) da lavagem do couro com urina de vaca e excremento de pombo. Alguns amigos tinham recomendado pagar um guia dentro da Medina, pois dizem que pode ser perigoso se perder lá dentro, o hotel também recomendou. Não pegamos guia, e achei tranquilo de rodar sozinhos, usando maps.me e seguindo as placas da Tannery.

IMG_20191015_162351
Chouara Tannery em Fez

Como eu disse, comparado às ruas do Paharganj em Nova Deli, esta medina de Fez é praticamente um berçário. Mas tem que tomar cuidado porque se você estiver sem guia, vários locais vão colar em você (como na Índia) te indicando o caminho e pedirão dinheiro ao final, um garoto de 10 anos colou na gente querendo nos levar na Tannery e eu queria passear tranquila, mas ele não desgrudava e não parava de falar, fiz a Jade, rodei a baiana e mandei ele embora. Aí quando você não paga, eles te jogam uma praga. OK, cria um campo energético de proteção e boa, porque é sim um pouco estressante. Depois de visitar a Medina vale a pena cruzar o cemitério a pé subindo o morro em direção ao Les  Merinides Tombs pra ver o pôr-do-sol e a vista da cidade destas ruínas, e depois relaxar e tomar um drink ou um chá de menta no hotel de luxo Les Merinides. Voltando pra Medina, jantamos num restaurante que amei, uma fusão de comida marroquina com mexicana: Le Tarbouche!  

Tanto em Chefchauen quanto em Fez, tudo se visita a pé, guarde o carro no hotel ou na praça mais próxima, com algum guardador de carro que se chama Mohamed, gosta do Ronaldo e do Corinthians e te cobrará EUR 3 por noite. Não importa sua nacionalidade, sempre diga que é brasileiro, eles amam!

IMG_2144
Volubilis

Saindo de Fez, no 3º dia, o destino final seria Merzouga para visitar o deserto do Sahara, mas seriam 460km de estrada e com algumas atrações que queríamos ver no caminho, então quebramos em 2 dias e passamos uma noite em Midelt (uma cidadezinha pequena e nada turística, mas legal pra ver a vida local). Entre Fez e Midelt a primeira visita foi em Volubilis, as ruínas de uma cidade romana e hoje Patrimônio da Unesco, é uma local bem grande, dá pra ficar umas 2 horas explorando, e a entrada custa EUR 7.

Depois passamos na cidade de Azrou, na Floresta de Cedro, onde tem vários macacos soltos e tranquilos. É uma ótima parada pra sentir um pouco de umidade e friozinho em meio aquela aridez desértica do resto da viagem. Ali do lado também tem a cidade de Ifrane, que não chegamos a explorar, com construções que lembram uma pequena Suíça.

Dormimos em Midelt e no 4º dia seguimos em direção à cidade de Merzouga pra conhecer o Deserto do Sahara. Este caminho vale a pena fazer de dia pra ver o início da cordilheira Atlas e atravessá-la. Em Merzouga existem milhares de opções para passar uma noite no Sahara, tudo se encontra pelo booking.com, basta escolher quanto aproximadamente você quer gastar, pois os campings vão de EUR 20 a EUR 300 (luxo) a barraca dupla, com jantar e café-da-manhã inclusos. Escolhemos uma opção bem simples, que foi EUR 60 a barraca dupla com jantar e café, não tinha nenhuma decoração especial, mas era uma cama quentinha e comida boa, com a tradicional fogueira com música a noite. Todas as opções do booking são iguais, após reservar, você recebe um e-mail com a orientação de como chegar no ponto de apoio, em Merzouga, que geralmente é um restaurante com banheiros e chuveiros e área de descanso, lá você deixa o carro, almoça se quiser, toma um banho se quiser e escolhe a opção de transporte para o camping no deserto: camelo (EUR 15)  ou 4×4 (EUR 20). Como sou super contra o turismo com animais, fui de 4×4 e foi melhor, porque chegamos em meia hora, deixamos a mochila na barraca e subimos as dunas pra ver o pôr-do-sol no horizonte, sem ninguém por perto, apenas um mar de areia laranja à nossa frente. Já quem foi com camelo, levou 3 horas pra chegar e viu o sol se pôr atrás das dunas, no meio do caminho. No dia seguinte, vimos o nascer do sol de perto do camping e voltamos pra tomar café-da-manhã no ponto de encontro, onde deixamos o carro. A experiência (mesmo que curta) de conhecer esta pontinha do Sahara vale muito a pena, que lugar lindo! Que energia! Já a cidade de Merzouga nem visitamos.

img_20191017_174638_original.jpg
um pôr-do-sol no Sahara 

Depois passamos 3 dias em Todra Gorge, as Gargantas de Todra, um cânion maravilhoso na Cordilheira do Atlas, destino para trekkings e escaladas. Eu particularmente fui pra visitar uma amiga que fiz na Índia e está gerenciando uma guesthouse e uma empresa de escalada lá, e acabou sendo dos lugares mais lindos do Marrocos, a vista da guesthouse dela é uma pintura, dá vontade de passar o dia na varanda só olhando os desfiladeiros alaranjados com o vale de palmeiras abaixo, contornando o rio. Eu SUPER recomendo esta guesthouse: A Secret Garden (próximo à cidade de Tinghir, mas fica bem na boca do cânion onde se iniciam as trilhas e escaladas). O café-da-manhã e o jantar (tajine vegetariano) nesta guesthouse foram maravilhosos, fora os inúmeros chás de menta na varanda e a prática de yoga às 6pm <3. Fizemos uma trilha linda de 3 horas de caminhada, caminhei na beira do rio e entre os cânions. Já pra quem se aventura mais (não é o meu caso) tem uma Via Ferrata pra subir um paredão (com degraus em metal fixos e cabo de aço acompanhando o percurso) e também paredões de até 400m pra fazer escalada com grampos, Deus me livre mas quem me dera.

IMG_2909
Cenário de Cléopatra no Atlas Studios em Ourzazate

Foi nesta guesthouse que conhecemos hóspedes vindos de Marrakesh que nos disseram: “NÃO VÁ! É horrível, vários homens no Souk (mercadão) explorando cobras e macaquinhos como atração turística, e fora alguns palácios bonitos, todo o resto é horrível”. Então resolvemos mudar a rota, pular Marrakesh e o próximo destino foi Ourzazate, onde dormimos num hotel delícia (Riad Sarayas) e exploramos os Estúdios Atlas dia seguinte (custa EUR 8), local de filmagens de Cléopatra, A Múmia, Aladin, Game of Thrones, Babel, O Gladiador, entre outros, além da novela Jezabel da Record. Saindo de lá visitamos o maior projeto de energia solar do mundo em construção, o Noor I (os engenheiros piram) e o castelo Ait Ben Haddou, que foi locação de Games of Thrones, tudo isso entre a Cordilheira Atlas a caminho do Litoral.

img_20191022_135909_original.jpg
Essaouira

Até paramos pra jantar em Marrakesh, e nem gostei mesmo, mas seguimos viajem pro último destino: 3 dias na praia de Essaouira. Este é um destino bem turístico, perto de praias de surf, lotado de bons restaurantes e lojinhas mais tranquilas do que as de dentro das grandes medinas. Foi a primeira cidade que vimos bebida alcóolica mais liberada, tinha cerveja e drink em todos os restaurantes (por ser um país muçulmano não era natural servir álcool nos restaurantes mais locais e cidades mais tradicionais) , e aqui encontramos até uma baladinha com música ao vivo. É o local perfeito pra descansar, seja na praia, seja em um restaurante rooftop vendo o pôr-do-sol no mar, visitar o mercado de pescadores e o forte (outra locação de GOT). Recomendo fortemente o hotel Mama Souiri, confortável, linda decoração e bem localizado

E acabou! Após o descanso e uns drinks, seguimos pra Agadir pra devolver o carro e embarcarmos! PS: tem vários vôos lowcost pro Marrocos saindo da França e Bélgica, por ser um destino muito comum pra quem só fala francês, então pra mim compensou pegar um ônibus de 18h até Bruxelas pra pagar só EUR 40 no vôo.

Enfim, este foi o roteiro: sem Marrakesh, sem Rabat, sem Casablanca e sem os famosos resorts de Agadir, viagem do jeito que eu gosto, fugindo dos destinos mais famosinhos pra curtir os outros destinos muitos mais únicos! Amei e recomendo!

Já quero voltar, deu saudades de assistir O Clone.

Reflexões

#socialmediadetox

IMG_0578

Esta semana foi a segunda vez em 2 anos e 4 meses de sabático que fiz um detox de mídias sociais, apaguei instagram e facebook do meu celular. A primeira vez foi em junho onde fiquei 7 dias offline e agora fiquei 10 dias. Na verdade fui forçada a ficar sem instagram, sem celular e sem qualquer tipo de comunicação (nem falar, nem olhar nos olhos de ninguém) por 10 dias no Vipassana, há 2 anos atrás, mas desta vez foi por querer mesmo. 

Rede social é um vício, às vezes nem percebemos, mas já estamos rodando o feed, quando o pensamento tá longe, fechamos o instagram e sem nem pensar abrimos de novo no mesmo instante, só pra ficar rodando, e nisso passam 5 minutos, 15, meia hora, 1 hora do dia perdida…Apagar o aplicativo, pra mim, foi a melhor solução pra eu entender que posso ficar sem ele. No começo é difícil, eu entrava no linkedin pra rodar o feed (e nem estou aplicando pra vagas), abria e-mails (coisa que só faço uma vez por semana), rodava o tinder, relia as conversas do whatsapp…  até entender que eu não precisava pegar o celular a todo instante, então comecei a deixar ele desligado enquanto etrabalhava na loja, desligado enquanto estudava, e quando eu realmente tinha 15 minutos livres numa espera de café ou trem, eu pegava o celular pra estudar dinamarquês pelo duolingo. 

As duas vezes que fiz este #socialmediadetox foi para dar foco ao meu novo desafio: falar dinamarquês fluente em 1 ano (quer dizer, desde que me coloquei este desafio já se foram 2 meses, então agora quero falar fluente em 10 meses!). E para isso tenho desafios mensais!

Nos meses de junho e julho fiz aulas particulares por Skype pra entender o básico da língua e aprender a gramática do nível 01, em paralelo eu assisti séries e filmes dinamarqueses com áudio e legenda na língua, fiz duolingo e testei outros aplicativos, li revistas e jornais, mesmo sem entender nada. A sorte é que trabalho numa loja turística, onde não preciso falar dinamarquês, mas posso treinar com as colegas dinas, e minha chefe é chinesa e não sabe bem a diferença entre inglês e dinamarquês (juro!) então ela mistura as duas línguas comigo e eu me esforço a entender. Agora nos meses de agosto e setembro estou fazendo o curso intensivo do nível 2 numa escola de línguas, 2 vezes por semana, 2,5h por dia com muita, muita tarefa de casa, sem brincadeira dá quase 10h por semana de lições, redações, decorebas….deus me drible!

Me forço a aprender em todos os lugares: repito as estações de trem depois que o altofalante anuncia, fico seguindo minhas colegas de trabalho pela loja enquanto elas atendem em dinamarquês, traduzo todas as placas e notícias ao meu redor e as conversas de tinder passaram a ser em dinamarquês, usando o dicionário, obviamente. Sempre tive mais foco em aprender línguas do que qualquer outra coisa. Lembro quando voltei da Alemanha com um namorado mexicano, coloquei na cabeça que em 10 meses eu estaria com ele no México e assim foi, estudei espanhol todos os dias e dei aulas de alemão pra juntar a grana da viagem. Funcionou, fui pro México falando espanhol intermediário e voltei 3 meses depois fluente. Sempre que me coloquei targets de aprender línguas consegui, me dediquei, tive foco. Muito mais que a engenharia que demorei 7 aos pra me formar…ops… nunca entendi porque fui estudar isso, sempre fui mais de humanas, hehehe!

Mas voltando ao detox de instagram, toda a minha rotina mudou: ao acordar, ao invés de checar o celular, me espreguiço, medito e faço um pouco de yoga na cama. Ao dormir, ao invés de perder aquela meia horinha no feed de novo, escuto um podcast, leio meu livro ou coloco yoga nidra pra dormir. Em junho quando eu pegava trem pro trabalho, gastava os 20 minutos do trajeto no instagram, durante o detox eu usei 3 aplicativos pra treinar dinamarquês: duolingo, mondly e drops. Percebi que tive muito mais tempo livre, parei mais em parques e bancos de praça pra tomar sol na cara, liguei mais pras pessoas (de fazer ligação mesmo, coisa rara hoje em dia), li mais, estudei mais, comi mais devagar, fiquei mais focada. E estes minutos na cama ao acordar, sentindo o sol, sem pegar no celular, são mágicos! Tentem!

Mas sim, senti falta, nos últimos 2 anos viajando, recebo diariamente directs no insta de pessoas que não conheço, geralmente com dúvida sobre um país, ou sobre organização de sabático, sobre yoga, sobre coragem, enfim, tenho o maior prazer de ajudar estas desconhecidas e na verdade muitas se tornaram amigas virtuais que converso diariamente pelo instagram, sem nunca ter visto ao vivo. Fora as que aparecem aqui em Copenhagen, me escrevem no instagram e nos encontramos pra um brunch, praia ou bar, amo!!! Senti falta de vocês, meninas! Mas já voltei, e agora vou revezando, semanas sim, semanas não, sempre me dando estas pausas de mídias sociais, que atesto e recomendo: faz bem!

Reflexões

Rotina sem rotina

IMG_9291

Este nome roubei de uma amigo que conheci nesta jornada chamada sabático, o Dani, e usarei para descrever minha rotina (sem rotina) na Dinamarca.

Hoje é segunda, até trabalhei, mas nem é toda segunda que trabalho, comecei o dia de uma maneira MUITO atípica pro meu lifestyle minimalista sabático: em uma clínica de estética!! Eu sempre fui vaidosa e vivia na dermato na minha antiga vida corporativa patricinha em SP, até dois anos atrás, e é verdade que durante estes 28 meses sabáticos desencanei demais da minha aparência, raspei a cabeça, fiquei meses sem maquiagem, comecei a fazer exercício pelo simples prazer e não pela estética e nunca mais usei salto alto.

Mas as rugas na minha testa…essas me incomodam, e aumentaram muito nestes dois anos de poeira indiana, zero skin care, semanas seguidas de praia na Indonésia, Filipinas e Grécia, noites dormidas em aeroportos, trens e beliches distintas de hosteis e pouco protetor solar (sim, errei)…enfim, nestes 28 meses viajando a verdade é que minha pele do rosto envelheceu aceleradamente e eu estava incomodada. Então aproveitei que caiu do céu um quarto mais barato pra eu alugar aqui em Copenhagen, fiz as contas, e a economia que farei em aluguel e transporte nos próximos 3 meses me pagam a aplicação de botox na testa (afinal 35 anos, né mores?). Então hoje comecei meu dia indo de bike até a clínica de estética, recebendo botox sem pomada anestésica (diferente do Brasil) e pagando pelo celular (mobile pay), porque aqui cartão ou dinheiro em espécie são pré-históricos. Procedimento simples e rápido por aqui, já falei que as dinamarquesas são lindas e vaidosas?

Mas voltando a minha rotina, e ignorando este evento atípico, às 9h da manhã desta segunda-feira eu estava livre, parei num café delícia pra um brunch (depois de pesquisar preços pelas internet),  pedalei na beira do rio, fui na biblioteca real pra conhecer e estudar e de lá fui pedalando pro trabalho ao meio dia. Saí às 20h, de bike, e parei num parque pra contemplar o pôr-do-sol antes de ir pra casa ver um filme com uma taça de vinho (na verdade foi um episódio “ugly delicious” do Netflix sobre uma pizzaria que conhecerei aqui esta semana e é uma das 5 melhores pizzas do mundo!). Isto é uma segunda-feira feliz!

Estou desde abril trabalhando em uma loja bem turística no centro de Copenhagen, é uma joalheria que vende jóias em Âmbar,  produto super tradicional da Dinamarca, e as únicas exigências para se trabalhar lá eram ter boa comunicação e quanto mais idiomas melhor para atender turistas do mundo todo. Então passo o dia fina no meu terninho atendendo brasileiros, portugueses, mexicanos, espanhóis, alemães e americanos e gastando meus idiomas que sempre amei estudar! A maior parte do tempo falo inglês e espanhol, me arrisco bastante no alemão (embora todo alemão fale muito bem inglês) e uso e abuso do vocabulário que aprendi no meu mochilão mundo usando palavras em russo, hindi, italiano… e quando entra turista de algum país que já visitei, já puxo uma conversa sobre meu prato favorito ou praia que mais gostei. Estou trabalhando, mas me sinto ainda num lobby de hostel trocando experiências com viajantes. 

Às vezes trabalho do meio dia às 20h, outras vezes das 9h às 16h, geralmente tenho folga às quartas, quintas ou sextas, prefiro trabalhar aos finais de semana onde o salário é maior e ter folga na semana pra aproveitar parques e museus mais vazios, mas enfim, cada semana é diferente, sem horário fixo, e cada dia aproveito de uma maneira diferente. E trabalhar de vendedora é assim: acabou o expediente, acabou. Não tem que ler e-mail em casa ou preparar material pra reunião do dia seguinte.

Nas minhas folgas durante a semana, aproveito pra ir à praia ou fazer uma viagem curta a algum museu ou parque ao redor de Copenhagen, nos dias que saio às 4 da tarde, aproveito que está escurecendo às 10 da noite e tenho mais estas 6 horas livres onde nado no canal, encontro amigos, vou ao cinema, faço pic nic no parque ou marco uma cerveja num bar. Até sessão de fotos nas horas livres já rolou, e convite pra ser figurante, acontece de tudo nesta Dinamarca!

Quando trabalho do meio dia às 8 da noite, tento aproveitar minhas manhãs com caminhada no parque, yoga ou marcando um brunch com as amigas (como será amanhã).

Quando dou sorte e minhas folgas se acumulam todas juntas, viajo. Em junho sem querer no meu calendário tive 6 dias seguidos de folga que fui conhecer a Estônia, em julho pedi um fim de semana de folga e fui fazer um curso em Berlin, e no fim do mesmo mês calhou de ter 4 folgas seguidas de novo que fui visitar amigos em Amsterdam, aqui é tudo pertinho, dá pra ir de carona de blabla car, de ônibus Flixbus ou arrumar uma passagem em promoção da Ryanair ou Norwegian Airlines. 

Minha vida aqui não tem muita regra, e apesar de eu estar trabalhando, chamo ainda de sabático, porque acordo, sinto meu corpo, respeito minhas vontades e sigo o flow: como quando tenho fome, pulo num canal gelado quando sinto calor, pedalo ou caminho quando sinto necessidade de movimentar, encontro um amigo ou date quando estou afim, estudo ou escrevo quando estou inspirada. Apenas respeito o fluxo, me respeito, tenho meus dias todinhos em silêncio, tenho meus dias sozinha, tenho meus dias que emendo brunch com um, almoço com outro, parque com outro, jantar com outro e fim do dia tenho a sensação que o dia durou uma semana. 

O mais engraçado é que na loja estou trabalhando 40 horas semanais (que é bem acima da média de carga horária da Dinamarca), mas sigo dizendo que estou num part time job…isso porque nos meus dois primeiros meses na loja, antes da alta temporada de turismo começar, eu realmente trabalhava só 2 a 3 dias na semana, e agora, apesar de trabalhar 5, sigo com essa sensação de part time, de tanto tempo livre bem aproveitado que tenho. No Brasil, trabalhar 40 horas semanais era o mínimo, mas parece que eu não aproveitava o resto do dia, pelo trânsito, stress, e-mails de trabalho fora do expediente, preparação de material, preocupações…e o fim de semana era curto para se descansar o suficiente. Hoje, mesmo num dia que trabalho 8 horas, às vezes tenho mais 5 horas livre num parque com amigos, o que me dá a sensação de um sábado inteiro no meio da semana. 

A verdade é que estou trabalhando mas sigo chamando minha vida de sabático, porque o estilo sabático se instaurou em mim. Em dezembro passado, eu estava mochilando pelo mundo faziam 20 meses quando percebi que estava cansada de mudar de país todo mês, de viver com todas as minhas roupas dentro de uma mochila e de dormir em uma cama (ou sofá, ou barraca, ou chão de aeroporto) diferente a cada 2 noites.

Então comecei a pesquisar e pensar onde me fixar pra ter uma “rotina”e não precisei pensar muito, mesmo por que se tivesse pensado as opções mais lógicas seriam Brasil ou Portugal, pelas nacionalidades, língua e amigos/família. Eu apenas senti que meu lugar era em Copenhagen em apenas 1 fim de semana de visita aqui e voltei em março pra me fixar.

Não, não é tão fácil pra brasileiro se mudar pra Dinamarca, eu fiz isso graças a minha nacionalidade Europeia e agradeço todos os dias minhas ancestrais, bisavó portuguesa e toda sua origem, que me permitem hoje este privilégio de morar neste país que admiro mais e mais a cada dia. Mas para brasileiros precisam vir empregados com visto de trabalho ou estudando com visto de estudante.

Quando mudei, graças aos rápidos contatos via instagram e facebook com outros brasileiros aqui, consegui um trabalho em uma semana. Sabe a expressão QI (quem indica)? Aqui vale também, e através de outra brasileira que me indicou pra essa vaga consegui este trabalho. Aliás, nos tornamos amigas, fomos no show do Backstreetboys juntas e até dog sitter do cachorro lindo dela já fui. Conexões da jornada!

Mas na mesma semana, através do linkedin, também consegui outro trabalho no turismo, e quando neguei a vaga já indiquei outra amiga brasileira pro meu lugar e ela está trabalhando lá, felizona, enquanto eu estou aqui na loja, felizona! Então ter contatos e conexões realmente fazem muito bem!

E após gerente de trade marketing e gerente nacional de vendas, voltar a ser vendedora? Pra mim sucesso virou sinônimo de tempo de qualidade. Mas isto vai ficar para uma outra reflexão sobre sucesso e carreira…

Reflexões

a vida de bike

IMG_0144

Eu sempre sonhei com uma vida de bike. Nunca me arrisquei em SP a usá-la como meio de transporte diário, sempre tive medo de pedalar nas calçadas ou no meio dos carros, me contentava com os domingos de ciclofaixa na zona sul e centro de São Paulo, à passeio.

Mas há 5 meses me mudei pra Dinamarca, um país plano e “bike friendly”. O primeiro mês morei numa ilha e trabalhei como voluntária na própria casa que eu morava, nos 4 meses seguintes morei num município há 20min de trem de Copenhagen, e logo comecei a trabalhar no centro de Copenhagen, então eu vinha diariamente em trem, a bicicleta ficava pros dias de folga, pra pedalar pra praia ou pela floresta atrás de casa. 

Agora estou há 5 dias morando em um bairro que sempre sonhei pertinho do centro de Copenhagen (que na verdade é outro município, mas como está há apenas 3,5 km do centro eu chamo de bairro mesmo, afinal pra mim a Dinamarca inteira é uma grande cidade de interior do nosso Brasilzão kkkkk os dinas me matam se me ouvem falar assim).

Mas de verdade, o estado de SP tem 5x a área da Dinamarca, a população da grande São Paulo é 4x a população da Dinamarca inteira …tudo depende do nosso referencial. E o meu é: em SP eu morava “perto”dos meus pais e “perto”do trabalho, apesar de serem 3 bairros diferentes, eram 3 km pra cada um de distância (que eu sempre fazia de carro). Os meus amigos que moravam em zonas diferentes de SP chegavam a morar a 20 km do trabalho, levar 2h no trânsito, pensa num circuito Limão – Faria Lima ou Lapa – Brooklin, é isso! Longe pra caramba! Isso é considerado viagem de férias na Dinamarca, às vezes nem pra fim de semana eles pegam trem de 2h…mas enfim, estou num “município” há 3,4k do meu trabalho, bem em frente à prefeitura, o que me permite ir de bike. 

Compartilhando alguns fatos: 26% das viagens com menos de 5km na Dinamarca são feitas em bicicleta. 49% das crianças entre 11 e 15 anos vão de bike pras escolas. A cada 1 km pedalado, quando se evita carro, a população ganha 1 euro em benefícios a saúde, e em Copenhagen a população pedala na média 3km/dia.

(fonte: http://www.cycling-embassy.dk/facts-about-cycling-in-denmark/statistics/)

Que sonho de país! E voltando à minha vida de bike: mudei há 5 dias e trabalhei nos últimos 4 dias, levei exatos 11 minutos para chegar ao trabalho, o caminho todo tem ciclovia exclusiva, farol pros ciclistas e preferência pra eles (ops, pra nós, já posso me colocar nesta categoria). Carros e pedestres param para o ciclista passar.

Também tem código, que aprendi rapidinho: se for virar pra direita estica o bracinho na lateral do corpo, se for parar, ergue a mão como se tivesse cumprimentando alguém (dobra o cotovelo em 90 º com a palma aberta pra cima voltada  pra frente). A primeira vez que vi um senhor dando o sinal de parar achei que ele tava me dando tchau, até olhei pra trás pra ver se era comigo mesmo. Mas pior foi minha amiga quando mudou pra cá e deu hi-five no cara da bike que tava fazendo sinal de parar. Gente, sério!

Mas enfim, minha saga da bike começou a 4 dias, o caminho pro trabalho é quase uma reta só, mas ainda tenho dificuldades de tirar a mão do guidão pra fazer sinal de parar ou de virar, sempre tive essa dificuldade, perco o equilíbrio.

Outra grande dificuldade é que só consigo começar a pedalar quando o pedal direito está pra cima. Quando é o esquerdo, começo devagar desgovernada até pegar impulso. E quando os dois pedais param em paralelo ao chão, ferrou, coloco os dois pezinhos no chão e vou no passinho pra frente… sou só eu ou tem mais gente lesada assim? Isso porque minha bike freia no pé quando pedala pra trás, então quando estou paradinha não consigo girar o pedal pra trás até a minha posição favorável: pedal direito acima, pedal esquerdo abaixo. 

Falando em passinho pra frente só consigo parar se alcanço os 2 pés no chão, sem sair do banco. Admiro muito aquelas pessoas que deixam o banco altão e quando param saem do banco à frente pra colocar o pé no chão. Admiro mais ainda as minas de saia lápis e salto que fazem isso (dêem google em imagens da princesa Mary aqui) essa é cena mais comum aqui.

Admiro mais mais ainda, quem começa o pedal de ladinho na bike, dá um impulso com um pé, e depois passa o outro pro ouro lado da bike, wowwww!

Admiro mais mais mais ainda quem pedala segurando o copo reutilizável de café, e ainda faz tudo isso listado acima.

Mas um dia… um dia chego ao estágio destas pessoas e farei um vídeo no youtube sobre como pedalar com maestria. No meu momento atual:  falta só eu colocar rodinhas laterais, né? Mas aos poucos vou tomando jeito. 

Os começos são difíceis, sempre, até se tornarem confortáveis. Estes primeiros dias de bike, preocupada em não atrapalhar os outros e não causar acidentes, em fazer os sinais, decorar o caminho, me trouxeram uma lembrança muito forte de quando comecei a dirigir. Eu tinha 19 anos, já tinha carta mas tinha muito medo de dirigir. Morava em São Carlos, interior de SP, o ano era 2003, e de repente meu pai me deu o carro que era dele antes: um Uno Mile modelo 1990, da idade do meu irmão. O carro já tinha sido do meu pai por 9 anos e do meu avô por mais 4 anos, só tinha 4 marchas, 2 portas e era cor baunilha. Ahhh quem não lembra do Baunilhinha pela UFSCar… foram tantas caronas!

Mas no começo eu morria de medo de dirigir, e nos primeiros dias eu ia pra faculdade 1 hora mais cedo que a aula só pra não cruzar ninguém na rua, pra ir na minha velocidade 20km/hora, sem passar da segunda marcha e fazer as várias tentativas de parar na vaga 45º da faculdade, sem nenhum carro ao redor. Mesmo assim na primeira semana recebi o bilhetinho no parabrisa “aprenda a parar numa vaga só”… nuca esqueço. Boas lembranças!

E esta vida atual no pedal está neste começo devagar e receoso, mas está me deixando muito feliz! Não gasto com transporte, não poluo o meio ambiente, faço um exercício diário, vejo a cidade com outros olhos, pedalo devagar conhecendo cantinhos novos: ja descolei a loja de fantasia pra parada gay e uma floricultura pra encher meu quarto de flores, além de muitos cafés e restaurantes indianos. A gente olha a cidade com outros olhos na bicicleta, observa as pessoas e são aqueles 20min diários (de ida e volta) pra pensar na vida, ter estas reflexões, como esta aqui, e quem sabe a partir desta não reativo este blog que estava parado e trago reflexões semanais sobre a vida na Dinamarca e do sabático? Que assuntos vcs queriam que eu trouxesse aqui?

Reflexões

Nossos ciclos

img_4291.jpg

Descobri que minha produtividade neste blog sem café é ZERO. Dia 15 de novembro de 2018 eu cheguei na Islândia debaixo de chuva e dia seguinte também choveu o dia todo, então minha amiga e eu tomando um cafezinho na beira da estrada fizemos um pedido e uma promessa pra Santa Clara, ficaríamos 6 meses sem café se parasse de chover…

Santa Clara clareou e tivemos 10 lindos e maravilhosos dias de Islândia! 

De lá pra cá já se passaram 4 meses, visitei outros 8 países, vi a aurora boreal, visitei amigos e família, fiz curso de yoga e thetahealing, mais uma experiência de workaway, e nada de relato no blog, nadinha, sobre nenhuma das experiências ou lugares visitados! 

Ando preguiçosa…

Aí a única relação que consegui fazer foi a do bom e velho café que me acompanhava em frente ao computador quando eu me inspirava a escrever e compartilhar algo. Mas parei hoje neste restaurante vegano em Copenhagen pra refletir sobre produtividade e no que percebi isso aqui já estava virando um post,  mesmo sem café, com um litro de chá verde na minha frente.

E a produtividade que comecei a refletir e queria compartilhar, é a produtividade de nós, mulheres. Com certeza vocês já notaram que tem dias que produzimos mais e outros que produzimos menos, mas muitas de nós nunca conectaram cada dia destes com nossas fases. 

Eu nasci em São Paulo, classe média, e sabe o que acontece com adolescentes com espinhas (muitas) da classe média quando menstruam pela primeira vez? A mãe leva na ginecologista particular e a gineco taca pílula anticoncepcional na gente pra controlar as espinhas e pra já começar a prevenção, que qualquer momento pode surgir um namoradinho. E lá ficamos no uso continuo da pílula por 10, 20 anos.

Não é com todo mundo que acontece isso (Graças a Deusa), e nem tenho dados estatísticos para provar, mas acontece com muita gente, principalmente da minha geração, e baseado na minha pequena amostragem de público feminino do instagram, o dia que coloquei este assunto em pauta choveu direct com “pelo amor da Deusa, mana, comigo também!!!”.

Mas o que tem a gineco particular da classe média paulistana a ver com a produtividade do blog? Nada. Tudo. A pílula na verdade tem tudo a ver.

Entramos na pílula nos 13 pra 14 anos e lá ficamos 20 anos até parar pra tentar ter filho (algumas). Eu fiquei dos 13 aos 30 porque me despertei antes. A pílula é confortável, as espinhas somem, o fluxo menstrual é contido, sabemos exatamente o dia que vamos menstruar e se for réveillon ou carnaval, opa, é só emendar a cartela pra “se livrar”.

O que acontece, é que com o uso da pílula não ovulamos, não produzimos nossos hormônios de forma natural, não conhecemos nosso corpo, nosso real humor, intuição, fases, nossa mulher lobo.

E eu posso estar falando tudo errado aqui do ponto de vista médico, porque sou engenheira e isto não é um artigo acadêmico, e sim uma reflexão da minha auto observação e do que aprendi em cursos e leituras de tantra e de sagrado feminino. Então me poupe! Brincadeira, lê aí se você se identifica!

Depois dos 30, que parei a pílula e passei a me observar, a anotar meus dias de ciclo, meu humor, minha energia pra fazer as coisas, meus dias de preguiça, fui percebendo similaridades a cada ciclo, e após alguns cursos e estudos descobri que é isso mesmo! Se estamos livres de hormônios fakes, isto é, da pílula, em nosso estado natural de ciclo e em contato como nosso feminino, temos 4 fases de 4 arquétipos do feminino bem definidos:

  1. menstruação: fase da bruxa ou anciã. Onde o óvulo não fecundado precisa sair, é a fase de limpeza, momento de introspecção, onde temos a tendência de não socializar muito e não fazer muita atividade física. Então, pra colocar objetivo nos nossos treinos, deveríamos nos cobrar menos nesta fase, e respeitar nossa vontade de pular aquela balada, mesmo que seja A balada. 
  2. pré-ovulação: a donzela. Começamos um novo período, energia de criação bem alta, esta é a melhor fase pra nossa produtividade, intuição, movimento e tomada de ação. Onde estamos com nossa auto-estima mais elevada. 
  3. ovulação: a mãe. É na ovulação que o corpo está se preparando pra gerar uma nova vida, então é nossa fase mais cuidadora, melhor ouvinte, de maior interação social, e é nesta fase que nossa criatividade atinge o ápice, melhor momento pra novos projetos, pra escrever, desenhar.
  4. pós-ovulação: feiticeira ou sacerdotisa. A famosa TPM! Todas as emoções afloram mais nesta fase, quem nunca terminou um namoro e mandou o namorido pra fora de casa pra sempre nesta fase? ops…talvez só eu. Mas é uma ótima fase de reavaliar nossos sentimentos, porque o que está guardado e camuflado vem à tona!

Então, há 4 anos venho me observando nestas fases, anotando cada dia, encontrando as similaridades e faz todo sentido! Eu anoto em tabelinha online, uso o aplicativo WomanLog, onde posso marcar a os dias da menstruação e outras observações, como humor, sexo, produtividade. Também me recomendaram usar o Clue ou o Flow. Se você não toma pílula, começa a anotar seus ânimos, preguiça, criatividade e compara com estas fases!

Recentemente comecei também a fazer minha Mandala Lunar, que super recomendo! Nela você anota na legenda que quiser e com as cores que quiser, o que tem ocorrido com você dia a dia, marca o ciclo e acompanha com as fases da Lua. Não encontrei aplicativo pra isso, se alguém tiver um comenta aqui, mas eu recebo a minha mensalmente pelo site www.mandalalunar.com.br, com ilustrações lindas!

Falando em lindas, esta foto linda no topo do texto foi de um curso na Índia, e uma das primeiras vezes que tive contato com este tema dos ciclos, apesar de ter parado a pílula 3 anos antes sem saber direito porque estava parando, por uma simples necessidade de me limpar de qualquer tipo de medicamento. Mas este curso, ‘Poderes do Feminino’, foi compartilhado pela Deva Geeta e Aysha Almeé, que trabalham no Brasil e super recomendo! E, além do livro ‘Mulheres que Correm com os Lobos’ da Clarissa Pinkola que já li e reli, elas também recomendaram ‘A Lua Vermelha’ da Miranda Gray que ainda não li, mas fala exatamente das energias criativas do ciclo menstrual.

Aproveito e deixo mais 2 dicas amigas relacionadas com o tema: o documentário ‘Period. End of sentence’ disponível no Netflix sobre o tabu menstruação na Índia e o podcast ‘Talvez seja isso’  sobre o livro Mulheres que Correm com os Lobos disponível no Spotfy.

Pois é, rolou um post, e na verdade não tinha nada a ver com a abstinência do café, abro minha mandala lunar e vejo que estou na fase MÃE, da criação. Então todos estes dias que separei na minha agenda pra escrever, fui até um café, sentei confortável, pedi um chá e não saiu texto nenhum, eu estava na verdade em outras fases lunares não propícias pra isso. Se aprendemos isso sobre a gente, podemos administrar nosso tempo e compromissos do jeito mais apropriado, sem nos forçar a nada. 

Confia na sua intuição, mulher, e não se cobre tanto! Respeita seu corpo, respeita sua criatividade, respeita seu humor. E agora vou aproveitar a fase de criação e já emendar outro post sobre Yoga na Índia ou sobre o roteiro da Islândia. Em breve posto aqui, beijo!

ah! acho que nem preciso comentar que para a prevenção de gravidez AND doenças sexualmente transmissíveis sou #teamcamisinha, né? Porque mesmo tomando pílula eu já usava, vocês me poupem se não usam!

Empreendendo

Kell Haller mudou a rota

20190126_153500

Duas engenheiras trabalhando no varejo, foi assim que eu conheci a Kell, há 6 anos atrás. Trabalhávamos juntas, ela responsável pelo planejamento de demanda e compras de produtos e eu responsável pelo trade marketing e comercial….blablabla, papo chato este de cargos, vamos pular esta parte.

Mas a gente trabalhava lá, no mesmo ambiente, mesma firma, mesas separadas, gestões separadas, e vira e mexe uma estava ajudando a outra nas inaugurações de loja e datas comemorativas. A gente tinha muito em comum, engenheiras, planejadas, certinhas, num varejo louco que muda o tempo todo, e ainda nos encontrávamos pros papos holísticos sobre anjos, hipnose, terapias, comunicação não violenta, reike, e assim vai…

Aprendemos demais no varejo, aprendemos a mudar a rota, porque varejo é isso né? Uma escola! E eu aprendi demais nas trocas que tinha com a Kell, nos cafés e almoços, lembro direitinho de uma inauguração de loja no Recife, ambas descolando um adesivo filho da put@ da vitrine com aquelas colas que agarram no vidro, no meio da tensão do natal, e lá estávamos nós, plenas na vitrine, conversando sobre terapias holísticas. E a gente era daquele tipo que punha a mão na massa sempre!

A palavra “resiliência” aprendi com ela, não por que ela queria me ensinar não, porque ela era o exemplo de resiliência na firma. E até quando ser muito resiliente é bom? Resiliência pelo dicionário é a capacidade de se adaptar facilmente às mudanças, ou a capacidade de um objeto de retornar a sua forma original, mas deve machucar pra um objetivo sair e voltar pra sua forma original tantas vezes! E a Kell estava lá, mostrando ser uma fortaleza, mesmo com as condições mudando o tempo todo, ela sempre se adaptava, imagino que devia machucar, mas ela estava sempre lá, firme. 

Trabalhamos 4 anos na mesma firma, fomos nos conectando cada vez mais, até psicóloga ela me recomendou num momento que eu queria muito começar terapia, e foi indicação certeira: fiz 3 anos de terapia com esta indicação e me descobri muito. 

Até o dia que a Kell e eu fomos desligadas, no mesmo dia! Uma às 8h da manhã, a outra às 9h. Mas como dizia uma amiga minha, energeticamente já não estávamos na firma, estávamos desconectadas daquele espaço de trabalho, então não foi surpresa, recebemos a notícia de forma madura, marcamos de ir ao sindicato juntas dia seguinte assinar os papéis e já fomos de legging e tênis pra curtir o dia no parque depois! Lembro muito daquela manhã de parque, água de côco e planos, em plena terça-feira!

Naquele momento, já falávamos de reike e thetahealing, e a Kell logo foi fazer os primeiros cursos de Thetahealing, foi uma decisão certeira na vida dela! Após ela realizar o básico já me deu uma sessão, e me ajudou a derrubar uma barreira de medo que eu tinha de me jogar no sabático pra me descobrir em uma nova profissão…e olha que após dois anos também estou me descobrindo no thetahealing como uma nova profissão…

Naquela época, a Kell logo foi trabalhar em uma nova firma, mas foi por poucos meses, porque no fundo ela sabia o que queria: trabalhar com cura e energia. Em paralelo, ela se formou em mais de 10 cursos do Thetahealing, foi até a Espanha ter formações como instrutora e em poucos meses largou a firma e passou a se dedicar 100% com o que queria:  atendimentos e cursos de Theta!

Foi uma decisão fácil? Mudar da estabilidade para o novo nunca é fácil, exige coragem, mas se não tentarmos nunca saberemos. Tem o salário que cai certinho todo mês no mesmo valor? Não. Tem a segurança financeira, plano de saúde, 13º? Não. Mas ela está feliz e confiante. Porque quando a gente faz o que ama, manifesta positivo, corre atrás, o resto vem.

Esta decisão também não foi fácil porque o marido da Kell tem uma profissão fora do “comum”: é mágico e hipnólogo. Então os ganhos dele são sazonais, dependem dos eventos! Ter o salário da Kell antes, caindo redondo todo mês era uma segurança para ambos. Aliás, se ela fosse escutar muitos palpites que escutou na vida, nem com ele estaria há 12 anos, pois foram muitos julgamentos ao que seria um relacionamento ideal, afinal, “mágico, né?”. Mas o que é um relacionamento ideal? Pra Kell é onde existe amor, respeito e admiração e é valorizando as diferenças que um impulsiona o outro. Agora ambos resolveram viver e se entregar a seus verdadeiros propósitos! Hoje o Paolo também embarcou no Thetahealing e apoia a Kell nos cursos! Sobre as contas pra pagar? Ainda existem e estão sendo pagas. Confie, trabalhe no que você ama, que o dinheiro virá. 

Porque eu queria contar a história dela aqui? Porque eu a admiro e queria inspirar muitas outras mulheres a não ficarem em suas zonas de conforto. Inspirar a escolherem seus boys pelo amor e companheirismo e não pela segurança financeira ou social. Inspirar a se dedicarem às profissões que sonham em trabalhar, e não às que estão em suas zonas de conforto!

Ah! E sobre o Thetahealing, passo a palavra à Kell que está neste mundo há bem mais tempo que eu: “ Nós construímos nossa vida a partir de nossas crenças, muitas estão no nosso inconsciente, aproximadamente 90% do que fazemos é inconsciente segundo a ciência. Mas calma, nem tudo é ruim!!! Com o ThetaHealing conseguimos acessar esses padrões inconscientes e mudar aquilo que a pessoa entende como limitante. Ao reconhecer todos os aprendizados que aquele padrão trazia pra pessoa, re-significamos e a partir daí a pessoa pode criar algo novo pra si, inclusive se livrar de doenças físicas. ThetaHealing (cura da alma) é uma técnica de autoconhecimento e transformação , com diversas ferramentas fantásticas e com uma energia de puro amor que trabalha 3 pilares importantes: mente, corpo e espiritualidade.” Kell Haller.

É isso! E pra quem tem interesse em uma sessão ou formação em Thetahealing em SP, super indico esta minha amiga! O contato da Kell: (011) 98342 9453.

E espero ter inspirado mais gente por ai!

Reflexões

Vida pré-sabático

 

IMG_8343

Esses dias atrás, aqui no meu segundo curso de Yoga na Índia, tive que fazer uma tarefa de casa pra aula de filosofia: montar uma aula sobre qualquer tema e apresentar! Filosofia é a matéria mais difícil pra mim, sou das Exatas, né? Mas sentei, meditei um pouco, refleti, e me lembrei de um poema que escutei há um ano atrás de um indiano aqui na Índia: The Calf Path, de Sam Foss.

Então montei minha aula sobre este poema, e uma analogia com a vida moderna que levamos! Em resumo, o poema conta de um caminho desordenado que o um bezerro fez um dia, seguido de um cachorro dia seguinte, de umas ovelhas depois, de uns homens, e um dia este caminho virou uma pequena estrada de um vilarejo, e por fim uma grande avenida toda desordenada no centro de uma cidade, onde milhares de pessoas passam todos os dias sem saber porque aquela avenida  tem formato zigue zague, sem saber que seguiam os passos de um bezerro de 300 anos atrás…

Então eu trouxe pra aula este tema, e o fato de que hoje em dia muitas pessoas nascem, vão pra escola, estudam pra passar na faculdade, fazem faculdade, se formam, batalham por um emprego, financiam o primeiro carro, trabalham mais ainda, são promovidas, casam, financiam o apartamento, trabalham mais e mais, têm seu primeiro filho, e o ciclo se reinicia, mas muitas vezes elas não sabem o porquê. E não tem problema nenhum realizar este ciclo! Desde que se tenha consciência e desejo de realizá-lo, e não fazê-lo porque todo mundo o faz.

Tudo que é feito com consciência é saudável!

Eu estava neste ciclo, terminei o colégio, fiz cursinho, entrei na faculdade.

Todo mundo ia pra faculdade na minha escola, fui também.

Passei em engenharia de produção em faculdade pública do interior, fui morar em São Carlos, aproveitei ao máximo essa fase: a vida em república, os estágios, projetos, voluntariado na Amazônia, intercâmbio, as cervejadas, vivi tudo intensamente, até chegar a fase de me formar e passar num processo de trainee. Lembro que os professores só falavam em processo de trainee, era o assunto do último ano, eram duas possibilidades: ser promovido a analista no estágio atual ou entrar em um processo de trainee, era aquele “calf path”.

Todo mundo prestava processo de trainee na minha faculdade, então prestei também. 

Lembro que me candidatei a mais de 20, e no primeiro que passei já desisti dos outros. Comecei, foi intenso, difícil e eu vivia infeliz, me sentia despreparada, estava numa grande empresa, com um bom salário para um recém formado, mas eu não aprendia muito e era cobrada por coisas que eu não sabia. Me rendeu uma úlcera no estômago e uma sensação eterna de que eu não era boa o suficiente, sempre sendo comparada aos demais. Então mais de um ano depois, desisti. 

As pessoas me achavam louca, desistir de um processo de trainee que ao final de 2 anos o cargo “garantido” era uma gerência! Que sucesso né? Mas pra mim sucesso era ser feliz.

Peguei a recisão, as férias pendentes, o 13º e fui pra Londres fazer 2 meses de curso de inglês. Lembro que nesta época eu dizia “não volto nunca mais pro mercado corporativo!!!”, eu pensava em ser fotógrafa, mas sempre vinha o pensamento “ser fotógrafa dá dinheiro?” e logo eu achava que não, e que se não dava dinheiro eu não deveria tentar, pois foi assim que aprendi na vida: que precisávamos ganhar dinheiro.

Então voltei de Londres, sem um real no bolso, mas eu estava morando com meus pais e eles me apoiavam incondicionalmente, voltei pras entrevistas de emprego, logo passei em uma e virei coordenadora de Trade Marketing. Foi um salto de trainee pra coordenadora, ter a responsabilidade de um time, ser gestora, e eu tinha apenas 26 anos, me considerava nova, mas dessa vez, foi um sucesso: fui feliz! Tinha muitas responsabilidades e em poucos meses fui promovida a gerente de Trade Marketing, o time cresceu, aos 27 anos eu gerenciava 2 analistas, 4 coordenadores regionais e quase 200 promotores, daqueles que executam aquelas gôndolas perfeitinhas em supermercados. Eu adorava dar treinamento a eles, criar processos, rodar os supermercados do Brasil checando gôndola de supermercado!

E aí o fluxo seguiu: recebi proposta de outra empresa, com salário maior e no mercado de beleza, me empolguei tanto! FUI! Fiquei 6 anos, era apaixonada por esta empresa, sou ainda, aprendi, construi muita coisa, fiz amigos incríveis, fui sendo promovida, financiei carro novo,

Todo mundo ao redor tinha carro, comprei também.

Fui sendo promovida, financiei apartamento,

Todo mundo ao redor tinha apartamento, comprei também.  

entra namorado, sai namorado, chega cachorro que eu trato como filho, dedicação total à firma, trabalho, trabalho…

Eu era feliz, mas quando perguntavam quem eu era, eu descrevia meu cargo. Quando perguntavam o que eu fazia da vida, eu respondia a empresa que eu trabalhava. Fui percebendo que meu cargo, meu diploma e minha profissão me representavam. E aquela não era eu. Mas eu também não sabia quem eu era. Estava fazendo tudo seguindo padrões, mas sem consciência.

Aí entraram as terapias, “tradicionais” e as holísticas, cursos de auto conhecimento, livros, sessões, rodas de sagrado feminino, fui me abrindo pra um campo novo, e este processo durou uns dois anos até o dia que quis viver só o que eu considerava  na época “o lado B”. 

Sobre o momento da coragem de tirar o sabático, já contei outra vez aqui! Foram muitas sincronicidades e um momento de trabalho onde eu já não me entregava tanto e a empresa também precisava de outra pessoa em meu lugar. Fui desligada! Oh my god!!! Mentira, foi maravilhoso, foi a coragem que me faltava pra acertar o momento de partir pra esta aventura chamada sabático. 

Eu interrompi um ciclo que estava seguindo por comodidade, porque estava na minha zona de conforto, porque era conhecido e certo, assim como o Calf Path,  que apesar de ser em formato zigue e zague, todo mundo seguia porque era conhecido e certo. Mas eu queria algo desconhecido e novo.

Lembro que em uma das minhas  despedidas da ‘firma’, onde eu contava meus planos de viagem, disse que começaria pela Ásia fazendo uma formação em Yoga na Índia, e uma das meninas do trabalho me disse “que bom, porque no final, se tudo der errado, você pode ser professora de yoga”… na hora eu pensei “eu estou fazendo uma formação em yoga porque se tudo der CERTO eu serei professora de yoga”. Mas eu não julgo e nem culpo este tipo de pensamento, é normal pensar assim, não é todo mundo que quer mudar. Semana passada um dos professores aqui na Índia contou a mesma história, trabalhava em Dubai no mercado da moda, gerente de marketing de marcas de luxo, e largou tudo pra trabalhar com yoga, quando visitou seus antigos amigos em Dubai, um perguntou porque ele tinha feito este “downgrade” de carreira… As pessoas atribuem sucesso à salário e cargos, eu atribuo à felicidade, à ter tempo, e consciência. O dinheiro acompanha quando nos encontramos.

Eu não acho que todo mundo tenha que interromper este ciclo da sociedade, só o que estão inconformados com ele, estes devem! Por que pra muita gente, seguir o ciclo faz completo sentido, é realmente do desejo e consciência deles, então tá ótimo!

Quem eu sou agora? Depois de 22 meses vivendo um sabático? Não sei a resposta…kkk…sou tantas que não sei descrever!

Meu futuro? eu não sei, estou manifestando o que eu quero e sei que o melhor virá! Tenho muitos caminhos que quero seguir agora e alguns paralelos a outros, pois não precisamos ser uma pessoa só. E dentre este caminhos,  pode até ser que eu volte a trabalhar em uma ‘firma’, mas será na cidade que eu escolhi, com um propósito certo e com a consciência do que estou fazendo e porquê. 

E neste exato momento recebo uma msg no Instagram “oi, comecei a te seguir a pouco tempo acabo de largar a engenharia pra trabalhar com energia!”. 

É, Ana Carol, somos muitas!

Reflexões

The Calf Path – Sam Foss

p1100172.jpg

Há um atrás, aqui na Índia, eu conversava com um indiano sobre sabático, mudança de carreira, sobre deixar de seguir “padrões”… e ele me apresentou este poema de Sam Foss, que vez ou outra eu releio. Então resolvi compartilhar aqui! O original é este, em inglês, mas dá pra passar no tradutor se precisar.

(mas a foto é da estrada na Islândia, hahahaha, só porque gosto da foto mesmo!)

Um poema que conecta e nos questiona!

The Calf Path

(Sam Foss)

“One day through the primeval wood

A calf walked home as good calves should;

But made a trail all bent askew,

A crooked trail as all calves do.

Since then three hundred years have fled,

And I infer the calf is dead.

But still he left behind his trail,

And thereby hangs my moral tale.

The trail was taken up next day,

By a lone dog that passed that way;

And then a wise bell-wether sheep

Pursued the trail o’er vale and steep,

And drew the flock behind him, too,

As good bell-wethers always do.

And from that day, o’er hill and glade.

Through those old woods a path was made.

     

And many men wound in and out,

And dodged, and turned, and bent about,

And uttered words of righteous wrath,

Because ‘twas such a crooked path;

But still they followed—do not laugh—

The first migrations of that calf,

And through this winding wood-way stalked

Because he wobbled when he walked.

     

This forest path became a lane,

that bent and turned and turned again;

This crooked lane became a road,

Where many a poor horse with his load

Toiled on beneath the burning sun,

And traveled some three miles in one.

And thus a century and a half

They trod the footsteps of that calf.

     

The years passed on in swiftness fleet,

The road became a village street;

And this, before men were aware,

A city’s crowded thoroughfare.

And soon the central street was this

Of a renowned metropolis;

And men two centuries and a half,

Trod in the footsteps of that calf.

   

Each day a hundred thousand rout

Followed the zigzag calf about

And o’er his crooked journey went

The traffic of a continent.

A Hundred thousand men were led,

By one calf near three centuries dead.

They followed still his crooked way,

And lost one hundred years a day;

For thus such reverence is lent,

To well established precedent.

A moral lesson this might teach

Were I ordained and called to preach;

For men are prone to go it blind

Along the calf-paths of the mind,

And work away from sun to sun,

To do what other men have done.

They follow in the beaten track,

And out and in, and forth and back,

And still their devious course pursue,

To keep the path that others do.

They keep the path a sacred groove,

Along which all their lives they move.

But how the wise old wood gods laugh,

Who saw the first primeval calf.

Ah, many things this tale might teach—

But I am not ordained to preach.”