Índia, Roteiros de viagem

Rajastão dos marajás

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Este post contém roteiro de viagem. Fiz uma parte da Índia bem turística nos últimos 15 dias, o Rajastão, o maior estado da Índia, antiga terra dos marajás, na fronteira com o Paquistão, e então resolvi relatar por onde passei e o que fiz pra ajudar quem estiver pensando em turistar por esta região MARAVILHOSA, que apresenta um contraste entre uma Índia muito pobre, e toda a riqueza dos marajás que viveram nestes palácios.

Escolhi começar por Pushkar, pois uma amiga estava passando um tempo lá e fui visitá-la, não é todo mundo que coloca Pushkar no roteiro, mas eu amei! Pushkar é pequena, toda em volta de um lago sagrado que vale uma voltinha todas as manhãs pra ver os hindus tomando o banho sagrado ou fazendo puja (oração e oferenda) e uma contemplada todo pôr-do-sol do Sunset Point.

De turístico, além das voltinhas no lago, visitei o templo dedicado a Brahma (um dos únicos do mundo) e o templo Pap Mochani (Gayatri) que é uma subidinha de 30 minutos em um morro pra contemplar o pôr-do-sol. Também dá pra fazer o trekking de uma hora até o Saraswati Temple pra ver o nascer do sol, mas eu estava na minha semana preguiçosa e não fui.

Apesar de ser uma cidade sagrada (sem carne, sem ovos, sem álcool e sem demonstração pública de afeto), encontra-se cannabis em todos os lugares, inclusive os próprios restaurantes e cafés vão te oferecer, fica esperto! Mas independente disso,  Pushkar é um lugar para “shanti shanti” como dizem por lá, apenas relaxar. Eu estava tranquila, então fiquei 7 dias apenas indo de café em café e conhecendo o pessoal.

Ao redor do lago, há um grande mercado de roupas, sapatos e acessórios com suas confecções em cima das lojas. Conheci muita gente que vem comprar roupa aqui pra revender em seus países.

#dicaamiga: Café da manhã bom e seguro, são as frutas com musli do Sonu, na rua mesmo, ou o café com vista para o lago da Laura. Pra comer uma pizza recomendo o Om Shiva guest house, e para curtir a noite um bang lassi (iogurte batizado de erva, tá?) ou chai, o Nirvana Cafe também com vista para o lago. Comida excelente e na mesma média de preço é no Sixth Sense Restaurant (em cima do Haveli Seventh Heaven) e para uma boa salada ou cheesecake, recomendo o Honey & Spice. Também tem bons restaurantes tibetanos pra comer Momos. Dica de hotel lindo maravilhoso é o Seventh Heaven, mas eu fiquei no Kanhaia Haveli, que também é bom, tem um rooftop com vista e estava com 50% de desconto no booking na semana que fui, então paguei preço de hostel.

AH! Havelis são hotéis construídos em antigos palácios ou mansões com arquitetura mais rebuscada, costumam ser mais luxuosos, mas tem uns simples também.

De Pushkar segui para Jaipur, a capital do Rajastão e também dediquei mais tempo, pois descobri alguns brasileiros vivendo lá e acabei passando 6 dias com eles, entre turismo, cinema, balada, restaurante, e até comida de rua pós balada rolou, pois eles já conheciam os lugares mais “safe”.

Jaipur é grande e tem muita coisa pra fazer! Segue um pouquinho do que explorei:

  • Amber Fort está localizado há 11 km e tem uma arquitetura incrível. Aqui vale a pane pegar um guia pra entender onde era o quarto do rei, onde eram as acomodações das esposas, etc. De cima dele dá pra ver toda a extensão da muralha que protege a cidade e de  frente pro forte tem um café com rooftop delícia pra ver o pôr do sol.
  • Nahargarh fort é no meio da cidade, uma subida que é um exercício pra quem vai a pé, mas vale a pena, dentro não é tão grande e interessante quanto o amber, mas a vista da cidade é maravilhosa! E lá em cima é um ótimo point pro pôr do sol.
  • Pink City é a cidade velha  que foi toda pintada de rosa para receber o príncipe de gales em 1876, e eles mantém as fachadas rosas até hoje. É rodeado de lojas e achei meio caótico, mas pra quem não pegou este caos de mercado em Delhi, tem que passar por esta experiência de mercadoria + vaca passando + tuk tuk te atropelando + vendedor te puxando pra dentro da loja. Tem que viver issaê!
  • Hawa Mahal e Jan Mahal são dois palácios (do vento e da água, respectivamente) que cheguei a ver apenas as fachadas, um é um paredão vermelho de janelinhas que fica lindo a noite e o outro se vê de longe sob a água.
  • City Palace  é um complexo de pátios e prédios de datas diferentes, confesso que fiquei um pouco perdida lá dentro, acho que seria melhor pegar um guia ou o audio guide pra entender de que época e qual a função de cada construção, tem hora que economizo e depois me arrependo, pois não entendi nada (chora!) Mas a arquitetura é linda.
  • Jantar Mantar é um observatório em frente ao City Palace, teve um marajá na história de Jaipur que era astrônomo, então ele construiu este observatório com vários aparelhos de medição do céu. Eu gostei da visita, é mais rapidinha, mas interessante.
  • Albert Hall eu escolhi visitar este em um dia de chuva que não rolava fazer nada externo, foi gostoso, a arquitetura é linda, e tem um café Coffee Day na frente (tipo um starbucks)
  • Elephant Village (ou elephantastic) é um santuário de elefantes, fui lá conhecer mas não quis passear neles que acho judiação, mas passei a tarde alimentando e pintando com tinta ecológica uma elefanta fofa  de 22 aninhos.
  • Monkey Temple e Sun Temple é legal ir bem cedo pra ver o nascer do sol, e dar uma caminhada nas ruínas da muralha.
  • Cinema Raj Mandir é um cinema pra mais de 1000 pessoas, em um anfiteatro muito lindo, vale a experiência apesar dos filmes serem em hindi sem legenda, porque quando aparece o herói do filme, o povo vibra, aplaude, grita, maravilhoso!
  • Club Naila é a balada que eu fui.  Eu não podia passar pela Índia sem conhecer uma balada local, essa tava meio vazia, com um DJ meio atrasado nos hits, mas é localizada em um antigo palácio com uma piscina linda no meio, então o lugar já valeu.

#dicaamiga: dos restaurantes o que mais gostei foi o Peacock Rooftop, muito bom! E para estadia, se for sozinho fique no Mustache hostel, eu amei porque tinham várias atividades e uma área comum boa pra conhecer gente. Caso queira mais conforto, o Pearl Palace Heritage é um bom hotel!

Depois segui para Jodhpur, a cidade azul, menor, uma vila delícia de passear. Aqui as casas foram pintadas de azul para identificarem e não atacarem as casas dos brâmanes durante a guerra com Jaipur, e até hoje as casa são assim pintadas pois além da história, repele mosquitos e resfria do calor. A cidade rodeia o imponente forte Mehrangarh, que eu particularmente achei o mais lindo, e como na entrada está incluso o áudio guide, valeu muito a pena entender a história e cada arte do palácio dentro do forte. De lá se tem a vista de toda a cidade azul, linda!

Saindo dele passei no Jaswant Thada, um templo todo de mármore branco que foi feito como memorial a um falecido marajá, visita rápida e bonita. Também fui no Umaid Bhawan Palace, mais longe, um antigo palácio transformado parte em hotel de luxo e parte em museu, mas achei esta visita bem fraca, não recomendo.

Voltando pra cidade tem o clock tower e o mercado em volta. Aqui se vê vida! É só mais um mercado, daqueles caóticos de vendedores, crianças, pedintes, vacas e tuk tuk, mas sempre tem que dar aquela passadinha.

#dicaamiga: fiquei hospedada numa guest house que gostei muito, com vista pro forte e bom restaurante no rooftop, a Yogis Guest House.

Jaisalmer, a cidade dourada, foi a quarta cidade que visitei no Rajastão, no meio do deserto do Thar. Aqui tem outro forte incrível de onde se pode ver toda a cidade, a diferença aqui é que um quarto da população vive dentro do forte, não é um lugar apenas de visitação, é um lugar de vida, lojinhas, restaurantes, casas e havelis, que inclusive neste ponto resolvi gastar um pouco a mais pra ficar em um haveli dentro do forte, com a janela do quarto sobre a muralha (entenda-se por “gastar mais” que paguei US$ 60 em um quarto luxo,  quando minha média era US$ 10)

Eu não cheguei a visitar o palácio, tive apenas um dia e uma noite na cidade que andei pelas ruazinhas e lojinhas de dentro do forte. A segunda noite dediquei ao Camel Safari no deserto do Thar, fui de camelo pro deserto bem pertinho do Paquistão, vi o pôr-do-sol, jantei e dormi sob o céu estrelado no deserto, voltando de camelo do dia seguinte, uma experiência única! Várias agências fazem este tour saindo 14h da cidade e voltando as 11h do dia seguinte, é lindo, mas foi bem sofrido dormir ao relento, apesar dos cobertores que te dão, a gente acorda dia seguinte com tudo úmido! E como fui em dezembro, estava bem frio!

#dicaamiga: o haveli que fiquei foi o Garh Jaisal, mas até agora foi a estadia mais cara da viagem, devem ter outros havelis dentro do forte mais em conta. E pra fazer o tour do deserto, gostei e recomendo a agencia Trotters, pois está incluso no tour deles um quarto de hotel pra hora que você volta pra cidade, tomar um banho e descansar.

Duas outras cidades famosas do Rajastão, mas que não consegui ir ainda são Bikaner e Udaipur, a cidade dos lagos. Não encaixei no roteiro, então não tenho muitas dicas.

Agora pra dar uma noção de valores, e do quão barato é viajar pela Índia, gastei nos restaurantes de US$ 2 a US$ 7 cada refeição, em estadia de US$ 5 (hostel) a US$ 60 (haveli mais top dentro do forte) e entre as cidades fui de trem, entre 1a e 2a classe com ar condicionado pagando de US$ 10 a US$ 25, mas se for na categoria mais básica sai por US$ 5. Então é uma viagem de muita cultura e não muito cara!

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