A coragem, Reflexões, Sabático

A coragem do sabático

yoga

Eu fiz tudo “certinho”, estudei em escola tradicional de São Paulo, fiz cursinho pra passar em faculdade pública, terminei a faculdade com algum atraso, afinal a vida de república no interior tem muitos atrativos que fazem a gente perder o foco dos estudos… Mas ainda assim fiz intercâmbio, trabalho social na Amazônia, estágio, me formei e passei em processo de trainee, passei por 3 empresas, fiz MBA, alguns cursos de extensão, fui sendo promovida…Trabalhava cada vez mais estimulando o consumo mas em alguns momentos me dava um “tilt”, me perguntava se era isso mesmo que eu queria pro mundo ou se eu estava apenas na minha zona de conforto, me sentia cada vez mais afastada de mim mesma, seguindo um fluxo da sociedade e aí vinham as terapias alternativas: retiros de yoga e meditação, constelação familiar, mapa astral, leader training, terapia convencional, parecia que eu estava sempre buscando alguma resposta a alguma pergunta que eu não sabia nem qual era. Só estava desconfortável em seguir um flow de carreira que todos ao meu redor seguiam sem eu nem saber o porquê.

Então há uns anos atrás comecei a pensar em tirar um sabático, uma pausa na carreira pra viajar, conhecer novos lugares, pessoas, profissões, estilos de vida, mas nunca veio aquele momento de largar tudo, porque é como um vício, a gente vai ganhando mais e mais, comprando mais e mais, se comprometendo em cada vez mais relações.

Faltava coragem.

Porém há cerca de um ano atrás, no trabalho, durante uma palestra do filósofo Cortella, ele mencionou “pneuma”, aquela energia vital que deveríamos sentir ao levantar todo dia da cama e trabalhar no que estamos nos dedicando, e após 5 anos em uma empresa que eu gostava muito de trabalhar, eu não sentia mais este pneuma. Então este ano vieram aqueles episódios que alguns chamam de coincidência, mas eu chamo de sincronicidade. Li na revista Vida Simples sobre o livro Sabático 45 que a autora Heloisa havia parado a carreira pra passar um ano na Irlanda e como meu pai estava indo pra lá visitar meu irmão, achei que teriam dicas da Irlanda e comprei pra ele. Mas não, o livro nos guiava sobre tirar um sabático, do ponto de vista prático e emocional, e de repente eu estava com este guia e esta vontade na mão, e um desejo enorme de conhecer a Índia, comecei a pesquisar sobre cursos de yoga pra passar uma temporada lá e decidi que a data seria outubro pois é o melhor clima pra Índia e tempo suficiente pra eu me organizar, vender coisas, alugar o apartamento, sair do trabalho…

O trabalho… como diz uma amiga, energeticamente eu já não estava naquele trabalho, porque quando um ciclo se encerra a energia muda, e quando queremos muito algo o universo dá aquela ajudinha. Em uma reestruturação da empresa, meu desligamento veio 4 meses antes do meu pedido de demissão. Lógico que ser desligada em um ano de tanta crise política e econômica no país não deveria ser tranquilo, mas foi. Foi porque eu não acredito que devemos ficar onde não estamos felizes. E foi aí que a coragem veio! E o tão esperado sabático saiu do papel.

O sabático veio em forma de tempo pra visitar as pessoas que com a correria do dia-a-dia eu não conseguia visitar, veio em forma de cursos que tenho realizado, veio em forma de desapego e viver com apenas uma mochila, veio em forma de burning man, veio em forma de raspar a cabeça e doar o cabelo, veio em forma de yoga e circo, veio em forma de viagens que sigo fazendo e dedicarei meu 2018 a elas, veio em forma de pessoas que passam pela nossa vida pra apertar um botão.

E as sincronicidades seguem acontecendo, quando meditamos todos os dias, abrimos o canal da intuição, nos conectamos com nós mesmos, entramos em uma nova frequência. Há cerca de um mês atrás, quando eu estava em Auroville, uma comunidade no sul da Índia, conheci um casal que também largou carreira em busca de seu propósito, e ao trocarmos algumas palavras, eles me apresentaram o poema mais lindo que eu não conhecia: The Calf Path. Sobre o caminho desordenado feio por um bezerro onde toda uma sociedade seguiu sem nem saber por que, vale a leitura!

Ao fim de 2018 completo 35 anos, na antroposofia completo o setênio da reorganização para entrar no meu 6o setênio da conexão espiritual e trabalho com propósito. Mas sim, sei que posso passar o ano todo e talvez a vida sem encontrar meu real propósito, e pode ser que eu volte a trabalhar com varejo, vida corporativa, se eu sentir “pneuma” novamente nisso tudo bem! Mas também pode ser que eu mude de cidade, que trabalhe com yoga, ou com algo que ainda não conheço. Eu não tenho a menor ideia. Só sei que hoje não tenho medo, acredito que devemos nos arriscar, ter coragem de parar, buscar respostas, sermos felizes sempre.

7 comentários em “A coragem do sabático”

  1. Que inspiração!! Parabéns pela coragem. E obrigada por compartilhar sua experiência. Às vezes me pego pensando e buscando sentido nas coisas. E tenho ampla vontade de me jogar ao mundo e conhecer culturas. Talvez não tenha chegado o meu tempo. E muito provável nao5se dê da mesma forma que aconteceu com você. Mas foi importante ler sua experiência e conhecer outros significados. Felicidade e paz em 2018. Um abraço.

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