Reflexões

amores sabáticos

amores

Porque a simples frase “fico aqui até sexta” faz o relacionamento, o casinho ou a paquera que poderiam levar semanas ou meses pra acontecer se comprimir pro espaço de 72h? E tudo é vivido nestas 72h, todo um relacionamento, dormir e acordar junto, todas as refeições, passeios, balada, histórias de infância e opinião política….e depois cada um segue pro seu próximo destino e FIM. Ficam as lembranças e algumas palavras aprendidas em alguma língua nova.

Costumam ser assim as paixões de viagem.

Viajar sozinha é estar aberto a conhecer as pessoas mais diferentes e as mais iguais a você, é fazer amigos e ter romances. Mochileiros pulando de hostel em hostel encontram naquela cerveja de fim de dia seu novo “affair”, que vira romance no dia seguinte, que vira ex no terceiro dia pois cada um segue pra sua próxima cidade. Os “dates” às vezes nem são no fim de tarde, são na trilha durante o dia, ou até mesmo na hora que acordamos, saímos na varanda e já damos de cara com o boy novo e interessante, engatamos a conversa antes mesmo do café da manhã, e quando vemos, já passou o dia inteiro de conversas e trocas de olhares e você já está no “date” sem nem perceber, sem se maquiar, sem nem contar pra amigas que tem carinha novo, quando vê, já está envolvida no romance, que em 2 dias vai acabar.

Em 72h já sabemos quanto de açúcar colocar no café dele e ele sabe qual bebida pedir pra você no jantar. Temos piadas internas, não temos frescura, não temos segredos, só sabemos o essencial um do outro, só vivemos um lado do relacionamento da forma mais intensa. Não sei dizer se é só o lado bom, ainda falta muita coisa, mas o fato é que em 72h não chegamos à crise, à briga, à decepção, só sabemos que terá uma despedida.

No vôo agora da Malásia pra Índia assisti ao 4o episódio da 4a temporada de Black Mirror, que de uma forma ou de outra, me lembrou muito essa situação das paixões de viagens, romances de férias ou como queira chamar. E se soubéssemos exatamente quanto duraria cada relação? Neste episódio, os casais sabem pelo aplicativo quantas horas, dias ou meses terão de compatibilidade com a pessoa que estão conhecendo, e quando o tempo se encerra, se despedem e cada um vai pra um lado… apesar do episódio ser triste, me lembrou muito o que vivemos em viagens.

Viajando é assim, sabemos quanto a relação vai durar. Claro que alguns marcam mais, que seguimos o contato, que até marcamos de nos encontrar em algum outro país em algum outro momento. E quem sabe algum dia alguma desta paixões não vire um verdadeiro amor pra juntar as escovas de dentes na mesma nécessaire do mochilão!

Sigo dizendo que o melhor do sabático são as pessoas: os amigos, os amores, a turma inteira que juntamos em determinada cidade. Pode ser que um dia eu olhe pra trás e nem lembre o nome da ilha ou cidade que visitei, mas com certeza lembrarei com quem estive. Porém a pior parte também são as pessoas, pois é muito difícil se despedir de quem nos conectamos tanto e que entrou na nossa não-rotina naquele curto espaço de tempo.

Mas vida que segue e ficam as melhores lembranças, não é mesmo?

6 comentários em “amores sabáticos”

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