Vida alternativa, Vida em ashram

Osho Meditation Resort

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Um resort, do Osho, localizado na cidade de Pune, na Índia… polêmico, mas eu fui ver qual é que é. Pra mim a polêmica começa no nome do lugar: resort, e não ashram, mas ao chegar entendi o porquê. Depois a polêmica passa pelo nome OSHO, que eu já havia escutado tantos boatos, ainda mais agora com o documentário “Wild Wild Country” em alta no Netflix, e muita gente assistindo e comentando.

Mas como eu já praticava algumas meditações ativas do Osho, desde alguns cursos de tantra que fiz, coloquei na minha listinha sabática visitar este lugar, em Pune, e só depois tirar minhas próprias conclusões.

Sobre o resort, eu havia escutado 2 boatos apenas: que para frequentar precisava fazer teste de HIV (sim, pasmem, escutei de 2 fontes!) e que era necessário usar uma túnica vermelha , assim como no seriado! O primeiro boato é mentira, não solicitam teste e não há práticas sexuais ou sem roupa, pelo menos não com os visitantes (eu não vi nada disso), o segundo boato confirmei, túnica vinho para as meditações de dia e uma túnica branca no encontro noturno. Eu nem liguei pra esse “uniforme”, achei tranquilo.

Há 2 opções de conhecer o Osho Resort, como visitante ou no living program. Como visitante você paga uma diária de aproximadamente R$ 100 pra frequentar todas as meditações do dia e usufruir dos espaços comuns, que são delícia, mas a hospedagem é à parte, podendo ser na guesthouse lá dentro ou em algum lugar fora (peguei um hostel mais barato há 4 quadras dali). Já o living program (de 7, 15 ou 30 dias) engloba a guesthouse, as meditações ativas diárias e alguns cursos e terapias.

Meditações ativas são meditações que aumentam a energia no corpo (principalmente a energia kundalini), diminuem stress e liberam emoções através de movimento, vibração, dança, respiração e sons, em algumas até provocamos gritos e gargalhadas, pra espantar toda a emoção presa que retemos, mas outros momentos são imóveis, deitados ou sentados. Estas meditações são o chakra breathing, vipassana, dinâmica, circular, nadabrahma, entre outras, pra quem interessar, este link explica: http://www.osho.com/meditate.

No dia a dia no Osho Resort você escolhe o que fazer, são 15 tipos de meditação, das 6 da manhã às 20:30, dá pra encaixar umas 9 no dia, mas também é possível agendar terapias, como crânio sacral, alinhamento energético, constelação familiar, massagem relaxante, por aproximadamente R$ 300 cada sessão ou ainda pagar R$ 15 para uso da piscina, sauna e hidromassagem. Se quiser também, dá pra simplesmente ficar no café lendo um livro ou passeando no parque contemplando a natureza. O lugar é lindo, maravilhoso, e o restaurante delicioso! Foi aí que entendi que é um resort, lá é um lugar de descanso e entretenimento, até uma baladeeenha rola a noite, mas como fui na baixa temporada, a única balada que participei foi a noite latina, onde os indianos não sabiam dançar e sobrou pra euzinha aqui conduzir a aula de salsa, kkkk, mais um check pro sabático.

Agora sobre o Osho, a pessoa, o Rajneesh Osho, uma coisa me chamou muito a atenção: apesar dele ter sido muito popular no ocidente, principalmente como o “guru do sexo” nos Estados Unidos, no resort a grande maioria dos visitantes são indianos, diferente de tantos outros Ashrams que eu vi lotados de ocidentais em Rishikesh. Já os moradores, são muitos europeus na faixa etária 50-60 anos, que viveram os 5 anos no Oregon na época de Rajneehpuram e estão em Pune há 10-12 anos, gostei muito de puxar papo com estas pessoas no café e nos almoços, entender a visão deles sobre o guru. Porque sobre o Osho mesmo eu conheci pouco, tentei uma vez ler um livro e achei uma visão machista, e esta visão se confirmou pra mim nas meditações noturnas onde havia sempre um vídeo com um discurso dele (uma espécie de satsang), não gostei do que escutei e parei de ir a noite, apenas fiz as meditações de dia que me faziam bem. Mas enfim, esta é só a minha humilde opinião sobre ele. E só depois que saí do resort assisti ao documentário “Wild Wild Country”!

Mas o melhor do resort, depois da prática das meditações, foi conversar com as pessoas que moram lá em Pune e que moraram com o Osho no Oregon, que o tem como Guru, eu adorei os pontos de vistas, a grande maioria o defende até a morte, dizem que a Sheela era a única manipuladora e que acabou com a reputação dele,  sempre a viam com raiva nos olhos, que era mandona, não meditava, apenas dava ordens e dormia, mas enfim…

Já no meu quinto dia, engatei uma conversa tão interessante que me fez perder as duas meditações da tarde, mas que no fundo só ganhei com a conversa. Era uma suíça de uns 60 anos que pediu pra sentar comigo e embalamos uma conversa de 2 horas. Historiadora, estudou o matriarcado, psicologia e sociedades alternativas, entramos em um papo sobre feminismo, sociedade indiana, osho, filmes de bollywood e tudo que envolve o papel e o trato com a mulher, com estórias desde o tempo de Esparta, foi incrível, uma aula! 

Ela  está há 12 anos em Pune, tem seu próprio apartamento lá, trabalha online, não mora e nem trabalha no resort, mas frequenta todos os dias todas as meditações de manhã cedo e as da noite, ela também viveu no Oregon de 82 a 85, foi sem dinheiro, apenas com a passagem aérea, e lá teve tudo que era compartilhado: comida, casa, trabalho, amor. Esta conversa…valeu a semana toda! Ela era muito mais aberta a ouvir opiniões contrárias e também tinha uma visão bem crítica do Osho apesar de ser o seu Guru, concordava comigo que ele era bem sexista, também desconfiava que ele estivesse envolvido em muita sujeira apesar de acreditar que a maior parte vinha mesmo da Sheela. Perguntei então por que ela dedicava a vida a seguir o Osho, desde 82, se o considerava machista, e a resposta com os olhos cheios de água, foi que desde a primeira vez que esteve na presença dele, sentiu um amor inexplicável, que ela nunca mais sentiu com ninguém, ela disse que não importava se haviam 5 ou 10 mil pessoas no salão, quando ele entrava, ela só sentia um calor no peito, como um abraço e não queria deixar a comunidade para não perder aquela energia. Para quem acredita nisso, entenderá. 

E desta conversa incrível saí com a indicação de um livro sobre o momento de quebra do matriarcado no mundo e ela com a indicação do filme “I’m not an easy man”.

Bom, assim foi minha curta experiência no Osho Meditation Resort em Pune, eu adorei, me senti bem, em contato com a natureza, conectada, conversei com pessoas de diferentes pontos de vista, aprendi. Super indico, vale a pena! E além de Pune, há outro resort do Osho em Rishikesh também para praticar as meditações.  Agora se quiser saber mais sobre outros ashrams, contei da minha experiência de 1 mês estudando yoga neste post aqui “Vida em Ashram”. E mais sobre a Índia, dos meus outros 3 meses viajando, escrevi aqui: “Roteiros de Viagem: Índia“.

Namastê!

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