Comunidade, Vida alternativa

Visitando Piracanga

IMG_5583Quando comecei meu sabático, há 15 meses, resgatei a listinha de desejos e lá estava Piracanga, uma comunidade que eu queria muito visitar e todo mundo que me conhecia bem falava “você vai amar, não vai voltar, certeza!”. Bom, eu fui, e voltei, fui duas vezes, e voltei as duas, kkk. Piracanga não me prendeu a ponto de eu querer ficar ‘pra sempre’, mas me encantou, me apaixonei de verdade pelo lugar, pelas pessoas, estilo de vida, natureza, toda a energia ao redor!

Inkiri Piracanga, onde o rio encontra o mar, é uma ecovila e um centro holístico, uma comunidade com vida ‘alternativa’ pra quem considera ‘normal’ a vida de trânsito-escritório-apartamento. Uma vida na natureza, com mergulho no rio na hora do almoço, onde se faz tudo a pé, um  laboratório de autoconhecimento, mais de 20 projetos ligados a arte, sustentabilidade e desenvolvimento humano, uma comunidade vegana, onde é proibido beber ou fumar, onde as crianças são livres dentro e fora da escola.

Minhas duas idas tiveram propósitos diferentes e foram muito diferentes! Não saberia contar aqui como é morar lá, mas posso passar meu relato como visitante, o que senti da vida em comunidade, do espírito de união e compartilhamento, da vida na natureza.

A primeira vez, em julho do ano passado, escolhi a Imersão em Circo pra fazer, e passei quase um mês na comunidade. Após 8 anos de vida corporativa usando mais da mente que do corpo, sentada a maior parte do tempo no computador ou salas de reunião, variando entre idas a academia e corridinhas de 5km nos finais de semana, escolhi fazer a imersão em circo com atividades corporais manhã, tarde e ensaios a noite! Foi o mês do slackline, seguido dos malabares, da cambalhota, do trapézio, da dança de contato, do tecido, o mês de ser palhaça e rolar na areia fazendo graça e nas folgas do circo eu estava nas aulas de yoga ou nos banhos de rio, movimentando o corpo de 10h a 12h por dia. Pra mim foi diferente de tudo que já vivi. Foi mágico! Aliás mágica tinha também, o mágico do circo morava na casa que compartilhamos, e mágica tinha todo dia no jantar. 

Como esta imersão em circo era nova e com um preço muito justo, a acomodação era numa casa compartilhada na comunidade e apenas os almoços estavam inclusos, as outras refeições nós comprávamos legumes e frutas na feira dos produtores orgânicos e cozinhávamos em casa. Deu pra sentir mais a rotina da comunidade, fiz amigos que moravam lá, nos reuníamos na nossa casa ou em outra pra fazer rodas de música a noite, através de cada um conheci melhor dos projetos, da permacultura, da música, da escola, do reike. Bem pertinho da nossa casa estava a Universidade Piracanga, e com a turma da Uni fizemos o retiro do palhaço, foram as melhores pessoas que conheci nesta viagem! Eles eram mais de 10, entre 18 e 20 e poucos anos, eu com 33 na época, me encantei por cada um, cada conversa inteligente, espiritualizada, aberta ao auto conhecimento, incertezas, medos, questões profundas, política, sustentabilidade ….gente, eu com 18 só queria saber da cervejada da quinta-feira na faculdade, que geração maravilhosa é esta de agora? Fiz amigos que nasceram no fim da década de 90, e aprendi muito com eles, fora que nos divertimos horrores como palhaços!

Aquele mês a rotina era acordar 5:30, pegar a trilhazinha pra aula de yoga, sair de lá e dar um pulo no mar, voltar de biquíni molhado pra casa pra comer tapioca e frutas, aproveitar este tempinho pra lavar roupa, limpar a casa, entrar nas aulas de circo as 9h, variadas, almoçar com o pessoal da Uni, passar 1 horinha pós almoço na beira do rio, nadando, tomando sol ou jogando vôlei, voltar pro circo a tarde, parar pra dança circular todo dia às 17h e ir cozinhar legumes com o povo em casa a noite.  Terminamos este mês com uma grande apresentação de circo pra comunidade, como foi lindo!

Um pouco sobre a comunidade inkiri piracanga: 

  1. A comunidade é vegana, e a comida deliciosa! Mesmo o que compramos pra cozinhar em casa não tem origem animal. Para comer tem a opção do restaurante com 3 refeições veganas maravilhosas por dia, o Café Lotus que serve salgados, doces e o famoso cacau quente e uma vendinha pra comprar grãos, doces, etc.
  2. Lá é proibido fumar, beber ou usar drogas, mas tivemos cada vivência de música e dança que entrávamos em transe!
  3. O banheiro é seco, daqueles que jogamos serragem por cima e aquilo tudo vira adubo após a compostagem. Xixi e cocô em buracos separados, isto exigia uma certa coordenação. Mas o ciclo da água fecha, sem contaminação e retorna para uso. 
  4. Os cosméticos permitidos para uso são os 100% biodegradáveis para não contaminar a água, e lá mesmo há produção e lojinha. Aprendi também a lavar cabelo com bicarbonato e vinagre, e descobri que bastava isso, sabão neutro pro banho, desodorante de lavandin, pasta de dente de juá e cúrcuma e protetor solar de vários óleos essenciais, mais nada para viver. (isso que eu vinha do mundo dos cosméticos).
  5. A energia é solar, por isso a maior parte das casas não tem geladeira, passei o mês sem geladeira, cozinhando alimentos naturais e vi como isso é possível! Secador de cabelo, máquina de lavar, TV, essas coisas não há em nenhuma casa! E celulares e computadores devem ser carregados apenas de dia. 
  6. Existe a ecovila, onde estão os moradores, as casas, a escola das crianças e o centro holístico, onde ficam os hóspedes, as terapias e os cursos.
  7. Algumas atividades são diárias e abertas tanto para os hóspedes quanto para os moradores da ecovila, como a meditação das rosas, a meditação sonora e as rodas de dança circular
  8. Conectividade, só se pagar pelo wifi, o meu celular não pegava. Na minha primeira visita tive wifi mas usava pouco, nesta segunda vez passei 10 dias totalmente offline.

Mas resolvi escrever tudo isso apenas agora, mesmo tendo visitado há um ano atrás, pois acabo de sair da minha segunda visita, um retiro de 10 dias no curso de Leitura da Aura, e relembrei cada momento do ano passado com carinho e saudades. Desta vez foi diferente, fiquei hospedada no centro holístico, dedicada ao curso manhã, tarde e noite, com poucos momentos de folga que eu dedicava a um mergulho no rio, não tive contato com a ecovila e poucos amigos que fiz ano passado estavam lá. Este retiro é um mergulho interior, a gente nem quer interagir muito, só quer sentir cada processo interno, onde fomos trabalhando um chakra por dia. 

Foi uma limpeza pro meu corpo e meu espírito, foi difícil, bem difícil, 10 dias tomando apenas líquidos (viciei real na água de côco), 10 dias abrindo o coração, tirando as máscaras, de profundo auto conhecimento e, de quebra, saímos sabendo a técnica da Leitura de Aura, aliás, me chama se quiser que estou em treino! Foi difícil, mas também lindo,  mágico, teve rio, mar, música, dança circular e vivências lindas a noite.

O centro holístico oferece diversos cursos e terapias, é possível se hospedar em quartos individuais ou compartilhados apenas para curtir a praia e o rio, descansar e comer saudável, agendar massagem ou terapias, ou ainda realizar diversos cursos que sempre oferecem, se tiver curiosidade, visita a programação no site: http://piracanga.com.

Um dos focos deste meu sabático é visitar comunidades com modo de vida alternativo, como Piracanga e Auroville, que visitei na Índia, nenhuma por enquanto me despertou aquela vontade de parar e morar, mas quem sabe um dia…ainda visitarei algumas na Europa, e vou contando aqui!

2 comentários em “Visitando Piracanga”

  1. Adorei Marina!
    Realmente é um lugar extremamente mágico, de muita luz!
    Desejo muito amor para continuar contando essas histórias lindas.

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