Grécia, Roteiros de viagem

Grécia sem Mykonos e Santorini

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Ai Grécia, por onde eu começo? Vou começar falando sobre expectativa e realidade. Primeiro que quando resolvi passar um mês na Grécia (neste sabático costumo dedicar 1 mês para cada país) e todo mundo me falava que a Grécia era muuuuuito barata, se comparada a outros países da Europa, eu imaginei barato mesmo…nível Ásia. Só que não. Só que eu vim em agosto, só que não é barato em agosto, que é alta temporada! 

Além de eu ter vindo na alta temporada, este não é um país para mochileiros, não há muitos hostels! Mas depois descobri que é um país onde se acampa em qualquer lugar! Então existe sim uma Grécia pra mochileiros com barraca. Bom, vim com uma listinha de ilhas pra visitar: Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta…em 30 dias…ops! Acho que eu já tinha escolhido ilhas demais pra tempo de menos. Poucos dias antes de vir comecei a pesquisar nos sites do Booking e Hostelworld os Hostels e não encontrava acomodação mais barata que 100 euros por noite, e apenas em hotéis…oi??? surtei.

Então mudei a rota. Resolvi ir sem planos, resolvi me arriscar no couchsurfing, decidi comprar uma barraca usada no meio do caminho, resolvi deixar a rota ser traçada através das pessoas que eu ia conhecendo no caminho e tudo deu certo! Nas 35 noites que passei gastei a média de 14 euros de acomodação entre hostel, camping, hotel, airbnb e casa de couchsurfing.

Comecei por Atenas, lá sim tinham Hostels de 10 a 15 euros por noite, fiz um amigo uruguaio que estava terminando a viagem da Grécia e também estava de sabático pelo mundo, ele me recomendou ir pra ilha de Paros (no complexo das ilhas cyclades onde estão Mykonos e Santorini), me disse que lá havia um hostel de 5 EUR. E como Zakynthos apesar de ser uma ilha muito luxo ainda era meu sonho pra conhecer a “praia mais bonita do mundo”, dei google em “zakynthos – camping” e achei um por 6 euros. Resolvi que ia também.  Ainda em Paros, me encontrei com uma brasileira que eu tinha amizade pelo facebook, ela viaja o mundo de couchsurfing, me convenceu arriscar, e logo consegui alguém pra me hospedar em Naxos de graça, outra ilha perto de Paros. 

E foi assim, uma coisa leva a outra. Vim com o plano Atenas, Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta e acabei realizando Atenas, Creta, Paros, Antiparos, Naxos e Zakynthos. Com certeza volto, com certeza fora da temporada, pra conhecer as ilhas que ainda não visitei, se bobear venho com mochila e barraca e ainda acampo nos free campings. 

Vou contar da Grécia, da minha falta de planejamento e das dicas de lugares baratos que passei. Começando por Atenas, muitos me falaram que 1 dia era suficiente pra conhecer Acrópoles e já poderia seguir pras ilhas, pode até ser, mas eu me conectei com esta cidade e com as pessoas desta cidade que acabei passando por Atenas 3 vezes. 

O primeiro fim de semana foi mais turístico, fiz walking tour e paguei um ingresso de 30 euros pra conhecer as 6 principais atrações, gostei mais de Acrópoles, Ágora Museum e Temple of Zeus. Tudo isso dá pra fazer a pé. Os pores-do-sol na pedra em frente a Acrópoles e no morro Philopappos são maravilhosos. Fiquei em um hostel perto da praça central Monastiraki que paguei 15 euros com café da manhã e comia as outras refeições em 2 lugares bem baratos: Tzatziki e Street Souvlaki (refeições de 2 a 3 euros). 

O segundo fim de semana voltei pra pegar balada com o pessoal que eu tinha conhecido, perto de Monastiraki tem vários bares e baladas, fui indo de um pro outro, começando com cerveja de rua na rua Protogenenous e na região de Psyri, depois parei no bar Six Dogs que é lindo e por último na balada Boiler, do circuito alternativo que amo, fica num beco.

E por último, minha última visita à Atenas acabei passando uma semana por causa de um grego mara, até peguei um apartamento no Airbnb pra mim e foi aí que me senti em São Paulo, que conheci outros bairros, fui em shopping, cinema, restaurantes fora do circuito turístico. O bairro Halandri é pouco turístico mas cheio de bares e restaurantes muito gostosos, parece muito com Pinheiros e Itaim em SP, mas o preço não se compara, um jantar com drink sai por 7 a 8 euros. Atenas também tem praia, não tão paradisíaca como as ilhas, mas pertinho da cidade, basta pegar um metrô e um tram e se chega em Kalamaki. Como passei uma semana, valeu passar um dia na praia. Outras duas visitas que dá pra fazer de Atenas (mas que pra mim bateu preguiça e não fui…risos) é o Templo de Poseidon e Meteora, algumas agências até organizam visitas de um dia.

Quanto às ilhas, sei que todo brasileiro vai pra Mykonos e Santorini, e o que eu ouvia era: Mykonos é destino pra quem gosta de balada gay e Santorini é destino romântico para casais. Não sei dizer, não fui nelas, ao chegar na Grécia conheci muitos gregos que me falaram que Mykonos é o destino mais superfaturado e as praias não se comparam com a beleza de outras ilhas menos turísticas, por isso os gregos não costumam ir e Santorini não há praia, apenas vista, então o pessoal também não frequenta. Cheguei a pesquisar hospedagem nesses lugares, mas na alta temporada não haviam hostels disponíveis e desisti, Mas não me arrependo, as ilhas que conheci me surpreenderam muito!

Comecei por Creta, a maior ilha da Grécia, fui de balsa de Atenas (e não pensem naquela balsa de Santos, as balsas na Grécia são verdadeiros cruzeiros) , esse trajeto de balsa foi o mais longo e custou EUR 38. Lá recomendo ficar na cidade de Chania, achei um hostel novinho e maravilhoso por 15 euros, chama Kumba, as camas são naquele modelo cápsula com cortina blackout, primeiro dia sem despertador acordei quase 1 da tarde sem nem perceber, nenhum barulho, nenhuma luz, milagre pra hostel. De Chania dá pra pegar ônibus locais pras praias mais lindas, fui em Seitan (uma praia pequena que parece um rio turquesa entrando no meio das rochas, precisa descer uma trilha pra chegar nela), Stavros (tem uma lagoa maravilhosa que parece uma piscina imensa) e Elafonisi (uma praia de areia rosa e água turquesa com pôr do sol na lagoa), são impressionantes, também recomendam conhecer Balos que não fui.

Os ônibus pras praias custavam 2 euros, com exceção de Efalonisi que era do outro lado da ilha e havia um ônibus de turismo por 20 euros ida e volta. Nela eu fui de carro com uns amigos, mas acho que vale a pena alugar um carro ao invés de usar o ônibus, e assim também dá pra ficar ate o pôr do sol.

A noite em Chania perto do porto é lotado de opção de bar, restaurante e lojinha. Aqui não achei opções de refeição por 2 euros, apenas restaurantes com pratos por 5, mas como o hostel tinha cozinha e supermercado perto, rolou fazer uns lanches pra cafe da manhã e almoço na praia. 

Depois fui pro complexo de ilhas cyclades onde fica Mykonos, Santorini, Milos, Ios, etc. Escolhi conhecer Paros e a balsa de Creta pra Paros custou 60 euros (comprada de última hora, com certeza é mais barato com antecedência), mas escolhi esta ilha porque quando eu estava em Atenas um uruguaio me falou de um hostel que pelo booking.com quando se faz a reserva pro mesmo dia custa apenas EUR 5 o quarto feminino com 3 beliches. Chama Surfing Beach Huts e fica na praia de Santa Maria, então todo dia eu renovava minha reserva pelo site e assim fui pagando 5 euros por dia. Este hostel fica em um camping com restaurante, piscina, mercadinho, de frente pra praia e de lá dá pra pegar ônibus pra conhecer outras praias e ir pro centrinho de Naoussa a noite, nos bares e restaurantes. Eu amei esta praia de Santa Maria, cheguei em um dia que tinha Sunset Party, e nos outros dias acabei indo a pé pra outra praia no sul da ilha, Lagkeri, que é mais deserta.

Um dia também fui conhecer a ilha de Antiparos, tive que pegar um bus pra Naoussa, outro pra Parikia e depois um barco pra Antiparos, e ainda chegando em Antiparos precisei tomar outro ônibus pras praias mais bonitas, então todo este rolê me custou 18 euros e 3 horas, não sei se vale tanto pelo bate e volta, pois as praias são parecidas, mas se for dormir uma noite em Antiparos ou fazer free camping vale. Lá conheci a praia de Soros, bem tranquila e linda com um restaurante mais no alto com vista incrível. Também tem umas cavernas pra visitar, mas pelo meu dia mais curto não fui. 

Fiz tanto amigos neste hostel em Paros, gente que ia e ficava, 5, 10, 15 dias no mesmo lugar, que quase não saí de lá também, mas após 6 dias de Paros e Antiparos, joguei no couchsurfing.com algumas outras ilhas no complexo Cyclades e consegui um host pra me hospedar na ilha de Naxos, então lá fui eu. Balsa de EUR 10 e cheguei. Fiquei bem próxima ao centrinho, de graça, na casa deste host do couchsurfing, cheio de opções de bares e restaurantes para ir a pé e lá no meio tem um mercado labirinto que lembra muito as ruas de Santorini. Em Naxos não achei hostel e não cheguei a pesquisar os hotéis, mas não cruzei com ônibus circulando, então é uma ilha que precisa mesmo alugar carro ou moto. Como meu host era um querido (e gato) me levou de carro pras praias mais bonitas e vazias, não sei se vou lembrar os nomes aqui, mas lembro de Hawai e Aghios Prokopios (top 3 de água transparente da minha vida). 

Neste complexo de Cyclades ainda quero conhecer Milos e Ios (esta última está bombando ultimamente de baladinhas), vão ficar pra próxima! E quem sabe quebro meu preconceito do turismo default e visito Mykonos e Santorini também. 

Por fim: a praia mais bonita do mundo (dizem)! Voltei pra Atenas pra um fim de semana antes de atravessar a Grécia pro outro lado e ir parar no Arquipélago Jônico, onde está a famosa ilha de Zakynthos e a praia de Navaggio considerada a mais bonita do mundo! Eu até queria conhecer 4 ilhas por lá: Zakynthos, Corfu, Lefkada e Cephalônia, mas tinha apenas 1 semana, os transportes sem carro não são fáceis e então dediquei a semana toda a Zakynthos, que foi maravilhoso pra fechar com chave de ouro! Lá resolvi acampar, comprei uma barraca usada no caminho e achei pelo google o Tartaruga Camping no sul da ilha. Pra chegar na Ilha peguei um ônibus de Atenas (EUR 28) e uma balsa (EUR 10), mas como cheguei tarde pra ir até o camping montar barraca, dormi num hotel de EUR 35 numa praia mais próxima da rodoviária, chama Laganas e é bem lotada de bares e baladas a noite, mas achei o público bem teenager. Na manhã seguinte peguei dois ônibus e fui pro camping, perto da praia de Keri, gostei, pero no mucho, a praia é de pedras e longe do camping (caminhada de 4 km) e no camping só falavam alemão (bom pra treinar, mas tô sussa), então conheci um casal que tava vindo de outro camping do norte, e assim desmontei barraca, peguei dois ônibus e fui pro norte da ilha montar barraca de novo na praia de Alykes. Lá sim o camping era melhor localizado, em frente à praia com piscina e bar, perto de supermercado e dos bares e restaurantes. Lá também está bem pertinho da praia de Navaggio, que fui visitar duas vezes, uma de barco pra curtir a praia e outra de carro pra vê-la de cima. 

Esta praia de Navaggio é realmente de um turquesa inexplicável e no meio da areia tem um navio enorme naufragado! Como eu estava sozinha fui num barco enorme que leva multidões e custa EUR 20 parando também nas Blue Caves e na praia de Xigia, o problema é que pelo horário você chega na Navaggio junto com outros barcos enormes que levam multidões e fica lotada! O ideal, se tiver mais gente pra dividir, é pegar uma lancha por EUR 150 e ir mas cedo ou mais tarde que estes barcos. E para ver a praia de cima, precisa de carro, não tem ônibus que leve. O aluguel de um carro sai no mínio EUR 45, que obviamente não paguei, mas eu tava com um boy da ilha que tinha carro e me levou, fofo.

Em resumo, apesar da alta temporada, a Grécia não saiu cara, gastei:

  • EUR 5 a 15 em hostel e campings
  • EUR 26 a 30 em Aibnb e hotel (sozinha, pois dividindo seria a metade)
  • EUR 3 a 5 em refeições
  • EUR 2 a 5 em drinks e cerveja (que controlei bem)
  • EUR 1,7 na media em ônibus e metrô dentro das cidades
  • EUR 23 na média em cada balsa ou bus para as ilhas

Amei, e com certeza volto pra este país maravilhoso!

3 comentários em “Grécia sem Mykonos e Santorini”

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