o que fazer em um sabático?

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Sabe aquele livro “1000 lugares pra conhecer antes de morrer”? Então, eu tinha a minha listinha de lugares pra conhecer e coisas pra fazer antes de criar raízes, família, filhos…mas a carreira ia me consumindo, me envolvendo e eu nunca tinha coragem de parar, até que um dia chegou o momento: o momento de eu tirar o tão esperado sabático!

O meu sabático teve este foco: visitar lugares e conhecer comunidades e festivais que estavam na minha wishlist, mas viajar não é a única forma de tirar sabático.

Sabático tem origem hebraica e significa “o dia de descanso” que é considerado o sétimo dia após 6 dias trabalhados e em civilizações antigas o ano sabático na agricultura era o sétimo ano de descanso da terra para o plantio. Desde a década de 50 este termo foi adotado no meio corporativo e representa um período que tiramos pra nós, pra viajar, estudar algo, pra algum projeto pessoal ou pra simplesmente ficar em casa e ter TEMPO. Um tempo para ter tempo, louco isso, né? E no meu sabático juntei grana pra viajar 2 anos e ter este tempo, em diferentes lugares do mundo!

Eu escolhi viajar, saí do Brasil em maio em 2017, voltei algumas vezes pra algum curso ou viagem pelo Brasil, mas passei a maior parte do tempo entre Ásia e Europa, escolhi viajar gastando pouco, de US$ 500 a US$ 2000 por mês, dormindo em hostels ou fazendo work exchange (troca de trabalho por hospedagem), conhecendo lugares e pessoas. Sobre o planejamento financeiro, falo melhor neste post aqui.

Faço tudo sem planos, e lógico que mudo a rota o tempo todo, o que me inspirou a contar destas reflexões e roteiros aqui no blog e registrar as fotos da viagem no instagram de mesmo nome. Nunca sei qual o próximo destino, às vezes coloco no skyscanner “vôo para: qualquer lugar” e filtro por preço, assim fui parar no Nepal  e na Estônia. Outras vezes aproveito a vinda de uma amigo em férias ou visito alguém que está morando em algum país, como meus últimos natais em Sidney e Zurich. Muitas vezes apenas deixo as conversas com novos amigos de hostel fluírem e decido o próximo destino, foi desta forma que acabei trabalhando em um hostel no Sri Lanka.

Fui viajando livre, me programei financeiramente para passar 2 anos sem trabalhar, no modelo low cost: vôos e trens baratos, estadia compartilhando quarto de hostel com outros mochileiros, couchsurfing, comida de rua ou de supermercado. Sem luxos, sem restaurantes, sem turismo tradicional pago. Foram exatamente 2 anos nômade até alugar um quarto aqui em Copenhagen e fixar uma base, enquanto sigo viajando. Aqui também consegui um trabalho flexível que me permite pagar o aluguel, comida e saidinhas e ter tempo pra viajar quando quero.

Mas VIAJAR não é a única forma de tirar sabático, neste período conheci gente das mais diferentes nacionalidades tirando sabático de outras formas:

No começo do meu sabático, li o livro Sabático 45 da Heloísa Andrade, onde ela deixou a agência que trabalhava e era sócia, para passar 1 ano na Irlanda, em um apartamento alugado, tendo TEMPO para si. Conheci também muitas famílias européias e até brasileiras, alugando casa em Bali, com filhos pequenos, passando de 6 meses a 1 ano em Bali, tendo tempo para o desenvolvimento das crianças, tempo de qualidade, indo pra praia e comendo comida saudável. Às vezes, poupando pouco, é possível alugar uma casa ou quarto em lugares bem baratos e paradisíacos da Ásia, aplicar para 6 meses de visto, e nada melhor do que uma decisão em família para viver esta experiência!

Quando terminei meu trabalho de 2 semanas num hostel numa praia de surf no Sri Lanka, fui substituída por outro voluntário que ficaria 6 meses neste posto, este era o sabático dele: tirar 6 meses, trabalhar 4h por dia num hostel, receber acomodação e refeições em troca e surfar o resto do dia. Sobre estas experiências de Worldpackers ou Workaway conto melhor nestes posts. 

Tenho amigos em São Paulo que tiraram sabático pra ficar em casa, 6, 8 até 12 meses sem trabalhar, aproveitando o melhor de São Paulo, lendo aquela pilha de livros em atraso, participando de workshops e palestras, cozinhando em casa, visitando pessoas, trocando, expandindo conhecimento. Muita gente também aproveita este momento de introspecção para pensar, se planejar e mudar a carreira, empreender, estudar. 

Também conheci pessoas que dedicaram 1 ou até 2 estações do ano para a colheita em alguma fazenda na Itália, ou na Índia, ou até no Brasil, aprendendo sobre a terra, sobre permacultura, reflorestamento, aproveitando pra aprender uma língua nova. A melhor ferramenta para encontrar estas oportunidades é o wwoof.

Realizar um intercâmbio ou dedicar tempo pra aprender uma nova língua também estão dentro das opções, e não importa a idade e o orçamento para isso. Se você tiver grana o suficiente pode pagar um curso de língua em um país com um quarto em alojamento ou casa de família. Mas se não tiver este orçamento, é possível ser voluntário am algum país e estudar a língua por conta própria, utilizando aplicativos como o duolingo, assistindo a filmes e podcats naquela língua, aproveitando as pessoas locais para aprender. No comecinho aqui em Copenhagen eu estava sem dinheiro para um curso, então comecei a praticar duolingo todos os dias, assistir séries do Netflix em dinamarquês e prestar atenção e ler tudo que encontrava nas ruas, cafés, restaurantes, fui aprendendo!

Uma volta ao mundo, um voluntariado, prender uma língua nova, trabalhar numa fazenda, se dedicar a um hobby novo, ler em casa, escrever um livro, são muitas as opções para dar uma pausa na carreira e na atividade usual e se dedicar a algo novo por um período chamado sabático! Basta ter a vontade e a coragem de mudar!

2 comentários

  1. Obrigada por compartilhar sua experiência… os perrengues e as conquistas! Da vida nômade e do planejamento… nota mil pra você !
    Não vejo a hora de receber minha Prof Yoga em casa… se cuida ! Beijo e até logo

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