Islândia e Aurora Boreal

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Islândia: o país de paisagens naturais mais lindas e exóticas que já visitei! Os nomes dos locais visitados são de difícil pronúncia ou escrita, mas sério, dêem google imagens nos nomes citados aqui e vocês vão entender do que estou falando!

Minha primeira dica de Islândia é: tenha uma amiga que organize toda a viagem, como eu tenho a Bibi. Mas se não tiver, leia este post que está com a roadtrip completa que fizemos dando a volta na Islândia de carro, porque eu tive a sorte de ter esta amiga pesquisando tudo antes!

Fizemos uma viagem de 12 dias pela Islândia, com um carro 4×4, dando a volta na ilha toda no sentido anti-horário saindo da capital Reykjavik. Não sabíamos se conseguiríamos dar a volta ou não, pois o clima muda o dia todo, tempestades aparecem (principalmente as de vento) e estradas são fechadas constantemente, por isso reservávamos dia-a-dia a próxima guesthouse, após consultar as estradas no site www.road.is diariamente. Mas isso só deu certo porque fomos em novembro, no inverno. Amigos que fizeram a mesma viagem no verão tiveram que reservar as guesthouses com semanas de antecedência, pois a demanda é muito maior!

Escolhemos visitar a Islândia no inverno, pois fomos em busca da Aurora Boreal, e este fenômeno acontece entre novembro e fevereiro, geralmente. O ponto negativo sobre o inverno é que pegamos luz do dia apenas das 10h às 16h, então os dias ficam mais curtos para visitar tudo. Recomendo muito fazer esta viagem de carro alugado, pela liberdade de visitar os pontos turísticos e decidir onde dormir, além de poder caçar aurora boreal a noite. Dá pra fazer sem carro? Dá. Se ficar hospedado o tempo todo na capital Reykjavík, há excursões em ônibus para as atrações próximas: Golden Circle, Sul da Islândia e Península de Snaeffel, além dos tours noturnos pra Aurora Boreal, mas pra visitar o norte e a costa leste não seria possível, e não encontramos informação sobre ônibus locais também.

IMG_4094Sei que para mochileiros solo travellers como eu fica difícil alugar um carro, eu só aluguei pois fiz esta viagem com uma amiga. Também não é fácil arrumar hostels dando a volta na ilha, apenas em 3 cidades encontramos hostel, em todo o resto do percurso reservamos quartos duplos em guesthouses, muitas vezes com banheiro compartilhado (íamos sempre na opção mais barata encontrada no booking.com). 

Então é uma viagem cara pra se fazer sozinho (em dupla também…)! A Islândia é um destino ideal para fazer em dupla, ou até 4 pessoas pra diluir bem o aluguel do carro! Outra opção para quem vai no verão é acampar ou dormir no carro, tem vários campings e pontos de apoio espalhados. Vou falar dos gastos da minha experiência ao final deste post.

Mas vamos à rota!

Dia 01: começamos na Blue Lagoon que é do ladinho do aeroporto, então recomendo começar ou terminar a viagem nela, é uma experiência incrível de lagoa bem quentinha num frio externo de 3ºC, com bares e spas. Apesar de cara – US$ 70, precisa reservar no site com antecedência mesmo fora de temporada, está sempre cheia! E de lá fomos pra Reykjavík, a capital. Nos hospedamos em Reykjavík na primeira e na última noite da viagem, uma vez no Kex Hostel e outra vez no OK Apartments, ambos bem centrais e lindos! Caso não se hospede no KEX Hostel (por que tem dia que ele está mais caro que hotel), recomendo que vá ao menos tomar uma cerveja, pois a decoração é incrível e é point de happy hour dos Islandeses! 

Dia 02: na capital fizemos um free walking tour com uma guia local, onde descobrimos curiosidades como: 1) na Islândia não existem mosquitos; 2) tem uma fila de espera pra ir pra cadeia, que está cheia, e quem cometeu delito aguarda sua vez em casa; 3) não existe sobrenome de família, cada sobrenome é composto de “filha de” adicionado ao nome da mãe ou do pai. Também visitamos a igreja Hallgrímskirkja e a Harpa Concert Hall. Na capital também precisa provar o hotdog de rua mais famoso do mundo, o Bæjarins Beztu Pylsur (eu que sou vegetariana deixei de ser neste momento pra vivenciar a cultura local: é muito bom mesmo!). Apesar de pequeno, custa US$ 4, é a refeição mais barata que se vai encontrar. Um dia é suficiente pra conhecer a capital.

Dia 03: fomos para o Golden Circle, dá pra fazer ele todinho em um dia, cada atração é colada na outra, mas escolhemos fazer tudo com calma,  e dividimos o Golden Circle e atrações próximas em 2 dias. Outra vantagem de estar de carro é que quando chegamos junto com ônibus de excursões lotados, esperamos calmamente tomando um café, até que a atração estivesse vazia e “visitável” de novo.  Começamos o dia pelo pelo Pingvellir National
Park, onde há uma trilha que passa por 2 cachoeiras e dois mirantes pro parque, seguido do Geyser (o mais famoso do mundo que deu origem ao nome do fenômeno) e terminamos as visitas na cachoeira Gullfoss (maravilhosa). Nenhuma destas atrações é paga, nem cobram estacionamento. Terminamos o dia na Secret Lagoon, mais simples e mais barata que a famosa Blue Lagoon, custava US$22, e dormimos em uma guesthouse pelo caminho.

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Kerid Crater

Dia 04: ainda no Golden Circle, fomos no Kerid Crater (uma lagoa turquesa dento de um vulcão) e nas cachoeiras Seljalandsfoss e Skogafoss. As duas cachoeiras são bem grandes e lindas, mas como pegamos um dia de chuva, não me surpreendi tanto, ainda que a de ontem, a Gullfoss, mesmo com chuva, tinha uma vista espetacular! Aqui pagamos entrada no vulcão e estacionamento na Seljalandsfoss, mas este último de US$ 6 dá pra evitar, se você dirigir até o final do paredão de cachoeiras e estacionar na última delas, tem um estacionamento gratuito que vimos só depois. Neste dia dormimos perto da cidade de Vík (porque dentro da cidade estava tudo mais caro), mas fomos jantar em Vík numa cervejaria muito fofa, Smidjan Brugghus.

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DC – 3 Plane Wreck

Dia 05: a vantagem de dormir perto de Vík é acordar bem cedo e ir visitar o DC-3 Plane Wreck (avião caído em 1973) antes dos ônibus de excursão chegarem, e tirar aquela foto mara de Instagram em cima do avião. Ele fica na praia de Solheimasandur, o estacionamento fica na beira da estrada e há uma caminhada de 3km até chegar nele, vale a visita, é uma praia gigante de areia negra! De lá seguimos conhecer o glacial Solheimajokull, subimos de carro a montanha Dyrholaey pra ver uma vista linda (e com vento) do litoral, visitamos a praia de areia negra e paredão de pedras quadradas Reynisdrangar, que já estava bem cheia de excursões pelo horário e finalizamos o dia visitando os cânions Fjadrarglijufur, paisagem de quebra-cabeças 2000 peças!

Até aqui é o turismo mais comum da Islândia, que a maior parte dos turistas vão, quando passam de 5 a 7 dias no país, se hospedam em Reykjavík e fazem tours, eu já estava maravilhada com as paisagens que tinha visto, e nem tinha ideia que dali pra frente tudo seria ainda mais incrível!

Dia 06: continuamos ao sul da Islândia, escolhemos dormir as noites do dia 05 e 06 em Höfn, porque as visitas dos próximos 2 dias seriam por lá e é uma cidade fofa com bons restaurantes. Este dia já havíamos reservado pela internet a caminhada no glacial Skaftafeljokull que custou um rim de US$ 100, mas foi meu primeiro glacial walk da vida, então valeu a pena! Tínhamos reservado também o tour pra caverna de gelo por US$ 120, mas pelas chuvas ela estava alagada e cancelaram, me fazendo poupar, ufa! Aproveitamos a tarde livre pra conhecer o Skaftafell national Park e vimos o pôr-do-sol num restaurante no porto de Höfn, Pakkhus Restaurant.

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Diamond Beach

Dia 07: dedicamos às maravilhosidades Jokulsarlon, uma lagoa de gelo e Diamond Beach, uma praia linda com icebergs espalhados na areia. Ainda em Höfn conhecemos o restaurante especializado em lagostas: Kaffi Hornid, comi o prato mais barato, a pizza de lagosta que saiu por US$ 24.

Daria pra ter feito os dois últimos dias em um dia só, mas nós escolhemos fazer tudo com muito mais calma. No sul também tem uma ilha que dizem ser linda, mas não tinha balsa naquele dia, pra quem tiver mais sorte: chama Vestmannaeyjar. 

Dia 08: foi um dia que dirigimos 350 km contornando a costa leste, saindo de Höfn rumo a Myvatn no norte, as paisagens são incríveis, complementadas com a playlist da banda islandesa “Of Monsters and Men” e desviamos da rota para parar no caminho apenas uma vez, pra contemplar os fiordes e a pequena cidade Seydisfjördur, que é a cidade mais FOFA desta vida! Chegamos em Myvatn debaixo de neve e a tempo de jantar no restaurante “farm to table” Vogafjós (que aliás tem um estábulo com vacas ao lado das mesas).

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Seydisfjördur
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Dettifoss

Dia 09: no norte da Islândia existe a cachoeira com maior volume de água da Europa, a Dettifoss, dizem. Fomos nela logo pela manhã debaixo de neve ver o sol nascer no céu alaranjado às 10h, linda! Seguimos para Hverir Geothermal Area, com crateras de vulcão, geysers e toda uma estrutura de tubulações pra captar energia geotérmica (único lugar do mundo que usa energia dos gases naturais), passamos pela cachoeira Godafoss, terminando o dia em Akureyri, outra cidade fofa com pubs, lojinhas e semáforos com formato de coração. 

Dia 10: também foi um dia longo de estrada, de Akureyri para Stykkishólmur, outro dia de estradas lindas onde paramos pra ver Turf houses em Glaumbær (casas pequenas com teto de gramado que parecem feitas para hobbits).

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Península de Snæfellsnes

Dias 11 e 12: exploramos a famosa Little Iceland, na península de Snæfellsnes, a extremo oeste da Islândia. Esta região é famosa por apresentar pequenas amostras de todas as belezas naturais espalhadas pela Islândia, mas aqui concentradas nesta península, tem praia de areia negra, cânions, cliffs, cachoeira, vulcão, mini glaciais, igrejas modernistas, lagoas termais, visitamos mais de 15 atrações em dois dias e dormimos no Hostel The Freezer em Olafsvik, que tem uma área de bar ótima. Não vou nem listar as atrações aqui, que são muitas mesmo, mas todas coladas umas nas outras, levando minutos para chegar de carro, e tudo é grátis. Na noite do segundo dia voltamos pra Reykjavík para uma última noite de pub crawl, antes de partir no dia 13º dia.

Fim. Agora vamos aos gastos: foi uma viagem muito cara, pro meu bolso mochileira, a moeda é a coroa islandesa e a cotação pro dólar é quase 1=120, então vou dar uma ideia dos preços em dólar americano: 

  • carro + combustível + estacionamentos: US$1630, isto é, 135 dol/dia que dividimos em 2 pessoas;
  • guesthouse: as mais simples que encontramos em cada cidade saiu na média 70 dol/noite, quartos duplos, então dividimos em 2 pessoas;
  • jantar: fazíamos um almojanta só 1x ao dia em restaurantes, e saiu na média 20 dólares (pra mim que sempre peço a opção mais barata do cardápio e sem bebida, mas pratos com carne chegavam a US$ 50 e a cerveja mais US$ 10);
  • supermercado: comprávamos café-da-manhã e lanche de almoço e saiu na média 5 dólares por dia/pessoa;
  • tours: glacial US$ 100, blue lagoon US$ 70 e secret lagoon US$ 22;

Dicas para beber: em supermercado não vende bebida alcóolica, apenas nas lojas chamadas Vinbudin, onde se encontra cerveja e vinho um pouco mais em conta que bares e restaurantes, e em Reykjavík usamos o aplicativo Appy Hour, que mostrava os bares com promoção de happy hour hora a hora, por isso fizemos nosso pub crawl por lá!

Conclusão, dividindo o carro e os quartos duplos, comendo a opção mais barata em restaurante, apenas 1 vez ao dia e tendo tomado cerveja só 3 dias, a viagem toda pra mim saiu US$ 1800 pra 12 dias, o que é mais que o dobro da minha média de sabático! (fora a passagem…mas aí depende de onde você sai).

Já ia me esquecendo de um dos motivos principais desta viagem: praticamente todas as noites acompanhávamos o movimento da aurora boreal pelo aplicativo My Aurora Forecast, quando tinha probabilidade de mais de 10% de visibilidade da Aurora perto da gente, perguntávamos na guesthouse um bom ponto de observação, longe das luzes das cidades, pegávamos o carro e dirigíamos, às vezes 30, 50 km, entre 9 e 11h da noite, mas não vimos  nada… demos azar, pelo tempo: nublado e pela lua: cheia. Mas como já tínhamos decidido terminar esta viagem no norte da Noruega, em Tromsø, num tour de 3 dias caçando Aurora Boreal, ficamos tranquilas.

Tromsø: pegamos um voo de Reykjavík a Tromsø só pra ver a Aurora Boreal, a cidade é pequena e bonitinha, tão cara quanto a Islândia, mas por estar mais ao norte, nevava mais e havia claridade apenas das 11h às 14h. Passamos 3 dias passeando pela cidade e seus cafés de dia e todas as noites saíamos com o ônibus da agência Chasing Lights para caçar Aurora Boreal, este tour pode levar até 10h, saindo às 18h e voltando entre 2h e 4h da manhã, eles chegam a cruzar a fronteira pra Finlândia, e foi lá mesmo que vimos a Aurora dançando verde sobre nossas cabeças, 3 noites seguidas. Apesar de ser um tour com ônibus grande, os espaços onde paramos são amplos, como uma lagoa congelada, e eles levam 2 fotógrafos profissionais que tiram fotos de todo mundo com a Aurora, um a um, sem muvuca. Escolhemos o pacote 7-night aurora pass, mesmo usando apenas 3 das 7 noites, pois era o melhor preço pra 3 noites, custou US$ 270. Lá resolvemos não alugar carro e confiar que o tour seria a melhor opção, pra nós foi mesmo!

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e a tão aguardada aurora boreal

Se valeu o preço tão alto desta viagem de 15 dias entre Islândia e Tromsø? MUITO! A Islândia é sem dúvida o lugar mais lindo que já visitei, quer dizer, difícil competir com algumas praias paradisíacas da Ásia, mas é o lugar que reúne as mais distintas paisagens, você sai de um cenário de praia de areia negra, sobe um vulcão, desce e cruza geysers, se depara com uma cachoeira, e de repente encontra uma paisagem toda branca de neve em um cânion! Tudo junto dentro do espaço de 2 horas… é inexplicável! E a Aurora Boreal foi mágico e mais um check na minha lista de sonhos sabáticos!

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