Feliz 3 anos!

Hoje completo 3 anos da minha demissão, e resolvi me (re)apresentar oficialmente a vocês aqui, contando porque mudei a rota. 

Eu era engenheira de produção, trabalhava com marketing e vendas em grandes empresas, morava em São Paulo, acumulava roupas não usadas, livros não lidos e objetos de decoração no apartamento recém comprado que eu dividia com o meu pug, o pequeno Schnaps. Eu trabalhava muito, o que me fazia comer comidas congeladas e jantar frituras no happy hours do bar, sempre bebendo muito também. A alegria do sábado era quando eu não tinha nenhum pepino de loja pra resolver, podia aproveitar a piscina nos meus pais e me acabava de dançar em alguma festa, morrendo de ressaca na frente do Netflix no domingo.

E então veio a minha demissão, em uma reestruturação da firma. Naquele momento eu já estava em crise após uma palestra do Cortella que a grande pergunta era “porque fazemos o que fazemos” e eu não sabia responder, a demissão veio, então, como gatilho para eu cair no mundo. Fiz contas, coloquei meu apartamento pra alugar, vendi 70% das minhas roupas e sapatos, vendi 2 bikes, raspei a cabeça, virei vegetariana, deixei o  Schnaps alegrando os dias dos meus pais, e vice e versa, e caí no mundo viajando com um mochilão nas costas.

Comecei pela Índia fazendo um curso de formação em hatha yoga, segui explorando Índia, Austrália, Filipinas, Indonésia, Singapura, Malásia, Myanmar, Nepal, Butão, Sri Lanka, mas não importava o país que eu estivesse, a minha viagem era pra dentro, de auto conhecimento. E me conectando com pessoas no caminho fui me descobrindo cada vez mais. O yoga e a meditação me acompanhavam na jornada e me conectavam com a minha essência, ao longo das viagens fui realizando cursos, vipassana, tantra, thetahealing, barras de access, ashtanga, e comecei a ter alunos e clientes por onde eu passava, o que também financiava eu seguir viajando.

Aprendi a dar outro valor ao dinheiro, ele passou a ser o meio e muitas vezes, o meio oculto. Cheguei a dar aula de yoga ou sessão de thetahealing em troca do jantar ou da cerveja de fim de tarde, também trabalhei em recepção de hostel em troca de hospedagem e café-da-manhã, cheguei a trocar roupas de verão por roupas de inverno, e assim fui seguindo viagem, às vezes sem encostar no dinheiro, gastando pouco e prolongando este estilo de vida nômade e minimalista.

No fim de 2018 migrei pra Europa, onde a viagem passou a ser mais cara, mas me arrisquei no couchsurfing (surfando de sofá em sofá sem pagar hospedagem) e segui explorando lugares e experiências que estavam na minha lista de desejos: Grécia, Algarve, Caminho de Santiago, Islândia, Escandinávia, Aurora Boreal, até que me apaixonei por Copenhagen e arrumei um emprego de verão. Resolvi parar por um tempo em uma base fixa, fazendo viagens de até 2 meses e sempre voltado.

Hoje estou aqui, em um estúdio alugado em Copenhagen, comemorando 3 anos de demissão com uma pequena tortinha de morango, a extravagância da semana,  equilibrando meus muitos “crachás” perante a sociedade: escritora, professora de yoga, terapeuta, palestrante.

Terminando de escrever meu primeiro livro que narra esta jornada, aprendendo a empreender, descobrindo como ter disciplina sem chefe e escritório, absorvendo o desapego da vida nômade, estimulando e inspirando mais gente a fazer o mesmo: mudar.  

Não há destino final, não há objetivo, este sabático não tem mais fim, vou me descobrindo e me reinventando, virou minha escolha de estilo de vida.

Eu sou a Marina. 

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