Caminho de Santiago de Compostela

O Caminho do Norte para Santiago

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Este é o segundo post sobre o Caminho de Santiago que escrevo, este é sobre o Caminho do Norte, o Caminho do Litoral Norte da Espanha, onde todas as pessoas que haviam feito me falavam que era o mais lindo de todos. Só pode ser o mais lindo! Me apaixonei!

Como comecei minha jornada no Caminho Aragonês em Somport, migrei pro caminho Francês em Puente la Reina e voltei tudo até a França pra começar de novo pelo Caminho do Norte, posso assegurar, que destes 3 caminhos que fiz, em minha opinião, o Norte é disparado o mais lindo de todos!

Sobre o Caminho Francês que 80% dos peregrinos fazem e minha mudança de rota pro Caminho do Norte, conto no post abaixo aqui no blog. Assim também como dei a dica do que levar e quanto gastar (a média dia em qualquer um dos caminhos pra mim foi de EUR 30 entre albergues, restaurantes e supermercado). Aqui, além da dica do site http://caminodesantiago.consumer.es que eu já havia dado, no Caminho do Norte também utilizei o aplicativo Buen Camino, onde estão todas as rotas, os mapas e os telefones dos albergues.

Mas o caminho do norte gente… é uma natureza de arrepiar, de chorar de emoção, é ver o sol nascer por trás das rochas, são montanhas de um imenso verde, são bezerros  e cabras por todas as partes te acompanhando com o olhar, são os cavalos soltos com as crinas mais loiras e lindas que já vi, é sentir a maresia, subir e descer morro pra tomar banho de mar, é colocar o pé na areia, é passar por povoados onde os moradores puxam conversa só porque você é peregrino, te convidam pras suas casas, é comer maçãs, figos e amoras direto das árvores, são as praias mais lindas, cruzando o país Basco, a Cantábria e as Astúrias, antes de entrar na Galícia. Sério, é muito incrível!

Eu não sei explicar o que aconteceu neste Caminho, ele começou de uma decisão por impulso no meu terceiro dia de Caminho Francês, quando cheguei em Logroño, em La Rioja, após caminhar 20km desde a última cidade, quando eu estava há 3 dias frustada com tanta gente e muvuca, decidi ir pro Norte e recomeçar de uma praia, San Sebastian. Então olhei no mapa, parei na Oficina de Apoio ao Peregrino em Logroño, falei do meu desejo, e além deles dizerem que muita gente estava desistindo do caminho francês, me mostrarem o ônibus pra San Sebastian, ainda me deram um alfajor e parabenizaram pela decisão de mudar…saí com a certeza, naquele minuto, que eu estava fazendo a coisa certa. Aproveitei minha tarde em Logroño numa festa do vinho, peguei o ônibus e 5 horas depois eu chegava no fim de tarde em San Sebastian. Aí foi um balde de água fria…parei na oficina turística pra perguntar onde era o albergue de peregrino, e a moça me respondeu: IMPOSSÍVEL, estamos no meio do festival de cinema, não há onde dormir por menos de 200 euros, todos os albergues lotados. Eram 19h e me desesperei, ela até ligou em cidades ao redor, e não havia vaga em lugar nenhum, busquei no booking.com e a opção mais barata estava 600 euros.

Saí meio perdida pelas ruas, disposta a esticar meu sleeping em uma praça pra passar a noite, embora ela tenha me dito que poderia ser perigoso, por ser uma cidade muito movimentada, mas cruzei um peregrino no meio da rua, com a concha pregada na mochila (como eu) e pedi ajuda. Ele nem estava fazendo o caminho, apenas já o tinha feito uma vez e nunca tirou a concha a mochila, mas como o destino é bom, ele logo me indicou um trem para Irun, começo do caminho e 30 km pra trás, me disse que lá seguramente haveria cama livre no albergue e eu poderia andar dia seguinte e chegar novamente a San Sebastian, quando o festival terminava e voltaria a ter disponibilidade em albergue. Assim foi, e o destino me fez começar o Caminho do Norte do primeiro ponto mesmo, Irun, quase na fronteira com a França. A ideia inicial era escapar esta parte e começar de uma praia, mas o Caminho me fez fazê-la, e foi uma parte linda, de serra sempre com vista para o litoral, no País Basco. 

O resto do Caminho não irei detalhar as etapas, basta ver no site ou aplicativo que eu indiquei aqui. O Caminho de Norte inteiro, de Irun até Compostela, tem 815km, eu fiz apenas 700, pulei uma parte entre Bilbao e Santader, pois já tinha andado 256km antes no Caminho Francês, e porque esta parte é bem industrial, de estradas e menos praias. Mas um dia volto num feriado qualquer pra fazer só este trechinho, em 4 dias é possível, e dizem que Portugalete que fica lá tem um litoral lindo.

No Caminho eu andava uma média de 30km por dia, sempre com a minha mochila de 7 kilos nas costas, peguei chuva, andei de capa de chuva, peguei sol que já saía do albergue com biquíni por baixo, peguei ventania de 75km/h, que mal conseguia andar, teve de tudo! Tinha dia que eu desembestava a andar e iam 25km sem parar, tinha dia que eu estava mais preguiçosa e parava a cada 5km pra comer algo que eu carregava comigo ou sentar pra descansar. Mas quando tinha praia eu sempre parava! A Praia de San Sebastian é linda, numa cidade super turística, cheia de restaurantes e bares chiques, acabei passando uma tarde e a manhã seguinte toda lá e este dia andei só a tarde (muito raro algum peregrino começar a andar 14h como eu fiz).

Depois foram tantas outras praias, que não importava a temperatura (e às vezes tava 12º graus fora) mas eu colocava o biquíni e às vezes entrava no mar! Gijón, Playa da Cueva, Penarronda, Comillas, Tapa de Casariego, Cudillero, Playa de Po, La Isla, e tantas outras praias que perdi a conta! 

A rotina era mais ou menos assim: eu acordava empolgada, tomava café, preparava o lanche pra levar e via no mapa as praias do caminho, colocava um pin no mapa e mesmo se eu tinha que sair do Caminho oficial eu ia, fazia meu próprio caminho entre os povoados e campos do litoral, tinha dia que escolhi ir acompanhada, tinha dias que fui sozinha, tinha dia que saía cedo 2 horas antes do nascer do sol, outros eu era a última e saía às 9h quando fechava o albergue, tinha dias que eu encontrava alguém no meio do dia e seguia com a pessoa, tinha dias que eu ia em silêncio absoluto, tinha dias que ia com a maior playlist andando e dançando! Mas o que eu mais gostava era quando eu via o mar de longe, me aproximava, e descia na praia, colocava o biquíni, tomava sol, fazia yoga, mergulhava no mar. Às vezes eu comprava algo de comer num supermercado ou café antes e fazia picnic na praia. Estes dias eu decidia ficar sem hora pra sair, mas como o celular podia ficar sem bateria, ou eu podia chegar no destino e encontrar o albergue municipal lotado (que custam 6 euros), sempre procurava antes no booking.com ou ligava nos Hostels privados do aplicativo e já deixava minha vaga garantida, pra ficar na praia sem hora pra sair, e chegar no albergue depois de anoitecer, era a última.

Se teve perrengue? sempre! Mas eu não ligava, tudo sempre dá certo no final. No meu último dia de litoral, cruzando das Astúrias pra Galícia, eu ia parar em umas 6 praias (afinal depois seriam 6 dias sem litoral até Santiago de Compostela), e ia dormir em Ribadeo. Liguei nos albergues privados de lá mas só tinha quarto individual de 30 euros, achei caro e resolvi arriscar sem reservar nada. Aproveitei as praias até o último minuto e quando cheguei no albergue municipal de Ribadeo (os municipais não aceitam reserva) ele estava lotado. Já estava escurecendo e eu não queria pagar 30 euros nos privados, então andei mais 6 km (além dos 24km que eu já tinha andado) até a próxima cidade que tinha cama por 10 euros, nem liguei. Mas outro dia que parei em La Isla pra dormir (uma praia bem pequena) eu cheguei cansada e passando mal de algo que comi no caminho, o albergue estava fechado e o único hotel da cidade também, mas eu estava com um espanhol e saímos ligando em alguns números até achar um quarto pra alugar por 30 euros pra nós dois, então sempre há uma alternativa, se não fosse este quarto, eu ia andar 5km a mais até a próxima cidade, mesmo passando mal.

O Caminho é assim, nos ensina a ter paciência, perseverança, nos ensina a viver com pouco, a conviver com os outros e com nós mesmos, mostra que nosso corpo aguenta muito mais do que imaginamos, mostra como somos felizes em meio a natureza. O choro vem, muitas vezes de felicidade, de emoção, as coincidências acontecem, as pessoas certas surgem, e às vezes passamos até 7h totalmente sozinhas. Foram 33 dias caminhando, 940km entre os 3 Caminhos que percorri, cheguei a fazer 42km de caminhada em um dia, sem nem notar! Também enfrentei o medo, de estar sozinha numa floresta escutando uns sons do além, o medo de um cavalo que correu até mim pra ficar cara a cara e me olhar nos olhos, mas nenhum grande susto e sempre a confiança que tudo dará certo.

O Caminho é lindo, e falo pra todo mundo: FAÇA!!! Principalmente se for o do Norte ❤️.

Caminho de Santiago de Compostela

O Caminho Francês pra Santiago

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El Camino ❤️ , acho que o mês mais feliz deste sabático! Ante de tudo, explicando aos que não sabem, existem vários caminhos de peregrinação que levam a Santiago de Compostela  na Espanha (uns 10 diferentes). Alguns saem de outros países e continuam na Espanha e qualquer pessoa pode escolher qualquer um dos caminhos e qualquer ponto de saída. Eles podem ser feitos a pé, de bicicleta ou a cavalo e é preciso fazer a Credencial do Peregrino antes de sair, para poder se hospedar nos albergues de peregrino e ir recebendo os carimbos a cada parada até chegar ao carimbo de Santiago de Compostela na chegada!

Além da credencial, outra tradição importante é a concha que identifica o peregrino, todos tem esta concha amarrada em suas mochilas e o caminho é todo sinalizado por conchas e setas amarelas (nos postes, placas, árvores, chão). É como buscar ovos de páscoa, tem que andar atento buscando as conchas!

Para esta minha primeira vez (sim, creio que haverão muitas) escolhi o Caminho Francês que é o mais popular/comercial de todos. Mas como eu tava com preguiça e já subi o basecamp do Everest este ano (you go girl!!), resolvi não começar como todo mundo de Saint Jean de Pied de Port  (subindo os Pirineus)  e fui pelo caminho francês alternativo que já sai do alto dos Pirineus na cidade de Somport na França, descobri depois que este Caminho “alternativo” Francês se chama Caminho Aragonês pois atravessa o estado do Aragão, de Somport até Puente la Reina, completando 165 km. Pra chegar em Somport peguei um trem de Madrid a Zaragoza e outro trem até Jaca, dormi em Jaca em um albergue de peregrinos, deixei minha mochila e peguei um ônibus para Somport dia seguinte, onde desci caminhando meus primeiros 33km (mas sem a mochila) até Jaca. Quem não aguenta tantos km em um dia também pode dormir no meio do caminho, em Canfranc.

Não vou detalhar o caminho e as paradas, porque a dica MARA que eu dou é usar este site aqui que sinaliza tudo de cada caminho da Espanha: http://caminodesantiago.consumer.es. Nesta primeira etapa do Caminho, eu não usei aplicativo, não usei mapa, não usei 3G no caminho, apenas dava print da próxima etapa neste site antes de sair do wifi de manhã e se precisava de uma ajuda olhava os prints, mas tentei fazer o caminho sem muita tecnologia, apenas seguindo as setas e conchas amarelas.

A ideia de sair de Somport ao invés de Saint Jean foi ao mesmo tempo boa e ruim,  é desta experiência que quero contar aqui no post, esta rota alternativa (Caminho Aragonês) completa 165km em 6 dias de Somport até Puente la Reina, onde se une com o Caminho Francês e vira um único caminho. Mas como esta rota alternativa não é tão conhecida, eu senti que ela tem sido abandonada ao longo dos anos…muitos postes com a sinalização das setas amarelas caíram e fiquei indecisa sobre a rota, também não achei que tinham setas o suficiente, cheguei a andar 1 km sem ver seta, mas mesmo assim não cheguei a me perder, intuição nos guia também! Mas o pior (pra quem não gosta de perrengue) foi que as cidades pequenas no meio de cada etapa estão vazias, alguns albergues e bares nelas foram fechados (mesmo setembro ainda ser temporada), então às vezes não havia alternativa de encurtar uma etapa dormindo no meio do caminho ou realizar uma parada para comer algo. Cheguei a andar 20km sem nenhuma opção de comida, então tem que se organizar e carregar lanche mesmo! E por dois dias nem fontes de água achei, cheguei a ficar com sede depois que meu litro de água acabou (e acho difícil levar mais de um litro pelo peso da mochila).

A parte boa do caminho é que por ele ser tão menos frequentado, você caminha sozinho, livre, na natureza, vendo paisagens incríveis! Eu amei! cheguei a andar 6 horas sem cruzar ninguém, mas isso é pra quem curte esta solidão né? Eu prefiro do que fazer trilha com gente. E também, por ser menos frequentado, uma média de 15 pessoas passam por ele todos os dias, e só há um albergue por parada, então todas as noites acabei encontrando e dormindo com as mesmas 13 pessoas e criamos vínculo (nenhum abaixo dos 55 anos, tá?), mas todos uns fofos, e eu fui a tradutora oficial entre os franceses, os espanhóis, o alemão, o inglês e a belga (muito amô por eles!).

Apesar deste caminho alternativo não subir os pirineus, é um caminho pesado sim, pelas longas distâncias de cada etapa (25 a 33 km por dia), algumas subidas e descidas, com poucas paradas para uma bebida fria ou algo de comer. Também não há farmácias ou médicos (apenas no dia 1 em Jaca e no dia 4 em Sangüesa) e muito menos supermercado para preparar seu lanche do dia seguinte, levar frutas e até cozinhar no hostel, apenas em Jaca e Sangüesa isso é possível. As pernoites em Arrés, Ruesta e Monreal são literalmente no meio do nada, onde o próprio albergue tem um bar que vai te preparar jantar, café da manhã e o “bocadillo” pra trilha do dia seguinte, mas pra minha fome não era suficiente, e pro meu bolso saía caro, se comparado com a possibilidade de um supermercado, mas tudo bem, as paisagens e a trilha sem ninguém compensaram este perrengue.

Quando cheguei em Obanos, pouco antes da pernoite em Puente la Reina e cruzei com o pessoal vindo do outro caminho, o Caminho Tradicional Francês, notei a diferença entre os dois caminhos! De cara em Obanos vi duas fontes de água, parei pra abastecer a garrafa e começou a passar gente, gente, gente…grupos, duplas, casais, não dava 3 minutos sem passar alguém, não tem nem comparação com o caminho que eu vinha. Logo puxei papo com duas meninas da minha idade (eram 6 dias sem ver ninguém abaixo dos 50 kkk), duas espanholas de Barcelona, fomos andando e conversando, e após 2 minutos da última seta amarela uma delas se desesperou em não ver outra seta, mas estávamos em uma rua reta, eu não entendi o desespero hahaha,  eu estava acostumada a andar até 1 km sem ver seta! Me espantei com a diferença! E fui reparando como é muito sinalizado este caminho! E a cada km há um bar ou quiosque ou vending machine (no meio do nada!), as pessoas  param, pedem sanduíche, suco, café, cerveja, eu estava acostumada a passar minhas 6 a 8 horas diárias de caminhadas com meus lanches na mochila e racionando minha água pra não faltar! E a partir deste caminho, todas as cidades que passamos tinham vários albergues ou pousadas, então pra alguém que queira fazer trechos curtos de 10 a 15km por dia, é super possível.

Gostei muito de ter começado pelo Caminho Aragonês e depois ter juntado com o Francês, assim posso viver as duas coisas, e as pessoas que conheci nos 6 primeiros dias desde Somport: maravilhosas! Um senhor francês que perdeu uma perna em um acidente de moto há 18 anos e hoje faz o caminho com prótese e muleta, ele vai de carro até a cidade da próxima pernoite, daí volta andando 5km pra esperar a esposa em uma sombrinha e  segue de novo estes 5km com ela, completando apenas 10km por dia, que é o que ele aguenta. Uma belga de 71 anos que está fazendo 1000 km de Caminho desta vez, mas há 10 anos ela fez 2700km desde a Bélgica até Santiago. E um espanhol nos seus 60 e muitos que teve um problema no coração este ano e colocou um marcapasso, está fazendo o caminho devagar, com uma bengala e acompanhado dos seus dois filhos. E também conheci o Pepe, que em 2014 se deu conta que seu tempo não valia trabalho ou salário nenhum, então pediu demissão, doou todos seus livros e roupas, devolveu o apartamento alugado e vive há 4 anos peregrino pela Espanha, tudo o que ele tem está na sua mochila de 20 kg, ele vive ao redor do Caminho, mas ás vezes sai dele, volta, vai conhecendo pessoas que lhe dão coisas, distribui tempo para conversa, sorrisos e mensagens impressas em marca-páginas, e essa é a sua vida, andarilho!

Esta foi a  particularidade desta minha experiência no caminho alternativo ao francês: as pessoas que cruzei! E isto não tem preço. No Caminho Francês o perfil dos peregrinos é outro, conheci poucos fazendo o caminho sozinho, são mais grupos de amigos e casais, um pouco mais de festa e menos introspecção, mais jovens, porém com menos propósito em fazer o caminho, todos que eu perguntava “por que fazer” me respondiam “porque é bonito”, “porque eu tinha férias”, “porque fulano me chamou”. Ponto. Nenhuma pessoa que eu conheci no Francês tinha um propósito espiritual, ou religioso, ou de busca interior, ou de superação. Também conheci grupos organizados de turismo nesta rota, agências que levam grupos, transportando suas mochilas em carros e fazendo suas reservas em hotéis, às vezes até mesmo com guia. Achei o Caminho Francês bem mais comercial!

Mas esta foi uma visão pontual minha, de apenas 3 dias de Caminho Francês, apenas 70 km, e conto o porquê: faltando 780km pra chegar em Santiago, eu não estava gostando da “muvuca” dos últimos 3 dias do Caminho Francês e saí deste caminho!! Eu estava cruzando mais de 100 pessoas por dia na trilha, um pouco incomodada com a quantidade de quiosques e bares, as pessoas bebendo e falando alto, sem eu conseguir fazer minha caminhada em silêncio, então desisti, ignorei que tinha andado já 235km, voltei pra França e comecei tudo de novo por outro caminho de santiago: O Caminho do Norte. Isto mesmo, mudei a rota! E não me arrependo um só momento, foi a melhor decisão de mudança deste sabático!!! E um reflexo do que tem sido minha vida nos últimos tempos: a coragem de mudar diante do incomodo e /ou do comodismo. Não é porque escolhemos um caminho, um trabalho, um relacionamento lá trás que precisamos ficar pra sempre, se não está bom, temos que ter a coragem de mudar!

Mas deixando a filosofia de lado e voltando ao Caminho: o fato de eu não ter gostado do Caminho Francês não impede de outras pessoas gostarem, quem prefere andar com suporte de restaurantes, quem não se sente confortável ou seguro de estar tantas horas sozinho na natureza, principalmente mulheres que me enviarem dúvidas com seus medos, sim, o Caminho Francês é indicado para quem prefere andar com mais infra-estrutura e encontrar mais pessoas! É que euzinha prefiro o “into the wild style” e um perrengue básico pra chamar de meu!

Ainda sobre o caminho Francês, falando das paisagens, ele é lindo tá? Não desisti pelo visual, porque o visual é lindo, de planícies, passando por muitas plantações e muitas cidades fofas! Só fui até Logrono, não deu tempo de passar por Leon e Burgos que eu queria conhecer, com catedrais góticas incríveis, mas tudo bem. Este caminho só tem alguns dias maçantes em trechos de Navarra e La Rioja de puras plantações com sol na cabeça e clima bem seco, mas o visual é bonito!

Já o Caminho do Norte que eu migrei é outro visual, ele é no litoral. Então as paisagens são de serra, floresta e praias. P-R-A-I-A-S !!! Por isso me apaixonei tanto! Mas antes de migrar pro outro post que eu conto do Caminho do Norte, queria dar duas dicas aos interessados que me mandaram perguntas sobre o caminho: os gastos e a mochila!

O ideal é que a mochila tenha 10% do seu peso, e que não passe dos 40 litros, tem que ser aquelas que ajustam bem na cintura pra distribuir o peso! Considere que a própria mochila já pesa cerca de 1 kg e o litro de água também, então de resto, eu trouxe: sleeping bag, casaco corta vento que também é a capa de chuva, capa de chuva pra mochila (se não for embutida), um casaco de fleece, uma papete pra chegar no destino e passear com os pés respirando, uma havaina pra tomar banho, toalha de camping, necessaire pequena, uma calça e blusa pra dormir. E daí são dois looks: o 01 e o 02, hahaha um você usa, chega e lava, e o outro você usa dia seguinte se o de ontem não tiver seco, então são 2 bermudas de lycra (e 1 legging se esfriar), 2 camisetas de dryfit, 2 tops, 2 calcinhas e 2 meias. A bota de trekking tem que ser muito confortável, cano médio e estar amaciada no seu pé! Tem gente que faz com tenis de corrida, mas não é indicado pros dias de chuva e as pedras que eu encarei na serra do litoral, onde amarrei bem o cano médio protegendo o tornozelo.

Esta é a mochila ideal pra quem vem neste clima que estou, em setembro/outubro ou abril/maio, estas são as melhores épocas. Junho a agosto além de ser muito quente é bem cheio de gente, inclusive excursões de escolas espanholas!! E de novembro a março é bastante frio, então a mochila precisa ser reforçada com outras roupas (nesta época também muitos albergues fecham, então aconselham até a levar barraca, isolante térmico, etc).

Os gastos: eu gastei exatamente 30 euros por dia! Os albergues de peregrino vão de 5 a 12 euros, os menus nos restaurantes vão de 10 a 12 euros (dois pratos, bebida e sobremesa) e um café-da-manhã ou lanche sai 4 a 5 euros. Como neste momento o euro está nos saindo R$5,20, eu prefiro fazer supermercado onde o meu jantar, café do dia seguinte e lanche pra trilha me saem no máximo 7 euros. De resto, é só andar, porque a natureza e nossas pernas são grátis!

Sri Lanka

Sri Lanka, onde?

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Há um ano atrás eu conhecia o Sri Lanka, mas resolvi contar só hoje sobre esta experiência porque me veio toda a memória do ano passado, então voltei lá nas minhas anotações, tabelinha de gastos (engenheira ela) e fotos, e montei este relato aqui. Estava eu na minha terceira semana de curso de formação de Yoga na Índia em outubro de 2017, o clima estava cada vez mais quente, eu cada vez mais coberta (em ashrams também precisamos cobrir ombros e pernas) e a quarta e última semana do curso se aproximava com uma vontade louca de ir pra praia. Eu estava em Nashik, ao sul de Mumbai e pensei que poderia ir para as praias de Goa ou Kerala na Índia mesmo. Porém, um belo dia, por sincronicidade de conversas diferentes, 2 pessoas citaram suas viagens ao Sri Lanka, que eu confesso que nem sabia se era na Ásia ou na África (geografia nunca foi meu forte)…olhei no mapa, bem ao sul da Índia, pertinho, com praia…entrei no site do Worldpackers e tinha oportunidade de work exchange em hostel (troca de 20 horas semanais de trabalho por hospedagem e refeições), então me candidatei à vaga, comprei minha passagem e uma semana depois estava indo passar um mês  neste país tão pouco visitado (especialmente por brasileiros).

Bom, minha ida ao Sri Lanka foi mais pra curtir uma praia e ter a experiência de work exchange (que conto neste outro post ) do que pelo país em si, mas acabei sendo surpreendida por um destino incrível (e muito barato)! Logo me encantei, vi que é um país com muito pra se visitar, e tentei explorar ao máximo, mas não estive nas montanhas do norte, por exemplo, e nem litoral leste que conheci muita gente vindo de lá.

Pousei em Colombo, mas nem cheguei a conhecer a capital, dia seguinte de manhã já peguei um trem pra Mirissa, barato (US$ 1,50) mas pensa num aperto de quase 5 horas…sem lugar pra sentar…enfim, fui de pé quase até o final, a última hora de viagem vagou uma poltroninha que ocupei. Negombo é outra cidade ao lado de Colombo que dizem ser charmosinha, mas eu estava tão sedenta por praia, que pulei esta parte e fui logo pra Mirissa.

Mirissa é a praia que escolhi ficar e onde arrumei o job no hostel, dá pra passar dias nela, é calma e linda com pôr-do-sol especial, os hostels costumam custar US$ 10 com café da manhã (tanto o My Hostels que eu trabalhei quanto o Hostel First que visitei) e de Mirissa também dá pra fazer uma trilha pra Secret Beach, uma prainha isolada que eu amei e acabei indo vários dias. 

Em Mirissa dá pra alugar caiaque, stand up padle, sair de barco, fazer snorkeling ou sentar em alguns dos restaurantes com espreguiçadeira na praia e relaxar o dia todo, é uma vibe muito parecida com a de algumas ilhas na Tailândia, mas ainda com pouca exploração turística, então é menos cheio e tudo é muito barato! 

Um prato em restaurante custa de 300 a 700 rúpias, que equivale a 2 a 5 dólares, a cerveja Lion 600ml custa US$ 2 no horários de happy hour (que tem promos) e US$ 3 na balada.

Não é toda cidade que vende álcool fora dos bares, por exemplo em Mirissa pra comprar em supermercado precisa de uma licença que só os moradores possuem. Já em Weligama (que dá pra ir de tuk tuk) se compra álcool em loja especializada para trazer pra casa. Mas a famosa bebida é o arrack, uma espécie de rum que custava US$ 2 a garrafa e tomávamos com coca na baladinha (arrack attack é o drink ;-). Falando em balada, gostei muito da organização deles, como a praia é larga e cheia de bares, mas não tem tanto turista como nas ilhas da Tailândia, todos os bares funcionam pra happy hour, mas após as 11 apenas 1 por dia da semana abre pra balada, assim não tem dispersão e concorrência, eles se organizam, anunciam em cartazetes a programação semanal e sinalizam qual o bar da noite com um holofote na areia (tipo aquele holofote que chama o batman). O problema de ser o mesmo holofote migrando de bar em bar é que é o mesmo DJ que acompanha, e todo dia é a mesma playlist (risos…)

E assim todo dia tem baladinha pé na areia! Sem pagar pra entrar e com drinks baratos. Durante o dia, além de curtir a praia de Mirissa, fui também em lugares próximos visitar, Matara é a maior cidade com bons restaurantes, Galle Fort é uma pequena Holanda dentro de um forte, com hotéis boutique, restaurantes e sorveterias artesanais (que eu tive a sorte de visitar com uma holandesa hóspede do hostel) e Weligama é uma praia boa pra surf, com aulas, aluguel de prancha, reggaes a noite e vários surf camps. Também fui a algumas praias em Unawatuna, mas acho que dei azar com o tempo, porque no google imagem a água parecia transparente mas quando eu fui estava escuro pela chuva.

Conheci apenas este litoral sul do país, que eu considero a “Tailândia ainda não descoberta” pela beleza natural, poucos europeus estão começando a explorar mas no mês todo eu conheci apenas um sulamericano na região.  Mas para visitar o Sri Lanka precisa se atentar à época de monções que é diferente em cada região do país, por exemplo eu fui em outubro e era seca no litoral sul, já minha amiga visitou em maio e explorou o litoral leste, principalmente Arugam Bay, aliás para roteiros de Ásia super indico o trabalho dela, agente de viagens nômade digital, podem buscá-la no insta: @mari.seligardi!

Depois destas semanas trabalhando no hostel na praia, eu só tinha poucos dias livres antes de voltar pra Índia, então fui conhecer as montanhas de Ella, no centro do país, uma cidadezinha muito charmosa que parece Campos do Jordão. Eu fui de ônibus local, numa longa viagem de 7 horas (que custa US$1) sendo a única turista em meio aos locais, mas muita gente vai de trem. Ella é uma cidade pequena, cheia de cafés e massagens baratas, e o mais gostoso de fazer são as trilhas nas montanhas pra visitar os pontos turísticos: Nine Archs Bridge, Ella Rock, Little Adam’s. 

Ella é muito famosa pelo trem que chega nela vindo da cidade Kandi, é considerada uma das rotas de trens mais bonitas do mundo, e geralmente os turistas chegam na capital Colombo, pegam um trem pra Kandi e depois seguem nesta rota linda de trem de para Ella. Eu fiz o contrário, cheguei do litoral em Ella e fiz a rota linda de trem pra Kandi ao contrário, mas a rota é a mesma, e é mesmo muito linda, são horas de paisagens montanhosas e plantações, num trem antigo. Passeio maravilhoso!!

Outra atração turística famosa no Sri Lanka são os safaris, que eu não cheguei a fazer, o país tem quase 20 parques e reservas nacionais, e muitos com safaris, e alguns até com pernoite em cabana e jantar em roteiro de luxo. Aliás, o Sri Lanka começou a ter muito resort babado pra quem gosta de turismo de luxo, mas a preços mais razoáveis que Tailândia e Indonésia.

É isso, um pequeno país asiático, com forte influência das ex colônias portuguesa e holandesa, rodeado de um litoral lindo e com uma cadeia montanhosa maravilhosa! Pessoas simples, com feições parecidas a dos indianos, comida boa e roteiros muito, muito baratos! Completamente fora da rota da maioria dos mochileiros brasileiros pela Ásia, mas vale a pena incluir! 

Eu incluí e amei!

Nepal - Everest, Roteiros de viagem

Everest, o maior desafio até agora

Oie! Vou contar hoje, com um pouco de atraso, como foi o meu trekking de 12 dias para o basecamp do Everest, no Nepal, que fiz em abril! A coisa mais difícil que fiz neste sabático, e talvez, na minha vida inteira! Foi intenso, fiquei emotiva, quis desistir muitas vezes, chorei, fiquei doente, me perguntava pra quê, senhor, pra quê?? Lá no instagram coloquei nos destaques dos stories a jornada completa com os 12 dias, com o choro todo envolvido e as paisagens mais lindas!!!

Os 12 dias são o mínimo necessários para subir em 8 e descer em 4 dias, garantindo as paradas de aclimatização (para seu corpo ir acostumando com a altitude), conheci pessoas que não fizeram as paradas e subiram direto, ficaram doentes, tiveram que baixar até melhorar, e acabaram precisando de até 16 dias pra conseguir chegar de novo, então não vale a pena este risco! O problema em subir rápido esta altitude é pegar o mal da altitude onde os sintomas são falta de apetite, enjôo, diarréia, tontura, dor de cabeça… se estes sintomas aparecerem, a pessoa tem que baixar pelo menos uns 500m imediatamente, senão o risco de algo mais sério é grande! No caminho eu via diariamente 3 a 4 resgates de helicóptero de gente passando mal, e também conheci muita gente baixando que não tinha conseguido seguir em frente em diferentes pontos de altitude, não é tão fácil não!!

É possível fazer em grupo com agências, sozinho com guia ou até sozinho mesmo sem guia, como eu não conhecia direito e estava insegura, fui numa agência e fechei um guia só pra mim, mas depois conheci muita gente fazendo sozinho, hoje eu arriscaria. Para se ter ideia de custos, conheci um cara que fez tudo sozinho e gastou US$ 600 durante os 12 dias (com o vôo de ida e volta de Katmandu pra Lukla, todas as hospedagens, todas as refeições e as licenças no parque). Já pra mim com guia e tudo incluso que citei acima ficou US$1.000 o pacote com a agência (e ainda ganhei emprestado a mochila, o casaco e o sleeping). E os grupos que encontrei pagaram de US$ 1.000 a US$4.000, pelo mesmo roteiro, mesmas estadias e mesmas refeições, então pesquise muito antes de ir e feche com uma agência em Katmandu mesmo, tem uma em cada esquina, e sempre com vaga, mesmo pro dia seguinte, as pessoas que conheci que pagaram caro, de US$2.000 a US$4.000 tinham fechado com agências no Brasil, Argentina, e acabaram pagando este preço abusivo.

Foram 12 dias, subindo de 2.650m para 5.200m, percorrendo 130km com a mochila nas costas. Fui só eu e o guia, e eu tinha medo dele ser muito quietão, de eu me sentir muito sozinha, mas nada, fiz amigos do começo ao fim, o guia realmente era quieto, ele guiava o caminho falando pouco e nas refeições não sentava comigo. Mas eu sempre tava com amigos, principalmente um grupo de americanos que conheci no segundo dia e fizemos todas as paradas juntos, ok, um virou paquera, maraaaaaa! E era um grande amigo pra me incentivar quando eu queria chorar hahahha. Apesar do meu guia não ser tão bom, ainda preferi ir assim do que me enfiar em um grupo grande, acompanhei várias brigas de grupos grandes, com gente querendo ir mais devagar, parar antes, o grupo tendo que se dividir, difícil! Cada um tem um ritmo!

Vou contar o roteiro aqui:

1. Primeiro dia, vôo 7:30 da manhã de Katmandu pra Lukla (menor pista do mundo…emoção!), café da manhã em Lukla e caminhada de 1:30h até o almoço, depois só mais 1h de caminhada e estávamos em Phakding às 13h com a tarde e noite livre pra descanso, a 2650m de altitude. Leve um livro! Ou baixe filmes no Netflix do celular, mas lembre-se que paga em cada parada pra carregar celular e a bateria consome muito rápido no frio, então durma com ele dentro do sleeping, mesmo desligado.

2. Segundo dia foi trekking de 6 horas de Phakding para Namche Bazar, 11 km, chegando há 3,450m com parada pra almoço no caminho. Passamos por aquela ponte dupla suspensa que aparece no filme everest. Esse dia é de bastante subida, mas eu nem sabia o que vinha pela frente.

3. Namche é uma cidadezinha maravilhosa! Tem lojinhas, cafés, padaria, pub, várias opções de guesthouse, sabe o filme Everest? Onde eles chegam numa cidadezinha e umas crianças ultrapassam eles correndo na escadaria? É em Namche. O terceiro dia é todo parado em Namche pra aclimatizar, mas também fizemos um trekking até o Hotel Everest a 3.850m, deixando a mochila na guesthouse. Em Namche na verdade dá até pra ficar mais de um dia, e muita gente só chega até aqui pra passar uns dias e já volta. Tem o pub mais alto do mundo, mas melhor deixar pra encher a cara na volta que paramos lá de novo.

4. Daí fomos para Tangbouche, as paisagens pareciam aqueles quebra cabeças de 3000 peças. Descemos 200m pra subir 600m, bem íngreme, mas a vista compensa, apesar de ser um dia andando umas 6 horas. Chegamos em um monastério, mas não cheguei na hora da cerimônia que dizem ser linda. Este dia foi de subida e dor na perna, cheguei achando que era o pior dia da minha vida hahahahhah mal sabia eu…

5. E então fomos de Tangbouche para Dingbouche no quinto dia, chegando a 4.413m, foi bem tranquilo.

6. Dingbouche era outra cidadezinha para aclimatizar, até subi um morro pra ver a vista, mas andei bem pouco, descansei muito. Lá tem um café que passa o filme Everest todo dia às 14:30, e servem doces mara!

7. No 7º dia o certo seria ir de Dingbouche para Loubuche, chegando a 4.903m e mais pertinho do Everest, mas esta foi a vantagem de eu estar com guia só pra mim, minha sinusite atacou, comecei a ter muita dor de cabeça, e na parada do almoço em Tukla, pedi pra dormir lá mesmo. Chorei, viu? Achei que não ia dar conta de chegar no Everest, sentia dores no corpo, pontadas na cabeça, mas me entupi de sopa de alho e antigripal, conheci uma inglesa fofa que também parou por causa da sinusite e dormi cedo, num frio de doer os ossos. Já comecei a sentir a altitude também, algumas tonturas…e tava -8oC… o banheiro no relento, foi o maior pesadelo!

8. Aí o dia 8 foi o mais pesado, tive que fazer o trecho anterior, fui de Tukla pra Labouche e de Labouche pra Gorakshep e chegando lá 4 da tarde morrendo, ainda fui até o Basecamp do Everest, porque o guia disse que não poderíamos deixar pro dia seguinte, era arriscado passar de 24h em 5.250m de altitude. Não sei se era verdade, mas realmente eu não aguentaria uma segunda noite lá. Fui até o Basecamp mas não desci no portão, fiquei com medo de não conseguir subir de volta, eu estava a ponto de chamar o helicóptero de resgate, a sinusite parecia facadas na testa e o corpo parecia atropelado de dor, eram todos os sintomas de gripe elevados, muito foda! Mas voltei às 18h e dormi em Gorakshep toda entupida sem conseguir resoirar direito e num frio de rachar!

9. Dia 9 a galera costuma acordar às 4h da manhã e subir o morro Kalapatar pra ver o sol nascer no Everest, não fui nem morta! A noite anterior foi a pior. Mas acordei às 7h e comecei a voltar, e melhorar. Descemos pra Periche pra almoçar e dormir, que está a 4.370m, e só de baixar a altitude já reduziu a sinusite, já fiquei bem melhor, e voltei a me comunicar normalmente sem chorar kkk. Detalhe que neste dia já estava há 4 sem banho!

10. Dia 10 voltamos de Periche pra Namche Bazar de novo e lá sim, pudemos parar no pub e beber!!! Só que no meu caso tomei chá porque eu tava medicada. Este dia tinha nevado de noite e o caminho tava branquinho lindo.

11. 11º dia voltamos para Lukla, cidade da pista de aeroporto menor do mundo, lá tem lojinhas, cafés, clima de despedida, de conquista e tem o Irish pub que vira balada com a galera chegando, mara!

12. Logo cedo pegamos o voo pra Katmandu no dia 12, este é o único dia sem caminhada, então na verdade são 11 dias de trekking.

FIM!!

Agora vamos a mochila: eu não pesei a minha, e não paguei pra ninguém levar minha mochila (a maioria das pessoas pagam um Sherpa pra isso, mas eu não me sentia bem em vê-los carregando 6 a 8 mochilas nas costas, todas amarradas, pesando mais de 30 kilos), então carreguei tudo o que era meu, devia estar com uns 8 a 10 kilos, mas realmente não pesei. Levei muito pouca coisa, mas o sleeping bag (que deve aguentar até 0 grau) e meu down jacket para ate -10ºC graus, já pesavam o suficiente e ocupavam quase toda a mochila. Além disso levei outro casaco que era protetor térmico, quebra vento e capa de chuva, tudo misturado, um outro casaco de fleece (tipo um moletonzinho), uma calça e uma camiseta de manga pra dormir, e outra calça térmica e outro dryfit (além dos que estavam no corpo), isso mesmo, usei uma calça e um dryfit 6 dias seguidos e o outro mais 6 dias seguidos…sem lavar, mas nem banho eu tomava direito, então o importante era não carregar peso. Já calcinhas levei 12 e fui jogando fora, porque não daria nem pra lavar, não secaria naquele frio e garoa que eu pegava. Boné, óculos, gorro, luva. De higiene, levei uma toalha de camping, 1 havaiana q eu usava dentro das guesthouses com meia mesmo, lenço umedecido, hidratante pro corpo e papel. Precisei de muito muito papel higiênico, porque fiquei bem gripada, levei dois rolos mas ainda comprei uns 4 no caminho e cheguei a pagar 5 dólares por um rolo (quanto mais alto vamos indo mais os preços sobem, inclusive preço de água, banho e de tomada pra carregar celular, tudo isso é pago)

Tudo isso dá pra comprar em Katmandu, bem barato, e algumas agências emprestam o sleeping, a mochila e o downjacket, como a minha emprestou.

Ah! Importantíssimo é beber 5 litros de água por dia pra combater o mal da altitude!!!

Bom, foi isso! Intenso, difícil, mas pra mim valeu a pena! A conquista e a paisagem superam qualquer sofrimento! E se seguir estes passos dos 12 dias acima, dá pra ir tranquilo sem guia!

Bom everest pra você!

Grécia, Roteiros de viagem

Grécia sem Mykonos e Santorini

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Ai Grécia, por onde eu começo? Vou começar falando sobre expectativa e realidade. Primeiro que quando resolvi passar um mês na Grécia (neste sabático costumo dedicar 1 mês para cada país) e todo mundo me falava que a Grécia era muuuuuito barata, se comparada a outros países da Europa, eu imaginei barato mesmo…nível Ásia. Só que não. Só que eu vim em agosto, só que não é barato em agosto, que é alta temporada! 

Além de eu ter vindo na alta temporada, este não é um país para mochileiros, não há muitos hostels! Mas depois descobri que é um país onde se acampa em qualquer lugar! Então existe sim uma Grécia pra mochileiros com barraca. Bom, vim com uma listinha de ilhas pra visitar: Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta…em 30 dias…ops! Acho que eu já tinha escolhido ilhas demais pra tempo de menos. Poucos dias antes de vir comecei a pesquisar nos sites do Booking e Hostelworld os Hostels e não encontrava acomodação mais barata que 100 euros por noite, e apenas em hotéis…oi??? surtei.

Então mudei a rota. Resolvi ir sem planos, resolvi me arriscar no couchsurfing, decidi comprar uma barraca usada no meio do caminho, resolvi deixar a rota ser traçada através das pessoas que eu ia conhecendo no caminho e tudo deu certo! Nas 35 noites que passei gastei a média de 14 euros de acomodação entre hostel, camping, hotel, airbnb e casa de couchsurfing.

Comecei por Atenas, lá sim tinham Hostels de 10 a 15 euros por noite, fiz um amigo uruguaio que estava terminando a viagem da Grécia e também estava de sabático pelo mundo, ele me recomendou ir pra ilha de Paros (no complexo das ilhas cyclades onde estão Mykonos e Santorini), me disse que lá havia um hostel de 5 EUR. E como Zakynthos apesar de ser uma ilha muito luxo ainda era meu sonho pra conhecer a “praia mais bonita do mundo”, dei google em “zakynthos – camping” e achei um por 6 euros. Resolvi que ia também.  Ainda em Paros, me encontrei com uma brasileira que eu tinha amizade pelo facebook, ela viaja o mundo de couchsurfing, me convenceu arriscar, e logo consegui alguém pra me hospedar em Naxos de graça, outra ilha perto de Paros. 

E foi assim, uma coisa leva a outra. Vim com o plano Atenas, Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta e acabei realizando Atenas, Creta, Paros, Antiparos, Naxos e Zakynthos. Com certeza volto, com certeza fora da temporada, pra conhecer as ilhas que ainda não visitei, se bobear venho com mochila e barraca e ainda acampo nos free campings. 

Vou contar da Grécia, da minha falta de planejamento e das dicas de lugares baratos que passei. Começando por Atenas, muitos me falaram que 1 dia era suficiente pra conhecer Acrópoles e já poderia seguir pras ilhas, pode até ser, mas eu me conectei com esta cidade e com as pessoas desta cidade que acabei passando por Atenas 3 vezes. 

O primeiro fim de semana foi mais turístico, fiz walking tour e paguei um ingresso de 30 euros pra conhecer as 6 principais atrações, gostei mais de Acrópoles, Ágora Museum e Temple of Zeus. Tudo isso dá pra fazer a pé. Os pores-do-sol na pedra em frente a Acrópoles e no morro Philopappos são maravilhosos. Fiquei em um hostel perto da praça central Monastiraki que paguei 15 euros com café da manhã e comia as outras refeições em 2 lugares bem baratos: Tzatziki e Street Souvlaki (refeições de 2 a 3 euros). 

O segundo fim de semana voltei pra pegar balada com o pessoal que eu tinha conhecido, perto de Monastiraki tem vários bares e baladas, fui indo de um pro outro, começando com cerveja de rua na rua Protogenenous e na região de Psyri, depois parei no bar Six Dogs que é lindo e por último na balada Boiler, do circuito alternativo que amo, fica num beco.

E por último, minha última visita à Atenas acabei passando uma semana por causa de um grego mara, até peguei um apartamento no Airbnb pra mim e foi aí que me senti em São Paulo, que conheci outros bairros, fui em shopping, cinema, restaurantes fora do circuito turístico. O bairro Halandri é pouco turístico mas cheio de bares e restaurantes muito gostosos, parece muito com Pinheiros e Itaim em SP, mas o preço não se compara, um jantar com drink sai por 7 a 8 euros. Atenas também tem praia, não tão paradisíaca como as ilhas, mas pertinho da cidade, basta pegar um metrô e um tram e se chega em Kalamaki. Como passei uma semana, valeu passar um dia na praia. Outras duas visitas que dá pra fazer de Atenas (mas que pra mim bateu preguiça e não fui…risos) é o Templo de Poseidon e Meteora, algumas agências até organizam visitas de um dia.

Quanto às ilhas, sei que todo brasileiro vai pra Mykonos e Santorini, e o que eu ouvia era: Mykonos é destino pra quem gosta de balada gay e Santorini é destino romântico para casais. Não sei dizer, não fui nelas, ao chegar na Grécia conheci muitos gregos que me falaram que Mykonos é o destino mais superfaturado e as praias não se comparam com a beleza de outras ilhas menos turísticas, por isso os gregos não costumam ir e Santorini não há praia, apenas vista, então o pessoal também não frequenta. Cheguei a pesquisar hospedagem nesses lugares, mas na alta temporada não haviam hostels disponíveis e desisti, Mas não me arrependo, as ilhas que conheci me surpreenderam muito!

Comecei por Creta, a maior ilha da Grécia, fui de balsa de Atenas (e não pensem naquela balsa de Santos, as balsas na Grécia são verdadeiros cruzeiros) , esse trajeto de balsa foi o mais longo e custou EUR 38. Lá recomendo ficar na cidade de Chania, achei um hostel novinho e maravilhoso por 15 euros, chama Kumba, as camas são naquele modelo cápsula com cortina blackout, primeiro dia sem despertador acordei quase 1 da tarde sem nem perceber, nenhum barulho, nenhuma luz, milagre pra hostel. De Chania dá pra pegar ônibus locais pras praias mais lindas, fui em Seitan (uma praia pequena que parece um rio turquesa entrando no meio das rochas, precisa descer uma trilha pra chegar nela), Stavros (tem uma lagoa maravilhosa que parece uma piscina imensa) e Elafonisi (uma praia de areia rosa e água turquesa com pôr do sol na lagoa), são impressionantes, também recomendam conhecer Balos que não fui.

Os ônibus pras praias custavam 2 euros, com exceção de Efalonisi que era do outro lado da ilha e havia um ônibus de turismo por 20 euros ida e volta. Nela eu fui de carro com uns amigos, mas acho que vale a pena alugar um carro ao invés de usar o ônibus, e assim também dá pra ficar ate o pôr do sol.

A noite em Chania perto do porto é lotado de opção de bar, restaurante e lojinha. Aqui não achei opções de refeição por 2 euros, apenas restaurantes com pratos por 5, mas como o hostel tinha cozinha e supermercado perto, rolou fazer uns lanches pra cafe da manhã e almoço na praia. 

Depois fui pro complexo de ilhas cyclades onde fica Mykonos, Santorini, Milos, Ios, etc. Escolhi conhecer Paros e a balsa de Creta pra Paros custou 60 euros (comprada de última hora, com certeza é mais barato com antecedência), mas escolhi esta ilha porque quando eu estava em Atenas um uruguaio me falou de um hostel que pelo booking.com quando se faz a reserva pro mesmo dia custa apenas EUR 5 o quarto feminino com 3 beliches. Chama Surfing Beach Huts e fica na praia de Santa Maria, então todo dia eu renovava minha reserva pelo site e assim fui pagando 5 euros por dia. Este hostel fica em um camping com restaurante, piscina, mercadinho, de frente pra praia e de lá dá pra pegar ônibus pra conhecer outras praias e ir pro centrinho de Naoussa a noite, nos bares e restaurantes. Eu amei esta praia de Santa Maria, cheguei em um dia que tinha Sunset Party, e nos outros dias acabei indo a pé pra outra praia no sul da ilha, Lagkeri, que é mais deserta.

Um dia também fui conhecer a ilha de Antiparos, tive que pegar um bus pra Naoussa, outro pra Parikia e depois um barco pra Antiparos, e ainda chegando em Antiparos precisei tomar outro ônibus pras praias mais bonitas, então todo este rolê me custou 18 euros e 3 horas, não sei se vale tanto pelo bate e volta, pois as praias são parecidas, mas se for dormir uma noite em Antiparos ou fazer free camping vale. Lá conheci a praia de Soros, bem tranquila e linda com um restaurante mais no alto com vista incrível. Também tem umas cavernas pra visitar, mas pelo meu dia mais curto não fui. 

Fiz tanto amigos neste hostel em Paros, gente que ia e ficava, 5, 10, 15 dias no mesmo lugar, que quase não saí de lá também, mas após 6 dias de Paros e Antiparos, joguei no couchsurfing.com algumas outras ilhas no complexo Cyclades e consegui um host pra me hospedar na ilha de Naxos, então lá fui eu. Balsa de EUR 10 e cheguei. Fiquei bem próxima ao centrinho, de graça, na casa deste host do couchsurfing, cheio de opções de bares e restaurantes para ir a pé e lá no meio tem um mercado labirinto que lembra muito as ruas de Santorini. Em Naxos não achei hostel e não cheguei a pesquisar os hotéis, mas não cruzei com ônibus circulando, então é uma ilha que precisa mesmo alugar carro ou moto. Como meu host era um querido (e gato) me levou de carro pras praias mais bonitas e vazias, não sei se vou lembrar os nomes aqui, mas lembro de Hawai e Aghios Prokopios (top 3 de água transparente da minha vida). 

Neste complexo de Cyclades ainda quero conhecer Milos e Ios (esta última está bombando ultimamente de baladinhas), vão ficar pra próxima! E quem sabe quebro meu preconceito do turismo default e visito Mykonos e Santorini também. 

Por fim: a praia mais bonita do mundo (dizem)! Voltei pra Atenas pra um fim de semana antes de atravessar a Grécia pro outro lado e ir parar no Arquipélago Jônico, onde está a famosa ilha de Zakynthos e a praia de Navaggio considerada a mais bonita do mundo! Eu até queria conhecer 4 ilhas por lá: Zakynthos, Corfu, Lefkada e Cephalônia, mas tinha apenas 1 semana, os transportes sem carro não são fáceis e então dediquei a semana toda a Zakynthos, que foi maravilhoso pra fechar com chave de ouro! Lá resolvi acampar, comprei uma barraca usada no caminho e achei pelo google o Tartaruga Camping no sul da ilha. Pra chegar na Ilha peguei um ônibus de Atenas (EUR 28) e uma balsa (EUR 10), mas como cheguei tarde pra ir até o camping montar barraca, dormi num hotel de EUR 35 numa praia mais próxima da rodoviária, chama Laganas e é bem lotada de bares e baladas a noite, mas achei o público bem teenager. Na manhã seguinte peguei dois ônibus e fui pro camping, perto da praia de Keri, gostei, pero no mucho, a praia é de pedras e longe do camping (caminhada de 4 km) e no camping só falavam alemão (bom pra treinar, mas tô sussa), então conheci um casal que tava vindo de outro camping do norte, e assim desmontei barraca, peguei dois ônibus e fui pro norte da ilha montar barraca de novo na praia de Alykes. Lá sim o camping era melhor localizado, em frente à praia com piscina e bar, perto de supermercado e dos bares e restaurantes. Lá também está bem pertinho da praia de Navaggio, que fui visitar duas vezes, uma de barco pra curtir a praia e outra de carro pra vê-la de cima. 

Esta praia de Navaggio é realmente de um turquesa inexplicável e no meio da areia tem um navio enorme naufragado! Como eu estava sozinha fui num barco enorme que leva multidões e custa EUR 20 parando também nas Blue Caves e na praia de Xigia, o problema é que pelo horário você chega na Navaggio junto com outros barcos enormes que levam multidões e fica lotada! O ideal, se tiver mais gente pra dividir, é pegar uma lancha por EUR 150 e ir mas cedo ou mais tarde que estes barcos. E para ver a praia de cima, precisa de carro, não tem ônibus que leve. O aluguel de um carro sai no mínio EUR 45, que obviamente não paguei, mas eu tava com um boy da ilha que tinha carro e me levou, fofo.

Em resumo, apesar da alta temporada, a Grécia não saiu cara, gastei:

  • EUR 5 a 15 em hostel e campings
  • EUR 26 a 30 em Aibnb e hotel (sozinha, pois dividindo seria a metade)
  • EUR 3 a 5 em refeições
  • EUR 2 a 5 em drinks e cerveja (que controlei bem)
  • EUR 1,7 na media em ônibus e metrô dentro das cidades
  • EUR 23 na média em cada balsa ou bus para as ilhas

Amei, e com certeza volto pra este país maravilhoso!

onde dormir

Hospedagens por este mundão

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Chego ao meu 16º mês sabático, viajando por Brasil, Estados Unidos, Ásia e iniciando minha temporada Europa, e agora que já testei todos os tipos de hospedagens da minha listinha, resolvi escrever aqui sobre as experiências, que foram:

  • Hostel
  • Work exchange
  • Hotel
  • Couchsurfing
  • Camping
  • Airbnb

Primeiro, pra contextualizar esta vida nômade, saí da casa dos meus pais em São Paulo aos 18 anos, fui fazer faculdade no interior e morar em república, de lá em diante foram 17 casas moradas entre república com amigas, apartamento sozinha, apartamento com namorado(s), 3 intercâmbios até eu ter o meu próprio apartamento que comprei aos 31 anos. Apesar de ser meio nômade, eu sempre gostei de ter meu cantinho, amava morar sozinha, até que entrei no meu sabático e NUNCA MAIS! Minha vida agora tem sido em quartos de hostel, dividindo com 3 a 10 pessoas cada quarto…pois é minha gente!!!

Vamos falar de hostel: é a hospedagem que mais uso nestas viagens, os quartos compartilhados são uma opção barata (na Ásia era uma média de US$10 e aqui na Europa tem sido EUR15) e é o lugar que mais faço amigos, pois reúne muitos viajantes solos, como eu. Basicamente reservo meus Hostels pelo booking.com, já usei o hostelworld.com também mas com eles tive alguns problemas de reservas.  E às vezes quando chego de dia em alguma cidade me arrisco a desembarcar e sair procurando e pesquisando preço até achar um que eu goste. 

Sempre me perguntam sobre a segurança em hostel, eu nunca fui roubada (apenas uma indiana uma vez me roubou uma calcinha linda da Victoria’s Secret que estava secando na cabeceira da minha cama…whaaaattt?? quem rouba calcinha? ela pegou, mas não pedi de volta). Na grande maioria das vezes os hostels tem lockers individuais, onde tranco meus pertences com meu cadeado, nunca vou nem ao banheiro deixando bolsa ou qualquer coisa de valor solto na cama, levo comigo ou tranco tudo. 

Não vou dizer que é a coisa mais simples do mundo dividir quarto com até 10 pessoas, gente fazendo checkin na madrugada, gente acordando 4 da manhã pra pegar vôo, gente chegando bêbada de madrugada… eu chegando bêbada na madrugada… às vezes tudo isso junto na mesma noite…mas não sei, acostumei. Hoje em dia durmo em qualquer situação, inclusive triliches de trens indianos e chão de aeroportos. 

Com certeza já fiquei em mais de 100 Hostels nesta vida, dediquei várias férias a esta hospedagem e aos 23 anos fiz um mochilão Europa de alguns meses onde também só me hospedei em hostel…nunca vou esquecer o primeiro, foi em Stuttgart, eu estava recém chegada pra um intercâmbio na Alemanha, cheguei com uma mala maior que eu de 30 kilos e subi muitas escadas com ela e logo no café conheci uma alemã de Hamburg de quase 40 anos que me ofereceu hospedagem se eu quisesse conhecer Hamburg, e logo conheci um brasileiro que frequentava uma  igreja que eu nunca havia ouvido falar, mas ele achou uma “filial”em Stuttgart e fui no culto com ele no domingo.

O que eu mais gosto em hostel são estas conexões que fazemos nas áreas comuns: a piscina, a sala, a varanda, o bar onde o povo se reúne e as amizades surgem, raras foram as vezes que não fiz nenhum amigo, só as vezes que eu precisava mesmo ficar introspectiva e evitava conversar. 

Outra forma de hospedagem é ficar de graça em hostel, no modelo de workexchange, onde se trocam algumas horas diárias de trabalho por hospedagem gratuita e às vezes até refeições também. Também testei este modelo na Ásia, e mais detalhes dele conto neste outro post workexchange, onde conto do Worldpackers e do Workaway.

Outras raras vezes pego um quarto de hotel, aconteceu em partes da viagem que eu estava viajando com amigos do Brasil e fechamos quarto de hotel, e também cheguei a ficar sozinha em hotel 6 ou 7 vezes nesta viagem, em cidades que não arrumei hostel ou que eram mal localizados. Nada muito caro, mas uma única vez cheguei a pagar US$60 em uma noite de hotel na Índia pra dormir num Haveli (antigo palácio) que era baphônico dentro de um forte no Rajastão. Aqui na Grécia também não tem muito a cultura de hostels nas ilhas, então uma noite também fiquei em um quarto de hotel por EUR 30. Eu não gosto muito de hotel, nem só pelo preço, mas porque fico muito sozinha, mais difícil fazer amizades. Mas pra quem viaja de casal acredito ser a melhor opção.

Agora outras 3 acomodações que eu nunca tinha tentado no sabático, e esta Grécia linda me proporcionou 3 de uma vez foi couchsurfing, camping e airbnb.

OK, se eu voltar estes 16 meses, camping eu até tinha feito no Burning Man em agosto passado, mas foi diferente, não era exatamente uma barraca, era um yurt maravilhoso. E sendo mais franca ainda couchsurfing eu tinha feito em Singapura uma vez, mas o francês que me hospedou, apesar de estar registrado no site do couchsurfing, já era conhecido de uma amiga que se hospedou lá, então eu acabei entrando em contato com ele por whatsapp, não era um total desconhecido do site, então digamos que na Grécia foi minha primeira experiência real do sabático acampando sozinha e fazendo couchsurfing com um desconhecido.

Couchsurfing é uma rede social, com website e aplicativo, onde pessoas do mundo inteiro se cadastram e oferecem estadias em suas casas, pedem estadias e organizam encontros, os famosos “hangouts”, isto é, se estiver viajando de mochileiro sozinho e der azar de não conhecer ninguém no hostel basta dar um checkin na cidade que está visitando nos ‘hangouts’ do aplicativo e mais algum viajante sozinho pode entrar em contato e marcar de fazer algo junto: praia, museu, bar, jantar, o que for, em grupo ou dupla. Mas a rede é mais famosa pela troca de hospedagens gratuitas. Você pode ou não hospedar alguém, não é necessariamente uma troca, mas é uma abertura a pessoas que viajam o mundo, ideal se você já se hospedou em algum couchsurfing é que um dia você esteja aberto a hospedar alguém também, para fortalecer a rede! Não há troca monetária, mas não é apenas chegar e dormir de graça na casa da pessoa, tem que haver uma troca cultural, conversas, momentos juntos. 

O couchsurfing que fiz em uma ilha na Grécia trabalhava em um bar a noite, mas fazia questão de passar o dia com seu convidado, levando de carro para as praias mais bonitas da ilha. Outros couchsurfings trabalham o dia inteiro, mas esperam que seus convidados estejam a noite para jantar junto, conversar, tomar um drink, a ideia é o intercâmbio cultural, a troca de experiências, pra pessoa que hospeda é uma maneira de viajar sem sair de casa. E pro convidado é de bom tom oferecer algo, como preparar um jantar um dia, ou pagar uma cerveja, mas nada obrigatório.

Importante no couchsurfing é encontrar uma pessoa com interesses em comum, por isso precisa de um perfil bem detalhado no site, e trocar algumas mensagens antes, a pessoa precisa querer te hospedar e você precisa querer se hospedar lá. Eu quando tiver minha próxima moradia com certeza hospedarei pelo couchsurfing pra continuar estas trocas de experiências com pessoas do mundo inteiro, hospedando viajantes no meu sofá, em uma cama extra, um colchão no chão, onde eu puder alojar alguém.

Quanto a segurança, principalmente para nós, mulheres, dá pra ficar tranquilo em casa de homem (pra mim nenhuma mulher da Grécia respondeu minhas solicitações, apenas os homens), mas precisa ler antes as referências de quem já se hospedou com a pessoa pra se certificar. E terminando seu couchsurfing é importantíssimo já deixar sua referência sobre a pessoa para que outras manas também possam ter uma boa experiência. 

A Andrea, uma brasileira que eu já conhecia ‘online’ e nos encontramos presencialmente na Grécia, que me apresentou o couchsurfing, ela já viajou mais de 30 países neste modelo, e acabou sendo hospedada mais por homens do que por mulheres mesmo. Agora, se rolar um affair, uma paquera, se rolar algo que você queira e a pessoa que está te hospedando queira também…rolou! Não sei se há alguma regra pra isso, se não deveria acontecer para que a rede não mude o objetivo, não sei, não sou muito ligada às regras…. e não vou nem falar dos meus casos que geram um livro…

Agora camping: este realmente não estava nos meus planos, mas me deparei com uma Grécia que eu não esperava, na maior parte das ilhas que eu queria visitar não existiam hostels, e logo na primeira vi que a galera por lá acampa muito! Aí o destino me trouxe junto com a Andrea (a brasileira) uma barraca. Ela estava buscando couchsurfing em Mykonos e acabo se conectando com uns brasileiros que tinham comprado uma barraca e estavam acampando em Mykonos e iam embora no dia que ela chegava. A barraca nova que tinha custado EUR35 pra eles foi vendida por EUR20 pra ela, e como íamos nos encontrar na próxima ilha, ela logo me ofereceu e acabou sendo minha por EUR15. Aí sim fui parar em Zakynthos, uma ilha na Grécia que eu estava namorando fazia tempo mas não tinha nenhum hostel, nenhum couchsurfing me respondia e os hotéis estavam no mínimo 30 euros…Fui pra lá, levei a barraca, e acampei. Sozinha. 

Foi incrível! Difícil montar a barraca sozinha, pois era grande pra 4 pessoas e eu estou acostumada com minha barraca menor no Brasil, mas consegui! E foi difícil também dormir sem colchão nem sleeping que não comprei, mas fiz uma caminha com as minhas roupas e não foi nada diferente de dormir no chão de um aeroporto. Fiquei em dois campings nesta ilha e conheci muitos europeus que acampam pela Europa, este modelo de hospedagem é bem comum no verão europeu, paguei 10 euros pelo suporte: espaço com sombrinhas, tomadas perto da barraca, banheiros, chuveiros, cadeira de praia, cozinha e no segundo camping até piscina tinha. 

Também é super comum na Grécia realizar free campings, algumas praias pode-se simplesmente montar barraca e dormir e alguns restaurantes de praia oferecem banheiro e chuveiro pra essas pessoas. Esta minha barraca comprada da recompra da recompra já dei de presente, mas ainda considero a opção de acampar na Europa, veremos, talvez próximo verão.

Agora como o Airbnb surgiu nesta viagem amiguinhos… na verdade verdadeira, neste segundo camping em Zakynthos minha barraca virou apenas armário das minhas roupas, nos primeiros 5 minutos de piscina já conheci um deus grego e acabei passando meus dias lá com ele. Eu não vou nem falar dos meus casos que geram livro (parte 2)… mas 5 dias depois, que eu já estava de volta em Atenas em um hostel e deveria embarcar pra Madrid, resolvi ficar. 6 horas antes do embarque resolvi ficar. E foi aí que fui atrás de um Airbnb pela primeira vez na vida. Foi um misto de paixonite (voltei com ele pra Atenas mas lá ele estava na casa dos pais) com uma canseira deste mês de Grécia, de tantas balsas, casa de couchsurfing, hostel, barraca sem colchão, eu estava muito precisada de um canto meu antes de seguir viagem pra Espanha, então busquei um apartamento pelo aplicativo do Airbnb e me mudei no dia seguinte. 

Eu nunca havia procurado Airbnb antes pois nunca considerei ficar sozinha em um apartamento durante a viagem, sem conhecer pessoas, mas me surpreendi com os preços, muito mais barato que hotel. Paguei EUR26 por dia em um apartamento bem decorado com sala, quarto, cozinha e banheiro, que abriga 4 pessoas facilmente. O bairro não era gostoso, mas era bem perto do metrô e 4 estações do centro que eu ia todo dia. O apartamento era limpo, decorado, deu pra comer em casa e o wifi era maravilhoso, baixei vários filmes pra próxima etapa da viagem. Tive problemas no primeiro dia, quando eu estava chegando o proprietário me avisou que o encanador estava resolvendo um vazamento do banheiro, e no dia seguinte ele ainda voltou pra trocar uma peça. Mas isso foi azar, a sorte é que pelo transtorno o dono me deixou fazer o checkout às 16h ao invés das 12h, e como meu vôo era só a noite, isto foi ótimo!

Bom, assim tem sido meus 16 meses viajando o mundo, cheio de surpresas, mudanças de rota, pouco planejamento e assim foi meu mês de Grécia, com opções de hostel, hotel, couchsurfing, camping e Airbnb testadas e aprovadas!

Tendo mais opções de acomodação que queiram me sugerir, to aberta aqui a testar tudo e contar depois!

Reflexões

sobre ficar offline

NY

Como ficamos tão dependentes do celular? Fiquei 3 dias sem o meu, me sobrou tempo, me faltou informação e praticidade, mas a gente se vira né? Valeu pela experiência, pelo tempo e pela reflexão.

Quando comprei minha passagem pra Europa, próxima temporada do sabático, a mais barata tinha uma conexão em Nova Iorque, conexão de 10 horas durante o dia, achei mara, afinal, NY é NY né mores? Então, como eu estava na fase desapego, vendendo meu armário inteiro e as roupas que eu trouxe da Índia, resolvi vender também meu iphone que estava comigo há 14 meses e comprar o mais recente em NY, com a câmera e a bateria melhorados. Entreguei ele há 3 dias pra uma amiga que o comprou, eu não soube fazer o backup, perdi as conversas de whatsapp, mas neste desapego maravilhoso nem liguei!

Mas vocês já experimentaram ficar 3 dias sem celular? É tão fora de rotina que não sei nem explicar. Se bem que em Piracanga mês passado fiquei 10 dias sem, mas lá era outro propósito e fora da rotina habitual, foi mais fácil.

Agora, sobre estes 3 dias em SP sem celular, primeiro eu tinha que entregá-lo na Vila Leopoldina, que é um bairro que não conheço, peguei o carro emprestado da minha mãe e poderia usar o waze, mas pensei, como vou voltar? É tão viciante que nunca mais me locomovi em SP sem waze, nem reparo mais em placa. Mas pra não ficar toda lost por SP, meu pai ainda fez o favor de vir comigo e dirigir. Beleza, celular entregue, aproveitei pra pegar meu passaporte na Lapa, e voltei pra casa pra fazer a mala.

Aquela mala confusa né? Roupa de praia pra Grécia, seguido de roupa de trekking pro caminho de Santiago, seguido de roupa de inverno pesado pra aguentar oquase ZERO grau previsto na Islândia em novembro. A toda hora eu me pegava procurando o celular, pra tudo: checar o whatsapp, ver a hora, fazer stories, buscar a temperatura, colocar uma música… “ah! lembrei! estou sem celular” bom que arrumei a mala mais rápido e sem interrupções. Como o tempo rende sem celular, gente!

Aí, antes de ir pra Guarulhos, anotei no bom e velho caderninho tudo que eu precisava: endereço do hostel em Atenas, principais direções pra chegar na Apple Store em NY de metrô e detalhes do vôo.

Pousei em NY, checkout, alfândega, checkin de novo, fui perguntando e me achando, trem pra sair do aeroporto, baldeação no metrô e cheguei no Meat Packing District. Cheguei na esquina que eu tinha anotado no caderninho, 14st com 8av…não tinha apple store não, acho que anotei errado e eu nem sabia que horas eram e se estaria aberta, perguntei pra duas pessoas na rua que não sabiam onde estava a loja,  anda mais um pouquinho, Starbucks, ótimo! Conectei o computador na internet e ainda tomei um café. Como tinha meia hora pra loja abrir, e descobri que eu estava há uma quadra, resolvi sentar e começar este relato aqui, já que vim os 45 minutos no metrô olhando as pessoas ao redor conectadíssimas e pensando na vida sem celular.

No cantinho do starbucks, onde eu esperava meu café ficar pronto, tinha um display cheio de cafés e lanches “mobile order, pickup here”, e as pessoas entravam, iam neste display, pegavam seus cafés que tinham solicitado pelo aplicativo e saíam, sem nem dar oi pra ninguém, sem nenhuma interação humana, sem a tia do starbucks nem gritar seus nomes…que aqui no caso fiquei como “Mirena” mesmo. Nem sei se já existe este sistema no Brasil, mas como o mundo está online, não? Isso é muito Black Mirror! Ainda prefiro o tradicional café da padaria da esquina, daqueles que quando você senta no balcão, te perguntam “o mesmo de sempre?”

9:00, abriu a loja, fui lá, comprei o vício, digo, iphone, configurei, voltei pro WhatsApp e já passei o dia fazendo stories, afinal tô à toa, tô viajando, tô sozinha, né não? Vida normal que segue.

Sobre passar um dia em NYC, pra quem tem escala aqui, segue minha #dicaamiga: usem o airtrain e metrô pra chegar na cidade (US$ 8 cada perna), ir para Meat Packing District, passear no parque suspenso High Line e almoçar no Chelsea Market. Pra mim, é meu programa preferido em NY! Agora, se você nunca veio a NY, e quiser focar no mais tradicional, faça a 5a Avenida com Central Park e Times Square, e um lanche no Shake Shack (amooo o veggie deles de cogumelo). E se tiver uma noite, escolha um musical da Broadway, mas minha dica de ouro vai pro musical off broadway “Sleep no more” no McKittrick Hotel, uma experiência teatral de Shakespeare, onde você entra na cena, participando pelos 5 andares de peça…ai que saudades!! queria dormir uma noite aqui só pra ter esta experiência de novo… ❤

Indonésia, Roteiros de viagem

Indonésia <3 <3 <3

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Ai, não sei nem por onde eu começo a contar deste destino tão irresistível, foi meu último destino na Ásia, após 8 meses viajando por lá, eu já estava cansada dos perrengues, confesso, e zero empolgada de ir pro paraíso do surf (sem saber surfar), o país onde só se locomove de moto (e tenho medo), no auge da temporada: MAIO e eu já com preguiça dos beer games de hostel…mas fui, e tive uma grata surpresa de viagem incrível pra fechar a temporada asiática! Tudinho me surpreendeu, bom ir com a expectativa baixa não?

Fui sozinha e foi o país que mais fiz amigos, estava o tempo todo com uma turma nova, a vibe do lugar proporciona isto. Passei um mês e fui pra duas grandes ilhas: Lombok (onde estão as Gili Islands) e  Bali (onde estão as Nusas, Ubud, Uluwatu, Seminyak, Canggu – este último lê-se “xangu”). 

Lombok é uma ilha muçulmana enquanto Bali é predominantemente Hindu… e que que isso tem a ver?? Tem muita diferença cultural, por exemplo, os muçulmanos praticam o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico dedicado ao jejum diurno, onde eles comem apenas entre o pôr e o nascer do sol, em meio a muita reza, com isto, durante o Ramadã as festas reduzem ou são canceladas, por respeito a religião, e as mulheres locais usam burca até na praia. Em Lombok vemos mesquitas e escutamos a reza nas ruas (que é lindo) enquanto em Bali visitamos templos hindus e nos deparamos com oferendas em cada esquina: as pujas. Pisar nelas dá azar!!! Bad karma.

Comecei por Lombok, pousei na Indonésia em Bali, no aeroporto de Denpasar e já peguei um vôo interno pra Lombok,  porque estava barato, mas dá super pra ir de balsa pra lá. Do aeroporto de Lombok rachei um taxi com umas meninas que conheci no vôo e fomos pra Kuta Lombok. 

Atenção: existe Kuta Bali e Kuta Lombok, eu fui pra Kuta Lombok e é muito legal, mas Kuta Bali ninguém recomenda e eu cortei da lista, muita gente foi e se arrependeu, então melhor não arriscar. 

Eu gostei muito de Kuta Lombok, mas realmente precisa de moto pra visitar as praias mais bonitas, a praia local de Kuta eu até fui a pé, mas não me senti à vontade em ficar de biquini em meio a mulherada toda de burca e os homens de calça e camisa, então voltei pra piscina do hostel. As praias distantes que visitei de carona com amigos que fiz lá, foram Mawi e Tajung Aan, vazias, lindas e boas pra surf. O resto do tempo fiquei na piscina do Botchan Hostel (diária de US$ 11) e ia a pé pra rua principal comer nos restaurantes maravilhosos El Bazar e Kuta Lombok. Depois de 4 dias peguei um transfer até o porto no norte de Lombok e um barco pras Gili Island.

Aí eu estava indecisa quanto a qual Gili escolher, são 3 e vou falar da fama que cada uma tem: Gili Trawangan é a maior e famosa pela vida noturna, Gili Air é mais calma e romântica e Gili Meno tem menor estrutura de hotéis e restaurantes. Eu estava zero na vibe de balada com adolescentes, e meio indecisa sobre qual ilha ir primeiro, mas dei sorte, duas vezes, primeiro que a semana que cheguei começou o Ramadã (mês do jejum que expliquei acima), então imaginei que a Gili T não teria tantas baladas, mas por ser maior com mais opção de yoga e restaurante eu achei interessante, e segundo que minha última noite em Kuta Lombok conheci uma alemãs voltando de Gili T que me recomendaram o hostel La Favela com vibe latina, aí lá fui eu, pra inicialmente 3 dias de Gili T…que viraram 10.

Eu simplesmente amei Gili T, apesar de ser Ramadã, os bares funcionavam e rolava uma baladinha mais tímida que acabava mais cedo. Mas o que amei foram as praias, com aquele mar piscina turquesa, areia branca e várias tartarugas nadando entre nós. Nas Gilis não há onda, não é destino de surf, mas sim de mergulho. O pôr-do-sol é mágico, tem várias aulas de yoga por US$ 8, dá pra comer comida local barata nos Warungs (o famoso Mi Goreng por US$ 2) até bowls saudáveis de US$ 10, super recomendo o Banyan Tree pra saladas e bowls. O hostel La Favela com diária de US$13 realmente tem uma vibe muito boa, com noites de salsa, churrasco, piscina, acabei passando 10 dias só falando espanhol com a galera, latino atrai latino, foi mara! O único meio de locomoção são as bicicletas, eu alugava todo dia, dava a volta na ilha, parava nas praias, e fim do dia estava no Sunset point, pra admirar aquele céu laranja maravilhoso! Lá no Sunset point é comummmm, assim, é comum, mas você faz se quiser…tomar shake de cogumelo, hehehe. Eu tomei óbvio, só um dia, mas é legal tomar umas 5 da tarde, curtir o pôr do sol mais laranja da sua vida e umas 9h já vai ter passado o efeito após dançar um pouco em volta da fogueira e vida que segue, pega a bike e vai jantar!

Já Gili Meno, que fui conhecer, aluguei um caiaque em Gili T e atravessei até Meno, fiz snorkeling nas estátuas debaixo da água, que chamam Nest e voltei remando algumas horas depois. E Gili Air resolvi ir de balsa passar dois dias, fui só com uma mochilinha, cheguei lá, aluguei uma bike, dei a volta na ilha, passei o dia na praia, jantei, aluguei um quarto e voltei de balsa dia seguinte, achei a ilha mais parada mesmo, gostei muito mais de Gili T. 

Mas vamos lá, eu fui no único mês do ano sem baladas, pode ser que num período normal, aquilo vire um inferno de adolescentes bêbados de festa em festa. Inferno não, mentira, gosto. Mas não sempre. E tem gente que não quer isso, então já aviso.

Estava quase decidindo passar o mês todo em Gili T, aquele paraíso sem barulho de moto, sem onda e onde só se ouve reggae, mas resolvi partir pra Bali, ia ser uma ofensa passar um mês na Indonésia e pular Bali, não? Peguei um fast boat e comecei Bali pelas Nusas Penida e Lembongan. Elas fazem parte da província de Bali mas são 2 ilhas no meio do mar entre Bali e Lombok. Me juntei com um chileno e uma argentina que conheci em Gili T e pegamos um hostel em Lembongan, lá começaram os rolês de moto, mas como sou cagona, eu ia na garupa. Não achei nada super incrível em Lembongan, praias bonitas, mas acho eu eu tava na nostalgia Gili T “quero voltarrrr”, já Nusa Penida….MEU DEUSSS que lugar lindo!!!

Pra chegar em Nusa Penida tem barco de Lembongan e lá alugamos moto, mas dá pra fazer tudo de carro, logo na saída do barco já tem carros e motoristas oferecendo, se eu tivesse sozinha iria em um, as estradas são cheias de curvas e ladeiras, mas na garupa da moto do chileno fui segura. Tem muito lugar incrível pra visitar em Nusa Penida, mas como dedicamos um dia só, acabamos focando no penhasco com a melhor vista: KellingKing Cliff, a vista dele é incrível, e o melhor foi descer a trilha até a praia, que pouca gente faz e fiquei com dor na perna por 3 dias, mas valeu muito chegar naquela praia deserta maravilhosa!

Depois de 3 dias nas Nusas, peguei um fastboat pra Bali, e se você enjoa em alto mar já prepara os saquinhos, tinha muita gente passando mal no barco! Mas como não tenho essas coisas, fiquei bem tranquila assistindo 13 Reasons no netflix. Já em Bali, pra quem não dirigi moto como eu, pode usar o aplicativo Go-Jek, uma espécie de Uber dos mototaxis, baratinho e achei seguro, os motoqueiros te emprestam até capacete. Comecei Bali por Canggu, praia que tem ficado mais famosa ultimamente pelo surf, já haviam me avisado antes de eu ir e confirmei no local, que a areia é vulcânica, escura, então a praia não é tão bonita (saudades Gili T…) mas a vibe do local, os restaurantes, cafés, barzinhos, lojinhas…ai credo que delícia!. Dediquei meu primeiro dia pra praia, mas não gostei muito, o segundo resolvi pagar a diária de um beachclub e aproveitar a piscina com vista pro mar e espreguiçadeira (a diária foi US$ 20 consumíveis em comida e bebida no The Lawn), e o terceiro dia fiquei na piscina do hostel com os novos amigles. Este hostel era uma pernada da praia, mas era bom e barato (Point Break Hostel: US$ 8 a diária) e era do lado do MELHOR CAFÉ DA MANHÃ DO MUNDO no Crate Café, sério, procure eles no insta @cratecafe e apenas babe. Dediquei meus 4 cafés da manhã lá, e o resto do dia comi em vários lugares gostosos que não anotei os nomes, mas tudo lá é bom com ddecoração maravilhosa, e a baladinha foi de quarta-feira no Oldmans, que bomba! (bali não é muçulmana então habemus balada durante o Ramadã). 

De Canggu peguei um taxi pra Uluwatu (umas 2 horas de estrada e trânsito). Uluwatu: venha em maio! Apesar deste ano o ramadã ter caído em maio e eu ter perdido as baladas de Gili T (que no final fiquei até mais feliz assim), maio é a alta temporada do surf em Uluwatu, então bomba de gatenhos e gatenhas #ficaadica. Eu não sei como está Uluwatu agora, houve um incêndio em boa parte da cidade recentemente, uma tristeza. Mas eu fiquei hospedada em Padang Padang (uma praia lotada de macacos) e visitei outras praias com o Go-Jek: Balangan, Dreamland e Bingin. Todas as praias são paradisíacas e ótimas pra surf, mas também tranquilas pra nadar, as ondas são mais afastadas da costa. E um lugar muito lindo pra ver o pôr-do-sol é o Uluwatu Temple. Em Uluwatu o café-da-manhã mara ficava por conta do Bukit Cafe e a melhor balada bomba de domingo, no Single Finns, dá pra ir pro pôr-do-sol e ficar direto pra festa.

Entre Canggu e Uluwatu tem um lugar que eu não fui porque não é a minha cara, que chama Seminyak, onde estão os beachclubs e hotéis mais famosos, tipo o Potato Head.

E eis que se acabaram as praias e fui pra Ubud, mas muita gente começa a viagem de Bali por Ubud, eu deixei pro final, sou dessas. Como tinha muito ponto turístico perto de Ubud que eu queria conhecer, e a viagem de Uluwatu para Ubud levaria ainda umas 4 horas de carro, resolvi contratar um motorista pelo dia todo, que me pegou cedinho no hotel em Uluwatu, me levou em 5 pontos turísticos e me deixou fim de tarde no meu hostel em Ubud, tudo por US$40, se eu tivesse alguém pra dividir ainda, ia ser maravilhoso, porque o carro era pra 6 passageiros.

Ubud é uma cidade maravilhosa, tem um mercadão ótimo pra comprar roupas e bolsas, várias lojinhas, restaurantes, casas de massagem, lugares pra práticas de Yoga (Radiantly e Yoga Barn) e cheio de pontos turísticos ao redor, que fiz quase todos com o meu driver na ida e os outros dividi um táxi com duas amigas novas:

  • Templo Tirta Empul é um templo onde se pode fazer o ritual de purificação passando pelas fontes de águas naturais, junto com os hindus, só precisa vestir o sarong correto, receber a orientação e entrar na fila dentro da água para o seu ritual;
  • Campo de arroz Tegalalang é lindo, vale a pena dar uma voltinha nele;
  • Balanço de Bali, sabe aquela tour bem clichê? Eu fui. É aquele mega balanço no arrozal, a vista é linda e dá um friozinho na barriga, mas vale;
  • Café do côco do bicho Luwak, é um dos cafés mais valorizados do mundo, achei o gosto bem normal, mas a degustação pode ser feita no mesmo local do balanço, então eu fui;
  • Monkey Forest é dentro de Ubud, mas cuidados que os macacos roubam tudo;
  • Cachoeiras, são várias, mas a que gostei mais fica dentro de uma caverna em Tukad Cepung;
  • Portal: tem alguns grandes portais pra tirar aquele fotão do instagram em Bali, eu fui com umas amigas do hostel no Handara Golf, mas até pra tirar a foto paga tá? US$3;
  • Mount Batur: este foi um trekking que acordamos às 2h da manhã pra ir de van até o pé desta montanha, fazer o trekking no escuro e ver o sol nascer atrás do vulcão, super valeu!

Em Ubud é tanto campo de arroz em todo o canto, que até dentro do meu hostel tinha um, ao lado da piscina, chamava Puja Bungalows e era bem localizado, com diária de US$ 9. O café-da-manhã maravilhoso (e almoço e jantar também) era no Clear Cafe, um dia cheguei a ficar o dia todo lá entre computador e livros, emendei o brunch no doce da tarde no jantar, sem sair da mesa…vish….esse dia a conta deu US$ 20 e isso é bem caro pra Ásia! Perceba que a Indonésia me encantou mesmo pelos cafés-da-manhã de bowls de chia, smoothies e eggs benedict…dei até uma engordada!

Bom, resumo foi que eu amei tudo neste país, curti praias paradisíacas, baladinhas, fiz mil amigos e contradizendo a todos consegui passar um mês na Indonésia sem dirigir moto, só nas caronas e no mototaxi e isso é possível. Mas se você dirige moto, tire a habilitação internacional antes de vir, pra não cair no pedido de propina de algum guardinha e alugue uma  por US$ 4 /dia pra rodar mais livre que eu.

Quanto ao tempo, eu fiz tudo isso porque tinha 1 mês, mas se você tem menos tempo, poderia cortar Kuta Lombok e focar mais nas Gilis, Nusa Penida e Bali. E se tiver mais tempo (ou não se perder por 10 dias em Gili T como eu…) acrescente Komodo, que pra mim não deu tempo mas é maravilhosoooo.

Enjoy the journey!

Comunidade, Vida alternativa

Visitando Piracanga

IMG_5583Quando comecei meu sabático, há 15 meses, resgatei a listinha de desejos e lá estava Piracanga, uma comunidade que eu queria muito visitar e todo mundo que me conhecia bem falava “você vai amar, não vai voltar, certeza!”. Bom, eu fui, e voltei, fui duas vezes, e voltei as duas, kkk. Piracanga não me prendeu a ponto de eu querer ficar ‘pra sempre’, mas me encantou, me apaixonei de verdade pelo lugar, pelas pessoas, estilo de vida, natureza, toda a energia ao redor!

Inkiri Piracanga, onde o rio encontra o mar, é uma ecovila e um centro holístico, uma comunidade com vida ‘alternativa’ pra quem considera ‘normal’ a vida de trânsito-escritório-apartamento. Uma vida na natureza, com mergulho no rio na hora do almoço, onde se faz tudo a pé, um  laboratório de autoconhecimento, mais de 20 projetos ligados a arte, sustentabilidade e desenvolvimento humano, uma comunidade vegana, onde é proibido beber ou fumar, onde as crianças são livres dentro e fora da escola.

Minhas duas idas tiveram propósitos diferentes e foram muito diferentes! Não saberia contar aqui como é morar lá, mas posso passar meu relato como visitante, o que senti da vida em comunidade, do espírito de união e compartilhamento, da vida na natureza.

A primeira vez, em julho do ano passado, escolhi a Imersão em Circo pra fazer, e passei quase um mês na comunidade. Após 8 anos de vida corporativa usando mais da mente que do corpo, sentada a maior parte do tempo no computador ou salas de reunião, variando entre idas a academia e corridinhas de 5km nos finais de semana, escolhi fazer a imersão em circo com atividades corporais manhã, tarde e ensaios a noite! Foi o mês do slackline, seguido dos malabares, da cambalhota, do trapézio, da dança de contato, do tecido, o mês de ser palhaça e rolar na areia fazendo graça e nas folgas do circo eu estava nas aulas de yoga ou nos banhos de rio, movimentando o corpo de 10h a 12h por dia. Pra mim foi diferente de tudo que já vivi. Foi mágico! Aliás mágica tinha também, o mágico do circo morava na casa que compartilhamos, e mágica tinha todo dia no jantar. 

Como esta imersão em circo era nova e com um preço muito justo, a acomodação era numa casa compartilhada na comunidade e apenas os almoços estavam inclusos, as outras refeições nós comprávamos legumes e frutas na feira dos produtores orgânicos e cozinhávamos em casa. Deu pra sentir mais a rotina da comunidade, fiz amigos que moravam lá, nos reuníamos na nossa casa ou em outra pra fazer rodas de música a noite, através de cada um conheci melhor dos projetos, da permacultura, da música, da escola, do reike. Bem pertinho da nossa casa estava a Universidade Piracanga, e com a turma da Uni fizemos o retiro do palhaço, foram as melhores pessoas que conheci nesta viagem! Eles eram mais de 10, entre 18 e 20 e poucos anos, eu com 33 na época, me encantei por cada um, cada conversa inteligente, espiritualizada, aberta ao auto conhecimento, incertezas, medos, questões profundas, política, sustentabilidade ….gente, eu com 18 só queria saber da cervejada da quinta-feira na faculdade, que geração maravilhosa é esta de agora? Fiz amigos que nasceram no fim da década de 90, e aprendi muito com eles, fora que nos divertimos horrores como palhaços!

Aquele mês a rotina era acordar 5:30, pegar a trilhazinha pra aula de yoga, sair de lá e dar um pulo no mar, voltar de biquíni molhado pra casa pra comer tapioca e frutas, aproveitar este tempinho pra lavar roupa, limpar a casa, entrar nas aulas de circo as 9h, variadas, almoçar com o pessoal da Uni, passar 1 horinha pós almoço na beira do rio, nadando, tomando sol ou jogando vôlei, voltar pro circo a tarde, parar pra dança circular todo dia às 17h e ir cozinhar legumes com o povo em casa a noite.  Terminamos este mês com uma grande apresentação de circo pra comunidade, como foi lindo!

Um pouco sobre a comunidade inkiri piracanga: 

  1. A comunidade é vegana, e a comida deliciosa! Mesmo o que compramos pra cozinhar em casa não tem origem animal. Para comer tem a opção do restaurante com 3 refeições veganas maravilhosas por dia, o Café Lotus que serve salgados, doces e o famoso cacau quente e uma vendinha pra comprar grãos, doces, etc.
  2. Lá é proibido fumar, beber ou usar drogas, mas tivemos cada vivência de música e dança que entrávamos em transe!
  3. O banheiro é seco, daqueles que jogamos serragem por cima e aquilo tudo vira adubo após a compostagem. Xixi e cocô em buracos separados, isto exigia uma certa coordenação. Mas o ciclo da água fecha, sem contaminação e retorna para uso. 
  4. Os cosméticos permitidos para uso são os 100% biodegradáveis para não contaminar a água, e lá mesmo há produção e lojinha. Aprendi também a lavar cabelo com bicarbonato e vinagre, e descobri que bastava isso, sabão neutro pro banho, desodorante de lavandin, pasta de dente de juá e cúrcuma e protetor solar de vários óleos essenciais, mais nada para viver. (isso que eu vinha do mundo dos cosméticos).
  5. A energia é solar, por isso a maior parte das casas não tem geladeira, passei o mês sem geladeira, cozinhando alimentos naturais e vi como isso é possível! Secador de cabelo, máquina de lavar, TV, essas coisas não há em nenhuma casa! E celulares e computadores devem ser carregados apenas de dia. 
  6. Existe a ecovila, onde estão os moradores, as casas, a escola das crianças e o centro holístico, onde ficam os hóspedes, as terapias e os cursos.
  7. Algumas atividades são diárias e abertas tanto para os hóspedes quanto para os moradores da ecovila, como a meditação das rosas, a meditação sonora e as rodas de dança circular
  8. Conectividade, só se pagar pelo wifi, o meu celular não pegava. Na minha primeira visita tive wifi mas usava pouco, nesta segunda vez passei 10 dias totalmente offline.

Mas resolvi escrever tudo isso apenas agora, mesmo tendo visitado há um ano atrás, pois acabo de sair da minha segunda visita, um retiro de 10 dias no curso de Leitura da Aura, e relembrei cada momento do ano passado com carinho e saudades. Desta vez foi diferente, fiquei hospedada no centro holístico, dedicada ao curso manhã, tarde e noite, com poucos momentos de folga que eu dedicava a um mergulho no rio, não tive contato com a ecovila e poucos amigos que fiz ano passado estavam lá. Este retiro é um mergulho interior, a gente nem quer interagir muito, só quer sentir cada processo interno, onde fomos trabalhando um chakra por dia. 

Foi uma limpeza pro meu corpo e meu espírito, foi difícil, bem difícil, 10 dias tomando apenas líquidos (viciei real na água de côco), 10 dias abrindo o coração, tirando as máscaras, de profundo auto conhecimento e, de quebra, saímos sabendo a técnica da Leitura de Aura, aliás, me chama se quiser que estou em treino! Foi difícil, mas também lindo,  mágico, teve rio, mar, música, dança circular e vivências lindas a noite.

O centro holístico oferece diversos cursos e terapias, é possível se hospedar em quartos individuais ou compartilhados apenas para curtir a praia e o rio, descansar e comer saudável, agendar massagem ou terapias, ou ainda realizar diversos cursos que sempre oferecem, se tiver curiosidade, visita a programação no site: http://piracanga.com.

Um dos focos deste meu sabático é visitar comunidades com modo de vida alternativo, como Piracanga e Auroville, que visitei na Índia, nenhuma por enquanto me despertou aquela vontade de parar e morar, mas quem sabe um dia…ainda visitarei algumas na Europa, e vou contando aqui!

Vida alternativa, Vida em ashram

Osho Meditation Resort

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Um resort, do Osho, localizado na cidade de Pune, na Índia… polêmico, mas eu fui ver qual é que é. Pra mim a polêmica começa no nome do lugar: resort, e não ashram, mas ao chegar entendi o porquê. Depois a polêmica passa pelo nome OSHO, que eu já havia escutado tantos boatos, ainda mais agora com o documentário “Wild Wild Country” em alta no Netflix, e muita gente assistindo e comentando.

Mas como eu já praticava algumas meditações ativas do Osho, desde alguns cursos de tantra que fiz, coloquei na minha listinha sabática visitar este lugar, em Pune, e só depois tirar minhas próprias conclusões.

Sobre o resort, eu havia escutado 2 boatos apenas: que para frequentar precisava fazer teste de HIV (sim, pasmem, escutei de 2 fontes!) e que era necessário usar uma túnica vermelha , assim como no seriado! O primeiro boato é mentira, não solicitam teste e não há práticas sexuais ou sem roupa, pelo menos não com os visitantes (eu não vi nada disso), o segundo boato confirmei, túnica vinho para as meditações de dia e uma túnica branca no encontro noturno. Eu nem liguei pra esse “uniforme”, achei tranquilo.

Há 2 opções de conhecer o Osho Resort, como visitante ou no living program. Como visitante você paga uma diária de aproximadamente R$ 100 pra frequentar todas as meditações do dia e usufruir dos espaços comuns, que são delícia, mas a hospedagem é à parte, podendo ser na guesthouse lá dentro ou em algum lugar fora (peguei um hostel mais barato há 4 quadras dali). Já o living program (de 7, 15 ou 30 dias) engloba a guesthouse, as meditações ativas diárias e alguns cursos e terapias.

Meditações ativas são meditações que aumentam a energia no corpo (principalmente a energia kundalini), diminuem stress e liberam emoções através de movimento, vibração, dança, respiração e sons, em algumas até provocamos gritos e gargalhadas, pra espantar toda a emoção presa que retemos, mas outros momentos são imóveis, deitados ou sentados. Estas meditações são o chakra breathing, vipassana, dinâmica, circular, nadabrahma, entre outras, pra quem interessar, este link explica: http://www.osho.com/meditate.

No dia a dia no Osho Resort você escolhe o que fazer, são 15 tipos de meditação, das 6 da manhã às 20:30, dá pra encaixar umas 9 no dia, mas também é possível agendar terapias, como crânio sacral, alinhamento energético, constelação familiar, massagem relaxante, por aproximadamente R$ 300 cada sessão ou ainda pagar R$ 15 para uso da piscina, sauna e hidromassagem. Se quiser também, dá pra simplesmente ficar no café lendo um livro ou passeando no parque contemplando a natureza. O lugar é lindo, maravilhoso, e o restaurante delicioso! Foi aí que entendi que é um resort, lá é um lugar de descanso e entretenimento, até uma baladeeenha rola a noite, mas como fui na baixa temporada, a única balada que participei foi a noite latina, onde os indianos não sabiam dançar e sobrou pra euzinha aqui conduzir a aula de salsa, kkkk, mais um check pro sabático.

Agora sobre o Osho, a pessoa, o Rajneesh Osho, uma coisa me chamou muito a atenção: apesar dele ter sido muito popular no ocidente, principalmente como o “guru do sexo” nos Estados Unidos, no resort a grande maioria dos visitantes são indianos, diferente de tantos outros Ashrams que eu vi lotados de ocidentais em Rishikesh. Já os moradores, são muitos europeus na faixa etária 50-60 anos, que viveram os 5 anos no Oregon na época de Rajneehpuram e estão em Pune há 10-12 anos, gostei muito de puxar papo com estas pessoas no café e nos almoços, entender a visão deles sobre o guru. Porque sobre o Osho mesmo eu conheci pouco, tentei uma vez ler um livro e achei uma visão machista, e esta visão se confirmou pra mim nas meditações noturnas onde havia sempre um vídeo com um discurso dele (uma espécie de satsang), não gostei do que escutei e parei de ir a noite, apenas fiz as meditações de dia que me faziam bem. Mas enfim, esta é só a minha humilde opinião sobre ele. E só depois que saí do resort assisti ao documentário “Wild Wild Country”!

Mas o melhor do resort, depois da prática das meditações, foi conversar com as pessoas que moram lá em Pune e que moraram com o Osho no Oregon, que o tem como Guru, eu adorei os pontos de vistas, a grande maioria o defende até a morte, dizem que a Sheela era a única manipuladora e que acabou com a reputação dele,  sempre a viam com raiva nos olhos, que era mandona, não meditava, apenas dava ordens e dormia, mas enfim…

Já no meu quinto dia, engatei uma conversa tão interessante que me fez perder as duas meditações da tarde, mas que no fundo só ganhei com a conversa. Era uma suíça de uns 60 anos que pediu pra sentar comigo e embalamos uma conversa de 2 horas. Historiadora, estudou o matriarcado, psicologia e sociedades alternativas, entramos em um papo sobre feminismo, sociedade indiana, osho, filmes de bollywood e tudo que envolve o papel e o trato com a mulher, com estórias desde o tempo de Esparta, foi incrível, uma aula! 

Ela  está há 12 anos em Pune, tem seu próprio apartamento lá, trabalha online, não mora e nem trabalha no resort, mas frequenta todos os dias todas as meditações de manhã cedo e as da noite, ela também viveu no Oregon de 82 a 85, foi sem dinheiro, apenas com a passagem aérea, e lá teve tudo que era compartilhado: comida, casa, trabalho, amor. Esta conversa…valeu a semana toda! Ela era muito mais aberta a ouvir opiniões contrárias e também tinha uma visão bem crítica do Osho apesar de ser o seu Guru, concordava comigo que ele era bem sexista, também desconfiava que ele estivesse envolvido em muita sujeira apesar de acreditar que a maior parte vinha mesmo da Sheela. Perguntei então por que ela dedicava a vida a seguir o Osho, desde 82, se o considerava machista, e a resposta com os olhos cheios de água, foi que desde a primeira vez que esteve na presença dele, sentiu um amor inexplicável, que ela nunca mais sentiu com ninguém, ela disse que não importava se haviam 5 ou 10 mil pessoas no salão, quando ele entrava, ela só sentia um calor no peito, como um abraço e não queria deixar a comunidade para não perder aquela energia. Para quem acredita nisso, entenderá. 

E desta conversa incrível saí com a indicação de um livro sobre o momento de quebra do matriarcado no mundo e ela com a indicação do filme “I’m not an easy man”.

Bom, assim foi minha curta experiência no Osho Meditation Resort em Pune, eu adorei, me senti bem, em contato com a natureza, conectada, conversei com pessoas de diferentes pontos de vista, aprendi. Super indico, vale a pena! E além de Pune, há outro resort do Osho em Rishikesh também para praticar as meditações.  Agora se quiser saber mais sobre outros ashrams, contei da minha experiência de 1 mês estudando yoga neste post aqui “Vida em Ashram”. E mais sobre a Índia, dos meus outros 3 meses viajando, escrevi aqui: “Roteiros de Viagem: Índia“.

Namastê!