Nepal - Everest, Roteiros de viagem

Everest, o maior desafio até agora

Oie! Vou contar hoje, com um pouco de atraso, como foi o meu trekking de 12 dias para o basecamp do Everest, no Nepal, que fiz em abril! A coisa mais difícil que fiz neste sabático, e talvez, na minha vida inteira! Foi intenso, fiquei emotiva, quis desistir muitas vezes, chorei, fiquei doente, me perguntava pra quê, senhor, pra quê?? Lá no instagram coloquei nos destaques dos stories a jornada completa com os 12 dias, com o choro todo envolvido e as paisagens mais lindas!!!

Os 12 dias são o mínimo necessários para subir em 8 e descer em 4 dias, garantindo as paradas de aclimatização (para seu corpo ir acostumando com a altitude), conheci pessoas que não fizeram as paradas e subiram direto, ficaram doentes, tiveram que baixar até melhorar, e acabaram precisando de até 16 dias pra conseguir chegar de novo, então não vale a pena este risco! O problema em subir rápido esta altitude é pegar o mal da altitude onde os sintomas são falta de apetite, enjôo, diarréia, tontura, dor de cabeça… se estes sintomas aparecerem, a pessoa tem que baixar pelo menos uns 500m imediatamente, senão o risco de algo mais sério é grande! No caminho eu via diariamente 3 a 4 resgates de helicóptero de gente passando mal, e também conheci muita gente baixando que não tinha conseguido seguir em frente em diferentes pontos de altitude, não é tão fácil não!!

É possível fazer em grupo com agências, sozinho com guia ou até sozinho mesmo sem guia, como eu não conhecia direito e estava insegura, fui numa agência e fechei um guia só pra mim, mas depois conheci muita gente fazendo sozinho, hoje eu arriscaria. Para se ter ideia de custos, conheci um cara que fez tudo sozinho e gastou US$ 600 durante os 12 dias (com o vôo de ida e volta de Katmandu pra Lukla, todas as hospedagens, todas as refeições e as licenças no parque). Já pra mim com guia e tudo incluso que citei acima ficou US$1.000 o pacote com a agência (e ainda ganhei emprestado a mochila, o casaco e o sleeping). E os grupos que encontrei pagaram de US$ 1.000 a US$4.000, pelo mesmo roteiro, mesmas estadias e mesmas refeições, então pesquise muito antes de ir e feche com uma agência em Katmandu mesmo, tem uma em cada esquina, e sempre com vaga, mesmo pro dia seguinte, as pessoas que conheci que pagaram caro, de US$2.000 a US$4.000 tinham fechado com agências no Brasil, Argentina, e acabaram pagando este preço abusivo.

Foram 12 dias, subindo de 2.650m para 5.200m, percorrendo 130km com a mochila nas costas. Fui só eu e o guia, e eu tinha medo dele ser muito quietão, de eu me sentir muito sozinha, mas nada, fiz amigos do começo ao fim, o guia realmente era quieto, ele guiava o caminho falando pouco e nas refeições não sentava comigo. Mas eu sempre tava com amigos, principalmente um grupo de americanos que conheci no segundo dia e fizemos todas as paradas juntos, ok, um virou paquera, maraaaaaa! E era um grande amigo pra me incentivar quando eu queria chorar hahahha. Apesar do meu guia não ser tão bom, ainda preferi ir assim do que me enfiar em um grupo grande, acompanhei várias brigas de grupos grandes, com gente querendo ir mais devagar, parar antes, o grupo tendo que se dividir, difícil! Cada um tem um ritmo!

Vou contar o roteiro aqui:

1. Primeiro dia, vôo 7:30 da manhã de Katmandu pra Lukla (menor pista do mundo…emoção!), café da manhã em Lukla e caminhada de 1:30h até o almoço, depois só mais 1h de caminhada e estávamos em Phakding às 13h com a tarde e noite livre pra descanso, a 2650m de altitude. Leve um livro! Ou baixe filmes no Netflix do celular, mas lembre-se que paga em cada parada pra carregar celular e a bateria consome muito rápido no frio, então durma com ele dentro do sleeping, mesmo desligado.

2. Segundo dia foi trekking de 6 horas de Phakding para Namche Bazar, 11 km, chegando há 3,450m com parada pra almoço no caminho. Passamos por aquela ponte dupla suspensa que aparece no filme everest. Esse dia é de bastante subida, mas eu nem sabia o que vinha pela frente.

3. Namche é uma cidadezinha maravilhosa! Tem lojinhas, cafés, padaria, pub, várias opções de guesthouse, sabe o filme Everest? Onde eles chegam numa cidadezinha e umas crianças ultrapassam eles correndo na escadaria? É em Namche. O terceiro dia é todo parado em Namche pra aclimatizar, mas também fizemos um trekking até o Hotel Everest a 3.850m, deixando a mochila na guesthouse. Em Namche na verdade dá até pra ficar mais de um dia, e muita gente só chega até aqui pra passar uns dias e já volta. Tem o pub mais alto do mundo, mas melhor deixar pra encher a cara na volta que paramos lá de novo.

4. Daí fomos para Tangbouche, as paisagens pareciam aqueles quebra cabeças de 3000 peças. Descemos 200m pra subir 600m, bem íngreme, mas a vista compensa, apesar de ser um dia andando umas 6 horas. Chegamos em um monastério, mas não cheguei na hora da cerimônia que dizem ser linda. Este dia foi de subida e dor na perna, cheguei achando que era o pior dia da minha vida hahahahhah mal sabia eu…

5. E então fomos de Tangbouche para Dingbouche no quinto dia, chegando a 4.413m, foi bem tranquilo.

6. Dingbouche era outra cidadezinha para aclimatizar, até subi um morro pra ver a vista, mas andei bem pouco, descansei muito. Lá tem um café que passa o filme Everest todo dia às 14:30, e servem doces mara!

7. No 7º dia o certo seria ir de Dingbouche para Loubuche, chegando a 4.903m e mais pertinho do Everest, mas esta foi a vantagem de eu estar com guia só pra mim, minha sinusite atacou, comecei a ter muita dor de cabeça, e na parada do almoço em Tukla, pedi pra dormir lá mesmo. Chorei, viu? Achei que não ia dar conta de chegar no Everest, sentia dores no corpo, pontadas na cabeça, mas me entupi de sopa de alho e antigripal, conheci uma inglesa fofa que também parou por causa da sinusite e dormi cedo, num frio de doer os ossos. Já comecei a sentir a altitude também, algumas tonturas…e tava -8oC… o banheiro no relento, foi o maior pesadelo!

8. Aí o dia 8 foi o mais pesado, tive que fazer o trecho anterior, fui de Tukla pra Labouche e de Labouche pra Gorakshep e chegando lá 4 da tarde morrendo, ainda fui até o Basecamp do Everest, porque o guia disse que não poderíamos deixar pro dia seguinte, era arriscado passar de 24h em 5.250m de altitude. Não sei se era verdade, mas realmente eu não aguentaria uma segunda noite lá. Fui até o Basecamp mas não desci no portão, fiquei com medo de não conseguir subir de volta, eu estava a ponto de chamar o helicóptero de resgate, a sinusite parecia facadas na testa e o corpo parecia atropelado de dor, eram todos os sintomas de gripe elevados, muito foda! Mas voltei às 18h e dormi em Gorakshep toda entupida sem conseguir resoirar direito e num frio de rachar!

9. Dia 9 a galera costuma acordar às 4h da manhã e subir o morro Kalapatar pra ver o sol nascer no Everest, não fui nem morta! A noite anterior foi a pior. Mas acordei às 7h e comecei a voltar, e melhorar. Descemos pra Periche pra almoçar e dormir, que está a 4.370m, e só de baixar a altitude já reduziu a sinusite, já fiquei bem melhor, e voltei a me comunicar normalmente sem chorar kkk. Detalhe que neste dia já estava há 4 sem banho!

10. Dia 10 voltamos de Periche pra Namche Bazar de novo e lá sim, pudemos parar no pub e beber!!! Só que no meu caso tomei chá porque eu tava medicada. Este dia tinha nevado de noite e o caminho tava branquinho lindo.

11. 11º dia voltamos para Lukla, cidade da pista de aeroporto menor do mundo, lá tem lojinhas, cafés, clima de despedida, de conquista e tem o Irish pub que vira balada com a galera chegando, mara!

12. Logo cedo pegamos o voo pra Katmandu no dia 12, este é o único dia sem caminhada, então na verdade são 11 dias de trekking.

FIM!!

Agora vamos a mochila: eu não pesei a minha, e não paguei pra ninguém levar minha mochila (a maioria das pessoas pagam um Sherpa pra isso, mas eu não me sentia bem em vê-los carregando 6 a 8 mochilas nas costas, todas amarradas, pesando mais de 30 kilos), então carreguei tudo o que era meu, devia estar com uns 8 a 10 kilos, mas realmente não pesei. Levei muito pouca coisa, mas o sleeping bag (que deve aguentar até 0 grau) e meu down jacket para ate -10ºC graus, já pesavam o suficiente e ocupavam quase toda a mochila. Além disso levei outro casaco que era protetor térmico, quebra vento e capa de chuva, tudo misturado, um outro casaco de fleece (tipo um moletonzinho), uma calça e uma camiseta de manga pra dormir, e outra calça térmica e outro dryfit (além dos que estavam no corpo), isso mesmo, usei uma calça e um dryfit 6 dias seguidos e o outro mais 6 dias seguidos…sem lavar, mas nem banho eu tomava direito, então o importante era não carregar peso. Já calcinhas levei 12 e fui jogando fora, porque não daria nem pra lavar, não secaria naquele frio e garoa que eu pegava. Boné, óculos, gorro, luva. De higiene, levei uma toalha de camping, 1 havaiana q eu usava dentro das guesthouses com meia mesmo, lenço umedecido, hidratante pro corpo e papel. Precisei de muito muito papel higiênico, porque fiquei bem gripada, levei dois rolos mas ainda comprei uns 4 no caminho e cheguei a pagar 5 dólares por um rolo (quanto mais alto vamos indo mais os preços sobem, inclusive preço de água, banho e de tomada pra carregar celular, tudo isso é pago)

Tudo isso dá pra comprar em Katmandu, bem barato, e algumas agências emprestam o sleeping, a mochila e o downjacket, como a minha emprestou.

Ah! Importantíssimo é beber 5 litros de água por dia pra combater o mal da altitude!!!

Bom, foi isso! Intenso, difícil, mas pra mim valeu a pena! A conquista e a paisagem superam qualquer sofrimento! E se seguir estes passos dos 12 dias acima, dá pra ir tranquilo sem guia!

Bom everest pra você!

Grécia, Roteiros de viagem

Grécia sem Mykonos e Santorini

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Ai Grécia, por onde eu começo? Vou começar falando sobre expectativa e realidade. Primeiro que quando resolvi passar um mês na Grécia (neste sabático costumo dedicar 1 mês para cada país) e todo mundo me falava que a Grécia era muuuuuito barata, se comparada a outros países da Europa, eu imaginei barato mesmo…nível Ásia. Só que não. Só que eu vim em agosto, só que não é barato em agosto, que é alta temporada! 

Além de eu ter vindo na alta temporada, este não é um país para mochileiros, não há muitos hostels! Mas depois descobri que é um país onde se acampa em qualquer lugar! Então existe sim uma Grécia pra mochileiros com barraca. Bom, vim com uma listinha de ilhas pra visitar: Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta…em 30 dias…ops! Acho que eu já tinha escolhido ilhas demais pra tempo de menos. Poucos dias antes de vir comecei a pesquisar nos sites do Booking e Hostelworld os Hostels e não encontrava acomodação mais barata que 100 euros por noite, e apenas em hotéis…oi??? surtei.

Então mudei a rota. Resolvi ir sem planos, resolvi me arriscar no couchsurfing, decidi comprar uma barraca usada no meio do caminho, resolvi deixar a rota ser traçada através das pessoas que eu ia conhecendo no caminho e tudo deu certo! Nas 35 noites que passei gastei a média de 14 euros de acomodação entre hostel, camping, hotel, airbnb e casa de couchsurfing.

Comecei por Atenas, lá sim tinham Hostels de 10 a 15 euros por noite, fiz um amigo uruguaio que estava terminando a viagem da Grécia e também estava de sabático pelo mundo, ele me recomendou ir pra ilha de Paros (no complexo das ilhas cyclades onde estão Mykonos e Santorini), me disse que lá havia um hostel de 5 EUR. E como Zakynthos apesar de ser uma ilha muito luxo ainda era meu sonho pra conhecer a “praia mais bonita do mundo”, dei google em “zakynthos – camping” e achei um por 6 euros. Resolvi que ia também.  Ainda em Paros, me encontrei com uma brasileira que eu tinha amizade pelo facebook, ela viaja o mundo de couchsurfing, me convenceu arriscar, e logo consegui alguém pra me hospedar em Naxos de graça, outra ilha perto de Paros. 

E foi assim, uma coisa leva a outra. Vim com o plano Atenas, Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta e acabei realizando Atenas, Creta, Paros, Antiparos, Naxos e Zakynthos. Com certeza volto, com certeza fora da temporada, pra conhecer as ilhas que ainda não visitei, se bobear venho com mochila e barraca e ainda acampo nos free campings. 

Vou contar da Grécia, da minha falta de planejamento e das dicas de lugares baratos que passei. Começando por Atenas, muitos me falaram que 1 dia era suficiente pra conhecer Acrópoles e já poderia seguir pras ilhas, pode até ser, mas eu me conectei com esta cidade e com as pessoas desta cidade que acabei passando por Atenas 3 vezes. 

O primeiro fim de semana foi mais turístico, fiz walking tour e paguei um ingresso de 30 euros pra conhecer as 6 principais atrações, gostei mais de Acrópoles, Ágora Museum e Temple of Zeus. Tudo isso dá pra fazer a pé. Os pores-do-sol na pedra em frente a Acrópoles e no morro Philopappos são maravilhosos. Fiquei em um hostel perto da praça central Monastiraki que paguei 15 euros com café da manhã e comia as outras refeições em 2 lugares bem baratos: Tzatziki e Street Souvlaki (refeições de 2 a 3 euros). 

O segundo fim de semana voltei pra pegar balada com o pessoal que eu tinha conhecido, perto de Monastiraki tem vários bares e baladas, fui indo de um pro outro, começando com cerveja de rua na rua Protogenenous e na região de Psyri, depois parei no bar Six Dogs que é lindo e por último na balada Boiler, do circuito alternativo que amo, fica num beco.

E por último, minha última visita à Atenas acabei passando uma semana por causa de um grego mara, até peguei um apartamento no Airbnb pra mim e foi aí que me senti em São Paulo, que conheci outros bairros, fui em shopping, cinema, restaurantes fora do circuito turístico. O bairro Halandri é pouco turístico mas cheio de bares e restaurantes muito gostosos, parece muito com Pinheiros e Itaim em SP, mas o preço não se compara, um jantar com drink sai por 7 a 8 euros. Atenas também tem praia, não tão paradisíaca como as ilhas, mas pertinho da cidade, basta pegar um metrô e um tram e se chega em Kalamaki. Como passei uma semana, valeu passar um dia na praia. Outras duas visitas que dá pra fazer de Atenas (mas que pra mim bateu preguiça e não fui…risos) é o Templo de Poseidon e Meteora, algumas agências até organizam visitas de um dia.

Quanto às ilhas, sei que todo brasileiro vai pra Mykonos e Santorini, e o que eu ouvia era: Mykonos é destino pra quem gosta de balada gay e Santorini é destino romântico para casais. Não sei dizer, não fui nelas, ao chegar na Grécia conheci muitos gregos que me falaram que Mykonos é o destino mais superfaturado e as praias não se comparam com a beleza de outras ilhas menos turísticas, por isso os gregos não costumam ir e Santorini não há praia, apenas vista, então o pessoal também não frequenta. Cheguei a pesquisar hospedagem nesses lugares, mas na alta temporada não haviam hostels disponíveis e desisti, Mas não me arrependo, as ilhas que conheci me surpreenderam muito!

Comecei por Creta, a maior ilha da Grécia, fui de balsa de Atenas (e não pensem naquela balsa de Santos, as balsas na Grécia são verdadeiros cruzeiros) , esse trajeto de balsa foi o mais longo e custou EUR 38. Lá recomendo ficar na cidade de Chania, achei um hostel novinho e maravilhoso por 15 euros, chama Kumba, as camas são naquele modelo cápsula com cortina blackout, primeiro dia sem despertador acordei quase 1 da tarde sem nem perceber, nenhum barulho, nenhuma luz, milagre pra hostel. De Chania dá pra pegar ônibus locais pras praias mais lindas, fui em Seitan (uma praia pequena que parece um rio turquesa entrando no meio das rochas, precisa descer uma trilha pra chegar nela), Stavros (tem uma lagoa maravilhosa que parece uma piscina imensa) e Elafonisi (uma praia de areia rosa e água turquesa com pôr do sol na lagoa), são impressionantes, também recomendam conhecer Balos que não fui.

Os ônibus pras praias custavam 2 euros, com exceção de Efalonisi que era do outro lado da ilha e havia um ônibus de turismo por 20 euros ida e volta. Nela eu fui de carro com uns amigos, mas acho que vale a pena alugar um carro ao invés de usar o ônibus, e assim também dá pra ficar ate o pôr do sol.

A noite em Chania perto do porto é lotado de opção de bar, restaurante e lojinha. Aqui não achei opções de refeição por 2 euros, apenas restaurantes com pratos por 5, mas como o hostel tinha cozinha e supermercado perto, rolou fazer uns lanches pra cafe da manhã e almoço na praia. 

Depois fui pro complexo de ilhas cyclades onde fica Mykonos, Santorini, Milos, Ios, etc. Escolhi conhecer Paros e a balsa de Creta pra Paros custou 60 euros (comprada de última hora, com certeza é mais barato com antecedência), mas escolhi esta ilha porque quando eu estava em Atenas um uruguaio me falou de um hostel que pelo booking.com quando se faz a reserva pro mesmo dia custa apenas EUR 5 o quarto feminino com 3 beliches. Chama Surfing Beach Huts e fica na praia de Santa Maria, então todo dia eu renovava minha reserva pelo site e assim fui pagando 5 euros por dia. Este hostel fica em um camping com restaurante, piscina, mercadinho, de frente pra praia e de lá dá pra pegar ônibus pra conhecer outras praias e ir pro centrinho de Naoussa a noite, nos bares e restaurantes. Eu amei esta praia de Santa Maria, cheguei em um dia que tinha Sunset Party, e nos outros dias acabei indo a pé pra outra praia no sul da ilha, Lagkeri, que é mais deserta.

Um dia também fui conhecer a ilha de Antiparos, tive que pegar um bus pra Naoussa, outro pra Parikia e depois um barco pra Antiparos, e ainda chegando em Antiparos precisei tomar outro ônibus pras praias mais bonitas, então todo este rolê me custou 18 euros e 3 horas, não sei se vale tanto pelo bate e volta, pois as praias são parecidas, mas se for dormir uma noite em Antiparos ou fazer free camping vale. Lá conheci a praia de Soros, bem tranquila e linda com um restaurante mais no alto com vista incrível. Também tem umas cavernas pra visitar, mas pelo meu dia mais curto não fui. 

Fiz tanto amigos neste hostel em Paros, gente que ia e ficava, 5, 10, 15 dias no mesmo lugar, que quase não saí de lá também, mas após 6 dias de Paros e Antiparos, joguei no couchsurfing.com algumas outras ilhas no complexo Cyclades e consegui um host pra me hospedar na ilha de Naxos, então lá fui eu. Balsa de EUR 10 e cheguei. Fiquei bem próxima ao centrinho, de graça, na casa deste host do couchsurfing, cheio de opções de bares e restaurantes para ir a pé e lá no meio tem um mercado labirinto que lembra muito as ruas de Santorini. Em Naxos não achei hostel e não cheguei a pesquisar os hotéis, mas não cruzei com ônibus circulando, então é uma ilha que precisa mesmo alugar carro ou moto. Como meu host era um querido (e gato) me levou de carro pras praias mais bonitas e vazias, não sei se vou lembrar os nomes aqui, mas lembro de Hawai e Aghios Prokopios (top 3 de água transparente da minha vida). 

Neste complexo de Cyclades ainda quero conhecer Milos e Ios (esta última está bombando ultimamente de baladinhas), vão ficar pra próxima! E quem sabe quebro meu preconceito do turismo default e visito Mykonos e Santorini também. 

Por fim: a praia mais bonita do mundo (dizem)! Voltei pra Atenas pra um fim de semana antes de atravessar a Grécia pro outro lado e ir parar no Arquipélago Jônico, onde está a famosa ilha de Zakynthos e a praia de Navaggio considerada a mais bonita do mundo! Eu até queria conhecer 4 ilhas por lá: Zakynthos, Corfu, Lefkada e Cephalônia, mas tinha apenas 1 semana, os transportes sem carro não são fáceis e então dediquei a semana toda a Zakynthos, que foi maravilhoso pra fechar com chave de ouro! Lá resolvi acampar, comprei uma barraca usada no caminho e achei pelo google o Tartaruga Camping no sul da ilha. Pra chegar na Ilha peguei um ônibus de Atenas (EUR 28) e uma balsa (EUR 10), mas como cheguei tarde pra ir até o camping montar barraca, dormi num hotel de EUR 35 numa praia mais próxima da rodoviária, chama Laganas e é bem lotada de bares e baladas a noite, mas achei o público bem teenager. Na manhã seguinte peguei dois ônibus e fui pro camping, perto da praia de Keri, gostei, pero no mucho, a praia é de pedras e longe do camping (caminhada de 4 km) e no camping só falavam alemão (bom pra treinar, mas tô sussa), então conheci um casal que tava vindo de outro camping do norte, e assim desmontei barraca, peguei dois ônibus e fui pro norte da ilha montar barraca de novo na praia de Alykes. Lá sim o camping era melhor localizado, em frente à praia com piscina e bar, perto de supermercado e dos bares e restaurantes. Lá também está bem pertinho da praia de Navaggio, que fui visitar duas vezes, uma de barco pra curtir a praia e outra de carro pra vê-la de cima. 

Esta praia de Navaggio é realmente de um turquesa inexplicável e no meio da areia tem um navio enorme naufragado! Como eu estava sozinha fui num barco enorme que leva multidões e custa EUR 20 parando também nas Blue Caves e na praia de Xigia, o problema é que pelo horário você chega na Navaggio junto com outros barcos enormes que levam multidões e fica lotada! O ideal, se tiver mais gente pra dividir, é pegar uma lancha por EUR 150 e ir mas cedo ou mais tarde que estes barcos. E para ver a praia de cima, precisa de carro, não tem ônibus que leve. O aluguel de um carro sai no mínio EUR 45, que obviamente não paguei, mas eu tava com um boy da ilha que tinha carro e me levou, fofo.

Em resumo, apesar da alta temporada, a Grécia não saiu cara, gastei:

  • EUR 5 a 15 em hostel e campings
  • EUR 26 a 30 em Aibnb e hotel (sozinha, pois dividindo seria a metade)
  • EUR 3 a 5 em refeições
  • EUR 2 a 5 em drinks e cerveja (que controlei bem)
  • EUR 1,7 na media em ônibus e metrô dentro das cidades
  • EUR 23 na média em cada balsa ou bus para as ilhas

Amei, e com certeza volto pra este país maravilhoso!

onde dormir

Hospedagens por este mundão

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Chego ao meu 16º mês sabático, viajando por Brasil, Estados Unidos, Ásia e iniciando minha temporada Europa, e agora que já testei todos os tipos de hospedagens da minha listinha, resolvi escrever aqui sobre as experiências, que foram:

  • Hostel
  • Work exchange
  • Hotel
  • Couchsurfing
  • Camping
  • Airbnb

Primeiro, pra contextualizar esta vida nômade, saí da casa dos meus pais em São Paulo aos 18 anos, fui fazer faculdade no interior e morar em república, de lá em diante foram 17 casas moradas entre república com amigas, apartamento sozinha, apartamento com namorado(s), 3 intercâmbios até eu ter o meu próprio apartamento que comprei aos 31 anos. Apesar de ser meio nômade, eu sempre gostei de ter meu cantinho, amava morar sozinha, até que entrei no meu sabático e NUNCA MAIS! Minha vida agora tem sido em quartos de hostel, dividindo com 3 a 10 pessoas cada quarto…pois é minha gente!!!

Vamos falar de hostel: é a hospedagem que mais uso nestas viagens, os quartos compartilhados são uma opção barata (na Ásia era uma média de US$10 e aqui na Europa tem sido EUR15) e é o lugar que mais faço amigos, pois reúne muitos viajantes solos, como eu. Basicamente reservo meus Hostels pelo booking.com, já usei o hostelworld.com também mas com eles tive alguns problemas de reservas.  E às vezes quando chego de dia em alguma cidade me arrisco a desembarcar e sair procurando e pesquisando preço até achar um que eu goste. 

Sempre me perguntam sobre a segurança em hostel, eu nunca fui roubada (apenas uma indiana uma vez me roubou uma calcinha linda da Victoria’s Secret que estava secando na cabeceira da minha cama…whaaaattt?? quem rouba calcinha? ela pegou, mas não pedi de volta). Na grande maioria das vezes os hostels tem lockers individuais, onde tranco meus pertences com meu cadeado, nunca vou nem ao banheiro deixando bolsa ou qualquer coisa de valor solto na cama, levo comigo ou tranco tudo. 

Não vou dizer que é a coisa mais simples do mundo dividir quarto com até 10 pessoas, gente fazendo checkin na madrugada, gente acordando 4 da manhã pra pegar vôo, gente chegando bêbada de madrugada… eu chegando bêbada na madrugada… às vezes tudo isso junto na mesma noite…mas não sei, acostumei. Hoje em dia durmo em qualquer situação, inclusive triliches de trens indianos e chão de aeroportos. 

Com certeza já fiquei em mais de 100 Hostels nesta vida, dediquei várias férias a esta hospedagem e aos 23 anos fiz um mochilão Europa de alguns meses onde também só me hospedei em hostel…nunca vou esquecer o primeiro, foi em Stuttgart, eu estava recém chegada pra um intercâmbio na Alemanha, cheguei com uma mala maior que eu de 30 kilos e subi muitas escadas com ela e logo no café conheci uma alemã de Hamburg de quase 40 anos que me ofereceu hospedagem se eu quisesse conhecer Hamburg, e logo conheci um brasileiro que frequentava uma  igreja que eu nunca havia ouvido falar, mas ele achou uma “filial”em Stuttgart e fui no culto com ele no domingo.

O que eu mais gosto em hostel são estas conexões que fazemos nas áreas comuns: a piscina, a sala, a varanda, o bar onde o povo se reúne e as amizades surgem, raras foram as vezes que não fiz nenhum amigo, só as vezes que eu precisava mesmo ficar introspectiva e evitava conversar. 

Outra forma de hospedagem é ficar de graça em hostel, no modelo de workexchange, onde se trocam algumas horas diárias de trabalho por hospedagem gratuita e às vezes até refeições também. Também testei este modelo na Ásia, e mais detalhes dele conto neste outro post workexchange, onde conto do Worldpackers e do Workaway.

Outras raras vezes pego um quarto de hotel, aconteceu em partes da viagem que eu estava viajando com amigos do Brasil e fechamos quarto de hotel, e também cheguei a ficar sozinha em hotel 6 ou 7 vezes nesta viagem, em cidades que não arrumei hostel ou que eram mal localizados. Nada muito caro, mas uma única vez cheguei a pagar US$60 em uma noite de hotel na Índia pra dormir num Haveli (antigo palácio) que era baphônico dentro de um forte no Rajastão. Aqui na Grécia também não tem muito a cultura de hostels nas ilhas, então uma noite também fiquei em um quarto de hotel por EUR 30. Eu não gosto muito de hotel, nem só pelo preço, mas porque fico muito sozinha, mais difícil fazer amizades. Mas pra quem viaja de casal acredito ser a melhor opção.

Agora outras 3 acomodações que eu nunca tinha tentado no sabático, e esta Grécia linda me proporcionou 3 de uma vez foi couchsurfing, camping e airbnb.

OK, se eu voltar estes 16 meses, camping eu até tinha feito no Burning Man em agosto passado, mas foi diferente, não era exatamente uma barraca, era um yurt maravilhoso. E sendo mais franca ainda couchsurfing eu tinha feito em Singapura uma vez, mas o francês que me hospedou, apesar de estar registrado no site do couchsurfing, já era conhecido de uma amiga que se hospedou lá, então eu acabei entrando em contato com ele por whatsapp, não era um total desconhecido do site, então digamos que na Grécia foi minha primeira experiência real do sabático acampando sozinha e fazendo couchsurfing com um desconhecido.

Couchsurfing é uma rede social, com website e aplicativo, onde pessoas do mundo inteiro se cadastram e oferecem estadias em suas casas, pedem estadias e organizam encontros, os famosos “hangouts”, isto é, se estiver viajando de mochileiro sozinho e der azar de não conhecer ninguém no hostel basta dar um checkin na cidade que está visitando nos ‘hangouts’ do aplicativo e mais algum viajante sozinho pode entrar em contato e marcar de fazer algo junto: praia, museu, bar, jantar, o que for, em grupo ou dupla. Mas a rede é mais famosa pela troca de hospedagens gratuitas. Você pode ou não hospedar alguém, não é necessariamente uma troca, mas é uma abertura a pessoas que viajam o mundo, ideal se você já se hospedou em algum couchsurfing é que um dia você esteja aberto a hospedar alguém também, para fortalecer a rede! Não há troca monetária, mas não é apenas chegar e dormir de graça na casa da pessoa, tem que haver uma troca cultural, conversas, momentos juntos. 

O couchsurfing que fiz em uma ilha na Grécia trabalhava em um bar a noite, mas fazia questão de passar o dia com seu convidado, levando de carro para as praias mais bonitas da ilha. Outros couchsurfings trabalham o dia inteiro, mas esperam que seus convidados estejam a noite para jantar junto, conversar, tomar um drink, a ideia é o intercâmbio cultural, a troca de experiências, pra pessoa que hospeda é uma maneira de viajar sem sair de casa. E pro convidado é de bom tom oferecer algo, como preparar um jantar um dia, ou pagar uma cerveja, mas nada obrigatório.

Importante no couchsurfing é encontrar uma pessoa com interesses em comum, por isso precisa de um perfil bem detalhado no site, e trocar algumas mensagens antes, a pessoa precisa querer te hospedar e você precisa querer se hospedar lá. Eu quando tiver minha próxima moradia com certeza hospedarei pelo couchsurfing pra continuar estas trocas de experiências com pessoas do mundo inteiro, hospedando viajantes no meu sofá, em uma cama extra, um colchão no chão, onde eu puder alojar alguém.

Quanto a segurança, principalmente para nós, mulheres, dá pra ficar tranquilo em casa de homem (pra mim nenhuma mulher da Grécia respondeu minhas solicitações, apenas os homens), mas precisa ler antes as referências de quem já se hospedou com a pessoa pra se certificar. E terminando seu couchsurfing é importantíssimo já deixar sua referência sobre a pessoa para que outras manas também possam ter uma boa experiência. 

A Andrea, uma brasileira que eu já conhecia ‘online’ e nos encontramos presencialmente na Grécia, que me apresentou o couchsurfing, ela já viajou mais de 30 países neste modelo, e acabou sendo hospedada mais por homens do que por mulheres mesmo. Agora, se rolar um affair, uma paquera, se rolar algo que você queira e a pessoa que está te hospedando queira também…rolou! Não sei se há alguma regra pra isso, se não deveria acontecer para que a rede não mude o objetivo, não sei, não sou muito ligada às regras…. e não vou nem falar dos meus casos que geram um livro…

Agora camping: este realmente não estava nos meus planos, mas me deparei com uma Grécia que eu não esperava, na maior parte das ilhas que eu queria visitar não existiam hostels, e logo na primeira vi que a galera por lá acampa muito! Aí o destino me trouxe junto com a Andrea (a brasileira) uma barraca. Ela estava buscando couchsurfing em Mykonos e acabo se conectando com uns brasileiros que tinham comprado uma barraca e estavam acampando em Mykonos e iam embora no dia que ela chegava. A barraca nova que tinha custado EUR35 pra eles foi vendida por EUR20 pra ela, e como íamos nos encontrar na próxima ilha, ela logo me ofereceu e acabou sendo minha por EUR15. Aí sim fui parar em Zakynthos, uma ilha na Grécia que eu estava namorando fazia tempo mas não tinha nenhum hostel, nenhum couchsurfing me respondia e os hotéis estavam no mínimo 30 euros…Fui pra lá, levei a barraca, e acampei. Sozinha. 

Foi incrível! Difícil montar a barraca sozinha, pois era grande pra 4 pessoas e eu estou acostumada com minha barraca menor no Brasil, mas consegui! E foi difícil também dormir sem colchão nem sleeping que não comprei, mas fiz uma caminha com as minhas roupas e não foi nada diferente de dormir no chão de um aeroporto. Fiquei em dois campings nesta ilha e conheci muitos europeus que acampam pela Europa, este modelo de hospedagem é bem comum no verão europeu, paguei 10 euros pelo suporte: espaço com sombrinhas, tomadas perto da barraca, banheiros, chuveiros, cadeira de praia, cozinha e no segundo camping até piscina tinha. 

Também é super comum na Grécia realizar free campings, algumas praias pode-se simplesmente montar barraca e dormir e alguns restaurantes de praia oferecem banheiro e chuveiro pra essas pessoas. Esta minha barraca comprada da recompra da recompra já dei de presente, mas ainda considero a opção de acampar na Europa, veremos, talvez próximo verão.

Agora como o Airbnb surgiu nesta viagem amiguinhos… na verdade verdadeira, neste segundo camping em Zakynthos minha barraca virou apenas armário das minhas roupas, nos primeiros 5 minutos de piscina já conheci um deus grego e acabei passando meus dias lá com ele. Eu não vou nem falar dos meus casos que geram livro (parte 2)… mas 5 dias depois, que eu já estava de volta em Atenas em um hostel e deveria embarcar pra Madrid, resolvi ficar. 6 horas antes do embarque resolvi ficar. E foi aí que fui atrás de um Airbnb pela primeira vez na vida. Foi um misto de paixonite (voltei com ele pra Atenas mas lá ele estava na casa dos pais) com uma canseira deste mês de Grécia, de tantas balsas, casa de couchsurfing, hostel, barraca sem colchão, eu estava muito precisada de um canto meu antes de seguir viagem pra Espanha, então busquei um apartamento pelo aplicativo do Airbnb e me mudei no dia seguinte. 

Eu nunca havia procurado Airbnb antes pois nunca considerei ficar sozinha em um apartamento durante a viagem, sem conhecer pessoas, mas me surpreendi com os preços, muito mais barato que hotel. Paguei EUR26 por dia em um apartamento bem decorado com sala, quarto, cozinha e banheiro, que abriga 4 pessoas facilmente. O bairro não era gostoso, mas era bem perto do metrô e 4 estações do centro que eu ia todo dia. O apartamento era limpo, decorado, deu pra comer em casa e o wifi era maravilhoso, baixei vários filmes pra próxima etapa da viagem. Tive problemas no primeiro dia, quando eu estava chegando o proprietário me avisou que o encanador estava resolvendo um vazamento do banheiro, e no dia seguinte ele ainda voltou pra trocar uma peça. Mas isso foi azar, a sorte é que pelo transtorno o dono me deixou fazer o checkout às 16h ao invés das 12h, e como meu vôo era só a noite, isto foi ótimo!

Bom, assim tem sido meus 16 meses viajando o mundo, cheio de surpresas, mudanças de rota, pouco planejamento e assim foi meu mês de Grécia, com opções de hostel, hotel, couchsurfing, camping e Airbnb testadas e aprovadas!

Tendo mais opções de acomodação que queiram me sugerir, to aberta aqui a testar tudo e contar depois!

Reflexões

sobre ficar offline

NY

Como ficamos tão dependentes do celular? Fiquei 3 dias sem o meu, me sobrou tempo, me faltou informação e praticidade, mas a gente se vira né? Valeu pela experiência, pelo tempo e pela reflexão.

Quando comprei minha passagem pra Europa, próxima temporada do sabático, a mais barata tinha uma conexão em Nova Iorque, conexão de 10 horas durante o dia, achei mara, afinal, NY é NY né mores? Então, como eu estava na fase desapego, vendendo meu armário inteiro e as roupas que eu trouxe da Índia, resolvi vender também meu iphone que estava comigo há 14 meses e comprar o mais recente em NY, com a câmera e a bateria melhorados. Entreguei ele há 3 dias pra uma amiga que o comprou, eu não soube fazer o backup, perdi as conversas de whatsapp, mas neste desapego maravilhoso nem liguei!

Mas vocês já experimentaram ficar 3 dias sem celular? É tão fora de rotina que não sei nem explicar. Se bem que em Piracanga mês passado fiquei 10 dias sem, mas lá era outro propósito e fora da rotina habitual, foi mais fácil.

Agora, sobre estes 3 dias em SP sem celular, primeiro eu tinha que entregá-lo na Vila Leopoldina, que é um bairro que não conheço, peguei o carro emprestado da minha mãe e poderia usar o waze, mas pensei, como vou voltar? É tão viciante que nunca mais me locomovi em SP sem waze, nem reparo mais em placa. Mas pra não ficar toda lost por SP, meu pai ainda fez o favor de vir comigo e dirigir. Beleza, celular entregue, aproveitei pra pegar meu passaporte na Lapa, e voltei pra casa pra fazer a mala.

Aquela mala confusa né? Roupa de praia pra Grécia, seguido de roupa de trekking pro caminho de Santiago, seguido de roupa de inverno pesado pra aguentar oquase ZERO grau previsto na Islândia em novembro. A toda hora eu me pegava procurando o celular, pra tudo: checar o whatsapp, ver a hora, fazer stories, buscar a temperatura, colocar uma música… “ah! lembrei! estou sem celular” bom que arrumei a mala mais rápido e sem interrupções. Como o tempo rende sem celular, gente!

Aí, antes de ir pra Guarulhos, anotei no bom e velho caderninho tudo que eu precisava: endereço do hostel em Atenas, principais direções pra chegar na Apple Store em NY de metrô e detalhes do vôo.

Pousei em NY, checkout, alfândega, checkin de novo, fui perguntando e me achando, trem pra sair do aeroporto, baldeação no metrô e cheguei no Meat Packing District. Cheguei na esquina que eu tinha anotado no caderninho, 14st com 8av…não tinha apple store não, acho que anotei errado e eu nem sabia que horas eram e se estaria aberta, perguntei pra duas pessoas na rua que não sabiam onde estava a loja,  anda mais um pouquinho, Starbucks, ótimo! Conectei o computador na internet e ainda tomei um café. Como tinha meia hora pra loja abrir, e descobri que eu estava há uma quadra, resolvi sentar e começar este relato aqui, já que vim os 45 minutos no metrô olhando as pessoas ao redor conectadíssimas e pensando na vida sem celular.

No cantinho do starbucks, onde eu esperava meu café ficar pronto, tinha um display cheio de cafés e lanches “mobile order, pickup here”, e as pessoas entravam, iam neste display, pegavam seus cafés que tinham solicitado pelo aplicativo e saíam, sem nem dar oi pra ninguém, sem nenhuma interação humana, sem a tia do starbucks nem gritar seus nomes…que aqui no caso fiquei como “Mirena” mesmo. Nem sei se já existe este sistema no Brasil, mas como o mundo está online, não? Isso é muito Black Mirror! Ainda prefiro o tradicional café da padaria da esquina, daqueles que quando você senta no balcão, te perguntam “o mesmo de sempre?”

9:00, abriu a loja, fui lá, comprei o vício, digo, iphone, configurei, voltei pro WhatsApp e já passei o dia fazendo stories, afinal tô à toa, tô viajando, tô sozinha, né não? Vida normal que segue.

Sobre passar um dia em NYC, pra quem tem escala aqui, segue minha #dicaamiga: usem o airtrain e metrô pra chegar na cidade (US$ 8 cada perna), ir para Meat Packing District, passear no parque suspenso High Line e almoçar no Chelsea Market. Pra mim, é meu programa preferido em NY! Agora, se você nunca veio a NY, e quiser focar no mais tradicional, faça a 5a Avenida com Central Park e Times Square, e um lanche no Shake Shack (amooo o veggie deles de cogumelo). E se tiver uma noite, escolha um musical da Broadway, mas minha dica de ouro vai pro musical off broadway “Sleep no more” no McKittrick Hotel, uma experiência teatral de Shakespeare, onde você entra na cena, participando pelos 5 andares de peça…ai que saudades!! queria dormir uma noite aqui só pra ter esta experiência de novo… ❤

Indonésia, Roteiros de viagem

Indonésia <3 <3 <3

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Ai, não sei nem por onde eu começo a contar deste destino tão irresistível, foi meu último destino na Ásia, após 8 meses viajando por lá, eu já estava cansada dos perrengues, confesso, e zero empolgada de ir pro paraíso do surf (sem saber surfar), o país onde só se locomove de moto (e tenho medo), no auge da temporada: MAIO e eu já com preguiça dos beer games de hostel…mas fui, e tive uma grata surpresa de viagem incrível pra fechar a temporada asiática! Tudinho me surpreendeu, bom ir com a expectativa baixa não?

Fui sozinha e foi o país que mais fiz amigos, estava o tempo todo com uma turma nova, a vibe do lugar proporciona isto. Passei um mês e fui pra duas grandes ilhas: Lombok (onde estão as Gili Islands) e  Bali (onde estão as Nusas, Ubud, Uluwatu, Seminyak, Canggu – este último lê-se “xangu”). 

Lombok é uma ilha muçulmana enquanto Bali é predominantemente Hindu… e que que isso tem a ver?? Tem muita diferença cultural, por exemplo, os muçulmanos praticam o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico dedicado ao jejum diurno, onde eles comem apenas entre o pôr e o nascer do sol, em meio a muita reza, com isto, durante o Ramadã as festas reduzem ou são canceladas, por respeito a religião, e as mulheres locais usam burca até na praia. Em Lombok vemos mesquitas e escutamos a reza nas ruas (que é lindo) enquanto em Bali visitamos templos hindus e nos deparamos com oferendas em cada esquina: as pujas. Pisar nelas dá azar!!! Bad karma.

Comecei por Lombok, pousei na Indonésia em Bali, no aeroporto de Denpasar e já peguei um vôo interno pra Lombok,  porque estava barato, mas dá super pra ir de balsa pra lá. Do aeroporto de Lombok rachei um taxi com umas meninas que conheci no vôo e fomos pra Kuta Lombok. 

Atenção: existe Kuta Bali e Kuta Lombok, eu fui pra Kuta Lombok e é muito legal, mas Kuta Bali ninguém recomenda e eu cortei da lista, muita gente foi e se arrependeu, então melhor não arriscar. 

Eu gostei muito de Kuta Lombok, mas realmente precisa de moto pra visitar as praias mais bonitas, a praia local de Kuta eu até fui a pé, mas não me senti à vontade em ficar de biquini em meio a mulherada toda de burca e os homens de calça e camisa, então voltei pra piscina do hostel. As praias distantes que visitei de carona com amigos que fiz lá, foram Mawi e Tajung Aan, vazias, lindas e boas pra surf. O resto do tempo fiquei na piscina do Botchan Hostel (diária de US$ 11) e ia a pé pra rua principal comer nos restaurantes maravilhosos El Bazar e Kuta Lombok. Depois de 4 dias peguei um transfer até o porto no norte de Lombok e um barco pras Gili Island.

Aí eu estava indecisa quanto a qual Gili escolher, são 3 e vou falar da fama que cada uma tem: Gili Trawangan é a maior e famosa pela vida noturna, Gili Air é mais calma e romântica e Gili Meno tem menor estrutura de hotéis e restaurantes. Eu estava zero na vibe de balada com adolescentes, e meio indecisa sobre qual ilha ir primeiro, mas dei sorte, duas vezes, primeiro que a semana que cheguei começou o Ramadã (mês do jejum que expliquei acima), então imaginei que a Gili T não teria tantas baladas, mas por ser maior com mais opção de yoga e restaurante eu achei interessante, e segundo que minha última noite em Kuta Lombok conheci uma alemãs voltando de Gili T que me recomendaram o hostel La Favela com vibe latina, aí lá fui eu, pra inicialmente 3 dias de Gili T…que viraram 10.

Eu simplesmente amei Gili T, apesar de ser Ramadã, os bares funcionavam e rolava uma baladinha mais tímida que acabava mais cedo. Mas o que amei foram as praias, com aquele mar piscina turquesa, areia branca e várias tartarugas nadando entre nós. Nas Gilis não há onda, não é destino de surf, mas sim de mergulho. O pôr-do-sol é mágico, tem várias aulas de yoga por US$ 8, dá pra comer comida local barata nos Warungs (o famoso Mi Goreng por US$ 2) até bowls saudáveis de US$ 10, super recomendo o Banyan Tree pra saladas e bowls. O hostel La Favela com diária de US$13 realmente tem uma vibe muito boa, com noites de salsa, churrasco, piscina, acabei passando 10 dias só falando espanhol com a galera, latino atrai latino, foi mara! O único meio de locomoção são as bicicletas, eu alugava todo dia, dava a volta na ilha, parava nas praias, e fim do dia estava no Sunset point, pra admirar aquele céu laranja maravilhoso! Lá no Sunset point é comummmm, assim, é comum, mas você faz se quiser…tomar shake de cogumelo, hehehe. Eu tomei óbvio, só um dia, mas é legal tomar umas 5 da tarde, curtir o pôr do sol mais laranja da sua vida e umas 9h já vai ter passado o efeito após dançar um pouco em volta da fogueira e vida que segue, pega a bike e vai jantar!

Já Gili Meno, que fui conhecer, aluguei um caiaque em Gili T e atravessei até Meno, fiz snorkeling nas estátuas debaixo da água, que chamam Nest e voltei remando algumas horas depois. E Gili Air resolvi ir de balsa passar dois dias, fui só com uma mochilinha, cheguei lá, aluguei uma bike, dei a volta na ilha, passei o dia na praia, jantei, aluguei um quarto e voltei de balsa dia seguinte, achei a ilha mais parada mesmo, gostei muito mais de Gili T. 

Mas vamos lá, eu fui no único mês do ano sem baladas, pode ser que num período normal, aquilo vire um inferno de adolescentes bêbados de festa em festa. Inferno não, mentira, gosto. Mas não sempre. E tem gente que não quer isso, então já aviso.

Estava quase decidindo passar o mês todo em Gili T, aquele paraíso sem barulho de moto, sem onda e onde só se ouve reggae, mas resolvi partir pra Bali, ia ser uma ofensa passar um mês na Indonésia e pular Bali, não? Peguei um fast boat e comecei Bali pelas Nusas Penida e Lembongan. Elas fazem parte da província de Bali mas são 2 ilhas no meio do mar entre Bali e Lombok. Me juntei com um chileno e uma argentina que conheci em Gili T e pegamos um hostel em Lembongan, lá começaram os rolês de moto, mas como sou cagona, eu ia na garupa. Não achei nada super incrível em Lembongan, praias bonitas, mas acho eu eu tava na nostalgia Gili T “quero voltarrrr”, já Nusa Penida….MEU DEUSSS que lugar lindo!!!

Pra chegar em Nusa Penida tem barco de Lembongan e lá alugamos moto, mas dá pra fazer tudo de carro, logo na saída do barco já tem carros e motoristas oferecendo, se eu tivesse sozinha iria em um, as estradas são cheias de curvas e ladeiras, mas na garupa da moto do chileno fui segura. Tem muito lugar incrível pra visitar em Nusa Penida, mas como dedicamos um dia só, acabamos focando no penhasco com a melhor vista: KellingKing Cliff, a vista dele é incrível, e o melhor foi descer a trilha até a praia, que pouca gente faz e fiquei com dor na perna por 3 dias, mas valeu muito chegar naquela praia deserta maravilhosa!

Depois de 3 dias nas Nusas, peguei um fastboat pra Bali, e se você enjoa em alto mar já prepara os saquinhos, tinha muita gente passando mal no barco! Mas como não tenho essas coisas, fiquei bem tranquila assistindo 13 Reasons no netflix. Já em Bali, pra quem não dirigi moto como eu, pode usar o aplicativo Go-Jek, uma espécie de Uber dos mototaxis, baratinho e achei seguro, os motoqueiros te emprestam até capacete. Comecei Bali por Canggu, praia que tem ficado mais famosa ultimamente pelo surf, já haviam me avisado antes de eu ir e confirmei no local, que a areia é vulcânica, escura, então a praia não é tão bonita (saudades Gili T…) mas a vibe do local, os restaurantes, cafés, barzinhos, lojinhas…ai credo que delícia!. Dediquei meu primeiro dia pra praia, mas não gostei muito, o segundo resolvi pagar a diária de um beachclub e aproveitar a piscina com vista pro mar e espreguiçadeira (a diária foi US$ 20 consumíveis em comida e bebida no The Lawn), e o terceiro dia fiquei na piscina do hostel com os novos amigles. Este hostel era uma pernada da praia, mas era bom e barato (Point Break Hostel: US$ 8 a diária) e era do lado do MELHOR CAFÉ DA MANHÃ DO MUNDO no Crate Café, sério, procure eles no insta @cratecafe e apenas babe. Dediquei meus 4 cafés da manhã lá, e o resto do dia comi em vários lugares gostosos que não anotei os nomes, mas tudo lá é bom com ddecoração maravilhosa, e a baladinha foi de quarta-feira no Oldmans, que bomba! (bali não é muçulmana então habemus balada durante o Ramadã). 

De Canggu peguei um taxi pra Uluwatu (umas 2 horas de estrada e trânsito). Uluwatu: venha em maio! Apesar deste ano o ramadã ter caído em maio e eu ter perdido as baladas de Gili T (que no final fiquei até mais feliz assim), maio é a alta temporada do surf em Uluwatu, então bomba de gatenhos e gatenhas #ficaadica. Eu não sei como está Uluwatu agora, houve um incêndio em boa parte da cidade recentemente, uma tristeza. Mas eu fiquei hospedada em Padang Padang (uma praia lotada de macacos) e visitei outras praias com o Go-Jek: Balangan, Dreamland e Bingin. Todas as praias são paradisíacas e ótimas pra surf, mas também tranquilas pra nadar, as ondas são mais afastadas da costa. E um lugar muito lindo pra ver o pôr-do-sol é o Uluwatu Temple. Em Uluwatu o café-da-manhã mara ficava por conta do Bukit Cafe e a melhor balada bomba de domingo, no Single Finns, dá pra ir pro pôr-do-sol e ficar direto pra festa.

Entre Canggu e Uluwatu tem um lugar que eu não fui porque não é a minha cara, que chama Seminyak, onde estão os beachclubs e hotéis mais famosos, tipo o Potato Head.

E eis que se acabaram as praias e fui pra Ubud, mas muita gente começa a viagem de Bali por Ubud, eu deixei pro final, sou dessas. Como tinha muito ponto turístico perto de Ubud que eu queria conhecer, e a viagem de Uluwatu para Ubud levaria ainda umas 4 horas de carro, resolvi contratar um motorista pelo dia todo, que me pegou cedinho no hotel em Uluwatu, me levou em 5 pontos turísticos e me deixou fim de tarde no meu hostel em Ubud, tudo por US$40, se eu tivesse alguém pra dividir ainda, ia ser maravilhoso, porque o carro era pra 6 passageiros.

Ubud é uma cidade maravilhosa, tem um mercadão ótimo pra comprar roupas e bolsas, várias lojinhas, restaurantes, casas de massagem, lugares pra práticas de Yoga (Radiantly e Yoga Barn) e cheio de pontos turísticos ao redor, que fiz quase todos com o meu driver na ida e os outros dividi um táxi com duas amigas novas:

  • Templo Tirta Empul é um templo onde se pode fazer o ritual de purificação passando pelas fontes de águas naturais, junto com os hindus, só precisa vestir o sarong correto, receber a orientação e entrar na fila dentro da água para o seu ritual;
  • Campo de arroz Tegalalang é lindo, vale a pena dar uma voltinha nele;
  • Balanço de Bali, sabe aquela tour bem clichê? Eu fui. É aquele mega balanço no arrozal, a vista é linda e dá um friozinho na barriga, mas vale;
  • Café do côco do bicho Luwak, é um dos cafés mais valorizados do mundo, achei o gosto bem normal, mas a degustação pode ser feita no mesmo local do balanço, então eu fui;
  • Monkey Forest é dentro de Ubud, mas cuidados que os macacos roubam tudo;
  • Cachoeiras, são várias, mas a que gostei mais fica dentro de uma caverna em Tukad Cepung;
  • Portal: tem alguns grandes portais pra tirar aquele fotão do instagram em Bali, eu fui com umas amigas do hostel no Handara Golf, mas até pra tirar a foto paga tá? US$3;
  • Mount Batur: este foi um trekking que acordamos às 2h da manhã pra ir de van até o pé desta montanha, fazer o trekking no escuro e ver o sol nascer atrás do vulcão, super valeu!

Em Ubud é tanto campo de arroz em todo o canto, que até dentro do meu hostel tinha um, ao lado da piscina, chamava Puja Bungalows e era bem localizado, com diária de US$ 9. O café-da-manhã maravilhoso (e almoço e jantar também) era no Clear Cafe, um dia cheguei a ficar o dia todo lá entre computador e livros, emendei o brunch no doce da tarde no jantar, sem sair da mesa…vish….esse dia a conta deu US$ 20 e isso é bem caro pra Ásia! Perceba que a Indonésia me encantou mesmo pelos cafés-da-manhã de bowls de chia, smoothies e eggs benedict…dei até uma engordada!

Bom, resumo foi que eu amei tudo neste país, curti praias paradisíacas, baladinhas, fiz mil amigos e contradizendo a todos consegui passar um mês na Indonésia sem dirigir moto, só nas caronas e no mototaxi e isso é possível. Mas se você dirige moto, tire a habilitação internacional antes de vir, pra não cair no pedido de propina de algum guardinha e alugue uma  por US$ 4 /dia pra rodar mais livre que eu.

Quanto ao tempo, eu fiz tudo isso porque tinha 1 mês, mas se você tem menos tempo, poderia cortar Kuta Lombok e focar mais nas Gilis, Nusa Penida e Bali. E se tiver mais tempo (ou não se perder por 10 dias em Gili T como eu…) acrescente Komodo, que pra mim não deu tempo mas é maravilhosoooo.

Enjoy the journey!

Comunidade, Vida alternativa

Visitando Piracanga

IMG_5583Quando comecei meu sabático, há 15 meses, resgatei a listinha de desejos e lá estava Piracanga, uma comunidade que eu queria muito visitar e todo mundo que me conhecia bem falava “você vai amar, não vai voltar, certeza!”. Bom, eu fui, e voltei, fui duas vezes, e voltei as duas, kkk. Piracanga não me prendeu a ponto de eu querer ficar ‘pra sempre’, mas me encantou, me apaixonei de verdade pelo lugar, pelas pessoas, estilo de vida, natureza, toda a energia ao redor!

Inkiri Piracanga, onde o rio encontra o mar, é uma ecovila e um centro holístico, uma comunidade com vida ‘alternativa’ pra quem considera ‘normal’ a vida de trânsito-escritório-apartamento. Uma vida na natureza, com mergulho no rio na hora do almoço, onde se faz tudo a pé, um  laboratório de autoconhecimento, mais de 20 projetos ligados a arte, sustentabilidade e desenvolvimento humano, uma comunidade vegana, onde é proibido beber ou fumar, onde as crianças são livres dentro e fora da escola.

Minhas duas idas tiveram propósitos diferentes e foram muito diferentes! Não saberia contar aqui como é morar lá, mas posso passar meu relato como visitante, o que senti da vida em comunidade, do espírito de união e compartilhamento, da vida na natureza.

A primeira vez, em julho do ano passado, escolhi a Imersão em Circo pra fazer, e passei quase um mês na comunidade. Após 8 anos de vida corporativa usando mais da mente que do corpo, sentada a maior parte do tempo no computador ou salas de reunião, variando entre idas a academia e corridinhas de 5km nos finais de semana, escolhi fazer a imersão em circo com atividades corporais manhã, tarde e ensaios a noite! Foi o mês do slackline, seguido dos malabares, da cambalhota, do trapézio, da dança de contato, do tecido, o mês de ser palhaça e rolar na areia fazendo graça e nas folgas do circo eu estava nas aulas de yoga ou nos banhos de rio, movimentando o corpo de 10h a 12h por dia. Pra mim foi diferente de tudo que já vivi. Foi mágico! Aliás mágica tinha também, o mágico do circo morava na casa que compartilhamos, e mágica tinha todo dia no jantar. 

Como esta imersão em circo era nova e com um preço muito justo, a acomodação era numa casa compartilhada na comunidade e apenas os almoços estavam inclusos, as outras refeições nós comprávamos legumes e frutas na feira dos produtores orgânicos e cozinhávamos em casa. Deu pra sentir mais a rotina da comunidade, fiz amigos que moravam lá, nos reuníamos na nossa casa ou em outra pra fazer rodas de música a noite, através de cada um conheci melhor dos projetos, da permacultura, da música, da escola, do reike. Bem pertinho da nossa casa estava a Universidade Piracanga, e com a turma da Uni fizemos o retiro do palhaço, foram as melhores pessoas que conheci nesta viagem! Eles eram mais de 10, entre 18 e 20 e poucos anos, eu com 33 na época, me encantei por cada um, cada conversa inteligente, espiritualizada, aberta ao auto conhecimento, incertezas, medos, questões profundas, política, sustentabilidade ….gente, eu com 18 só queria saber da cervejada da quinta-feira na faculdade, que geração maravilhosa é esta de agora? Fiz amigos que nasceram no fim da década de 90, e aprendi muito com eles, fora que nos divertimos horrores como palhaços!

Aquele mês a rotina era acordar 5:30, pegar a trilhazinha pra aula de yoga, sair de lá e dar um pulo no mar, voltar de biquíni molhado pra casa pra comer tapioca e frutas, aproveitar este tempinho pra lavar roupa, limpar a casa, entrar nas aulas de circo as 9h, variadas, almoçar com o pessoal da Uni, passar 1 horinha pós almoço na beira do rio, nadando, tomando sol ou jogando vôlei, voltar pro circo a tarde, parar pra dança circular todo dia às 17h e ir cozinhar legumes com o povo em casa a noite.  Terminamos este mês com uma grande apresentação de circo pra comunidade, como foi lindo!

Um pouco sobre a comunidade inkiri piracanga: 

  1. A comunidade é vegana, e a comida deliciosa! Mesmo o que compramos pra cozinhar em casa não tem origem animal. Para comer tem a opção do restaurante com 3 refeições veganas maravilhosas por dia, o Café Lotus que serve salgados, doces e o famoso cacau quente e uma vendinha pra comprar grãos, doces, etc.
  2. Lá é proibido fumar, beber ou usar drogas, mas tivemos cada vivência de música e dança que entrávamos em transe!
  3. O banheiro é seco, daqueles que jogamos serragem por cima e aquilo tudo vira adubo após a compostagem. Xixi e cocô em buracos separados, isto exigia uma certa coordenação. Mas o ciclo da água fecha, sem contaminação e retorna para uso. 
  4. Os cosméticos permitidos para uso são os 100% biodegradáveis para não contaminar a água, e lá mesmo há produção e lojinha. Aprendi também a lavar cabelo com bicarbonato e vinagre, e descobri que bastava isso, sabão neutro pro banho, desodorante de lavandin, pasta de dente de juá e cúrcuma e protetor solar de vários óleos essenciais, mais nada para viver. (isso que eu vinha do mundo dos cosméticos).
  5. A energia é solar, por isso a maior parte das casas não tem geladeira, passei o mês sem geladeira, cozinhando alimentos naturais e vi como isso é possível! Secador de cabelo, máquina de lavar, TV, essas coisas não há em nenhuma casa! E celulares e computadores devem ser carregados apenas de dia. 
  6. Existe a ecovila, onde estão os moradores, as casas, a escola das crianças e o centro holístico, onde ficam os hóspedes, as terapias e os cursos.
  7. Algumas atividades são diárias e abertas tanto para os hóspedes quanto para os moradores da ecovila, como a meditação das rosas, a meditação sonora e as rodas de dança circular
  8. Conectividade, só se pagar pelo wifi, o meu celular não pegava. Na minha primeira visita tive wifi mas usava pouco, nesta segunda vez passei 10 dias totalmente offline.

Mas resolvi escrever tudo isso apenas agora, mesmo tendo visitado há um ano atrás, pois acabo de sair da minha segunda visita, um retiro de 10 dias no curso de Leitura da Aura, e relembrei cada momento do ano passado com carinho e saudades. Desta vez foi diferente, fiquei hospedada no centro holístico, dedicada ao curso manhã, tarde e noite, com poucos momentos de folga que eu dedicava a um mergulho no rio, não tive contato com a ecovila e poucos amigos que fiz ano passado estavam lá. Este retiro é um mergulho interior, a gente nem quer interagir muito, só quer sentir cada processo interno, onde fomos trabalhando um chakra por dia. 

Foi uma limpeza pro meu corpo e meu espírito, foi difícil, bem difícil, 10 dias tomando apenas líquidos (viciei real na água de côco), 10 dias abrindo o coração, tirando as máscaras, de profundo auto conhecimento e, de quebra, saímos sabendo a técnica da Leitura de Aura, aliás, me chama se quiser que estou em treino! Foi difícil, mas também lindo,  mágico, teve rio, mar, música, dança circular e vivências lindas a noite.

O centro holístico oferece diversos cursos e terapias, é possível se hospedar em quartos individuais ou compartilhados apenas para curtir a praia e o rio, descansar e comer saudável, agendar massagem ou terapias, ou ainda realizar diversos cursos que sempre oferecem, se tiver curiosidade, visita a programação no site: http://piracanga.com.

Um dos focos deste meu sabático é visitar comunidades com modo de vida alternativo, como Piracanga e Auroville, que visitei na Índia, nenhuma por enquanto me despertou aquela vontade de parar e morar, mas quem sabe um dia…ainda visitarei algumas na Europa, e vou contando aqui!

Vida alternativa, Vida em ashram

Osho Meditation Resort

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Um resort, do Osho, localizado na cidade de Pune, na Índia… polêmico, mas eu fui ver qual é que é. Pra mim a polêmica começa no nome do lugar: resort, e não ashram, mas ao chegar entendi o porquê. Depois a polêmica passa pelo nome OSHO, que eu já havia escutado tantos boatos, ainda mais agora com o documentário “Wild Wild Country” em alta no Netflix, e muita gente assistindo e comentando.

Mas como eu já praticava algumas meditações ativas do Osho, desde alguns cursos de tantra que fiz, coloquei na minha listinha sabática visitar este lugar, em Pune, e só depois tirar minhas próprias conclusões.

Sobre o resort, eu havia escutado 2 boatos apenas: que para frequentar precisava fazer teste de HIV (sim, pasmem, escutei de 2 fontes!) e que era necessário usar uma túnica vermelha , assim como no seriado! O primeiro boato é mentira, não solicitam teste e não há práticas sexuais ou sem roupa, pelo menos não com os visitantes (eu não vi nada disso), o segundo boato confirmei, túnica vinho para as meditações de dia e uma túnica branca no encontro noturno. Eu nem liguei pra esse “uniforme”, achei tranquilo.

Há 2 opções de conhecer o Osho Resort, como visitante ou no living program. Como visitante você paga uma diária de aproximadamente R$ 100 pra frequentar todas as meditações do dia e usufruir dos espaços comuns, que são delícia, mas a hospedagem é à parte, podendo ser na guesthouse lá dentro ou em algum lugar fora (peguei um hostel mais barato há 4 quadras dali). Já o living program (de 7, 15 ou 30 dias) engloba a guesthouse, as meditações ativas diárias e alguns cursos e terapias.

Meditações ativas são meditações que aumentam a energia no corpo (principalmente a energia kundalini), diminuem stress e liberam emoções através de movimento, vibração, dança, respiração e sons, em algumas até provocamos gritos e gargalhadas, pra espantar toda a emoção presa que retemos, mas outros momentos são imóveis, deitados ou sentados. Estas meditações são o chakra breathing, vipassana, dinâmica, circular, nadabrahma, entre outras, pra quem interessar, este link explica: http://www.osho.com/meditate.

No dia a dia no Osho Resort você escolhe o que fazer, são 15 tipos de meditação, das 6 da manhã às 20:30, dá pra encaixar umas 9 no dia, mas também é possível agendar terapias, como crânio sacral, alinhamento energético, constelação familiar, massagem relaxante, por aproximadamente R$ 300 cada sessão ou ainda pagar R$ 15 para uso da piscina, sauna e hidromassagem. Se quiser também, dá pra simplesmente ficar no café lendo um livro ou passeando no parque contemplando a natureza. O lugar é lindo, maravilhoso, e o restaurante delicioso! Foi aí que entendi que é um resort, lá é um lugar de descanso e entretenimento, até uma baladeeenha rola a noite, mas como fui na baixa temporada, a única balada que participei foi a noite latina, onde os indianos não sabiam dançar e sobrou pra euzinha aqui conduzir a aula de salsa, kkkk, mais um check pro sabático.

Agora sobre o Osho, a pessoa, o Rajneesh Osho, uma coisa me chamou muito a atenção: apesar dele ter sido muito popular no ocidente, principalmente como o “guru do sexo” nos Estados Unidos, no resort a grande maioria dos visitantes são indianos, diferente de tantos outros Ashrams que eu vi lotados de ocidentais em Rishikesh. Já os moradores, são muitos europeus na faixa etária 50-60 anos, que viveram os 5 anos no Oregon na época de Rajneehpuram e estão em Pune há 10-12 anos, gostei muito de puxar papo com estas pessoas no café e nos almoços, entender a visão deles sobre o guru. Porque sobre o Osho mesmo eu conheci pouco, tentei uma vez ler um livro e achei uma visão machista, e esta visão se confirmou pra mim nas meditações noturnas onde havia sempre um vídeo com um discurso dele (uma espécie de satsang), não gostei do que escutei e parei de ir a noite, apenas fiz as meditações de dia que me faziam bem. Mas enfim, esta é só a minha humilde opinião sobre ele. E só depois que saí do resort assisti ao documentário “Wild Wild Country”!

Mas o melhor do resort, depois da prática das meditações, foi conversar com as pessoas que moram lá em Pune e que moraram com o Osho no Oregon, que o tem como Guru, eu adorei os pontos de vistas, a grande maioria o defende até a morte, dizem que a Sheela era a única manipuladora e que acabou com a reputação dele,  sempre a viam com raiva nos olhos, que era mandona, não meditava, apenas dava ordens e dormia, mas enfim…

Já no meu quinto dia, engatei uma conversa tão interessante que me fez perder as duas meditações da tarde, mas que no fundo só ganhei com a conversa. Era uma suíça de uns 60 anos que pediu pra sentar comigo e embalamos uma conversa de 2 horas. Historiadora, estudou o matriarcado, psicologia e sociedades alternativas, entramos em um papo sobre feminismo, sociedade indiana, osho, filmes de bollywood e tudo que envolve o papel e o trato com a mulher, com estórias desde o tempo de Esparta, foi incrível, uma aula! 

Ela  está há 12 anos em Pune, tem seu próprio apartamento lá, trabalha online, não mora e nem trabalha no resort, mas frequenta todos os dias todas as meditações de manhã cedo e as da noite, ela também viveu no Oregon de 82 a 85, foi sem dinheiro, apenas com a passagem aérea, e lá teve tudo que era compartilhado: comida, casa, trabalho, amor. Esta conversa…valeu a semana toda! Ela era muito mais aberta a ouvir opiniões contrárias e também tinha uma visão bem crítica do Osho apesar de ser o seu Guru, concordava comigo que ele era bem sexista, também desconfiava que ele estivesse envolvido em muita sujeira apesar de acreditar que a maior parte vinha mesmo da Sheela. Perguntei então por que ela dedicava a vida a seguir o Osho, desde 82, se o considerava machista, e a resposta com os olhos cheios de água, foi que desde a primeira vez que esteve na presença dele, sentiu um amor inexplicável, que ela nunca mais sentiu com ninguém, ela disse que não importava se haviam 5 ou 10 mil pessoas no salão, quando ele entrava, ela só sentia um calor no peito, como um abraço e não queria deixar a comunidade para não perder aquela energia. Para quem acredita nisso, entenderá. 

E desta conversa incrível saí com a indicação de um livro sobre o momento de quebra do matriarcado no mundo e ela com a indicação do filme “I’m not an easy man”.

Bom, assim foi minha curta experiência no Osho Meditation Resort em Pune, eu adorei, me senti bem, em contato com a natureza, conectada, conversei com pessoas de diferentes pontos de vista, aprendi. Super indico, vale a pena! E além de Pune, há outro resort do Osho em Rishikesh também para praticar as meditações.  Agora se quiser saber mais sobre outros ashrams, contei da minha experiência de 1 mês estudando yoga neste post aqui “Vida em Ashram”. E mais sobre a Índia, dos meus outros 3 meses viajando, escrevi aqui: “Roteiros de Viagem: Índia“.

Namastê!

Reflexões

‘Viajar’ por Gabriel

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” Viajar es marcharse de casa,

es dejar los amigos

es intentar volar

volar conociendo otras ramas

recorriendo caminos

es intentar cambiar.

Viajar es vestirse de loco

es decir “no me importa”

es querer regresar.

Regresar valorando lo poco

saboreando una copa,

es desear empezar.

Viajar es sentirse poeta,

es escribir una carta,

es querer abrazar.

Abrazar al llegar a una puerta

añorando la calma

es dejarse besar.

Viajar es volverse mundano

es conocer otra gente

es volver a empezar.

Empezar extendiendo la mano,

aprendiendo del fuerte,

es sentir soledad.

Viajar es marcharse de casa,

es vestirse de loco

diciendo todo y nada con una postal,

Es dormir en otra cama,

sentir que el tiempo es corto,

viajar es regresar.”

Gabriel García Márquez

Só porque me identifico, apenas porque amo, simplesmente porque é verdade.

o que levar

Um mochilão pela Ásia de 11 quilos e 9 meses

photoNeste post eu vou falar de roupa, tá?

Não, não comecei com 11 quilos, comecei com 15kg, em um mochilão de 90 litros e mais a mochila “de combate” como costumam chamar, de 5 quilos. O mochilão era para despachar sempre nos vôos, e a mochilinha era pra andar comigo com os pertences pessoais e computador.

No segundo mês de viagem o mochilão foi de 15kg para 11kg, e assim seguiu pelos próximos 8 meses, pois doei todos os excessos que percebi que trouxe logo no primeiro mês. Sobre o tipo de mala para levar, entre mala de rodinha e mochilão, eu sempre prefiro mochilão, acho muito mais prático pra pegar ônibus, caminhar até o hostel, subir e descer escada. Pra quem tem dúvida, eu comprei um de 90 litros, que foi um exagero pois ele vivia meio vazio, mas até que não era ruim, sobrando espaço nele era mais fácil de organizar. Mas hoje eu faria uma viagem com um mochilão de 70 litros no máximo. Aliás, estou pensando em vender este e na Europa daqui um mês vou usar o menor que tenho em casa.

Falando em vender, vamos começar por este tópico, quando resolvi largar a vida em São Paulo e viajar o mundo, a primeira coisa que fiz foi abrir o guarda roupa e separar tudo o que eu realmente iria precisar nos próximos meses viajando, onde o plano inicialmente eram 6 meses de Ásia, 6 meses de Europa e 6 meses de África, mas já mudei toda a rota e sigo mudando… tirei tudo que eu não iria usar no próximo 1 ano e meio: vestidos de festa, calças jeans, casacões, jaquetas, blazers, sapatos de salto, contei tudo e descobri que tinha 90 vestidos (um absurdoooo), do mais levinho de usar com biquíni ao mais chique de casamento, fiz uma limpa e fiquei com 30 (que ainda é muito, mas fato é que eu usava mais vestido do que calça e saia).

A difícil arte de abandonar tudo: foi difícil, mas consegui separar e desapegar de tudo que ficaria parado sem uso. Muito influenciada pelo documentário “Minimalism”que eu me inspirei em  gente que passa o mês com apenas 30 peças, e gente que viaja o mundo com 56 itens, recomendo este doc! Então, junto com amigas, fiz um grande bazar e vendi todas as roupas, ainda sobraram algumas que baixei mais ainda o preço e fui recebendo as amigas em casa para provar e comprar. Com isso ainda levantei uma graninha pra viagem!

Mas vamos ao que eu trouxe pra Ásia nesta viagem!

Quando comecei a fazer a mala, logo me veio a dúvida, pois eu iria passar por países de pura praia, países religiosos onde devo me cobrir toda, precisava também de roupa de esporte para fazer trekkings, ia pegar balada na Austrália e ainda passar por lugar bem frio (Everest), destinos bem heterogêneos! Mas por fim, resolvi focar nos países quentes de praia e nas roupas que cobrem bem o corpo pra Índia, pois não ia carregar excessos de inverno por meses só por causa do Everest, quando chegasse a hora, eu me vivaria. Já a bota de trekking foi essencial levar pois usei muito, ela pesava, então eu sempre calçava ela pra viajar de ônibus, trem ou avião.

Pra quem quer uma listinha pra ajudar na sua trip Ásia, vou falar primeiro do que eu trouxe de EXCESSO e logo me desfiz doando em hostels e para viajantes que cruzaram meu caminho:

  1. calça jeans e de sarja: pesa, não é prática e não usei em um mês, então no segundo mês já doei as duas;
  2. all star/converse: é legal pra passear em cidade e até uma baladinha, mas usei muito pouco e sempre carregava ele pesando na mochila;
  3. malha de manga comprida, sabe aquelas malhinhas gola V, bem básicas e vão com tudo? mas se o destino é Ásia, você não vai usar;
  4. calça de moletom: achei que seria confortável e que eu usaria, mas era muito quente pra Ásia e logo doei, em países como Indonésia, Índia, Tailândia se encontram calças levinhas de algodão por R$ 10, bem mais prático;
  5. bata de manga comprida, aliás, tudo que é de manga comprida acabei doando, a bata, um moletonzinho e a malha gola V;
  6. rasteirinha: carreguei, carreguei e não usei, em países de praia eu vivia de havaianas, mesmo na balada, e nas cidades achei melhor deixar o pé mais fechadinho com alpargatas ou tênis.

Agora vamos pra listinha amiga do que levar: se seu destino for a Ásia, países quentes, como foi o meu, o mochilão ideal pode ter:

  • 1 tênis (eu levei de trekking, mas pode ser tênis esportivo confortável pra caminhar o dia todo)
  • 1 havaianas
  • 1 alpargatas (destas de tecido, não pesa na mala, protege o pé e é confortável)
  • 2 shorts: levei um jeans e um de tecido
  • 1 saia (eu acabei trazendo 3, mas no meio da viagem já doei duas) e comprei uma que me apaixonei na Índia
  • 3 a 4 vestidinhos: a dica aqui é levar uns vestidos mais lisos, ou de estampas que não enjoem, de algodão, que dá pra usar de várias maneiras: eu colocava como saída de praia com biquíni, ou com um brincão pra sair a noite, e até com baby look e legging por baixo pra passar o dia todo turistando na índia (onde devemos cobrir ombros e pernas)
  • 3 biquínis (melhor os lisos pra não enjoar, e poder também alternar as combinações)
  • maiô: eu acho mara! Dá pra usar como body com short ou saia, dá pra usar na praia e é ótimo pra mergulho, levei 2
  • 1 legging, acabei levando 2 pretas e foi muito útil! Serve de segunda pele por baixo da calça em lugar mais frio, serve pra praticar yoga e trekking, serve como meia calça por baixo do vestido pra sair a noite
  • 2 calças levinhas (mas dá pra comprar na ásia também)
  • 3 regatas lisas
  • 3 baby looks/camisetinha lisas (eu levei estampadas, e não aguentava mais as mesmas estampas nas fotos, kkk, daí uma manchou, outra furou, enfim, me desfiz e comprei 3 lisas da Índia por R$5 cada: branca, vermelha, azul, pronto, combina com tudo!)
  • 1 vestido longo pras fotos diva hahahahaha esse só se quiser se sentir diva, eu levei 2 mas foi exagero, acabei ficando só com um e dei o outro pra uma amiga
  • 1 canga que também sirva de echarpe (praticidade! comprei uma na Índia que eu usava pra deitar na areia ou pra cobrir a cabeça em templo)
  • camisa jeans: este é must have! É bom pra proteger do ar condicionado no avião, fica lindo amarrado na cintura com um vestidinho, dá pra colocar com legging, e se for jantar em algum lugar mais arrumadinho dá até pra abotoar até o pescoço e colocar com a saia, um ahazo!
  • casaco: acabei levando um que também foi peça chave, sabe aqueles casacos que ficam num saquinho igual sleeping bag? Acho que chama down jaquet, o mais famosinho é da marca japonesa Uniqlo, mas até a Decathlon e a Renner começaram a vender. Levei um destes, porque no saquinho não ocupava espaço e usei em trekkings de madrugada, em vôos noturnos mais frios, e nos Himalaias
  • calcinha, sutiã e top: poucos, as calcinhas eu lavava sempre no banho e deixava secando com a toalha, e a cada 50 dias ia pra alguma cidade grande passear num shopping e aproveitava pra comprar novas calcinhas e jogar as velhas fora
  • um short e uma camiseta de pijama, pra dormir em quartos mistos acho melhor algo assim do que camisola
  • toalha de camping (aquela que fica bem pequena, pois muitos hostels não oferecem toalha)
  • lençol: se tem uma coisa que vale a pena comprar (e se encontra na decathlon ou lojas de camping) é um lençol-sleeping, é tipo um sleeping bag que fica num saquinho, mas é de tecido leve, eu dormia em todo lugar com ele, hostel, trem, ônibus, acho mais higiênico.
  • eco bag: nunca pensei que usaria tanto! Mas eu levei, e usei pra ir pra praia, usei como bolsa pra sair, usei pra fazer compras em mercadinho e evitar sacola plástica, é mara!

Daí chegou o Nepal e o Everest, mas para fazer o trekking escolhi uma agência que me emprestou a mochila de 40 litros, o casacão de neve e o sleeping, além disso comprei uma calça mais resistente de inverno, alternei minhas 2 leggings como segunda pele e comprei ainda um moletom fleece e um corta vento. Lá não era caro comprar, então valeu a pena do que carregar a viagem toda. Ter o tênis de trekking aqui foi essencial, senão teria que ter comprado também e este sim seria mais caro. A calça depois doei, mas os casacos os preços tavam bons e eu poderia aproveitar na Europa ainda, então mandei pro Brasil pelo correio, pra não seguir carregando.

Fora isso, uma necessáire pequena: tente levar tudo em frascos pequenos, e conforme os produtos forem acabando vai comprando mais (na Ásia vende-se tudo em embalagens menores);  uma necessáire menor ainda com poucas makes (quase não se usa na Ásia, mesmo pra pessoas que eram viciadas, como eu) e uns 5 brincos e colarzinhos num saquinho. #dicaamiga é adotar o copinho menstrual ao invés de ficar comprando absorvente, que além de ser caro, prejudica o meio ambiente!

Mas olha, não precisa levar muita roupa não, em todo lugar na Ásia se encontram as lavanderias, e é bem barato, então a cada 5 dias é só levar as roupas em uma laundry que dia seguinte tá tudo limpo (mas talvez um pouco encardido…por isso recomendo levar roupas velhas pra Ásia). Outro problema das laundries é que às vezes somem peças, elas se confundem, entregam pra pessoa errada, mas enfim, acontece!

Dica importante para a mochileira: você vai usar muito as mesmas roupas, até enjoar, então esteja aberta às conexões e às trocas! Eu doei e ganhei muita roupa conforme fui fazendo amigas. Nas Filipinas encontrei uma amiga recém chegada do Brasil que não tinha vestido pra baladinha, doei um florido que eu já estava cansada da estampa, 4 meses depois reencontrei ela em Singapura, e ela me doou um vestido que tinha comprado na Indonésia e também tinha enjoado da estampa. Em Delhi, doei meu all star e um vestido longo pra uma amiga que me hospedou, já em Singapura, ganhei um macaquinho de outra brasileira que me hospedou e não o usava mais. Também troquei short e canga. Doei mais coisas que ganhei, pois meu intuito era me desfazer mesmo do que não usava mais. E comprei também, pouco, mas às vezes me apaixonava por algo barato e comprava, como uma saia dupla face na Índia, que dava pra usar nas duas estampas, um macacão no Nepal e um biquíni na promoção na Indonésia.

E muitas roupas na Ásia também são baratas, mas descartáveis, cheguei a comprar 2 calças na Índia pra praticar yoga logo que cheguei, que 2 meses depois estavam rasgadas ou desbotadas e me desfiz.

Eu tenho um prazer em desapegar, na verdade, conto os dias pra fazer a limpa. Então assim que acabaram as praias na viagem, já doei pra faxineira do hostel 2 biquínis, 2 shorts e as 3 regatas que eu não usaria mais na Índia. E assim que terminei a última trilha no Nepal, doei no orfanato minha luva, gorro, um casaco, cachecol e 2 camisetas.

Gente, desapegar é vida!!! E pra quem gosta de comprinhas, o desapego das coisas velhas vai abrindo espaço no mochilão pras roupas maras e baratas que vamos encontrando na viagem! Espero ter ajudado com a minha experiência!

Empreendendo, Vida alternativa

Mari Luz mudou a rota

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Nos conhecemos na última “firma”, departamentos diferentes, mas próximos, como era uma startup, e o time ainda pequeno, entre um happy hour e um coquetel de inauguração de loja, logo nos conectamos, ambas solteiras, nos 30 e poucos, após algumas separações conturbadas, vivendo a vida de forma entregue, ali nos conectamos, viramos amigas e não nos desgrudamos mais. Acho que nos conectamos mesmo em uma balada sertaneja pós inauguração de loja em BH, daquelas que a gente nem lembra quem a gente pegou, daquelas que não sabemos nem como fomos parar no hotel, e fomos acordadas por alguma amiga sã pra pegar o avião e voltar pra São Paulo pra trabalhar, daquele jeito, com a roupa do dia anterior, socando tudo na mala e com bafo de vodca, daquele jeito…mas assim é a Mari, intensa, como eu, e pura luz, agarrei que nunca mais larguei.

A Mari trabalhava no Trade Marketing, mas pouco depois descobri que era formada em turismo, e logo entendi sua paixão por viagens, quando fomos juntas pro México de férias, após já termos viajado pra Caraíva e Alter do Chão em dois réveillons, ô delícia que é viajar com ela, pura energia! Ela é daquelas que em viagem vive apenas o presente, agradece o tempo inteiro estar ali, sorri, gargalha, dança, brinda e de vez em quando solta um “ai que saudades da cadeia!”

Mas logo houveram mudanças na estrutura da firma, e meu time dobrou de tamanho, ganhei a área de Trade Marketing e com ela veio a Mari Luz, que nesta altura já era daquelas best friends…fiquei com medo, muito medo de ter uma amiga na minha equipe, medo de misturarmos as coisas, da amizade esfriar após um momento tenso de trabalho, enfim, de dar ruim… e um ano depois, deu ruim (mas hoje olhando sob outra perspectiva, vemos que na verdade deu bom), explico: após outra reestruturação da firma optamos (eu e a diretoria) por extinguir alguns cargos, algumas funções, e naquele momento eu teria que desligar a minha amiga Mari Luz. Me senti fraca por não conseguir encaixá-la em outra área,  me senti desleal por fazer isso com uma amiga, me senti um lixo,  aquele momento tá nos top 5 mais difíceis da minha vida corporativa.  No momento do desligamento eu chorei, enquanto ela escutou tudo com o maior profissionalismo e compreensão…1 ano depois, eu que fui a desligada da vez, e entendi perfeitamente a postura dela, senti o mesmo, me senti plena no meu desligamento, acho que energéticamente já não estávamos conectadas com aquela função, aqueles desafios, aquela corporação, já queríamos algo mais que não sabíamos o que era, mas também faltava a coragem de nos desligarmos.

Enfim, voltando ao ano anterior: tive que desligá-la, com muito medo de perdermos nossa amizade pra sempre, mas no fim do dia ela me ligou “Má, tá tudo bem, eu entendo o momento da empresa”. “Então vamos tomar um vinho em casa?” e naquele mesmo dia enchemos a cara em casa fazendo planos de viagens e próximos passos pra vida da Mari Luz. Um ano depois, repetimos o tradicional vinho da demissão, no meu desligamento, onde ela palpitava nos destinos do meu sabático com o habitual brilho nos olhos quando o tema é viagem.

A Mari ainda seguiu na vida corporativa, mudou de firma, continuou no Trade Marketing, ela realmente brilhava nas convenções de venda, fazia cada evento de emocionar, mas seguia sentindo que faltava algo estando na vida corporativa, mais 10 meses e lá estava ela novamente no mercado, mas desta vez não buscava emprego.  Aí entra a vida com seu papel de encaixar tudo, como ela é pura Luz, e faz amigos por onde passa, já foi convidada pra se unir a uma agência de eventos corporativos, trabalhando pontualmente nas produções dos eventos e prospecções, uma vida completamente diferente do que estava acostumada, sem horário de trabalho, tendo às vezes a terça-feira livre pra tomar sol na piscina, mas o sábado pra virar madrugada montando palco, o retorno financeiro também  não caía mais todo dia 30, recebia conforme os eventos surgiam, mas resolveu arriscar, e ser feliz. Com estes meses trabalhando com eventos, veio mais experiência na área e a CORAGEM, coragem de tirar um de seus sonhos do papel (ou da maleta turquesa em seu quarto que ela guarda todos os sonhos por escrito).

Esta semana ela lançou o seu próprio negócio: “um+um, assessoria para casamentos de duas ou de dois”. Ahhhh que orgulhooooo!!! Bom, a gente só tem amigo beeee, né?, vivemos mesmo é no  Vale dos Homossexuais, e simplesmente amamos, é lá que nos sentimos mais em casa, não tinha como ter um negócio mais bonito pra ela se dedicar. Existe hoje esta lacuna no mercado, um olhar específico pra celebrações homoafetivas, o protocolo é o mesmo em um casamento gay ou hétero? O discurso é o mesmo? O cuidado é o mesmo? Quem entra primeiro entra as duas noivas? Não há certo nem errado, mas o que a Mari vai se dedicar é a organizar os casamentos dando este olhar mas carinhoso, entendendo o casal e celebrando o amor, da forma mais linda!

Ah Mari, já vivemos tantas coisas, foram tantos carnavais, tantos vinhos filosóficos, tantas festas, áudios longoooos, declarações de amor, e até uns boys em comum, mas tudo bem, né? Eu tô muito feliz por este seu momento, e quis compartilhar aqui, pra quem sabe com esta história não encorajar alguém aí a correr atrás dos seus sonhos de empreender, ou de seu casamento.

O que eu quero dizer, é que às vezes não importa no que nos formamos na faculdade ou no curso técnico, não importa os sonhos e aspirações que tínhamos nos nossos 20 anos, nós mudamos! Nossos sonhos  não são os mesmos a vida toda, não somos as mesmas pessoas que tinham aqueles sonhos, podemos mudar a rota aos 30, 40, 50, quando for, de repente vem um click e a coragem, outras vezes a vida se encarrega de dar um empurrãozinho e basta agarrar a oportunidade!