Reflexões

‘Viajar’ por Gabriel

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” Viajar es marcharse de casa,

es dejar los amigos

es intentar volar

volar conociendo otras ramas

recorriendo caminos

es intentar cambiar.

Viajar es vestirse de loco

es decir “no me importa”

es querer regresar.

Regresar valorando lo poco

saboreando una copa,

es desear empezar.

Viajar es sentirse poeta,

es escribir una carta,

es querer abrazar.

Abrazar al llegar a una puerta

añorando la calma

es dejarse besar.

Viajar es volverse mundano

es conocer otra gente

es volver a empezar.

Empezar extendiendo la mano,

aprendiendo del fuerte,

es sentir soledad.

Viajar es marcharse de casa,

es vestirse de loco

diciendo todo y nada con una postal,

Es dormir en otra cama,

sentir que el tiempo es corto,

viajar es regresar.”

Gabriel García Márquez

Só porque me identifico, apenas porque amo, simplesmente porque é verdade.

o que levar

Um mochilão pela Ásia de 11 quilos e 9 meses

photoNeste post eu vou falar de roupa, tá?

Não, não comecei com 11 quilos, comecei com 15kg, em um mochilão de 90 litros e mais a mochila “de combate” como costumam chamar, de 5 quilos. O mochilão era para despachar sempre nos vôos, e a mochilinha era pra andar comigo com os pertences pessoais e computador.

No segundo mês de viagem o mochilão foi de 15kg para 11kg, e assim seguiu pelos próximos 8 meses, pois doei todos os excessos que percebi que trouxe logo no primeiro mês. Sobre o tipo de mala para levar, entre mala de rodinha e mochilão, eu sempre prefiro mochilão, acho muito mais prático pra pegar ônibus, caminhar até o hostel, subir e descer escada. Pra quem tem dúvida, eu comprei um de 90 litros, que foi um exagero pois ele vivia meio vazio, mas até que não era ruim, sobrando espaço nele era mais fácil de organizar. Mas hoje eu faria uma viagem com um mochilão de 70 litros no máximo. Aliás, estou pensando em vender este e na Europa daqui um mês vou usar o menor que tenho em casa.

Falando em vender, vamos começar por este tópico, quando resolvi largar a vida em São Paulo e viajar o mundo, a primeira coisa que fiz foi abrir o guarda roupa e separar tudo o que eu realmente iria precisar nos próximos meses viajando, onde o plano inicialmente eram 6 meses de Ásia, 6 meses de Europa e 6 meses de África, mas já mudei toda a rota e sigo mudando… tirei tudo que eu não iria usar no próximo 1 ano e meio: vestidos de festa, calças jeans, casacões, jaquetas, blazers, sapatos de salto, contei tudo e descobri que tinha 90 vestidos (um absurdoooo), do mais levinho de usar com biquíni ao mais chique de casamento, fiz uma limpa e fiquei com 30 (que ainda é muito, mas fato é que eu usava mais vestido do que calça e saia).

A difícil arte de abandonar tudo: foi difícil, mas consegui separar e desapegar de tudo que ficaria parado sem uso. Muito influenciada pelo documentário “Minimalism”que eu me inspirei em  gente que passa o mês com apenas 30 peças, e gente que viaja o mundo com 56 itens, recomendo este doc! Então, junto com amigas, fiz um grande bazar e vendi todas as roupas, ainda sobraram algumas que baixei mais ainda o preço e fui recebendo as amigas em casa para provar e comprar. Com isso ainda levantei uma graninha pra viagem!

Mas vamos ao que eu trouxe pra Ásia nesta viagem!

Quando comecei a fazer a mala, logo me veio a dúvida, pois eu iria passar por países de pura praia, países religiosos onde devo me cobrir toda, precisava também de roupa de esporte para fazer trekkings, ia pegar balada na Austrália e ainda passar por lugar bem frio (Everest), destinos bem heterogêneos! Mas por fim, resolvi focar nos países quentes de praia e nas roupas que cobrem bem o corpo pra Índia, pois não ia carregar excessos de inverno por meses só por causa do Everest, quando chegasse a hora, eu me vivaria. Já a bota de trekking foi essencial levar pois usei muito, ela pesava, então eu sempre calçava ela pra viajar de ônibus, trem ou avião.

Pra quem quer uma listinha pra ajudar na sua trip Ásia, vou falar primeiro do que eu trouxe de EXCESSO e logo me desfiz doando em hostels e para viajantes que cruzaram meu caminho:

  1. calça jeans e de sarja: pesa, não é prática e não usei em um mês, então no segundo mês já doei as duas;
  2. all star/converse: é legal pra passear em cidade e até uma baladinha, mas usei muito pouco e sempre carregava ele pesando na mochila;
  3. malha de manga comprida, sabe aquelas malhinhas gola V, bem básicas e vão com tudo? mas se o destino é Ásia, você não vai usar;
  4. calça de moletom: achei que seria confortável e que eu usaria, mas era muito quente pra Ásia e logo doei, em países como Indonésia, Índia, Tailândia se encontram calças levinhas de algodão por R$ 10, bem mais prático;
  5. bata de manga comprida, aliás, tudo que é de manga comprida acabei doando, a bata, um moletonzinho e a malha gola V;
  6. rasteirinha: carreguei, carreguei e não usei, em países de praia eu vivia de havaianas, mesmo na balada, e nas cidades achei melhor deixar o pé mais fechadinho com alpargatas ou tênis.

Agora vamos pra listinha amiga do que levar: se seu destino for a Ásia, países quentes, como foi o meu, o mochilão ideal pode ter:

  • 1 tênis (eu levei de trekking, mas pode ser tênis esportivo confortável pra caminhar o dia todo)
  • 1 havaianas
  • 1 alpargatas (destas de tecido, não pesa na mala, protege o pé e é confortável)
  • 2 shorts: levei um jeans e um de tecido
  • 1 saia (eu acabei trazendo 3, mas no meio da viagem já doei duas) e comprei uma que me apaixonei na Índia
  • 3 a 4 vestidinhos: a dica aqui é levar uns vestidos mais lisos, ou de estampas que não enjoem, de algodão, que dá pra usar de várias maneiras: eu colocava como saída de praia com biquíni, ou com um brincão pra sair a noite, e até com baby look e legging por baixo pra passar o dia todo turistando na índia (onde devemos cobrir ombros e pernas)
  • 3 biquínis (melhor os lisos pra não enjoar, e poder também alternar as combinações)
  • maiô: eu acho mara! Dá pra usar como body com short ou saia, dá pra usar na praia e é ótimo pra mergulho, levei 2
  • 1 legging, acabei levando 2 pretas e foi muito útil! Serve de segunda pele por baixo da calça em lugar mais frio, serve pra praticar yoga e trekking, serve como meia calça por baixo do vestido pra sair a noite
  • 2 calças levinhas (mas dá pra comprar na ásia também)
  • 3 regatas lisas
  • 3 baby looks/camisetinha lisas (eu levei estampadas, e não aguentava mais as mesmas estampas nas fotos, kkk, daí uma manchou, outra furou, enfim, me desfiz e comprei 3 lisas da Índia por R$5 cada: branca, vermelha, azul, pronto, combina com tudo!)
  • 1 vestido longo pras fotos diva hahahahaha esse só se quiser se sentir diva, eu levei 2 mas foi exagero, acabei ficando só com um e dei o outro pra uma amiga
  • 1 canga que também sirva de echarpe (praticidade! comprei uma na Índia que eu usava pra deitar na areia ou pra cobrir a cabeça em templo)
  • camisa jeans: este é must have! É bom pra proteger do ar condicionado no avião, fica lindo amarrado na cintura com um vestidinho, dá pra colocar com legging, e se for jantar em algum lugar mais arrumadinho dá até pra abotoar até o pescoço e colocar com a saia, um ahazo!
  • casaco: acabei levando um que também foi peça chave, sabe aqueles casacos que ficam num saquinho igual sleeping bag? Acho que chama down jaquet, o mais famosinho é da marca japonesa Uniqlo, mas até a Decathlon e a Renner começaram a vender. Levei um destes, porque no saquinho não ocupava espaço e usei em trekkings de madrugada, em vôos noturnos mais frios, e nos Himalaias
  • calcinha, sutiã e top: poucos, as calcinhas eu lavava sempre no banho e deixava secando com a toalha, e a cada 50 dias ia pra alguma cidade grande passear num shopping e aproveitava pra comprar novas calcinhas e jogar as velhas fora
  • um short e uma camiseta de pijama, pra dormir em quartos mistos acho melhor algo assim do que camisola
  • toalha de camping (aquela que fica bem pequena, pois muitos hostels não oferecem toalha)
  • lençol: se tem uma coisa que vale a pena comprar (e se encontra na decathlon ou lojas de camping) é um lençol-sleeping, é tipo um sleeping bag que fica num saquinho, mas é de tecido leve, eu dormia em todo lugar com ele, hostel, trem, ônibus, acho mais higiênico.
  • eco bag: nunca pensei que usaria tanto! Mas eu levei, e usei pra ir pra praia, usei como bolsa pra sair, usei pra fazer compras em mercadinho e evitar sacola plástica, é mara!

Daí chegou o Nepal e o Everest, mas para fazer o trekking escolhi uma agência que me emprestou a mochila de 40 litros, o casacão de neve e o sleeping, além disso comprei uma calça mais resistente de inverno, alternei minhas 2 leggings como segunda pele e comprei ainda um moletom fleece e um corta vento. Lá não era caro comprar, então valeu a pena do que carregar a viagem toda. Ter o tênis de trekking aqui foi essencial, senão teria que ter comprado também e este sim seria mais caro. A calça depois doei, mas os casacos os preços tavam bons e eu poderia aproveitar na Europa ainda, então mandei pro Brasil pelo correio, pra não seguir carregando.

Fora isso, uma necessáire pequena: tente levar tudo em frascos pequenos, e conforme os produtos forem acabando vai comprando mais (na Ásia vende-se tudo em embalagens menores);  uma necessáire menor ainda com poucas makes (quase não se usa na Ásia, mesmo pra pessoas que eram viciadas, como eu) e uns 5 brincos e colarzinhos num saquinho. #dicaamiga é adotar o copinho menstrual ao invés de ficar comprando absorvente, que além de ser caro, prejudica o meio ambiente!

Mas olha, não precisa levar muita roupa não, em todo lugar na Ásia se encontram as lavanderias, e é bem barato, então a cada 5 dias é só levar as roupas em uma laundry que dia seguinte tá tudo limpo (mas talvez um pouco encardido…por isso recomendo levar roupas velhas pra Ásia). Outro problema das laundries é que às vezes somem peças, elas se confundem, entregam pra pessoa errada, mas enfim, acontece!

Dica importante para a mochileira: você vai usar muito as mesmas roupas, até enjoar, então esteja aberta às conexões e às trocas! Eu doei e ganhei muita roupa conforme fui fazendo amigas. Nas Filipinas encontrei uma amiga recém chegada do Brasil que não tinha vestido pra baladinha, doei um florido que eu já estava cansada da estampa, 4 meses depois reencontrei ela em Singapura, e ela me doou um vestido que tinha comprado na Indonésia e também tinha enjoado da estampa. Em Delhi, doei meu all star e um vestido longo pra uma amiga que me hospedou, já em Singapura, ganhei um macaquinho de outra brasileira que me hospedou e não o usava mais. Também troquei short e canga. Doei mais coisas que ganhei, pois meu intuito era me desfazer mesmo do que não usava mais. E comprei também, pouco, mas às vezes me apaixonava por algo barato e comprava, como uma saia dupla face na Índia, que dava pra usar nas duas estampas, um macacão no Nepal e um biquíni na promoção na Indonésia.

E muitas roupas na Ásia também são baratas, mas descartáveis, cheguei a comprar 2 calças na Índia pra praticar yoga logo que cheguei, que 2 meses depois estavam rasgadas ou desbotadas e me desfiz.

Eu tenho um prazer em desapegar, na verdade, conto os dias pra fazer a limpa. Então assim que acabaram as praias na viagem, já doei pra faxineira do hostel 2 biquínis, 2 shorts e as 3 regatas que eu não usaria mais na Índia. E assim que terminei a última trilha no Nepal, doei no orfanato minha luva, gorro, um casaco, cachecol e 2 camisetas.

Gente, desapegar é vida!!! E pra quem gosta de comprinhas, o desapego das coisas velhas vai abrindo espaço no mochilão pras roupas maras e baratas que vamos encontrando na viagem! Espero ter ajudado com a minha experiência!

Empreendendo, Vida alternativa

Mari Luz mudou a rota

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Nos conhecemos na última “firma”, departamentos diferentes, mas próximos, como era uma startup, e o time ainda pequeno, entre um happy hour e um coquetel de inauguração de loja, logo nos conectamos, ambas solteiras, nos 30 e poucos, após algumas separações conturbadas, vivendo a vida de forma entregue, ali nos conectamos, viramos amigas e não nos desgrudamos mais. Acho que nos conectamos mesmo em uma balada sertaneja pós inauguração de loja em BH, daquelas que a gente nem lembra quem a gente pegou, daquelas que não sabemos nem como fomos parar no hotel, e fomos acordadas por alguma amiga sã pra pegar o avião e voltar pra São Paulo pra trabalhar, daquele jeito, com a roupa do dia anterior, socando tudo na mala e com bafo de vodca, daquele jeito…mas assim é a Mari, intensa, como eu, e pura luz, agarrei que nunca mais larguei.

A Mari trabalhava no Trade Marketing, mas pouco depois descobri que era formada em turismo, e logo entendi sua paixão por viagens, quando fomos juntas pro México de férias, após já termos viajado pra Caraíva e Alter do Chão em dois réveillons, ô delícia que é viajar com ela, pura energia! Ela é daquelas que em viagem vive apenas o presente, agradece o tempo inteiro estar ali, sorri, gargalha, dança, brinda e de vez em quando solta um “ai que saudades da cadeia!”

Mas logo houveram mudanças na estrutura da firma, e meu time dobrou de tamanho, ganhei a área de Trade Marketing e com ela veio a Mari Luz, que nesta altura já era daquelas best friends…fiquei com medo, muito medo de ter uma amiga na minha equipe, medo de misturarmos as coisas, da amizade esfriar após um momento tenso de trabalho, enfim, de dar ruim… e um ano depois, deu ruim (mas hoje olhando sob outra perspectiva, vemos que na verdade deu bom), explico: após outra reestruturação da firma optamos (eu e a diretoria) por extinguir alguns cargos, algumas funções, e naquele momento eu teria que desligar a minha amiga Mari Luz. Me senti fraca por não conseguir encaixá-la em outra área,  me senti desleal por fazer isso com uma amiga, me senti um lixo,  aquele momento tá nos top 5 mais difíceis da minha vida corporativa.  No momento do desligamento eu chorei, enquanto ela escutou tudo com o maior profissionalismo e compreensão…1 ano depois, eu que fui a desligada da vez, e entendi perfeitamente a postura dela, senti o mesmo, me senti plena no meu desligamento, acho que energéticamente já não estávamos conectadas com aquela função, aqueles desafios, aquela corporação, já queríamos algo mais que não sabíamos o que era, mas também faltava a coragem de nos desligarmos.

Enfim, voltando ao ano anterior: tive que desligá-la, com muito medo de perdermos nossa amizade pra sempre, mas no fim do dia ela me ligou “Má, tá tudo bem, eu entendo o momento da empresa”. “Então vamos tomar um vinho em casa?” e naquele mesmo dia enchemos a cara em casa fazendo planos de viagens e próximos passos pra vida da Mari Luz. Um ano depois, repetimos o tradicional vinho da demissão, no meu desligamento, onde ela palpitava nos destinos do meu sabático com o habitual brilho nos olhos quando o tema é viagem.

A Mari ainda seguiu na vida corporativa, mudou de firma, continuou no Trade Marketing, ela realmente brilhava nas convenções de venda, fazia cada evento de emocionar, mas seguia sentindo que faltava algo estando na vida corporativa, mais 10 meses e lá estava ela novamente no mercado, mas desta vez não buscava emprego.  Aí entra a vida com seu papel de encaixar tudo, como ela é pura Luz, e faz amigos por onde passa, já foi convidada pra se unir a uma agência de eventos corporativos, trabalhando pontualmente nas produções dos eventos e prospecções, uma vida completamente diferente do que estava acostumada, sem horário de trabalho, tendo às vezes a terça-feira livre pra tomar sol na piscina, mas o sábado pra virar madrugada montando palco, o retorno financeiro também  não caía mais todo dia 30, recebia conforme os eventos surgiam, mas resolveu arriscar, e ser feliz. Com estes meses trabalhando com eventos, veio mais experiência na área e a CORAGEM, coragem de tirar um de seus sonhos do papel (ou da maleta turquesa em seu quarto que ela guarda todos os sonhos por escrito).

Esta semana ela lançou o seu próprio negócio: “um+um, assessoria para casamentos de duas ou de dois”. Ahhhh que orgulhooooo!!! Bom, a gente só tem amigo beeee, né?, vivemos mesmo é no  Vale dos Homossexuais, e simplesmente amamos, é lá que nos sentimos mais em casa, não tinha como ter um negócio mais bonito pra ela se dedicar. Existe hoje esta lacuna no mercado, um olhar específico pra celebrações homoafetivas, o protocolo é o mesmo em um casamento gay ou hétero? O discurso é o mesmo? O cuidado é o mesmo? Quem entra primeiro entra as duas noivas? Não há certo nem errado, mas o que a Mari vai se dedicar é a organizar os casamentos dando este olhar mas carinhoso, entendendo o casal e celebrando o amor, da forma mais linda!

Ah Mari, já vivemos tantas coisas, foram tantos carnavais, tantos vinhos filosóficos, tantas festas, áudios longoooos, declarações de amor, e até uns boys em comum, mas tudo bem, né? Eu tô muito feliz por este seu momento, e quis compartilhar aqui, pra quem sabe com esta história não encorajar alguém aí a correr atrás dos seus sonhos de empreender, ou de seu casamento.

O que eu quero dizer, é que às vezes não importa no que nos formamos na faculdade ou no curso técnico, não importa os sonhos e aspirações que tínhamos nos nossos 20 anos, nós mudamos! Nossos sonhos  não são os mesmos a vida toda, não somos as mesmas pessoas que tinham aqueles sonhos, podemos mudar a rota aos 30, 40, 50, quando for, de repente vem um click e a coragem, outras vezes a vida se encarrega de dar um empurrãozinho e basta agarrar a oportunidade!

Reflexões

Sobre viajar sozinha e fazer amigos

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Uma amiga me perguntou esses dias como é viajar sozinha e estar sempre acompanhada, como são estas novas amizades, onde vivem, como dormem, do que se alimentam … pois bem, estou numa escala de 5 horas durante a madrugada no aeroporto em Kuala Lumpur (aeroporto este que visitei mais que visitei minha avó na vida inteira) e como estou voltando da Indonésia que fui sozinha e fiz quase 40 amigos, resolvi fazer uma retrospectiva dos meus momentos sozinha de Ásia e refletir sobre isso.

Primeiro, temos que respeitar nossa natureza, não dá pra forçar nada, eu principalmente respeito meu ciclo menstrual e percebo direitinho minhas fases mais introspectiva, mais extrovertida, mais fogo no rabo (essa é longa hahahah), mais criativa.  Depois que aprendi a me observar e respeitar minhas fases, não me forço a nada. Então não tem muita regra, mas tem diferentes momentos, posso estar num hostel bombando e estarei no canto lendo meu livro de boa, como também posso estar hospedada sozinha em um quarto de hotel, mas me conectar na rua até com uma capivara e organizar um jantar onde junto todo mundo que conheci naquela semana dos mais diferentes lugares. No Kuala Lumpur, por exemplo, eu estava numa fase quietinha e tava vindo das Filipinas que foi muito relacional, então meus 3 dias de Kuala Lumpur resolvi explorar a cidade sozinha, quietinha, ignorei todo mundo no hostel.

Em segundo lugar, sou tímida. Verdade. Eu me solto muito depois que já conheci a pessoa, mas num geral, primeiro contato, sozinha, sou bem quietinha. Mas nesta viagem estou com muita vontade de conhecer gente, curiosidade, quero viver muitos momentos com as pessoas ao redor que estão vivendo o mesmo momento, então adotei o meme que mais gosto “o não eu já tenho, agora vou atrás da humilhação” hahahaha, portanto puxo papo, sem vergonha! Muita gente não me dá moral, principalmente gente bem novinha, os de 20…devem pensar “quem é essa tia?”, sim gente, porque tenho 34, e fiz o favor de raspar a cabeça antes de vir, então meu cabelo está crescendo como o de uma senhora, às vezes pareço até mais velha do que eu sou sim.  Mas a maior parte das vezes as pessoas estão bem abertas e a conversa flui. Num lobby de hotel nas Filipinas puxei papo com duas inglesas de 19 anos, e dia seguinte tive a melhor balada com elas, jesus, não sei nem como sobrevivi a tantos shots, porque se tem um povo que sabe beber, são os britânicos. Já  os australianos eu evito contato por não entender o sotaque, kkkk, mas no meu aniversário eu estava sozinha num hostel na praia no Sri Lanka e chegaram 5 australianos de 22 anos, cheguei na mesa deles e logo lancei “oi, tô fazendo 34 anos hoje e estou sozinha, posso sentar com vcs?”, basta sorrir, minha gente, eles me incluiram no drinking game deles que até hoje não entendi as regras, mas só eu bebia toda rodada e acabamos na balada. E também tiveram muitas vezes que puxei papo e a pessoa me respondeu seca, não perguntou nada em retorno, me mediu de cima a baixo e ok também, vida que segue, tentemos o próximo, é só não desistir na primeira batalha.

Terceiro: acredito que tudo ao nosso redor é movido pela energia. O que emanamos, atraímos, então se estou bem, feliz, acordo todo dia e agradeço a oportunidade de eu estar vivendo este sabático e esta viagem, acabo atraindo pessoas do bem também! Sabe o termo “o santo não bateu”? Acontece. Às vezes cruzamos pessoas que simplesmente não queremos estar junto, pessoas reclamonas, negativas, essas aí já percebo logo e caio fora, prefiro sempre estar sozinha do que mal acompanhada, principalmente pra viver e visitar estes lugares tão únicos e especiais! E esse negócio de energia é engraçado (pra quem acredita), lembro que há 7 meses eu estava em Auroville, no sul da Índia, sentada em um café tentando colocar este site no ar há horas, mas sofreniiii porque não manjo nada, aí surgiu um suíço, que tinha sentado do meu lado no ônibus numa visita a agrofloresta, ele me viu no café, pediu pra sentar comigo e em 5 minutos meu site estava no ar, ele trabalhava justamente como designer gráfico. A gente atrai o que deseja!

Agora vamos às táticas que adotei aqui nesta viagem, anotem, xuxus:

1) quando chego numa cidade e desembarco, na esteira à espera da mala no aeroporto, ou no trajeto no busão ou no trem já observo cada ser humano ao redor. Quando vejo um mochileiro ocidental mais aberto, sorrindo, observando ao redor, já vou perguntar se está indo pro mesmo lugar que eu, se tem hostel reservado,  se topa dividir o táxi ou se vai enfrentar busão pra irmos juntos e etc. Às vezes já arrumo o próximo companheiro de viagem neste momento, foi assim com um alemão no Sri Lanka, aliás a primeira aula de yoga que dei na vida foi pra ele na praia, no dia seguinte que puxei papo em um trem e dividimos o tuk tuk até os nossos hostels.

2) Aí chego no hostel, às vezes com a pessoa que já me arranjei no meio de transporte, às vezes sozinha, me hospedo em quartos compartilhados de 6 a 8 camas, começo a me instalar e qualquer pessoa que esteja no quarto já me apresento “hello, i’m marina from brazil”. E aqui é Brasil, né? Quem não gosta? Temos esta vantagem competitiva, é falar que é do Brasil, povo já abre o sorrisão, ou a pessoa já foi para o “Rio de janeiRo” (leia isso com sotaque de gringo nos R’s) ou sonha em ir. Daí o assunto já entra no embalo. Foi assim que conheci uma americana no hostel de Bali que ama churrasco, depois de 5 minutos de conversa já fechamos um driver pra ir numa cachoeira, nos juntamos com mais uma inglesa do quarto e saímos pra jantar.

3) Ainda no hostel, tento participar de algumas atividades, os tours que eles organizam, walking tour pela cidade, noite de cinema, happy hour, foi no happy hour do hostel em Gili T na Indonésia, lotado de latinos, que fiz uma turma de amigos, e minha estadia que deveria durar 3 dias, viraram 10 hablando espanhol todo o tempo. No Myanmar, fiz um tour e conheci umas meninas muito incríveis, dia seguinte já fechamos um trekking de 3 dias juntas, e na próxima cidade passamos mais 3 dias de turma, andando de bike, almoçando e jantando juntas. Às vezes dá liga!

4) Agora, se estou numa cidade que não consegui hostel e fui pra um quarto privado, tenho a tática das atrações turísticas, aqui  o foco é outro: mirar pessoas sozinhas ou duplas de amigas/amigos tirando selfies. O truque é se oferecer pra tirar foto deles, depois pedir que tirem sua, fazer uma yoga pose na foto que o povo dá risada e quer imitar depois e emendar a conversa. Eu evito casais neste momento pois eles são mais fechados hahahahah (mas há exceções!!! Conheci um casal mara holandês num trem no Sri Lanka e saímos pra almoçar na espera do segundo trem e conheci outro casal  mara da África do Sul numa mesa de bar na indonésia que fomos pra balada dia seguinte)

5) Se isto é um tabu pra você, é necessário quebrá-lo: ir pra restaurantes, bares e baladas sozinha! Chego, foco em sentar perto de quem tá sozinho também, puxo assunto, às vezes só perguntando o que a pessoa visitou aquele dia ou o que recomenda já gera assunto. Um dia no Sri Lanka eu queria muito ir pra balada e ninguém do hostel animou, fui sozinha mesmo, e dançando sozinha conheci uns espanhóis mara que acabei passando 3 dias juntos (and paquera.). Ah! Na praia também já conheci muita gente estando sozinha, olhando pros lados sorrindo, os gregos nas Filipinas conheci assim (and paquera). Sorrir é importante! Foi sorrindo na trilha do Everest que eu estava fazendo sozinha com um guia, que uns americanos vieram puxar papo, e acabaram virando minha turma pelos 12 dias de trilha (and paquera também, por que né?). Ok, vou parar de falar de paquera e focar nos amigos.

6) Este instagram mara que deus nos deu, usem! nunca imaginei que eu fosse ter tanto amigo virtual da sala de bate papo da uol. Sério, cada um que me manda direct no insta eu respondo, alguns estão na mesma cidade, ou vamos nos cruzar nos próximo destino, aí marcamos de nos encontrar. Ou algum amigo que apresenta outro pelo insta, bato um papo e encontro. Facebook também, na Índia eu entrei no grupo mochileiros do face e achei 2 brasileiros fazendo o mesmo itinerário que eu pelo Rajastão, me juntei a eles por 10 dias, olha, a viagem não teria sido a mesma sem eles! O povo também usa o site do couchsurf pra hangout, tem a opção de hospedagem gratuita no couchsurf, mas também tem esta opção de apenas se conectar com quem está na mesma cidade e marcar um café ou um tour, eu nunca usei, mas sei que existe.

7) Esta tática mais velha, mas pra mim tem apenas 1 semana porque nunca tinha usado antes: usar o tinder em viagem é mara! Muita gente usa em viagem com um intuito diferente, já coloca no profile “estou em bali até o dia 10, se estiver afim de uma praia junto, um almoço, uma cerveja, marcamos”, mais de boa sem tanto apelo sexual. Montei meu perfil e usei por um fim de semana em uma praia que eu estava sozinha em Bali, funcionou, já mandei de cara “estou sozinha, queria ir na balada domingo”e o brasileiro mara já mandou “vem com a minha turma do hostel” e ainda nos encontramos na praia, rolou date, e ainda brasileiro que eu tava com tantas saudades, mara!

8) Esta é importante: nunca deixar passar batido um brasileiro, nunca. Sabe quando você escuta  português lá do outro lado da calçada, corre lá e grita “ae brasil!”. Melhores pessoas!  Principalmente pra mim que estou há muito tempo longe de casa, amo conhecer brasileiros aqui. Não são todos que são abertos, principalmente os  que estão em férias curtas, estes estão mesmo é fugindo dos brasileiros, é batata: te dão um sorriso amarelo e não retribuem uma pergunta que vc fizer…mas se for outro viajante de longa data como você, ou alguém que está morando naquela cidade, é fervo certo, em 5 min já trocamos whatsapp, face, instagram, já temos selfie e descobrimos um amigo em comum no brasil que já mandamos aquele áudio “amigaaaaa você não acreditaaaa quem tá do meu lado”. Foi assim no Everest, sentei pra ver um filme numa das paradas de descanso da trilha e escutei dois brasileiros, ficamos amigos, e um foi meu companheiro de alguns jantares em Katmandu depois, e o outro almocei junto em Singapura um mês depois. Já em Auroville, no sul da índia, escutei uma brasileira na rua, ficamos amigas e ela me me colocou em contato com um grupo de brasileiros morando na Índia, que só por ganesha, nunca me senti tão em casa com eles, até balada funk rola quando estou em Delhi.

9) Agora, sobre a máxima “bora beber que eu nunca fiz amigo comendo salada” aqui, não é verdade. Sim, é mais fácil fazer amigo bebendo no hostel ou no bar, mas quando comecei este sabático me propus a reduzir muito o consumo de álcool, pra ajudar na minha evolução no yoga e na meditação, mas também porque beber encarece qualquer viagem, então me propus a beber 1 vez ao mês, e em países muito festeiros acabo bebendo só aos sábados ou domingos. Mas aprendi a estar na festa, no bar, no pub, bebendo uma água de coco, um suco, um café, e me relacionar com as pessoas da mesma forma, sem gastar tanto e sem ressaca dia seguinte. Comecei a fazer isso antes mesmo de viajar, meus últimos meses em São Paulo continuei frequentando as mesmas festas (e muitas gratuitas) bebendo apenas água, e fui feliz.  E sim, na Índia fiz amigos comenda salada, compartilhando mesa de restaurante vegetariano. Rishikesh na Índia veio pra me provar isso, é uma dry city (proibido o consumo de álcool) e onde eu conheci mais gente, nos restaurantes, nas aulas de yoga, na fila pros satsangs do Prem Baba, num curso que fiz, na dança circular e até na beira do rio. Tá vendo, sabático tá aí quebrando paradigmas!

Fato é, nestes 9 meses de Ásia fiz amigos apenas quando eu estava sozinha, todas às vezes que me encontrei com alguém que veio do Brasil pra fazer uma parte da viagem junto, foi mais difícil conhecer novas pessoas. E pra mim, a beleza desta viagem não está só em conhecer lugares, mas em conhecer as pessoas, as diferentes culturas, religiões, histórias de vida e pontos de vista. Foi num jantar com a israelense em Canggu e em outro jantar com a americana em Colombo que me vi no outro, que percebi não ser a única a largar a carreira corporativa e explorar o mundo, não sou a única a buscar meu propósito e uma nova carreira … nestas conversar empáticas crescemos ainda mais. E pode até ser que eu nunca mais veja estas pessoas na vida, mas elas fizeram diferença naquele momento. Outras, com certeza ainda verei, aqui mesmo fui reencontrando muita gente de país em país, e este mês saio da Ásia com uma listinha de gente pra visitar na Europa. eba!!!

Estas conexões não são lindas?

Reflexões

o nepal surgiu por algum motivo aqui

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O Nepal passou pela vida ainda preciso descobrir o porquê, deve ser pra testar minha paciência, rever minha comunicação, pra eu engolir meu choro, pra eu deixar de ser esquentada ou pra valorizar as diferenças culturais, afinal o que seria do mundo se todos fossemos iguais?

Antes mesmo de vir pra cá, eu estava em contato por WhatsApp com um dono de uma agência, recomendado por uma amiga, fechando o Everest Basecamp Trekking, e tudo que ele dizia no WhatsApp era “Don’t worry”, eu perguntava o que estava incluso no pacote do Everest, “Don’t worry”, perguntava o endereço do hotel que ele me hospedaria, “Don’t worry”, até um dia antes de eu embarcar, e confirmar se ele me buscaria no aeroporto, “Don’t worry”…velho, você nem perguntou que horas é meu vôo, vai me buscar como?

Não diga pra uma escorpiana “Don’t worry” ou “Calma”, I worry! Gosto da comunicação mais clara, mesmo que a Ásia esteja me transformando…

Enfim, não estava segura com ele, cancelei tudo, reservei um hostel pras primeiras 4 noites e resolvi que fecharia o Everest quando estivesse em Katmandu, mas outra amiga me recomendou outro dono de agência e o cara me respondeu lindamente em um inglês perfeito, com informações completas de Everest, Butão, e ainda fotos do hostel que ele acabou de inaugurar, gostei do cara e fui conhecê-lo no primeiro dia, no meio a outras agências que passei pedindo informações. Sim, ele é muito gente boa, fechei o trekking de 12 dias do Everest com ele, a viagem de 3 dias pro Butão e ele ainda me deu 3 noites no hostel.

O único problema, como todo bom nepalês ou indiano que se preze, é que a cada 10 palavras que ele troca comigo, 4 são “me recomenda no tripadvisor?” Porque aqui é assim, você compra uma água numa barraca de rua, “me recomenda no tripadvisor?”, já nem ligo mais, sorrio e digo “sure!!”. Com esse cara é igual. Deu ruim com o guia que ele me arrumou pro Everest, já conto o porquê, mesmo assim voltei, expliquei pra ele todo o sufoco, ele me ouviu mais ou menos, pois estava escrevendo no celular, mas ao final “I’m so sorry, but …me recomenda no tripadvisor?”…velho,  o guia que você me arrumou deu ruim, vou te recomendar como? Me ajuda a te ajudar! Mas a viagem ao Butão foi um arraso, guia e motorista excelentes, ótimas pousadas, este sim recomendarei no tripadvisor!

Este cara também quer ser simpático o tempo todo, e aí fica pior que brasileiro quando diz “vamos marcar!”, todo dia ele manda mensagem dizendo “Te convido pra jantar hoje a noite, te mostro a cidade”, como bom anfitrião, mas chega a noite e ele manda mensagem que está enrolado com cliente, se podemos remarcar…meu bem, eu já me arrumei no meu restaurante favorito, passo todas as noites lá com os gringos todos, relaxa! Um dia deu certo de irmos jantar, levei uma amiga, marcamos de ir na agência dele antes, e quando estávamos pra sair pro restaurante, chegaram clientes pedindo informações de passeios, ele chamou uns empregados, falou em nepalês, e de repente os caras trouxeram a cerveja e dois pratos de momos, ele entregou pra mim e minha amiga, e lá jantamos, na mesa da agência, enquanto ele atendia os clientes na nossa frente..…ai gente, é o tipo de coisa que é o tal negócio… só rindo mesmo! Isso não é um jantar agradável!! Enfim, agradecemos, comemos e vazamos.

Episódio 3: o guia do Everest. De cara quando desci no aeroporto de Lukla achei ele bem novato, falava pra dentro e não tinha bom inglês, porém, seríamos apenas eu e ele pelos 12 dias de trilha, achei melhor não reclamar. Logo fui fazendo amigos pela trilha, na parada do almoço, na parada do jantar, até paquera surgiu no começo da trilha e durou os 12 dias (sim, dei uns pegas no Everest porque sou dessas), achei bom ter feito estes amigos porque eles estavam fazendo o mesmo roteiro nos mesmos dias que eu, assim eu tinha gente pra conversar e me divertir, já que meu guia era quietão. Ele também não tinha mapa, não mostrava o itinerário, e quando fui ficando resfriada e com sinusite vi que nem tinha a caixinha de remédios que deveria ter…não era um guia muito profissional e  fui pegando bode do nível de serviço. Até que, na volta do Everest  no 10o dia de trilha, cruzei com o paquera que reforçou o  combinado do primeiro dia: se tudo desse certo pros dois, nos encontraríamos no pub de Namche Bazar no dia 10 a tarde. Mas neste dia 10 algo aconteceu com meu guia que surtou,  sem eu ver ele entrou no café que o paquera estava com o grupo, enfiou o dedo na cara dele e falou “Não chame a Marina pro pub, não fale com ela, se afaste dela”…. Mais tarde no pub o paquera me contou o episódio e o grupo todo dele estava assustado com a agressividade do meu guia. Não entendi nada,  talvez ele estivesse tentando evitar que eu bebesse já que eu estava doente… mas gente….tenho 34 anos, pelo amor…sou responsável por mim, ele nunca deveria ter falado assim com um amigo meu ou com qualquer pessoa, ultrapassou todos os limites. Assustei! Neste dia 10 falei com o dono da agência e chequei se eu poderia dispensar o guia antes e me hospedar onde eu quisesse na próxima noite, que já estaríamos na última cidade antes do avião. Como o dono da agência  confirmou que tudo bem, fui tranquila no último dia de trilha sem tocar no assunto. Mas sei lá o que se passa com este povo, quando  dispensei o guia e disse que procuraria hotel por mim, o cara surtou, começou a me seguir, falava em nepalês com cada dono de pousada que eu entrava e todos me recusavam um quarto depois que ele falava algo que nunca vou saber o que é…até que me senti acuada e aceitei ir pra reserva dele, fiz um teatro pra dispensá-lo, pois comecei a achar a situação perigosa, e ele foi embora, gritando que o “Nepal não precisava de turistas como eu”…oi??  a comunicação neste país já me dá um certo bode, aí ainda vem um cara destes surtado cruzar o meu caminho!

Episódio 4: após alguns dias em Katmandu, 12 dias de trekking ao Everest Basecamp e 3 dias de Butão, deixei minha última semana de Nepal dedicada a um voluntariado que me candidatei pelo Worldpackers. O conceito do Worldpackers é de curtir uma viajem e trabalhar algumas horas por dia em troca de hospedagem e às vezes também alimentação, tornando a viagem mais barata. Eu já tinha usado em uma hostel no Sri Lanka e tinha dado super certo! Aqui eu queria continuar curtindo Katmandu, então vi que se trabalhasse aquelas 5 horas por dia no orfanato que me candidatei, teria quarto, café, almoço e jantar de graça, ainda teria tempo a tarde pra curtir e faria uma coisa legal, que é ajudar crianças pelas manhãs. Mas….o voluntariado deu ruim! Primeiro que não era em Katmandu como dizia o site, era longe ‘paporra’, no meio do nada na periferia, onde nem um restaurante por perto eu achei, caso desse ruim alguma das refeições inclusas, e deu, logo de cara o responsável do orfanato disse que ia ver se eu poderia almoçar na escola onde as crianças estudavam…dia 1 fiquei sem almoço, dia 2 ele pediu pra eu negociar meu almoço na escola…vai vendo! Já o café e o jantar eram no orfanato com as crianças, mas pobres crianças, era arroz com lentilha nas duas refeições, preparados por uma cozinheira que servia o arroz pegando com a mão e a água de tomar era direto da torneira, …logo pensei “será que após 7 meses de Ásia finalmente aqui terei minha primeira diarréia?”

A dinâmica do orfanato era assim: 10 crianças que acordam 6 da manhã, fazem lição até às 9h, vão pra escola, ficam até às 16h na escola e voltam pra fazer lição no orfanato das 4 às 7 da tarde, quando jantam e se preparam pra dormir. Eu fiquei hospedada no quarto de uma família perto, entre a escola e o orfanato. E o responsável pelo orfanato pediu pra eu ajudar nas lições da manhã, nas da tarde e ainda dar aula de inglês na escola…até aí pensei, isto daria 13 horas de trabalho por dia, ao invés de 5, né? Se bem que longe de tudo eu ia querer tempo livre pra que?

Mas o que mais me incomodou, logo no primeiro dia, é ele me pediu uma ajuda financeira, que não estava combinado…falou uma vez, duas, três e só quando eu concordei que doaria 50 dólares pro projeto, ele sossegou. E sossegou mesmo! Virou as costas, disse que tinha que sair e me largou lá, meio que sem entender por onde eu começaria, não me apresentou pras crianças, disse que eu tinha que voltar na escola e negociar com o diretor minhas aulas de inglês lá. Uma confusão!

No primeiro dia a tarde eu já estava sem almoço, ajudei as crianças nas lições, jantei com elas e fui pro meu quarto na outra casa dormir. Dia seguinte eu estava lá às 6 da manhã, onde comecei o dia delas com práticas de yoga, elas eram fofas, por elas eu teria continuado…mas fui pra escola, onde o diretor me deixou mais de uma hora numa sala esperando, e ele entrava e saía repetindo “você quer dar aula de inglês né? Vou tentar arrumar uns alunos pra você”…eu só pensava “me candidatei pra uma vaga para dar aulas de inglês, como assim esse cara não estava me esperando e parecia agora estar fazendo um favor de me arrumar uns alunos?”, tentei explicar pra ele, mas ele não entendia bem inglês. Não consegui mais falar com o responsável do orfanato, fiquei sem almoço de novo na escola (pensa numa pessoa que fica mal humorada sem comer), voltei pro quarto que eu tinha e eu deveria voltar às 16h pra buscar as crianças e ajudar nas tarefas no orfanato.

Mas pensei, pensei, estava extremamente incomodada com a situação, me candidatei a dar aula de inglês e não existia este trabalho, as refeições não estavam mesmo inclusas e o cara ainda me arrancou uma grana e sumiu…o bom de estar em sabático é que somos completamente livres, diferente de estar num trabalho e ter que encarar aquela reunião chata…aqui, sinto que “não sou obrigada!”, se tá ruim, vaza, ainda mais se fogem do combinado. Arrumei meu mochilão, andei andei andei até achar um ônibus que viesse pro centro da cidade, e fui embora. Mandei mensagem pro cara explicando tudo que ele estava fugindo da proposta do Worldpackers, mas pela resposta dele, horas depois, parece que ele estava mais preocupado com minha doação mesmo. Uma pena.

Aí no meio de tanta confusão de comunicação eu me pergunto, sou eu? Dou azar? Crio expectativa? Ou o Nepal é uma cilada mesmo, Bino? Eu não sei, achei que estava mais que batizada após 3 meses de Índia, mas por aqui, tudo se superou, Nepal veio pra testar minha paciência, me fazer pensar se o que eu considero correto é correto pro outro também, pensar na ética e nas malandragens…E dá-lhe Ásia!

Butão, Roteiros de viagem

Um pequeno país chamado Butão

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Aqui, apenas um breve relato sobre o Butão, mesmo porque em 3 dias não dá pra dizer que se conheceu um país, ainda que este país tenha apenas 40 mil km2 com 70% do território de florestas preservadas e menos de 800 mil habitantes…ainda assim, 3 dias é pouco.

Pra começar, neste sabático tenho dedicado no mínimo um mês pra cada país, mas aqui isto seria impossível, pra visitar o Butão há que pagar uma taxa de US$ 250/dia que inclui guia, motorista, carro, entradas para as atrações, 3 refeições e acomodação em hotel mínimo 3 estrelas… 250 dólares/dia é totalmente fora do meu budget que tem circulado entre US$ 20 e US$ 50 diários, mas estava na minha listinha de sonhos, então vim conhecer os principais highlights por 3 dias e 2 noites.

Aqui não há como chegar ou circular sozinho, não tem hostels, o visto só se consegue através desta taxa diária, isto é, fugiu completamente do meu padrão mochileira, mas eu queria muito conhecer e eu tava tão pertinho… então lá fui eu, com minha guia particular, meu motorista de Tucson e os hotéis luxoooooo….Vim com uma agência de Katmandu, mas tanto Nepal quanto Índia oferecem estes tours de 3 ou 5 dias para o Butão, e os pacotes geralmente englobam o visto e o vôo, além da taxa diária. Também não gastei nada extra, nem troquei dinheiro, só o que faltava, né? Foi meu budget mensal em apenas 3 dias…

O Butão me atraía muito por ser considerado o país mais feliz da Ásia, e um dos mais felizes do mundo (competindo com os países nórdicos) mas o interessante aqui é que o governo (uma monarquia com a 5ª geração de rei no poder) não mede PIB do país, e sim FIB (felicidade interna bruta) avaliada em 33 critérios.

Realmente, pelas ruas das duas cidades que passei, Paro e a capital Thimphu, só encontrei pessoas sorrindo, mas até aí não achei nada diferente das pessoas que encontrei nos Himalaias no Nepal ou das pessoas que cruzei no mês que passei no Myanmar; o que mais me chocou aqui foi a imensa quantidade de verde nas cidades, para onde se olha se encontram árvores e morros completamente preenchidos por pinheiros, as  casas são poucas, lindas e grandes, espalhadas em meio ao verde, e os carros são de porte grande da Hyundai, Mitsubishi, Honda (além de inúmeras concessionárias destas marcas que vi), aqui não há tuk tuk ou carros velhos como os que se encontra em Katmandu, New Delhi, Yangon. Gente, mas não tem farol no país inteiro… sabe farol? sinaleiro? nada! Apenas rotatórias e faixas de pedestres sempre respeitadas por um trânsito que flui bem.

Aqui também não vi pobreza, moradores de rua, sujeira, nada disso, todos na rua estavam bem vestidos com seus Kiras e Ghos (trajes típicos), é um país bem tradicional. Me deparei com fotos do Rei (que tem 38 anos), rainha e o príncipe de 2 anos em todos os restaurantes, hotéis, e outdoors que passei, minha guia me contou com orgulho que também tem foto do Rei em sua casa e que todos adoram o Rei e seu pai que governou até poucos anos atrás, se orgulham do sistema de saúde e educação que possuem, e entendem que o turismo no país é bem caro, mas ajuda na riqueza do país, uma vez que 80% da taxa de US$ 250 é investida em educação e saúde.

Este tour de 3 dias e 2 noites é curto, mas suficiente se seu grande objetivo é conhecer o Tiger Nest (um monastério construído na boca de uma caverna sobre as pedras no alto de uma montanha a 3200m de altitude). Claro que se fizer o turismo de 5 dias, poderá também conhecer alguns vilarejos do interior, que devem ser incríveis!

O Tiger Nest para mim era a grande expectativa da viagem, e realmente é maravilhoso! Uma construção incrível cravada na pedra, em meio a uma imensidão de montanhas verdinhas, uma paisagem surreal, me senti em um quebra-cabeças de 2500 peças, em um conto de fadas, um desenho da Disney!

Pra chegar lá é um trekking, uma subida de aproximadamente 2 horas para visitar o monastério, o morro é inclinado e a subida cansa, finalizando com 700 degraus, mas tranquilona comparada com Everest que enfrentei semana passada, né? O almoço pode ser feito lá na cafeteria mesmo, e se der sorte com o guia, como eu dei, além dele te explicar cada sala e imagem dentro do monastério, você ainda terá tempo de meditar nas salas e ver os rituais dos monges, eu me diverti com os mini monges de 10 anos rindo escondido do ritual do monge tutor deles que era bravo.

Em Paro, cidade onde fica o aeroporto e o Tiger Nest, também dei uma volta pela cidade (pra quem gosta de compras tem muita opção de artesanias) e visitei o Forte, mas o que mais encanta na cidade é a arquitetura das casas, com cada pórtico de madeira decorado à mão, lindo!

(além de algumas casas terem pênis – leia-se pênis, pinto, piroca – desenhado nas portas pois este é um sinal de prosperidade, principalmente em casas de casais recém casados)

Em Thimphu, na capital, que está há pouco mais de 1 hora de carro numa estrada linda, visitei também o Forte, a rua principal de lojas, vi um campeonato de arco e flecha que é o esporte oficial do país e  visitei o Buda Gigante, de 51m todo dourado, vale a pena visitar, lindo, além da vista da cidade de lá de cima.

No Forte, o que valeu a pena foi a história que minha guia me contou, que há pouco mais de 100 anos o Butão era um conjunto de feudos com seus líderes que viviam em guerra, e em 1907 foi coroado o Rei deste Forte (de Thimphu) e sua família governa até hoje (estão na 5a geração), mas é uma história muito nova, pra um país tão evoluído, com emissão de carbono negativa, carros elétricos, saúde de qualidade.

Fora estes pontos turísticos, come-se muito bem e há que se aproveitar os hotéis, que são bem charmosos e alguns com spas com sauna, massagem, etc…

Achei o Butão uma viagem charmosa, boa para casais, faltou um paquera pra me acompanhar lá, principalmente nos hotéis lindinhos! Mas se você tem o seu paquera (ou não como eu), e pensa em investir esta grana, vale a pena conhecer sim!

a grana

Vivendo um sabático

sabatico

Dá pra escolher viver uns meses de sabático, até um ano, dois, três…é uma escolha…basta se planejar pra isso, principalmente financeiramente. Viver um sabático significa viver fora da sua carreira comum, se dedicando a algum projeto, estudo ou viagem, ou até mesmo ficando em casa, tendo TEMPO que é tão raro hoje em dia.

Meus amigos me perguntam como juntei dinheiro pra ficar estes 2 anos sem trabalhar apenas viajando, quanto gasto por mês, como me preparei financeiramente pra isso…pois bem, eu nunca fui modelo de controle orçamentário e economia,  e educação financeira a gente infelizmente não aprende na escola…mas aqui no sabático faço um super controle e planejamento. Quem me conhece da minha antiga vida paulistana sabe como eu era gastadeira e descontrolada…shame on me….mas hoje, apesar de estar em viagem o tempo todo sem rotina, me transformei em outra pessoa, controlo, coloco budget pra cada coisa, faço escolhas e ainda gasto menos do que gastava em São Paulo, mesmo comendo 3 refeições fora por dia e dormindo em hostels e hotéis todos os dias.

Começando pelo controle: eu utilizo iphone e nele uso o aplicativo numbers (uma espécie de excel) para preencher cada centavo que gasto por cidade e categoria, assim sei quanto gastei no total de cada mês, total de cada país, média dia, quanto gastei em comida, diversão, transporte, vistos, etc…Gosto de usar ele pois fica salvo na nuvem, então eu acesso também do MacBook e consigo fazer análises como eu fazia no excel (tá toda engenheira ela…). Mas tem muito aplicativo que ajuda nisso ( guia bolso, mobills, minhas economias, organizze, etc.)

Para se ter dimensão, nestes 6 meses de Ásia, eu gasto na média:

  • US$ 10 em quartos compartilhados de hostel com café da manhã
  • US$ 2 a 6 em cada almoço ou jantar
  • US$ 20 a 50 em passeios, mergulhos, entradas (que faço 1 a 2 por semana)
  • US$ 10 a 20 em transporte entre cidades (trem, bus, ferry)
  • US$ 40 a 90 em vôos internos e US$ 100 a US$ 300 em vôos entre países
  • US$ 20 a US$ 50 de visto em cada país

Em países mais baratos como Índia, Sri Lanka, Tailândia dá pra passar o mês todo com US$1.000 viajando e conhecendo tudo. No Myanmar eu penei pra achar comida por menos de US$ 3, mas mesmo assim gastei US$ 1.300 nos meus 28 dias, na Índia meu último mês gastei  US$ 1.100, descontando o curso que fiz, já Filipinas é um pouco mais caro e exige voos internos pra se locomover entre as ilhas, também fiz mergulhos, acabei gastando quase US$ 1.800 pra passar um mês, foi meu destino mais caro.

Tudo isso considerando IOF e taxas de saque, visto, plano de saúde quando faço, chip de celular local e vôo para chegar em cada país, além de tudo que listei lá em cima.

Pense assim, cidade que o turismo é praia ou templos, gasta-se nada em atrações, no máximo uma gorjeta em um city tour ou um tuk tuk …nestes casos considere então 10 dólares de acomodação com café, 2 dólares em um almoço simples ou snack de rua, 6 dólares em um jantar mais consistente e mais uns 2 dólares de gorjeta ou água pelo caminho: US$20 foi o seu gasto no dia. Mês passado fiquei 7 dias em uma praia e gastei exatamente isso, nadinha a mais. Hoje (2018) com a nossa moeda, to falando de R$ 68 o dia inteirinho…em SP eu tinha almoço em restaurante que saía mais caro que meu dia inteiro aqui… agora, se o rolê exigir um passeio, um mergulho, uma entrada em atração, considere mais US$ 20 a US$ 50 no seu dia. Mas isso porque escolhi não beber neste sabático, tá gente? de vez em quando rola uma cervejinha de sábado, mas beber encarece qualquer viagem…e como decidi viajar por 2 anos….não rolava. E NADA de comprinhas, por mais lindas que sejam as roupas e souvenirs, to evitando.

Bom, mas isso foi Ásia, né? as moedas aqui são bem desvalorizadas e tudo é barato. Segundo semestre estarei na Europa e sei que lá sairá tudo mais caro, por isso meu plano é fazer work exchange por lá, trabalhando nos hostels em troca de hospedagem e café, um pouquinho disso eu explico neste outro post, aqui tenho usado Worldpackers e Workaway. No Sri Lanka trabalhei em um hostel em troca de alimentação e hospedagem, gastei apenas US$ 400 no mês, com vôos, baladas, passeios, visto.

E tudo são escolhas também, esta semana estou indo pro basecamp do Everest, CARO, US$1.000 o trekking de 12 dias, mas escolhi pagar menos em hostels nos últimos 2 meses e assim posso pagar este trekking agora. Então precisa ir equilibrando as bandejas.

Sobre as passagens, eu pesquiso muito antes de decidir qual país irei, busco as baixas temporadas, pesquiso no Skyscanner os vôos com janelas de 1 semana, e quando encontro o mais barato, compro direto no site da cia aérea. O Skyscanner também tem uma opção de destino “qualquer lugar”onde ele lista os destinos mais baratos da cidade origem que você estiver, já escolhi ir pra um país usando esta função!

Agora, sobre economizar a grana, eu tinha este sonho há uns anos, então estava economizando para isso,  mas algo que me ajudou muito no início do sabático foi o desapego, abri meu armário, provei as roupas, avaliei cada look e deixei apenas o que eu realmente iria usar pelos próximos 2 anos que eu não pretendia voltar pra vida corporativa, isto é: sapatos de salto, vestidos chiques, camisas, e mesmo roupas de balada foram separadas para um grande bazar. Eu era daquelas que acumulava bijoux, óculos escuros, comprava roupas que não usava…descobri que eu tinha 90 vestidos, resolvi ficar com 30 (que ainda é muito, aqui pra Ásia eu trouxe apenas 8, que ainda é muito kkk)…mas enfim, em um grande bazar com amigas vendi roupas, sapatos e acessórios por R$20 a R$50, além das minhas 2 bikes, tablet, ipod, utensílios de cozinha, livros…gente, a grana que eu levantei pagou minha passagem de ida e volta pra Ásia AND um mochilão novo, então acreditem, temos tesouros guardados sem uso que podem ser transformados em passagens aéreas, sim!!! E desapega, que o melhor da vida que levamos são experiências e não objetos!

Myanmar, Roteiros de viagem

Myanmar, o sonho

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Myanmar – o sonho, foi com este grupo montado no WhatsApp pelo meu “melhor amigo da ex firma” que resolvi mudar a rota de novo, liguei na Ethiopian Airlines, mudei minha volta pro Brasil e resolvi incluir de novo 28 dias de Myanmar no roteiro, que haviam sido substituídos antes nem lembro por qual país.

E então fui conhecer o tão “recém” famoso Myanmar, que teve sua abertura pro turismo apenas há 7 anos, após um governo militar de quase 50 anos isolado do resto do mundo. Sobre o meu roteiro, aproveitem os lugares, mas não a rota, pois fiz uma verdadeira zona…pousei em Mandalay, peguei um ônibus pra Kalaw, fiz uma trilha pra Inle Lake, de lá paguei caro em um voo para Ngapali Beach (senão seriam 2 ônibus de 12 horas cada), depois um ônibus para Yangon, outro ônibus para Bagan e novamente ônibus para Yangon…se olhar no mapa vai perceber o zigue e zague que fiz, mas é porque fui cruzando roteiros com quem eu queria encontrar e enfim…eu tinha tempo.

Pra passar 28 dias aqui paguei US$ 50 no visto e achei os voos de saída e entrada no país mais caros que a média dos países em volta. Porém, em estadia, fiquei na rede Ostello Bello em 3 cidades,  muito bonito e vibe boa, pagando US$ 10 a estadia com café-da-manhã, recomendo!

Vamos aos lugares: é possível pousar em Mandalay ou Yangon e foi por Mandalay que comecei, fui ao Palácio, mas não achei que valeu a pena (principalmente porque paga-se US$ 8 para visitar e não é tudo isso), as pagodas são mais lindas, como a Kyauktawgyi e a Kuthodaw, e eu fiz tudo a pé do hostel, mas foi uma caminhada de 14km ida e volta, também é possível alugar bike ou pegar um moto taxi.

Para o nascer e pôr-do-sol, (afinal Myanmar trata-se de se programar para o nascer e o pôr-do-sol), recomendo a U-Bein bridge (maior ponte de madeira do mundo) e a Mandalay Hill com uma pagoda no alto da montanha. E de passeios vale muito a pena o “3 Ancient Cities”, passando por Amarapura, Ava (Inwa) e Sagaing, custa US$ 18, com uma van, guia e um trecho de barco, visitando monastérios, pagodas, ruínas, tecelagens e a ponte de madeira ao final pro pôr do sol.. Outro passeio que eu poderia ter feito mas soube depois é um passeio de barco para Mingun para visitar a Hsinbyume, pagoda MARAVILHOSA, eu soube apenas depois, senão teria ido.

De Mandalay peguei um ônibus de 6 horas para Kalaw (US$ 11), e fui pra lá apenas porque é o ponto de partida de um trekking de 3 dias e 60 km para Inle lake, que eu queria fazer, mas se for pular Kalaw e Inle Lake do roteiro por falta de tempo, há ônibus de Mandalay para Bagan também.

Este ônibus saiu 9h da manhã e chegou 15h, então tive tempo em Kalaw de visitar a pagoda, comer, ver o pôr-do-sol e dormir cedo, mas a maior parte do pessoal que está com tempo mais corrido, pega o ônibus em Mandalay 20h, chegando em Kalaw às 3h da manhã, dorme algumas horas em um hotel e às 8h já estão na agencia agendando o trekking (dá pra agendar no próprio dia sim) e o trekking sai entre 9h e 10h.Tem muita agencia! Todos com os mesmos percursos para trilhas de 2 ou 3 dias para Inle Lake, eu escolhi a trilha de 3 dias com a Jungle King e custou US$ 28, com guia, hospedagens e refeições inclusas.

Gente, eu amei a trilha! Mas é porque amo trekkings e estou me preparando pra 900km de Compostela e Basecamp do Everest, aqui o primeiro dia de trilha teve subida e muita sombra durante 6 horas de percurso, mas o segundo dia castigou em mais 6 horas de caminhada debaixo de sol e tempo seco  (fiz em março) e o terceiro dia são apenas 4 horas castigadas na estrada debaixo de sol e mais 1 de barco. Se não estiver acostumado com exercício  e calor melhor nem arriscar, especialmente em março que é muito seco. Todo o trajeto a gente leva apenas uma mochilinha, com água, troca de roupa e casaco pra noite pois a agencia entrega seu mochilão no seu hotel em Inle Lake. O visual da trilha é lindo, a comida no caminho sensacional (sério, eu não esperava tão boa),as pernoites em casa de um vilarejo e em um monastério, e o percurso todo é sem banho! Mas no segundo dia tomamos um banho de rio que aproveitei pra passar sabonete. Além da paisagem, vamos cruzando vilarejos de camponeses trabalhando, povo mais fofo este do Myanmar, no campo eles não falam inglês mas sorriem, e mandamos um “Mingalabar!” para cada um que cruzamos.

Chegamos em Inle Lake às 15h, fiz checkin, tomei um banho e já fui direto pra uma massagem tailandesa maraaaaa de US$ 5 pra aliviar pós trilha, e no dia seguinte me juntei com os amigos da trilha, alugamos bike pra dar uma volta na cidade e a tarde pedalamos 5km até a Red Monatain Winery para fazer a degustação de vinho por US$ 4, emendados de uma garrafa de vinho para ver o pôr-do-sol…e que vista!!!

Dia seguinte fretamos um barco  por US$ 18 que dividimos em 6 pessoas, saindo às 5:30 da manhã pra ver o sol nascer do meio do lago e visitamos 2 complexos de ruínas de templos, o mercado Indeim e os jardins flutuantes. Às 11h estávamos de volta. Todos os hostels e hotéis oferecem este mesmo passeio de barco, caso não queira fretar um privado, e se tiver apenas um dia em Inle Lake, dá para sair de barco de manhã e alugar a bike a tarde pra vinícula.

Repetindo: eu tinha teeeempoooo…então acabei ficando 4 dias em Inle Lake, aluguei bike de novo (US$ 1 o dia todo), passeie, parava em restaurantes e cafés delicia para escrever e ler, repeti massagem e pratiquei yoga. Lugares que eu comi e gostei em Inle Lake: French Toast e The Garden para uma comida mais refinada, Sunflower para uma comida caseira bem farta e gostosa, Pub Asiático para happy hour, e o melhor: o indiano Innlay Hut com o nepalês mais gente boa deste país, sério, todo turista que eu cruzava tambem amou este restaurante em Inle lake (só eu jantei 3 vezes lá)…e sim, é um restaurante indiano, servido por um nepalês, no myanmar. Ah! Em Inle Lake fiquei na verdade em Nyaung Shwe, onde está o Ostello Bello e estes restaurantes, pois há hoteis também mais perto do lago, mas mais distante deste centrinho.

Depois, de avião cheguei em Ngapali, uma praia linda, tranquila, cheia de resorts, acho que me hospedei no único hostel do lugar, chama We Stay@Chillax (US$ 10 com café da manhã), pois a praia é tomada de resort mais luxuosíssimos. Ngapali é bem tranquila na época que eu fui, pois a alta temporada é de novembro a fevereiro, agora em março a praia estava deserta, mas é linda, e aproveitei pra ficar bastante à toa…caminhar nos 3.5km de praia, pedalar pras praias ao redor, alugar barco pra conhecer as ilhas em volta, ler e comer muito bem nos restaurantes Two Brothers, Ambrosia, Mingalabar e na Jone’s Pizza.

Deixei pro final os lugares mais visitados: Yangon e Bagan, porque eu ia encontrar meus amiguxos que estavam em férias. Pra quem está de férias e tem Myanmar como destino junto com outros países asiáticos, costuma deixar uma semana pra cá e visitam apenas Bagan e Yangon. Minha opinião: apesar de em Yangon estar a maior pagoda do Myanmar, me encantei muito mais com a trilha e a paradinha em Inle Lake ou com as pagodas de Mandalay do que Yangon, que é cidade grande, mas sei que a maior parte dos voos internacionais chegam em Yangon, o que facilita visitar esta cidade.

Em Yangon fiquei no pior hostel da minha vida, evitem: Dengba Hostel perto da Sule Pagoda, a recepcionista era grosseira, o hostel era bem sujo e tinha barata no quarto! Planejávamos 2 dias em Yangon, mas estava tão quente, e o hostel tão ruim, que em um dia visitamos os 4 pontos que queríamos: o Buda gigante, a Sule Pagoda e a Shwedagon Pagoda, almoçamos no Shan Noodle 999 e a noite já pegamos o ônibus noturno de US$ 15 para Bagan.

Bagan já tem carinha de cidade de interior de novo, ruas de terra, 2000 templos e ruínas espalhados neste sítio arqueológico, sorrisos pela rua… Bagan é sobre acordar às 5h, ver o nascer do sol de algum templo, voltar pro café da manhã às 8h, aproveitar a piscina no pico do sol entre 9h e 14h, almoçar e sair pra circular nos templos até o pôr-do-sol, simples assim! Toda a locomoção na cidade pode ser feita com e-bike (uma scooter elétrica) que o aluguel custa US$ 1 por hora, mas eu fui a única a alugar bicicleta convencional e pedalar (foi um belo exercício!).

No nascer do sol, além do espetáculo natural, balões complementam a vista e o fotão, a gente estava na baixa temporada e pegamos o último dia de balões no ar, mas mesmo assim contamos mais de 10. O passeio de balão custa US$ 300 (ui!) pra quem quiser ver tudo lá de cima e outro ponto alto para o nascer e o pôr do sol também é a Torre Nan Myint.

Sobre os templos, todos podem ser visitados, mas poucos podem ser acessados no andar de cima, devido a abalos sísmicos do ano passado, muitos templos desabaram ou estão com risco de desabamento e estão sendo trancados com grades e cadeados nos acessos das escadas. Muita gente ainda pula a grade, quando possível, mas eu particularmente não me senti à vontade, então encontramos um bom ponto pro nascer do sol em umas ruínas atrás do  Dhama yan gyi ao lado dos templos gêmeos Myauk Guni (tinha gente que tinha pulado o portão deste no dia e realmente a vista é mais alta do que de onde eu estava, mas valeu mesmo assim – foto capa deste post). Além destes tem os bem famosos pra visitar: Ananda, Shwesandaw, Shwezigon, Sulamani, Tayoke e ouros milhares que vamos cruzando no caminho.

Alguns outros highlights que eu queria ter ido no Myanmar mas deixei de visitar foram: as mulheres com rostos tatuados perto de Mindat, em Kanpetlet que achei o guia careiro (US$ 100), um trekking de 2 dias em Hsipaw que está perigoso devido a conflitos de posse de terras, e a Golden Rock em Kyaikto, que descobri que mulheres não podem entrar, apenas homens, então achei um absurdo e risquei da rota.

Sobre budget, gastei no total US$ 1300 nos meus 28 dias, considerando visto, meu voo pra cá, toda locomoção, estadia, alimentação e passeios que eu citei aí em cima, hostel na média US$ 10 e refeições entre US$ 2 e US$ 8. Não é um país caro, mas claro que quando comparo com Índia, acho carinho sim…mas é apenas uma questão de referencia. Já no quesito simpatia da população e sorrisos, Myanmar está em primeiro lugar na Ásia pra mim!

Jay zuu par!

Thank you!

Reflexões

nem tudo são flores

73F0C0F7-E6F8-4627-8BD4-AAB93FD3C96C.jpegFaltava coragem pra postar uma fragilidade, acho que muito por medo do julgamento “nossa, mas ela tá viajando o mundo e tá reclamando?”…sim…quando viajamos nem tudo são flores….
Estes dias estive mais vulnerável, mais ainda com a tpm e após 21 dias de uma jornada com yoni egg após o #poderesdofeminino que mexeu muito comigo (dá um google aí, meu bem, pra entender), mas estar vulnerável e se entregar a estes sentimentos sem máscaras no fundo é tão bom, né?
E foi lendo o depoimento de outra viajante no instagram que resolvi encarar este sentimento, terminar o texto e postar…quem sabe, assim como ela me trouxe um sentimento de #tamojunto, eu também não desperte este sentimento em tantos outros.
Viajar sozinha na Ásia exige FORÇA. Nestes 6 meses passei por lugares paradisíacos, lugares de forte energia, hostels sujos, coincidências, alunos me aguardando pro yoga, sonhos, confissões, novas amizades, pobreza escancarada, amores de verão, fim de romance com dor no coração, solidão, medo, festas, fuga de indianos ‪de madrugada‬, alergias, pulgas na cama, sorrisos, cremações a olho nu, abraços em dogs de rua, comida boa, muita pimenta, queimadura séria na perna, paisagens de tirar o fôlego, choques culturais com diversas religiões, dificuldade de comunicação, cansaço do mochilão nas costas e auto-conhecimento puro.
E apesar do grande movimento, escolhi ficar comigo mesma por 7 dias em uma praia no Myanmar na baixa temporada e, apesar do lindo lugar, ficar comigo mesma, meus sonhos e insights foi difícil, mas necessário. Uma semana depois, enfrentei 19 horas em um ônibus pra chegar na capital e tive o pior atendimento em hostel que já tive na vida, fui muito destratada por uma pessoa amargurada, isto em um hostel sujo onde dei de cara com um rato na calçada ao chegar….No meu estado mais vulnerável, às 3 horas da manhã, o choro veio, junto do cansaço e da solidão.
Tem hora que o perrengue é forte, a saudades de casa só aumenta, vontade de estar na minha cama e dormir abraçada com o meu cachorro, comer a comida da minha mãe de domingo e encontrar os amigos no fim do dia.
Mas as fases ruins passam e nos fortalecem, e seguimos explorando o mundo e a nós mesmos!

Reflexões

6 meses de Ásia!

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6 meses de Ásia completo hoje, dia 04 de outubro de 2017 eu chegava na Índia pra esta jornada de Ásia que duraria 6 meses, já cheguei com a passagem de volta comprada pro Brasil dia 04 de abril…porém, há 2 meses atrás mudei a rota e a passagem de volta para junho…

6 meses já se passaram! 6 intensos meses em 5 países asiáticos, com uma escapadinha de 15 dias pra Austrália bem no terceiro mês.

6 meses vivendo as mais diferentes culturas e religiões, visitando templos budistas, hinduístas, jainistas, mesquitas, comendo o melhor Palak Paneer na Índia e sofrendo pra achar algo vegetariano nas Filipinas…6 meses passando de hostel em hostel, divindindo quarto com holandeses, alemães, americanos, chilenos, franceses, recebendo sorrisos pela rua… Mingalabar! Namastê!

Peço informação e o que mais escuto é “i don’t know”, não importa o país … escutei mais “i don’t  know” aqui do que em todas as aulas de inglês somadas da minha vida!

A Ásia me entrega tanto, tanto aprendizado, cultura, sabores, sentimentos, até uma tatuagem que me surgiu na cabeça na noite de Mahashivaratri, entoando mantras pra Shiva e que o tatuador em Rishikesh, na Índia soube traduzir tão bem em uma mandala com a flor de lótus, o sol e a lua.

Sento no sofá do hostel em Myanmar com meu amigo lady boy da recepção, bed bugs atacam meu braço, já estou acostumada, cada lugar eh um inseto diferente. A comunicação é difícil… mas o sorriso e mímica resolvem, pelo que entendi, eu ajudei ele a escolher um filhote de cachorro pela internet. O bichinho deve chegar amanhã.

Fiz tantos amigos aqui! Saudades de cada um! A lista de contatos no celular se expande “Heleanna Barcelona”, “Cindy Paris”, “Tom Londres” e um monte de gente me oferecendo estadia quando eu for pra Europa. Faço um FaceTime com alguém especial nas Filipinas, saudades e coração apertado, troco msgs com as amigas na Índia, mais gente em comum que se conheceu por lá, este mundo é enorme e bem pequenininho.

Cheiro de sardinha frita no andar de baixo, sigo há 7 dias na mesma praia no Myanmar, Ngapali, acabei ficando mais aqui pois outros destinos que eu ia estão inseguros por ataques raciais, enjoa a mesma comida por 7 dias seguidos, tentei um jejum hoje pra limpeza do corpo, não consegui. Também não é o momento, estou no meio de um processo com Yoni Eggs, ando nostálgica, reclusa, trabalhando vários sentimentos.

Mas pelo menos estou na praia, posso usar short e biquíni, não preciso mais cobrir ombros e pernas em um país hindu. Faz um calor!!

Ásia… a internet falha, dependo do wifi do hostel que não é bom, queria tanto fazer meu IR! Querer não queria, mas preciso… quem sabe semana que vem no Nepal. Falando em Nepal, a comunicação por whatsapp torna-se impossível com o guia que me levará ao Everest, melhor resolver por lá, com mímica…

Ásia…amanhã tenho um ônibus de 14 horas pra próxima cidade, lembro-me de cada trem, ônibus e tuk tuk que tomei, achei que eu ia morrer esmagada no trem no Sri Lanka, mas sobrevivi, e quando peguei o metrô vazio e com ar bombando na Malásia? Luxo e glamour! Na Índia os trens foram os mais longos, chegando a 15 horas, mas fui dormindo na caminha.

São 19h e os mosquitos atacam, melhor entrar, no quarto, sem wifi, volto ao livro “Half the Sky” e o choque sobre o tráfico sexual de tantas mulheres no mundo, principalmente aqui, na Ásia.