Nepal - Everest, Roteiros de viagem

Everest, o maior desafio até agora

Oie! Vou contar hoje, com um pouco de atraso, como foi o meu trekking de 12 dias para o basecamp do Everest, no Nepal, que fiz em abril! A coisa mais difícil que fiz neste sabático, e talvez, na minha vida inteira! Foi intenso, fiquei emotiva, quis desistir muitas vezes, chorei, fiquei doente, me perguntava pra quê, senhor, pra quê?? Lá no instagram coloquei nos destaques dos stories a jornada completa com os 12 dias, com o choro todo envolvido e as paisagens mais lindas!!!

Os 12 dias são o mínimo necessários para subir em 8 e descer em 4 dias, garantindo as paradas de aclimatização (para seu corpo ir acostumando com a altitude), conheci pessoas que não fizeram as paradas e subiram direto, ficaram doentes, tiveram que baixar até melhorar, e acabaram precisando de até 16 dias pra conseguir chegar de novo, então não vale a pena este risco! O problema em subir rápido esta altitude é pegar o mal da altitude onde os sintomas são falta de apetite, enjôo, diarréia, tontura, dor de cabeça… se estes sintomas aparecerem, a pessoa tem que baixar pelo menos uns 500m imediatamente, senão o risco de algo mais sério é grande! No caminho eu via diariamente 3 a 4 resgates de helicóptero de gente passando mal, e também conheci muita gente baixando que não tinha conseguido seguir em frente em diferentes pontos de altitude, não é tão fácil não!!

É possível fazer em grupo com agências, sozinho com guia ou até sozinho mesmo sem guia, como eu não conhecia direito e estava insegura, fui numa agência e fechei um guia só pra mim, mas depois conheci muita gente fazendo sozinho, hoje eu arriscaria. Para se ter ideia de custos, conheci um cara que fez tudo sozinho e gastou US$ 600 durante os 12 dias (com o vôo de ida e volta de Katmandu pra Lukla, todas as hospedagens, todas as refeições e as licenças no parque). Já pra mim com guia e tudo incluso que citei acima ficou US$1.000 o pacote com a agência (e ainda ganhei emprestado a mochila, o casaco e o sleeping). E os grupos que encontrei pagaram de US$ 1.000 a US$4.000, pelo mesmo roteiro, mesmas estadias e mesmas refeições, então pesquise muito antes de ir e feche com uma agência em Katmandu mesmo, tem uma em cada esquina, e sempre com vaga, mesmo pro dia seguinte, as pessoas que conheci que pagaram caro, de US$2.000 a US$4.000 tinham fechado com agências no Brasil, Argentina, e acabaram pagando este preço abusivo.

Foram 12 dias, subindo de 2.650m para 5.200m, percorrendo 130km com a mochila nas costas. Fui só eu e o guia, e eu tinha medo dele ser muito quietão, de eu me sentir muito sozinha, mas nada, fiz amigos do começo ao fim, o guia realmente era quieto, ele guiava o caminho falando pouco e nas refeições não sentava comigo. Mas eu sempre tava com amigos, principalmente um grupo de americanos que conheci no segundo dia e fizemos todas as paradas juntos, ok, um virou paquera, maraaaaaa! E era um grande amigo pra me incentivar quando eu queria chorar hahahha. Apesar do meu guia não ser tão bom, ainda preferi ir assim do que me enfiar em um grupo grande, acompanhei várias brigas de grupos grandes, com gente querendo ir mais devagar, parar antes, o grupo tendo que se dividir, difícil! Cada um tem um ritmo!

Vou contar o roteiro aqui:

1. Primeiro dia, vôo 7:30 da manhã de Katmandu pra Lukla (menor pista do mundo…emoção!), café da manhã em Lukla e caminhada de 1:30h até o almoço, depois só mais 1h de caminhada e estávamos em Phakding às 13h com a tarde e noite livre pra descanso, a 2650m de altitude. Leve um livro! Ou baixe filmes no Netflix do celular, mas lembre-se que paga em cada parada pra carregar celular e a bateria consome muito rápido no frio, então durma com ele dentro do sleeping, mesmo desligado.

2. Segundo dia foi trekking de 6 horas de Phakding para Namche Bazar, 11 km, chegando há 3,450m com parada pra almoço no caminho. Passamos por aquela ponte dupla suspensa que aparece no filme everest. Esse dia é de bastante subida, mas eu nem sabia o que vinha pela frente.

3. Namche é uma cidadezinha maravilhosa! Tem lojinhas, cafés, padaria, pub, várias opções de guesthouse, sabe o filme Everest? Onde eles chegam numa cidadezinha e umas crianças ultrapassam eles correndo na escadaria? É em Namche. O terceiro dia é todo parado em Namche pra aclimatizar, mas também fizemos um trekking até o Hotel Everest a 3.850m, deixando a mochila na guesthouse. Em Namche na verdade dá até pra ficar mais de um dia, e muita gente só chega até aqui pra passar uns dias e já volta. Tem o pub mais alto do mundo, mas melhor deixar pra encher a cara na volta que paramos lá de novo.

4. Daí fomos para Tangbouche, as paisagens pareciam aqueles quebra cabeças de 3000 peças. Descemos 200m pra subir 600m, bem íngreme, mas a vista compensa, apesar de ser um dia andando umas 6 horas. Chegamos em um monastério, mas não cheguei na hora da cerimônia que dizem ser linda. Este dia foi de subida e dor na perna, cheguei achando que era o pior dia da minha vida hahahahhah mal sabia eu…

5. E então fomos de Tangbouche para Dingbouche no quinto dia, chegando a 4.413m, foi bem tranquilo.

6. Dingbouche era outra cidadezinha para aclimatizar, até subi um morro pra ver a vista, mas andei bem pouco, descansei muito. Lá tem um café que passa o filme Everest todo dia às 14:30, e servem doces mara!

7. No 7º dia o certo seria ir de Dingbouche para Loubuche, chegando a 4.903m e mais pertinho do Everest, mas esta foi a vantagem de eu estar com guia só pra mim, minha sinusite atacou, comecei a ter muita dor de cabeça, e na parada do almoço em Tukla, pedi pra dormir lá mesmo. Chorei, viu? Achei que não ia dar conta de chegar no Everest, sentia dores no corpo, pontadas na cabeça, mas me entupi de sopa de alho e antigripal, conheci uma inglesa fofa que também parou por causa da sinusite e dormi cedo, num frio de doer os ossos. Já comecei a sentir a altitude também, algumas tonturas…e tava -8oC… o banheiro no relento, foi o maior pesadelo!

8. Aí o dia 8 foi o mais pesado, tive que fazer o trecho anterior, fui de Tukla pra Labouche e de Labouche pra Gorakshep e chegando lá 4 da tarde morrendo, ainda fui até o Basecamp do Everest, porque o guia disse que não poderíamos deixar pro dia seguinte, era arriscado passar de 24h em 5.250m de altitude. Não sei se era verdade, mas realmente eu não aguentaria uma segunda noite lá. Fui até o Basecamp mas não desci no portão, fiquei com medo de não conseguir subir de volta, eu estava a ponto de chamar o helicóptero de resgate, a sinusite parecia facadas na testa e o corpo parecia atropelado de dor, eram todos os sintomas de gripe elevados, muito foda! Mas voltei às 18h e dormi em Gorakshep toda entupida sem conseguir resoirar direito e num frio de rachar!

9. Dia 9 a galera costuma acordar às 4h da manhã e subir o morro Kalapatar pra ver o sol nascer no Everest, não fui nem morta! A noite anterior foi a pior. Mas acordei às 7h e comecei a voltar, e melhorar. Descemos pra Periche pra almoçar e dormir, que está a 4.370m, e só de baixar a altitude já reduziu a sinusite, já fiquei bem melhor, e voltei a me comunicar normalmente sem chorar kkk. Detalhe que neste dia já estava há 4 sem banho!

10. Dia 10 voltamos de Periche pra Namche Bazar de novo e lá sim, pudemos parar no pub e beber!!! Só que no meu caso tomei chá porque eu tava medicada. Este dia tinha nevado de noite e o caminho tava branquinho lindo.

11. 11º dia voltamos para Lukla, cidade da pista de aeroporto menor do mundo, lá tem lojinhas, cafés, clima de despedida, de conquista e tem o Irish pub que vira balada com a galera chegando, mara!

12. Logo cedo pegamos o voo pra Katmandu no dia 12, este é o único dia sem caminhada, então na verdade são 11 dias de trekking.

FIM!!

Agora vamos a mochila: eu não pesei a minha, e não paguei pra ninguém levar minha mochila (a maioria das pessoas pagam um Sherpa pra isso, mas eu não me sentia bem em vê-los carregando 6 a 8 mochilas nas costas, todas amarradas, pesando mais de 30 kilos), então carreguei tudo o que era meu, devia estar com uns 8 a 10 kilos, mas realmente não pesei. Levei muito pouca coisa, mas o sleeping bag (que deve aguentar até 0 grau) e meu down jacket para ate -10ºC graus, já pesavam o suficiente e ocupavam quase toda a mochila. Além disso levei outro casaco que era protetor térmico, quebra vento e capa de chuva, tudo misturado, um outro casaco de fleece (tipo um moletonzinho), uma calça e uma camiseta de manga pra dormir, e outra calça térmica e outro dryfit (além dos que estavam no corpo), isso mesmo, usei uma calça e um dryfit 6 dias seguidos e o outro mais 6 dias seguidos…sem lavar, mas nem banho eu tomava direito, então o importante era não carregar peso. Já calcinhas levei 12 e fui jogando fora, porque não daria nem pra lavar, não secaria naquele frio e garoa que eu pegava. Boné, óculos, gorro, luva. De higiene, levei uma toalha de camping, 1 havaiana q eu usava dentro das guesthouses com meia mesmo, lenço umedecido, hidratante pro corpo e papel. Precisei de muito muito papel higiênico, porque fiquei bem gripada, levei dois rolos mas ainda comprei uns 4 no caminho e cheguei a pagar 5 dólares por um rolo (quanto mais alto vamos indo mais os preços sobem, inclusive preço de água, banho e de tomada pra carregar celular, tudo isso é pago)

Tudo isso dá pra comprar em Katmandu, bem barato, e algumas agências emprestam o sleeping, a mochila e o downjacket, como a minha emprestou.

Ah! Importantíssimo é beber 5 litros de água por dia pra combater o mal da altitude!!!

Bom, foi isso! Intenso, difícil, mas pra mim valeu a pena! A conquista e a paisagem superam qualquer sofrimento! E se seguir estes passos dos 12 dias acima, dá pra ir tranquilo sem guia!

Bom everest pra você!