Reflexões

Nossos ciclos

img_4291.jpg

Descobri que minha produtividade neste blog sem café é ZERO. Dia 15 de novembro de 2018 eu cheguei na Islândia debaixo de chuva e dia seguinte também choveu o dia todo, então minha amiga e eu tomando um cafezinho na beira da estrada fizemos um pedido e uma promessa pra Santa Clara, ficaríamos 6 meses sem café se parasse de chover…

Santa Clara clareou e tivemos 10 lindos e maravilhosos dias de Islândia! 

De lá pra cá já se passaram 4 meses, visitei outros 8 países, vi a aurora boreal, visitei amigos e família, fiz curso de yoga e thetahealing, mais uma experiência de workaway, e nada de relato no blog, nadinha, sobre nenhuma das experiências ou lugares visitados! 

Ando preguiçosa…

Aí a única relação que consegui fazer foi a do bom e velho café que me acompanhava em frente ao computador quando eu me inspirava a escrever e compartilhar algo. Mas parei hoje neste restaurante vegano em Copenhagen pra refletir sobre produtividade e no que percebi isso aqui já estava virando um post,  mesmo sem café, com um litro de chá verde na minha frente.

E a produtividade que comecei a refletir e queria compartilhar, é a produtividade de nós, mulheres. Com certeza vocês já notaram que tem dias que produzimos mais e outros que produzimos menos, mas muitas de nós nunca conectaram cada dia destes com nossas fases. 

Eu nasci em São Paulo, classe média, e sabe o que acontece com adolescentes com espinhas (muitas) da classe média quando menstruam pela primeira vez? A mãe leva na ginecologista particular e a gineco taca pílula anticoncepcional na gente pra controlar as espinhas e pra já começar a prevenção, que qualquer momento pode surgir um namoradinho. E lá ficamos no uso continuo da pílula por 10, 20 anos.

Não é com todo mundo que acontece isso (Graças a Deusa), e nem tenho dados estatísticos para provar, mas acontece com muita gente, principalmente da minha geração, e baseado na minha pequena amostragem de público feminino do instagram, o dia que coloquei este assunto em pauta choveu direct com “pelo amor da Deusa, mana, comigo também!!!”.

Mas o que tem a gineco particular da classe média paulistana a ver com a produtividade do blog? Nada. Tudo. A pílula na verdade tem tudo a ver.

Entramos na pílula nos 13 pra 14 anos e lá ficamos 20 anos até parar pra tentar ter filho (algumas). Eu fiquei dos 13 aos 30 porque me despertei antes. A pílula é confortável, as espinhas somem, o fluxo menstrual é contido, sabemos exatamente o dia que vamos menstruar e se for réveillon ou carnaval, opa, é só emendar a cartela pra “se livrar”.

O que acontece, é que com o uso da pílula não ovulamos, não produzimos nossos hormônios de forma natural, não conhecemos nosso corpo, nosso real humor, intuição, fases, nossa mulher lobo.

E eu posso estar falando tudo errado aqui do ponto de vista médico, porque sou engenheira e isto não é um artigo acadêmico, e sim uma reflexão da minha auto observação e do que aprendi em cursos e leituras de tantra e de sagrado feminino. Então me poupe! Brincadeira, lê aí se você se identifica!

Depois dos 30, que parei a pílula e passei a me observar, a anotar meus dias de ciclo, meu humor, minha energia pra fazer as coisas, meus dias de preguiça, fui percebendo similaridades a cada ciclo, e após alguns cursos e estudos descobri que é isso mesmo! Se estamos livres de hormônios fakes, isto é, da pílula, em nosso estado natural de ciclo e em contato como nosso feminino, temos 4 fases de 4 arquétipos do feminino bem definidos:

  1. menstruação: fase da bruxa ou anciã. Onde o óvulo não fecundado precisa sair, é a fase de limpeza, momento de introspecção, onde temos a tendência de não socializar muito e não fazer muita atividade física. Então, pra colocar objetivo nos nossos treinos, deveríamos nos cobrar menos nesta fase, e respeitar nossa vontade de pular aquela balada, mesmo que seja A balada. 
  2. pré-ovulação: a donzela. Começamos um novo período, energia de criação bem alta, esta é a melhor fase pra nossa produtividade, intuição, movimento e tomada de ação. Onde estamos com nossa auto-estima mais elevada. 
  3. ovulação: a mãe. É na ovulação que o corpo está se preparando pra gerar uma nova vida, então é nossa fase mais cuidadora, melhor ouvinte, de maior interação social, e é nesta fase que nossa criatividade atinge o ápice, melhor momento pra novos projetos, pra escrever, desenhar.
  4. pós-ovulação: feiticeira ou sacerdotisa. A famosa TPM! Todas as emoções afloram mais nesta fase, quem nunca terminou um namoro e mandou o namorido pra fora de casa pra sempre nesta fase? ops…talvez só eu. Mas é uma ótima fase de reavaliar nossos sentimentos, porque o que está guardado e camuflado vem à tona!

Então, há 4 anos venho me observando nestas fases, anotando cada dia, encontrando as similaridades e faz todo sentido! Eu anoto em tabelinha online, uso o aplicativo WomanLog, onde posso marcar a os dias da menstruação e outras observações, como humor, sexo, produtividade. Também me recomendaram usar o Clue ou o Flow. Se você não toma pílula, começa a anotar seus ânimos, preguiça, criatividade e compara com estas fases!

Recentemente comecei também a fazer minha Mandala Lunar, que super recomendo! Nela você anota na legenda que quiser e com as cores que quiser, o que tem ocorrido com você dia a dia, marca o ciclo e acompanha com as fases da Lua. Não encontrei aplicativo pra isso, se alguém tiver um comenta aqui, mas eu recebo a minha mensalmente pelo site www.mandalalunar.com.br, com ilustrações lindas!

Falando em lindas, esta foto linda no topo do texto foi de um curso na Índia, e uma das primeiras vezes que tive contato com este tema dos ciclos, apesar de ter parado a pílula 3 anos antes sem saber direito porque estava parando, por uma simples necessidade de me limpar de qualquer tipo de medicamento. Mas este curso, ‘Poderes do Feminino’, foi compartilhado pela Deva Geeta e Aysha Almeé, que trabalham no Brasil e super recomendo! E, além do livro ‘Mulheres que Correm com os Lobos’ da Clarissa Pinkola que já li e reli, elas também recomendaram ‘A Lua Vermelha’ da Miranda Gray que ainda não li, mas fala exatamente das energias criativas do ciclo menstrual.

Aproveito e deixo mais 2 dicas amigas relacionadas com o tema: o documentário ‘Period. End of sentence’ disponível no Netflix sobre o tabu menstruação na Índia e o podcast ‘Talvez seja isso’  sobre o livro Mulheres que Correm com os Lobos disponível no Spotfy.

Pois é, rolou um post, e na verdade não tinha nada a ver com a abstinência do café, abro minha mandala lunar e vejo que estou na fase MÃE, da criação. Então todos estes dias que separei na minha agenda pra escrever, fui até um café, sentei confortável, pedi um chá e não saiu texto nenhum, eu estava na verdade em outras fases lunares não propícias pra isso. Se aprendemos isso sobre a gente, podemos administrar nosso tempo e compromissos do jeito mais apropriado, sem nos forçar a nada. 

Confia na sua intuição, mulher, e não se cobre tanto! Respeita seu corpo, respeita sua criatividade, respeita seu humor. E agora vou aproveitar a fase de criação e já emendar outro post sobre Yoga na Índia ou sobre o roteiro da Islândia. Em breve posto aqui, beijo!

ah! acho que nem preciso comentar que para a prevenção de gravidez AND doenças sexualmente transmissíveis sou #teamcamisinha, né? Porque mesmo tomando pílula eu já usava, vocês me poupem se não usam!

Reflexões

Vida pré-sabático

 

IMG_8343

Esses dias atrás, aqui no meu segundo curso de Yoga na Índia, tive que fazer uma tarefa de casa pra aula de filosofia: montar uma aula sobre qualquer tema e apresentar! Filosofia é a matéria mais difícil pra mim, sou das Exatas, né? Mas sentei, meditei um pouco, refleti, e me lembrei de um poema que escutei há um ano atrás de um indiano aqui na Índia: The Calf Path, de Sam Foss.

Então montei minha aula sobre este poema, e uma analogia com a vida moderna que levamos! Em resumo, o poema conta de um caminho desordenado que o um bezerro fez um dia, seguido de um cachorro dia seguinte, de umas ovelhas depois, de uns homens, e um dia este caminho virou uma pequena estrada de um vilarejo, e por fim uma grande avenida toda desordenada no centro de uma cidade, onde milhares de pessoas passam todos os dias sem saber porque aquela avenida  tem formato zigue zague, sem saber que seguiam os passos de um bezerro de 300 anos atrás…

Então eu trouxe pra aula este tema, e o fato de que hoje em dia muitas pessoas nascem, vão pra escola, estudam pra passar na faculdade, fazem faculdade, se formam, batalham por um emprego, financiam o primeiro carro, trabalham mais ainda, são promovidas, casam, financiam o apartamento, trabalham mais e mais, têm seu primeiro filho, e o ciclo se reinicia, mas muitas vezes elas não sabem o porquê. E não tem problema nenhum realizar este ciclo! Desde que se tenha consciência e desejo de realizá-lo, e não fazê-lo porque todo mundo o faz.

Tudo que é feito com consciência é saudável!

Eu estava neste ciclo, terminei o colégio, fiz cursinho, entrei na faculdade.

Todo mundo ia pra faculdade na minha escola, fui também.

Passei em engenharia de produção em faculdade pública do interior, fui morar em São Carlos, aproveitei ao máximo essa fase: a vida em república, os estágios, projetos, voluntariado na Amazônia, intercâmbio, as cervejadas, vivi tudo intensamente, até chegar a fase de me formar e passar num processo de trainee. Lembro que os professores só falavam em processo de trainee, era o assunto do último ano, eram duas possibilidades: ser promovido a analista no estágio atual ou entrar em um processo de trainee, era aquele “calf path”.

Todo mundo prestava processo de trainee na minha faculdade, então prestei também. 

Lembro que me candidatei a mais de 20, e no primeiro que passei já desisti dos outros. Comecei, foi intenso, difícil e eu vivia infeliz, me sentia despreparada, estava numa grande empresa, com um bom salário para um recém formado, mas eu não aprendia muito e era cobrada por coisas que eu não sabia. Me rendeu uma úlcera no estômago e uma sensação eterna de que eu não era boa o suficiente, sempre sendo comparada aos demais. Então mais de um ano depois, desisti. 

As pessoas me achavam louca, desistir de um processo de trainee que ao final de 2 anos o cargo “garantido” era uma gerência! Que sucesso né? Mas pra mim sucesso era ser feliz.

Peguei a recisão, as férias pendentes, o 13º e fui pra Londres fazer 2 meses de curso de inglês. Lembro que nesta época eu dizia “não volto nunca mais pro mercado corporativo!!!”, eu pensava em ser fotógrafa, mas sempre vinha o pensamento “ser fotógrafa dá dinheiro?” e logo eu achava que não, e que se não dava dinheiro eu não deveria tentar, pois foi assim que aprendi na vida: que precisávamos ganhar dinheiro.

Então voltei de Londres, sem um real no bolso, mas eu estava morando com meus pais e eles me apoiavam incondicionalmente, voltei pras entrevistas de emprego, logo passei em uma e virei coordenadora de Trade Marketing. Foi um salto de trainee pra coordenadora, ter a responsabilidade de um time, ser gestora, e eu tinha apenas 26 anos, me considerava nova, mas dessa vez, foi um sucesso: fui feliz! Tinha muitas responsabilidades e em poucos meses fui promovida a gerente de Trade Marketing, o time cresceu, aos 27 anos eu gerenciava 2 analistas, 4 coordenadores regionais e quase 200 promotores, daqueles que executam aquelas gôndolas perfeitinhas em supermercados. Eu adorava dar treinamento a eles, criar processos, rodar os supermercados do Brasil checando gôndola de supermercado!

E aí o fluxo seguiu: recebi proposta de outra empresa, com salário maior e no mercado de beleza, me empolguei tanto! FUI! Fiquei 6 anos, era apaixonada por esta empresa, sou ainda, aprendi, construi muita coisa, fiz amigos incríveis, fui sendo promovida, financiei carro novo,

Todo mundo ao redor tinha carro, comprei também.

Fui sendo promovida, financiei apartamento,

Todo mundo ao redor tinha apartamento, comprei também.  

entra namorado, sai namorado, chega cachorro que eu trato como filho, dedicação total à firma, trabalho, trabalho…

Eu era feliz, mas quando perguntavam quem eu era, eu descrevia meu cargo. Quando perguntavam o que eu fazia da vida, eu respondia a empresa que eu trabalhava. Fui percebendo que meu cargo, meu diploma e minha profissão me representavam. E aquela não era eu. Mas eu também não sabia quem eu era. Estava fazendo tudo seguindo padrões, mas sem consciência.

Aí entraram as terapias, “tradicionais” e as holísticas, cursos de auto conhecimento, livros, sessões, rodas de sagrado feminino, fui me abrindo pra um campo novo, e este processo durou uns dois anos até o dia que quis viver só o que eu considerava  na época “o lado B”. 

Sobre o momento da coragem de tirar o sabático, já contei outra vez aqui! Foram muitas sincronicidades e um momento de trabalho onde eu já não me entregava tanto e a empresa também precisava de outra pessoa em meu lugar. Fui desligada! Oh my god!!! Mentira, foi maravilhoso, foi a coragem que me faltava pra acertar o momento de partir pra esta aventura chamada sabático. 

Eu interrompi um ciclo que estava seguindo por comodidade, porque estava na minha zona de conforto, porque era conhecido e certo, assim como o Calf Path,  que apesar de ser em formato zigue e zague, todo mundo seguia porque era conhecido e certo. Mas eu queria algo desconhecido e novo.

Lembro que em uma das minhas  despedidas da ‘firma’, onde eu contava meus planos de viagem, disse que começaria pela Ásia fazendo uma formação em Yoga na Índia, e uma das meninas do trabalho me disse “que bom, porque no final, se tudo der errado, você pode ser professora de yoga”… na hora eu pensei “eu estou fazendo uma formação em yoga porque se tudo der CERTO eu serei professora de yoga”. Mas eu não julgo e nem culpo este tipo de pensamento, é normal pensar assim, não é todo mundo que quer mudar. Semana passada um dos professores aqui na Índia contou a mesma história, trabalhava em Dubai no mercado da moda, gerente de marketing de marcas de luxo, e largou tudo pra trabalhar com yoga, quando visitou seus antigos amigos em Dubai, um perguntou porque ele tinha feito este “downgrade” de carreira… As pessoas atribuem sucesso à salário e cargos, eu atribuo à felicidade, à ter tempo, e consciência. O dinheiro acompanha quando nos encontramos.

Eu não acho que todo mundo tenha que interromper este ciclo da sociedade, só o que estão inconformados com ele, estes devem! Por que pra muita gente, seguir o ciclo faz completo sentido, é realmente do desejo e consciência deles, então tá ótimo!

Quem eu sou agora? Depois de 22 meses vivendo um sabático? Não sei a resposta…kkk…sou tantas que não sei descrever!

Meu futuro? eu não sei, estou manifestando o que eu quero e sei que o melhor virá! Tenho muitos caminhos que quero seguir agora e alguns paralelos a outros, pois não precisamos ser uma pessoa só. E dentre este caminhos,  pode até ser que eu volte a trabalhar em uma ‘firma’, mas será na cidade que eu escolhi, com um propósito certo e com a consciência do que estou fazendo e porquê. 

E neste exato momento recebo uma msg no Instagram “oi, comecei a te seguir a pouco tempo acabo de largar a engenharia pra trabalhar com energia!”. 

É, Ana Carol, somos muitas!

Reflexões

The Calf Path – Sam Foss

p1100172.jpg

Há um atrás, aqui na Índia, eu conversava com um indiano sobre sabático, mudança de carreira, sobre deixar de seguir “padrões”… e ele me apresentou este poema de Sam Foss, que vez ou outra eu releio. Então resolvi compartilhar aqui! O original é este, em inglês, mas dá pra passar no tradutor se precisar.

(mas a foto é da estrada na Islândia, hahahaha, só porque gosto da foto mesmo!)

Um poema que conecta e nos questiona!

The Calf Path

(Sam Foss)

“One day through the primeval wood

A calf walked home as good calves should;

But made a trail all bent askew,

A crooked trail as all calves do.

Since then three hundred years have fled,

And I infer the calf is dead.

But still he left behind his trail,

And thereby hangs my moral tale.

The trail was taken up next day,

By a lone dog that passed that way;

And then a wise bell-wether sheep

Pursued the trail o’er vale and steep,

And drew the flock behind him, too,

As good bell-wethers always do.

And from that day, o’er hill and glade.

Through those old woods a path was made.

     

And many men wound in and out,

And dodged, and turned, and bent about,

And uttered words of righteous wrath,

Because ‘twas such a crooked path;

But still they followed—do not laugh—

The first migrations of that calf,

And through this winding wood-way stalked

Because he wobbled when he walked.

     

This forest path became a lane,

that bent and turned and turned again;

This crooked lane became a road,

Where many a poor horse with his load

Toiled on beneath the burning sun,

And traveled some three miles in one.

And thus a century and a half

They trod the footsteps of that calf.

     

The years passed on in swiftness fleet,

The road became a village street;

And this, before men were aware,

A city’s crowded thoroughfare.

And soon the central street was this

Of a renowned metropolis;

And men two centuries and a half,

Trod in the footsteps of that calf.

   

Each day a hundred thousand rout

Followed the zigzag calf about

And o’er his crooked journey went

The traffic of a continent.

A Hundred thousand men were led,

By one calf near three centuries dead.

They followed still his crooked way,

And lost one hundred years a day;

For thus such reverence is lent,

To well established precedent.

A moral lesson this might teach

Were I ordained and called to preach;

For men are prone to go it blind

Along the calf-paths of the mind,

And work away from sun to sun,

To do what other men have done.

They follow in the beaten track,

And out and in, and forth and back,

And still their devious course pursue,

To keep the path that others do.

They keep the path a sacred groove,

Along which all their lives they move.

But how the wise old wood gods laugh,

Who saw the first primeval calf.

Ah, many things this tale might teach—

But I am not ordained to preach.”

Reflexões

O segredo pra viajar sempre

Por Cacau Ribeiro e Marina Storch

img_4469.jpg

O que você faz para viajar tanto?

Esta é a pergunta que eu e a Cacau do @cacautells ouvimos sempre. Como sabem, eu estou em sabático há 20 meses e a Cacau trabalha de forma remota com a Mrs. Marketing, o que nos permite ter maior disponibilidade para viajar.

Mas, você que trabalha em emprego formal também pode realizar seus sonhos de viajante!

Nós, quando trabalhávamos como executivas, também viajávamos sempre.

Qual é o segredo? Focar, reduzir os custos da viagem, mudar de hábitos e mudar a rota.

1. Sonhe, foque 

Qual é seu destino do sonhos?

Faça sua lista dos sonhos e defina o primeiro da lista. Separe um tempo para definir quando você poderá ir e quanto você precisará para visitar o local desejado.

Qual é o valor médio das passagens? Qual é o valor médio das diárias? Qual é o valor médio gasto com alimentação? Quanto custam os passeios que você deseja fazer?

Você precisa chegar a um valor alvo, sem esta informação você nunca saberá se possui recursos suficientes e quanto tempo precisa para conseguí-lo.

2. Reduza os custos da sua viagem

Há várias formas de viajar gastando menos, seguem algumas dicas.

2.1 Passagens

Este item pede um texto só para ele, porque é mais complexo. Mas a dica base é pesquisar e comparar os preços das passagens.

Você precisa saber como o preço está se comportando para entender quando ele estará mais barato.

Antes de procurar qualquer preço, use janela anônima pois os sites podem identificar a sua procura e aumentar o preço quando você procurar pela segunda vez.

– Data específica

Vá em sites que trabalham com mais de uma empresa aérea e use os recursos de alertas (Skyscanner, Decolar, Submarino, Viajanet, Passagens Imperdíveis , Melhores Destinos etc.).

Você cadastra os destinos, mês ou o período específico e será notificado por e-mail sempre que o preço chegar no valor que gostaria ou quando ele sofrer alguma variação.

Se receber o alerta e a passagem estiver baixa, não espere.

Mas, antes, confira no site da companhia aérea se o valor está menor, geralmente as OTAs (agências online) vendem mais caro, mas parcelam.

Já comprando nas companhias aéreas o valor pode estar menor, porém as condições de pagamento não são tão boas.

– Datas flexíveis

Se você não tem data específica, use sites como Skyscanner e Google Voos para pesquisar quando as passagens estão mais baratas para aquele destino e você programa a sua viagem levando em consideração menores valores.

Estes sites mostram o valor das passagens por dia e comparam várias companhias. Assim, você terá mais chance de escolher a passagem mais baratas.

Também vale cadastrar seu e-mail nos sites agência (Skyscanner, Decolar, Submarino, Viajanet, Passagens Imperdíveis , Melhores Destinos)

Eles enviam para você as principais promoções independente do destino. Basta ficar de olho e comprar quando aparecer algo interessante para você.

E se estiver completamente aberto, pode buscar no skyscanner vôo da cidade onde estiver para “qualquer destino”e ele vai te dar as opções de destino por preço, quem sabe desta ferramenta não sai seu próximo destino de férias, foi assim que da Índia, fui parar no Nepal!

2.2 Hospedagens

– Contatos 

É a hora de bater na porta de amigos, conhecidos e parentes.

Não há nada melhor que rever uma pessoa querida e ainda economizar com hospedagem (amigos de amigos e instafriends também estão valendo!!)

– Economia compartilhada

A economia compartilhada é uma mão na roda quando falamos de hospedagem.

Alguns exemplos:

– Airbnb : pessoas alugam casas ou apartamentos inteiros ou quartos em suas casas. Dependendo da localidade é mais barato que as hospedagens tradicionais e é bem seguro.

– Couchsurfing : neste site pessoas oferecem espaço nas suas casas de graça. Aqui nem sempre o conforto é prioridade e deve-se ficar atento as referências da pessoa.

– Workaway e Worlpackers: você paga uma taxa anual e pode inscrever-se para vagas do mundo todo em que troca-se trabalho por hospedagem. (contei minha experiência trabalhando em hostel neste link).

– Comparar 

Os bons e velhos Booking , Trivago e  Agoda (muito usado na Ásia) não devem ser esquecidos.

Caso você não deseje aventurar-se nas formas mais baratas, compare preços até encontrar algo que caiba no seu bolso.

Lembre-se também que os hostels continuam sendo uma boa opção para quem quer economizar e muitos já priorizam o conforto e segurança dos hóspedes.

– Desconto e bônus

Abuse e use dos meus links de descontos e bônus:

– Desconto de € 40 na sua primeira hospedagem pelo Airbnb usando meu link.

– Bônus de R$50,00 em qualquer hospedagem feito pelo Booking usando meu link.

Neste sabático eu testei diversas formas de hospedagens, até camping rolou na Grécia que foi a opção mais econômica na alta temporada) e relatei um pouco de cada experiência neste outro post aqui.

2.3 Alimentação

Priorize hospedagens que permitam o uso da cozinha.

Esta é uma modalidade muito usada por pessoas que alugam quarto pelo Airbnb e por alguns hostels.

Evite comer fora todos os dias, deixe estes momentos para dias especiais e sempre ande com seu lanche na mochila. (gostamos de lanches).

2.4 Passeios 

Pesquise o que pode ser feito de graça onde você vai.

Em Paris, por exemplo, ver a Torre Eiffel é de graça, você só paga se quiser subir nela. A experiência de ver a torre de longe ou ficar embaixo dela já é de tirar o fôlego.

Quando a Cacau foi, esticou a toalha dela no gramado e ficou apenas contemplando, depois foi a uma apresentação de opera na praça que fica ao lado.

Experiência maravilhosa e grátis!

Visitar outros lugares é muito mais do que entrar e pagar por atrações turísticas.

2.5 Transporte

Procure ficar em locais bem localizados para evitar o uso de transporte, caso esteja em um local cujo transporte público é precário (ou caríssimo).

Já na Europa, você pode ficar um pouco mais afastado e pagar menos com hospedagem. Já que usar o transporte é fácil e rápido (baixe os mapas do metrô e faça do Google Maps ou maps.me seus melhores amigos).

A bicicleta também é uma ótima opção em alguns locais. Em alguns países você pode optar por bicicletas compartilhadas.

Aplicativos como Uber ou o Grab (usado na Ásia) também são uma boa opção caso você precise de carro. Em alguns países, você pode também compartilhar a corrida!

Já caronas, a Cacau e eu nunca nos arriscamos, mas caronas seguras podem ser definidas pelo BláBlácar, onde o aplicativo consta as informações de quem está dando e recebendo a carona.

3. Mude seus hábitos  

Não tem para onde correr, se você não ganhou na loteria, precisará economizar se quiser viajar sempre.

Já que você agora sabe quanto precisará para viajar, é hora de economizar para conseguir pagar as passagens, hospedagens e ter dinheiro para gastar lá.

Tanto eu quanto a Cacau tivemos que mudar alguns hábitos quando decidimos fazer nossa primeira grande viagem.

Seguem alguns deles:

– Fuja de feriados

Evite viajar em feriados e finais de semana.

Opte por viajar nas férias para poder passar mais tempo viajando e gastar menos.

– Baladas

Diminuir as saídas e/ou trocá-las por passeios e baladas grátis.

Um montante considerável de dinheiro vai embora nas baladas, no cinema, nos shows, etc.

Sei que é complicado cortar este hábito, mas pense que em breve você estará no destino que tanto sonhou e por um tempo maior que a maior parte das pessoas.

É também possível divertir-se gastando pouco, procure e você achará boas opções na sua cidade. Parque e piqueniques, pipoca e Netflix, festinha em casa e comidinha caseira também são opções viáveis.

– Bebida

Se sair, beba menos ou não beba (por causa do álcool perdemos muito da nossa economia e muitas vezes a memória kkk).

– Roupas

Compre apenas o que você precisa e não o que você deseja.

Reutilize, aproveite bazares e promoções e vá em brechós.

– Alimentação

Por causa do yoga me tornei vegetariana, mas acabei economizando muito em restaurantes, pratos com carne são sempre mais caros. Também cortei a bebida e o cafezinho, e a conta diminuiu.

Fuja de Ifood e restaurantes. Comer em casa ou levar comida de casa sempre é mais barato.

– Renda Extra

Procure uma forma de ganhar dinheiro extra.

A Cacau aluga um quarto da casa dela pelo Airbnb e usa parte da renda para as viagens.

Já eu me desfiz do meu guarda-roupa, deixei apenas o que coube no mochilão e vendi o resto em bazares e no site do Enjoei (pode procurar a lojinha de Marina Storch lá que está em promo).

Agora é colocar a mão na massa e começar a arrumar as malas.

Você ficou com alguma dúvida?

Depois olha um pouco dos destinos que já exploramos:

Cacau: https://www.depoisdeumpenabunda.com.br

Marina: https://mudeiarota.com/category/roteiros-de-viagem/

Até breve!

Reflexões

em trânsito

IMG_6109.jpg

Aqui estou eu no aeroporto de Dublin, na verdade nesta foto eu já estou na casa da minha amiga em Zurique, 24h depois de uma longa viagem, mas quando escrevi este texto eu estava no aeroporto de Dublin, então vamos lá: aqui estou no aeroporto de Dublin, são quase 2h da manhã, saí ao meio dia da casa do meu irmão em Killarney, do outro lado da Irlanda, passei a tarde em Cork, onde deixei meu mochilão em uma loja, e a noite peguei um ônibus de 4 horas pra Dublin. Cheguei 11 da noite num ponto de ônibus no meio do nada e esperei o próximo ônibus pro aeroporto. Meu vôo mesmo é só amanhã às 6h da manhã. Mas quando somos mochileiros, colocamos no papel se vale mesmo ir até a cidade, pagar hostel, enfrentar busão na madrugada… melhor passar a noite aqui, do jeito que estou, de meia, com um sanduíche e uma cerveja, bolsa colada no corpo, e dois bancos unidos pra eu conseguir deitar e tirar um cochilo. Esta situação de busão, mochilão, aeroporto, já faz parte da minha rotina.

Já são 20 meses viajando e foram incontáveis noites de aeroporto, o de Kuala Lumpur era minha segunda casa na Ásia,  os vôos mais baratos são via Air Asia e sempre tinham escala em Kuala Lumpur, lembro que uma vez eu tinha 6 horas de espera lá, de madrugada, resolvi me dar um luxo e paguei 55 dólares por um quarto no aeroporto, eu tava muito cansada e só queria dormir, mas quando cheguei no quarto, chuveiro bom, secador, TV, quarto só pra mim, um monte de luxo que eu não tinha há meses, resolvi aproveitar tudo e nem dormi! 

E já teve noite no chão do aeroporto de Istambul, com sleeping esticado no carpete que fui acordada 4h da manhã com o moço querendo passar aspirador, teve 5 horas de espera no aeroporto da Etiópia, numa sala entupida de gente sem lugar pra sentar, e teve noite em triliche de trem na Índia, isto mesmo, TRI-liche em um trem em movimento, 16 horas em trem numa micro cama e um medo…um medo gente, no meio daqueles indianos todos, sem saber o que poderia acontecer, dormindo mas acordando a cada 5min só pra checar se estava tudo como estava antes. E o medo não é à toa, recentemente vi o relato do @caiotravels sobre a Índia, alguém se aproveitou dele dormindo no trem e colocou 1 kilo de ópio no mochilão dele, tem traficante que faz isso com medo da polícia entrar no trem e verificar, e provavelmente esse cara não conseguiu tirar a droga depois, que o Caio mudou de cama e ficou em cima do mochilão. Sim, acontece.

Ah, e teve noite em ônibus noturno na índia também, em umas cabininhas que mais parece um caixão. E que não quero nem imaginar quem tava deitado antes de mim.

Eu não consigo lembrar direito como eu era antes deste sábatico, porque aqui virou rotina me movimentar de cidade a cada 3 ou 5 dias, antes acho que eu ficava um pouco ansiosa, chegava com antecedência no aeroporto, separava a roupa certa pra viajar, mochilinha, checava todas as diretrizes do destino. Hoje vou de qualquer jeito e até esqueço, às vezes pouso num novo país, sem internet, e penso “vix, esqueci de ver como chego no hostel”, saio perguntando, pego uns ônibus locais e tudo sempre dá certo. Lembro que há um ano atrás, no início de 2018 eu tava em Gold Coast, na Austrália, tranquei meu mochilão no locker do aeroporto e andei até a praia, dei um último mergulho no Pacífico Sul, coloquei o vestido por cima do biquíni molhado, voltei, despachei o mochilão e entrei pro embarque, assim como quem sai da piscina do prédio. 

Mas também teve muito perrengue nestes longos transportes, lembro que no Sri Lanka eu tava sem chip de internet e resolvi ir da praia no sul pras montanhas no meio do país em ônibus local. O primeiro durou 4 horas e eu fiquei com muita, muita vontade de fazer xixi, obviamente o ônibus não tinha banheiro e  ninguém falava inglês, por mímica tentei fazer o motorista parar, mas ele só deu risada. De repente o ônibus parou num quiosque no meio da estrada, a mulherada desceu e foi fazer xixi atrás do muro, fui junto, e depois todo mundo pediu comida, mas eu com medo de perder o ônibus e sem ninguém falar inglês, voltei e esperei 15 minutos derretendo lá dentro. Mas foi na troca de ônibus que o bicho pegou, parei numa rodoviária pequena, nenhuma placa nem sequer no alfabeto romano, parou um primeiro moço pra me “ajudar”, me disse que o ônibus que eu queria ia sair de uma plataforma, fui e esperei. Parei outro moço que me confirmou, mas este disse que talvez o ônibus não viria, que acontecia com frequência e ele poderia me levar. Daí veio um terceiro cara e ofereceu carona também, dizendo que este ônibus não passava há dias, eu via os 3 caras parados cada um num canto, se entreolhando. PÂNICO. Parei 3 meninas adolescentes, tentei pedir informação, elas só davam risada sem entender nada de inglês. Então saí andando pelas ruas, achei um policial, ele me levou até a plataforma certa que era totalmente oposta a onde eu estava e o ônibus chegou.

Viajar sozinha é isso, é confiar nas pessoas sempre desconfiando, é perguntar a mesma coisa pra várias pessoas diferentes, é não demonstrar medo nunca, mesmo que tremendo por dentro, erguer o peito, mas saber também que tem gente do bem, gente que ajuda. O dia que cheguei na Noruega vindo da Islândia, tava com a minha amiga na máquina comprando bilhete de ônibus pra cidade, chegou um cara e ofereceu o bilhete que ele tinha a mais, sem cobrar nada, e custava uns R$ 100!

Mas um vez na Índia, na entrada da estação de trem, no raio x (na Índia tem raio x pra entrar em metrô, rodoviária, aeroporto…) tinha um cara sem uniforme nenhum, pedindo pra ver o bilhete, quando ele olhou o meu disse que o trem tinha sido cancelado e no mesmo momento surgiu um segundo cara dizendo que poderia me levar ao destino em táxi. Ainda bem que eu já era rata velha de Índia, acompanhava todos os trens pelo aplicativo, vi que o cara nem uniforme tinha, xinguei e entrei na rodoviária. Na Índia é assim, na base do xingamento, tem que enfrentar. Sim, a Índia nos fortalece, muito. 

Lembrando destes momentos tensos de Índia e Sri Lanka até me acomodo mais na poltrona aqui na Irlanda, feliz, aeroporto seguro, confortável, até esqueço que hoje serão 24h em trânsito com a mesma roupa. 

Ah, acabei de lembrar como eu era pré-sabático, eu fui 5 anos seguidos pra Rondônia de ônibus, 2 dias e meio viajando, pra fazer trabalho voluntários com as populações ribeirinhas, sim, sempre gostei de um perrengue, é normal.

Reflexões

sobre ficar offline

NY

Como ficamos tão dependentes do celular? Fiquei 3 dias sem o meu, me sobrou tempo, me faltou informação e praticidade, mas a gente se vira né? Valeu pela experiência, pelo tempo e pela reflexão.

Quando comprei minha passagem pra Europa, próxima temporada do sabático, a mais barata tinha uma conexão em Nova Iorque, conexão de 10 horas durante o dia, achei mara, afinal, NY é NY né mores? Então, como eu estava na fase desapego, vendendo meu armário inteiro e as roupas que eu trouxe da Índia, resolvi vender também meu iphone que estava comigo há 14 meses e comprar o mais recente em NY, com a câmera e a bateria melhorados. Entreguei ele há 3 dias pra uma amiga que o comprou, eu não soube fazer o backup, perdi as conversas de whatsapp, mas neste desapego maravilhoso nem liguei!

Mas vocês já experimentaram ficar 3 dias sem celular? É tão fora de rotina que não sei nem explicar. Se bem que em Piracanga mês passado fiquei 10 dias sem, mas lá era outro propósito e fora da rotina habitual, foi mais fácil.

Agora, sobre estes 3 dias em SP sem celular, primeiro eu tinha que entregá-lo na Vila Leopoldina, que é um bairro que não conheço, peguei o carro emprestado da minha mãe e poderia usar o waze, mas pensei, como vou voltar? É tão viciante que nunca mais me locomovi em SP sem waze, nem reparo mais em placa. Mas pra não ficar toda lost por SP, meu pai ainda fez o favor de vir comigo e dirigir. Beleza, celular entregue, aproveitei pra pegar meu passaporte na Lapa, e voltei pra casa pra fazer a mala.

Aquela mala confusa né? Roupa de praia pra Grécia, seguido de roupa de trekking pro caminho de Santiago, seguido de roupa de inverno pesado pra aguentar oquase ZERO grau previsto na Islândia em novembro. A toda hora eu me pegava procurando o celular, pra tudo: checar o whatsapp, ver a hora, fazer stories, buscar a temperatura, colocar uma música… “ah! lembrei! estou sem celular” bom que arrumei a mala mais rápido e sem interrupções. Como o tempo rende sem celular, gente!

Aí, antes de ir pra Guarulhos, anotei no bom e velho caderninho tudo que eu precisava: endereço do hostel em Atenas, principais direções pra chegar na Apple Store em NY de metrô e detalhes do vôo.

Pousei em NY, checkout, alfândega, checkin de novo, fui perguntando e me achando, trem pra sair do aeroporto, baldeação no metrô e cheguei no Meat Packing District. Cheguei na esquina que eu tinha anotado no caderninho, 14st com 8av…não tinha apple store não, acho que anotei errado e eu nem sabia que horas eram e se estaria aberta, perguntei pra duas pessoas na rua que não sabiam onde estava a loja,  anda mais um pouquinho, Starbucks, ótimo! Conectei o computador na internet e ainda tomei um café. Como tinha meia hora pra loja abrir, e descobri que eu estava há uma quadra, resolvi sentar e começar este relato aqui, já que vim os 45 minutos no metrô olhando as pessoas ao redor conectadíssimas e pensando na vida sem celular.

No cantinho do starbucks, onde eu esperava meu café ficar pronto, tinha um display cheio de cafés e lanches “mobile order, pickup here”, e as pessoas entravam, iam neste display, pegavam seus cafés que tinham solicitado pelo aplicativo e saíam, sem nem dar oi pra ninguém, sem nenhuma interação humana, sem a tia do starbucks nem gritar seus nomes…que aqui no caso fiquei como “Mirena” mesmo. Nem sei se já existe este sistema no Brasil, mas como o mundo está online, não? Isso é muito Black Mirror! Ainda prefiro o tradicional café da padaria da esquina, daqueles que quando você senta no balcão, te perguntam “o mesmo de sempre?”

9:00, abriu a loja, fui lá, comprei o vício, digo, iphone, configurei, voltei pro WhatsApp e já passei o dia fazendo stories, afinal tô à toa, tô viajando, tô sozinha, né não? Vida normal que segue.

Sobre passar um dia em NYC, pra quem tem escala aqui, segue minha #dicaamiga: usem o airtrain e metrô pra chegar na cidade (US$ 8 cada perna), ir para Meat Packing District, passear no parque suspenso High Line e almoçar no Chelsea Market. Pra mim, é meu programa preferido em NY! Agora, se você nunca veio a NY, e quiser focar no mais tradicional, faça a 5a Avenida com Central Park e Times Square, e um lanche no Shake Shack (amooo o veggie deles de cogumelo). E se tiver uma noite, escolha um musical da Broadway, mas minha dica de ouro vai pro musical off broadway “Sleep no more” no McKittrick Hotel, uma experiência teatral de Shakespeare, onde você entra na cena, participando pelos 5 andares de peça…ai que saudades!! queria dormir uma noite aqui só pra ter esta experiência de novo… ❤

Reflexões

‘Viajar’ por Gabriel

UNADJUSTEDNONRAW_thumb_984a

” Viajar es marcharse de casa,

es dejar los amigos

es intentar volar

volar conociendo otras ramas

recorriendo caminos

es intentar cambiar.

Viajar es vestirse de loco

es decir “no me importa”

es querer regresar.

Regresar valorando lo poco

saboreando una copa,

es desear empezar.

Viajar es sentirse poeta,

es escribir una carta,

es querer abrazar.

Abrazar al llegar a una puerta

añorando la calma

es dejarse besar.

Viajar es volverse mundano

es conocer otra gente

es volver a empezar.

Empezar extendiendo la mano,

aprendiendo del fuerte,

es sentir soledad.

Viajar es marcharse de casa,

es vestirse de loco

diciendo todo y nada con una postal,

Es dormir en otra cama,

sentir que el tiempo es corto,

viajar es regresar.”

Gabriel García Márquez

Só porque me identifico, apenas porque amo, simplesmente porque é verdade.

Reflexões

Sobre viajar sozinha e fazer amigos

1y25880rroyl9zfuktokkw_thumb_311e-e1528709500510.jpg

Uma amiga me perguntou esses dias como é viajar sozinha e estar sempre acompanhada, como são estas novas amizades, onde vivem, como dormem, do que se alimentam … pois bem, estou numa escala de 5 horas durante a madrugada no aeroporto em Kuala Lumpur (aeroporto este que visitei mais que visitei minha avó na vida inteira) e como estou voltando da Indonésia que fui sozinha e fiz quase 40 amigos, resolvi fazer uma retrospectiva dos meus momentos sozinha de Ásia e refletir sobre isso.

Primeiro, temos que respeitar nossa natureza, não dá pra forçar nada, eu principalmente respeito meu ciclo menstrual e percebo direitinho minhas fases mais introspectiva, mais extrovertida, mais fogo no rabo (essa é longa hahahah), mais criativa.  Depois que aprendi a me observar e respeitar minhas fases, não me forço a nada. Então não tem muita regra, mas tem diferentes momentos, posso estar num hostel bombando e estarei no canto lendo meu livro de boa, como também posso estar hospedada sozinha em um quarto de hotel, mas me conectar na rua até com uma capivara e organizar um jantar onde junto todo mundo que conheci naquela semana dos mais diferentes lugares. No Kuala Lumpur, por exemplo, eu estava numa fase quietinha e tava vindo das Filipinas que foi muito relacional, então meus 3 dias de Kuala Lumpur resolvi explorar a cidade sozinha, quietinha, ignorei todo mundo no hostel.

Em segundo lugar, sou tímida. Verdade. Eu me solto muito depois que já conheci a pessoa, mas num geral, primeiro contato, sozinha, sou bem quietinha. Mas nesta viagem estou com muita vontade de conhecer gente, curiosidade, quero viver muitos momentos com as pessoas ao redor que estão vivendo o mesmo momento, então adotei o meme que mais gosto “o não eu já tenho, agora vou atrás da humilhação” hahahaha, portanto puxo papo, sem vergonha! Muita gente não me dá moral, principalmente gente bem novinha, os de 20…devem pensar “quem é essa tia?”, sim gente, porque tenho 34, e fiz o favor de raspar a cabeça antes de vir, então meu cabelo está crescendo como o de uma senhora, às vezes pareço até mais velha do que eu sou sim.  Mas a maior parte das vezes as pessoas estão bem abertas e a conversa flui. Num lobby de hotel nas Filipinas puxei papo com duas inglesas de 19 anos, e dia seguinte tive a melhor balada com elas, jesus, não sei nem como sobrevivi a tantos shots, porque se tem um povo que sabe beber, são os britânicos. Já  os australianos eu evito contato por não entender o sotaque, kkkk, mas no meu aniversário eu estava sozinha num hostel na praia no Sri Lanka e chegaram 5 australianos de 22 anos, cheguei na mesa deles e logo lancei “oi, tô fazendo 34 anos hoje e estou sozinha, posso sentar com vcs?”, basta sorrir, minha gente, eles me incluiram no drinking game deles que até hoje não entendi as regras, mas só eu bebia toda rodada e acabamos na balada. E também tiveram muitas vezes que puxei papo e a pessoa me respondeu seca, não perguntou nada em retorno, me mediu de cima a baixo e ok também, vida que segue, tentemos o próximo, é só não desistir na primeira batalha.

Terceiro: acredito que tudo ao nosso redor é movido pela energia. O que emanamos, atraímos, então se estou bem, feliz, acordo todo dia e agradeço a oportunidade de eu estar vivendo este sabático e esta viagem, acabo atraindo pessoas do bem também! Sabe o termo “o santo não bateu”? Acontece. Às vezes cruzamos pessoas que simplesmente não queremos estar junto, pessoas reclamonas, negativas, essas aí já percebo logo e caio fora, prefiro sempre estar sozinha do que mal acompanhada, principalmente pra viver e visitar estes lugares tão únicos e especiais! E esse negócio de energia é engraçado (pra quem acredita), lembro que há 7 meses eu estava em Auroville, no sul da Índia, sentada em um café tentando colocar este site no ar há horas, mas sofreniiii porque não manjo nada, aí surgiu um suíço, que tinha sentado do meu lado no ônibus numa visita a agrofloresta, ele me viu no café, pediu pra sentar comigo e em 5 minutos meu site estava no ar, ele trabalhava justamente como designer gráfico. A gente atrai o que deseja!

Agora vamos às táticas que adotei aqui nesta viagem, anotem, xuxus:

1) quando chego numa cidade e desembarco, na esteira à espera da mala no aeroporto, ou no trajeto no busão ou no trem já observo cada ser humano ao redor. Quando vejo um mochileiro ocidental mais aberto, sorrindo, observando ao redor, já vou perguntar se está indo pro mesmo lugar que eu, se tem hostel reservado,  se topa dividir o táxi ou se vai enfrentar busão pra irmos juntos e etc. Às vezes já arrumo o próximo companheiro de viagem neste momento, foi assim com um alemão no Sri Lanka, aliás a primeira aula de yoga que dei na vida foi pra ele na praia, no dia seguinte que puxei papo em um trem e dividimos o tuk tuk até os nossos hostels.

2) Aí chego no hostel, às vezes com a pessoa que já me arranjei no meio de transporte, às vezes sozinha, me hospedo em quartos compartilhados de 6 a 8 camas, começo a me instalar e qualquer pessoa que esteja no quarto já me apresento “hello, i’m marina from brazil”. E aqui é Brasil, né? Quem não gosta? Temos esta vantagem competitiva, é falar que é do Brasil, povo já abre o sorrisão, ou a pessoa já foi para o “Rio de janeiRo” (leia isso com sotaque de gringo nos R’s) ou sonha em ir. Daí o assunto já entra no embalo. Foi assim que conheci uma americana no hostel de Bali que ama churrasco, depois de 5 minutos de conversa já fechamos um driver pra ir numa cachoeira, nos juntamos com mais uma inglesa do quarto e saímos pra jantar.

3) Ainda no hostel, tento participar de algumas atividades, os tours que eles organizam, walking tour pela cidade, noite de cinema, happy hour, foi no happy hour do hostel em Gili T na Indonésia, lotado de latinos, que fiz uma turma de amigos, e minha estadia que deveria durar 3 dias, viraram 10 hablando espanhol todo o tempo. No Myanmar, fiz um tour e conheci umas meninas muito incríveis, dia seguinte já fechamos um trekking de 3 dias juntas, e na próxima cidade passamos mais 3 dias de turma, andando de bike, almoçando e jantando juntas. Às vezes dá liga!

4) Agora, se estou numa cidade que não consegui hostel e fui pra um quarto privado, tenho a tática das atrações turísticas, aqui  o foco é outro: mirar pessoas sozinhas ou duplas de amigas/amigos tirando selfies. O truque é se oferecer pra tirar foto deles, depois pedir que tirem sua, fazer uma yoga pose na foto que o povo dá risada e quer imitar depois e emendar a conversa. Eu evito casais neste momento pois eles são mais fechados hahahahah (mas há exceções!!! Conheci um casal mara holandês num trem no Sri Lanka e saímos pra almoçar na espera do segundo trem e conheci outro casal  mara da África do Sul numa mesa de bar na indonésia que fomos pra balada dia seguinte)

5) Se isto é um tabu pra você, é necessário quebrá-lo: ir pra restaurantes, bares e baladas sozinha! Chego, foco em sentar perto de quem tá sozinho também, puxo assunto, às vezes só perguntando o que a pessoa visitou aquele dia ou o que recomenda já gera assunto. Um dia no Sri Lanka eu queria muito ir pra balada e ninguém do hostel animou, fui sozinha mesmo, e dançando sozinha conheci uns espanhóis mara que acabei passando 3 dias juntos (and paquera.). Ah! Na praia também já conheci muita gente estando sozinha, olhando pros lados sorrindo, os gregos nas Filipinas conheci assim (and paquera). Sorrir é importante! Foi sorrindo na trilha do Everest que eu estava fazendo sozinha com um guia, que uns americanos vieram puxar papo, e acabaram virando minha turma pelos 12 dias de trilha (and paquera também, por que né?). Ok, vou parar de falar de paquera e focar nos amigos.

6) Este instagram mara que deus nos deu, usem! nunca imaginei que eu fosse ter tanto amigo virtual da sala de bate papo da uol. Sério, cada um que me manda direct no insta eu respondo, alguns estão na mesma cidade, ou vamos nos cruzar nos próximo destino, aí marcamos de nos encontrar. Ou algum amigo que apresenta outro pelo insta, bato um papo e encontro. Facebook também, na Índia eu entrei no grupo mochileiros do face e achei 2 brasileiros fazendo o mesmo itinerário que eu pelo Rajastão, me juntei a eles por 10 dias, olha, a viagem não teria sido a mesma sem eles! O povo também usa o site do couchsurf pra hangout, tem a opção de hospedagem gratuita no couchsurf, mas também tem esta opção de apenas se conectar com quem está na mesma cidade e marcar um café ou um tour, eu nunca usei, mas sei que existe.

7) Esta tática mais velha, mas pra mim tem apenas 1 semana porque nunca tinha usado antes: usar o tinder em viagem é mara! Muita gente usa em viagem com um intuito diferente, já coloca no profile “estou em bali até o dia 10, se estiver afim de uma praia junto, um almoço, uma cerveja, marcamos”, mais de boa sem tanto apelo sexual. Montei meu perfil e usei por um fim de semana em uma praia que eu estava sozinha em Bali, funcionou, já mandei de cara “estou sozinha, queria ir na balada domingo”e o brasileiro mara já mandou “vem com a minha turma do hostel” e ainda nos encontramos na praia, rolou date, e ainda brasileiro que eu tava com tantas saudades, mara!

8) Esta é importante: nunca deixar passar batido um brasileiro, nunca. Sabe quando você escuta  português lá do outro lado da calçada, corre lá e grita “ae brasil!”. Melhores pessoas!  Principalmente pra mim que estou há muito tempo longe de casa, amo conhecer brasileiros aqui. Não são todos que são abertos, principalmente os  que estão em férias curtas, estes estão mesmo é fugindo dos brasileiros, é batata: te dão um sorriso amarelo e não retribuem uma pergunta que vc fizer…mas se for outro viajante de longa data como você, ou alguém que está morando naquela cidade, é fervo certo, em 5 min já trocamos whatsapp, face, instagram, já temos selfie e descobrimos um amigo em comum no brasil que já mandamos aquele áudio “amigaaaaa você não acreditaaaa quem tá do meu lado”. Foi assim no Everest, sentei pra ver um filme numa das paradas de descanso da trilha e escutei dois brasileiros, ficamos amigos, e um foi meu companheiro de alguns jantares em Katmandu depois, e o outro almocei junto em Singapura um mês depois. Já em Auroville, no sul da índia, escutei uma brasileira na rua, ficamos amigas e ela me me colocou em contato com um grupo de brasileiros morando na Índia, que só por ganesha, nunca me senti tão em casa com eles, até balada funk rola quando estou em Delhi.

9) Agora, sobre a máxima “bora beber que eu nunca fiz amigo comendo salada” aqui, não é verdade. Sim, é mais fácil fazer amigo bebendo no hostel ou no bar, mas quando comecei este sabático me propus a reduzir muito o consumo de álcool, pra ajudar na minha evolução no yoga e na meditação, mas também porque beber encarece qualquer viagem, então me propus a beber 1 vez ao mês, e em países muito festeiros acabo bebendo só aos sábados ou domingos. Mas aprendi a estar na festa, no bar, no pub, bebendo uma água de coco, um suco, um café, e me relacionar com as pessoas da mesma forma, sem gastar tanto e sem ressaca dia seguinte. Comecei a fazer isso antes mesmo de viajar, meus últimos meses em São Paulo continuei frequentando as mesmas festas (e muitas gratuitas) bebendo apenas água, e fui feliz.  E sim, na Índia fiz amigos comenda salada, compartilhando mesa de restaurante vegetariano. Rishikesh na Índia veio pra me provar isso, é uma dry city (proibido o consumo de álcool) e onde eu conheci mais gente, nos restaurantes, nas aulas de yoga, na fila pros satsangs do Prem Baba, num curso que fiz, na dança circular e até na beira do rio. Tá vendo, sabático tá aí quebrando paradigmas!

Fato é, nestes 9 meses de Ásia fiz amigos apenas quando eu estava sozinha, todas às vezes que me encontrei com alguém que veio do Brasil pra fazer uma parte da viagem junto, foi mais difícil conhecer novas pessoas. E pra mim, a beleza desta viagem não está só em conhecer lugares, mas em conhecer as pessoas, as diferentes culturas, religiões, histórias de vida e pontos de vista. Foi num jantar com a israelense em Canggu e em outro jantar com a americana em Colombo que me vi no outro, que percebi não ser a única a largar a carreira corporativa e explorar o mundo, não sou a única a buscar meu propósito e uma nova carreira … nestas conversar empáticas crescemos ainda mais. E pode até ser que eu nunca mais veja estas pessoas na vida, mas elas fizeram diferença naquele momento. Outras, com certeza ainda verei, aqui mesmo fui reencontrando muita gente de país em país, e este mês saio da Ásia com uma listinha de gente pra visitar na Europa. eba!!!

Estas conexões não são lindas?

Reflexões

o nepal surgiu por algum motivo aqui

IMG_9090.jpg

O Nepal passou pela vida ainda preciso descobrir o porquê, deve ser pra testar minha paciência, rever minha comunicação, pra eu engolir meu choro, pra eu deixar de ser esquentada ou pra valorizar as diferenças culturais, afinal o que seria do mundo se todos fossemos iguais?

Antes mesmo de vir pra cá, eu estava em contato por WhatsApp com um dono de uma agência, recomendado por uma amiga, fechando o Everest Basecamp Trekking, e tudo que ele dizia no WhatsApp era “Don’t worry”, eu perguntava o que estava incluso no pacote do Everest, “Don’t worry”, perguntava o endereço do hotel que ele me hospedaria, “Don’t worry”, até um dia antes de eu embarcar, e confirmar se ele me buscaria no aeroporto, “Don’t worry”…velho, você nem perguntou que horas é meu vôo, vai me buscar como?

Não diga pra uma escorpiana “Don’t worry” ou “Calma”, I worry! Gosto da comunicação mais clara, mesmo que a Ásia esteja me transformando…

Enfim, não estava segura com ele, cancelei tudo, reservei um hostel pras primeiras 4 noites e resolvi que fecharia o Everest quando estivesse em Katmandu, mas outra amiga me recomendou outro dono de agência e o cara me respondeu lindamente em um inglês perfeito, com informações completas de Everest, Butão, e ainda fotos do hostel que ele acabou de inaugurar, gostei do cara e fui conhecê-lo no primeiro dia, no meio a outras agências que passei pedindo informações. Sim, ele é muito gente boa, fechei o trekking de 12 dias do Everest com ele, a viagem de 3 dias pro Butão e ele ainda me deu 3 noites no hostel.

O único problema, como todo bom nepalês ou indiano que se preze, é que a cada 10 palavras que ele troca comigo, 4 são “me recomenda no tripadvisor?” Porque aqui é assim, você compra uma água numa barraca de rua, “me recomenda no tripadvisor?”, já nem ligo mais, sorrio e digo “sure!!”. Com esse cara é igual. Deu ruim com o guia que ele me arrumou pro Everest, já conto o porquê, mesmo assim voltei, expliquei pra ele todo o sufoco, ele me ouviu mais ou menos, pois estava escrevendo no celular, mas ao final “I’m so sorry, but …me recomenda no tripadvisor?”…velho,  o guia que você me arrumou deu ruim, vou te recomendar como? Me ajuda a te ajudar! Mas a viagem ao Butão foi um arraso, guia e motorista excelentes, ótimas pousadas, este sim recomendarei no tripadvisor!

Este cara também quer ser simpático o tempo todo, e aí fica pior que brasileiro quando diz “vamos marcar!”, todo dia ele manda mensagem dizendo “Te convido pra jantar hoje a noite, te mostro a cidade”, como bom anfitrião, mas chega a noite e ele manda mensagem que está enrolado com cliente, se podemos remarcar…meu bem, eu já me arrumei no meu restaurante favorito, passo todas as noites lá com os gringos todos, relaxa! Um dia deu certo de irmos jantar, levei uma amiga, marcamos de ir na agência dele antes, e quando estávamos pra sair pro restaurante, chegaram clientes pedindo informações de passeios, ele chamou uns empregados, falou em nepalês, e de repente os caras trouxeram a cerveja e dois pratos de momos, ele entregou pra mim e minha amiga, e lá jantamos, na mesa da agência, enquanto ele atendia os clientes na nossa frente..…ai gente, é o tipo de coisa que é o tal negócio… só rindo mesmo! Isso não é um jantar agradável!! Enfim, agradecemos, comemos e vazamos.

Episódio 3: o guia do Everest. De cara quando desci no aeroporto de Lukla achei ele bem novato, falava pra dentro e não tinha bom inglês, porém, seríamos apenas eu e ele pelos 12 dias de trilha, achei melhor não reclamar. Logo fui fazendo amigos pela trilha, na parada do almoço, na parada do jantar, até paquera surgiu no começo da trilha e durou os 12 dias (sim, dei uns pegas no Everest porque sou dessas), achei bom ter feito estes amigos porque eles estavam fazendo o mesmo roteiro nos mesmos dias que eu, assim eu tinha gente pra conversar e me divertir, já que meu guia era quietão. Ele também não tinha mapa, não mostrava o itinerário, e quando fui ficando resfriada e com sinusite vi que nem tinha a caixinha de remédios que deveria ter…não era um guia muito profissional e  fui pegando bode do nível de serviço. Até que, na volta do Everest  no 10o dia de trilha, cruzei com o paquera que reforçou o  combinado do primeiro dia: se tudo desse certo pros dois, nos encontraríamos no pub de Namche Bazar no dia 10 a tarde. Mas neste dia 10 algo aconteceu com meu guia que surtou,  sem eu ver ele entrou no café que o paquera estava com o grupo, enfiou o dedo na cara dele e falou “Não chame a Marina pro pub, não fale com ela, se afaste dela”…. Mais tarde no pub o paquera me contou o episódio e o grupo todo dele estava assustado com a agressividade do meu guia. Não entendi nada,  talvez ele estivesse tentando evitar que eu bebesse já que eu estava doente… mas gente….tenho 34 anos, pelo amor…sou responsável por mim, ele nunca deveria ter falado assim com um amigo meu ou com qualquer pessoa, ultrapassou todos os limites. Assustei! Neste dia 10 falei com o dono da agência e chequei se eu poderia dispensar o guia antes e me hospedar onde eu quisesse na próxima noite, que já estaríamos na última cidade antes do avião. Como o dono da agência  confirmou que tudo bem, fui tranquila no último dia de trilha sem tocar no assunto. Mas sei lá o que se passa com este povo, quando  dispensei o guia e disse que procuraria hotel por mim, o cara surtou, começou a me seguir, falava em nepalês com cada dono de pousada que eu entrava e todos me recusavam um quarto depois que ele falava algo que nunca vou saber o que é…até que me senti acuada e aceitei ir pra reserva dele, fiz um teatro pra dispensá-lo, pois comecei a achar a situação perigosa, e ele foi embora, gritando que o “Nepal não precisava de turistas como eu”…oi??  a comunicação neste país já me dá um certo bode, aí ainda vem um cara destes surtado cruzar o meu caminho!

Episódio 4: após alguns dias em Katmandu, 12 dias de trekking ao Everest Basecamp e 3 dias de Butão, deixei minha última semana de Nepal dedicada a um voluntariado que me candidatei pelo Worldpackers. O conceito do Worldpackers é de curtir uma viajem e trabalhar algumas horas por dia em troca de hospedagem e às vezes também alimentação, tornando a viagem mais barata. Eu já tinha usado em uma hostel no Sri Lanka e tinha dado super certo! Aqui eu queria continuar curtindo Katmandu, então vi que se trabalhasse aquelas 5 horas por dia no orfanato que me candidatei, teria quarto, café, almoço e jantar de graça, ainda teria tempo a tarde pra curtir e faria uma coisa legal, que é ajudar crianças pelas manhãs. Mas….o voluntariado deu ruim! Primeiro que não era em Katmandu como dizia o site, era longe ‘paporra’, no meio do nada na periferia, onde nem um restaurante por perto eu achei, caso desse ruim alguma das refeições inclusas, e deu, logo de cara o responsável do orfanato disse que ia ver se eu poderia almoçar na escola onde as crianças estudavam…dia 1 fiquei sem almoço, dia 2 ele pediu pra eu negociar meu almoço na escola…vai vendo! Já o café e o jantar eram no orfanato com as crianças, mas pobres crianças, era arroz com lentilha nas duas refeições, preparados por uma cozinheira que servia o arroz pegando com a mão e a água de tomar era direto da torneira, …logo pensei “será que após 7 meses de Ásia finalmente aqui terei minha primeira diarréia?”

A dinâmica do orfanato era assim: 10 crianças que acordam 6 da manhã, fazem lição até às 9h, vão pra escola, ficam até às 16h na escola e voltam pra fazer lição no orfanato das 4 às 7 da tarde, quando jantam e se preparam pra dormir. Eu fiquei hospedada no quarto de uma família perto, entre a escola e o orfanato. E o responsável pelo orfanato pediu pra eu ajudar nas lições da manhã, nas da tarde e ainda dar aula de inglês na escola…até aí pensei, isto daria 13 horas de trabalho por dia, ao invés de 5, né? Se bem que longe de tudo eu ia querer tempo livre pra que?

Mas o que mais me incomodou, logo no primeiro dia, é ele me pediu uma ajuda financeira, que não estava combinado…falou uma vez, duas, três e só quando eu concordei que doaria 50 dólares pro projeto, ele sossegou. E sossegou mesmo! Virou as costas, disse que tinha que sair e me largou lá, meio que sem entender por onde eu começaria, não me apresentou pras crianças, disse que eu tinha que voltar na escola e negociar com o diretor minhas aulas de inglês lá. Uma confusão!

No primeiro dia a tarde eu já estava sem almoço, ajudei as crianças nas lições, jantei com elas e fui pro meu quarto na outra casa dormir. Dia seguinte eu estava lá às 6 da manhã, onde comecei o dia delas com práticas de yoga, elas eram fofas, por elas eu teria continuado…mas fui pra escola, onde o diretor me deixou mais de uma hora numa sala esperando, e ele entrava e saía repetindo “você quer dar aula de inglês né? Vou tentar arrumar uns alunos pra você”…eu só pensava “me candidatei pra uma vaga para dar aulas de inglês, como assim esse cara não estava me esperando e parecia agora estar fazendo um favor de me arrumar uns alunos?”, tentei explicar pra ele, mas ele não entendia bem inglês. Não consegui mais falar com o responsável do orfanato, fiquei sem almoço de novo na escola (pensa numa pessoa que fica mal humorada sem comer), voltei pro quarto que eu tinha e eu deveria voltar às 16h pra buscar as crianças e ajudar nas tarefas no orfanato.

Mas pensei, pensei, estava extremamente incomodada com a situação, me candidatei a dar aula de inglês e não existia este trabalho, as refeições não estavam mesmo inclusas e o cara ainda me arrancou uma grana e sumiu…o bom de estar em sabático é que somos completamente livres, diferente de estar num trabalho e ter que encarar aquela reunião chata…aqui, sinto que “não sou obrigada!”, se tá ruim, vaza, ainda mais se fogem do combinado. Arrumei meu mochilão, andei andei andei até achar um ônibus que viesse pro centro da cidade, e fui embora. Mandei mensagem pro cara explicando tudo que ele estava fugindo da proposta do Worldpackers, mas pela resposta dele, horas depois, parece que ele estava mais preocupado com minha doação mesmo. Uma pena.

Aí no meio de tanta confusão de comunicação eu me pergunto, sou eu? Dou azar? Crio expectativa? Ou o Nepal é uma cilada mesmo, Bino? Eu não sei, achei que estava mais que batizada após 3 meses de Índia, mas por aqui, tudo se superou, Nepal veio pra testar minha paciência, me fazer pensar se o que eu considero correto é correto pro outro também, pensar na ética e nas malandragens…E dá-lhe Ásia!

Reflexões

nem tudo são flores

73F0C0F7-E6F8-4627-8BD4-AAB93FD3C96C.jpegFaltava coragem pra postar uma fragilidade, acho que muito por medo do julgamento “nossa, mas ela tá viajando o mundo e tá reclamando?”…sim…quando viajamos nem tudo são flores….
Estes dias estive mais vulnerável, mais ainda com a tpm e após 21 dias de uma jornada com yoni egg após o #poderesdofeminino que mexeu muito comigo (dá um google aí, meu bem, pra entender), mas estar vulnerável e se entregar a estes sentimentos sem máscaras no fundo é tão bom, né?
E foi lendo o depoimento de outra viajante no instagram que resolvi encarar este sentimento, terminar o texto e postar…quem sabe, assim como ela me trouxe um sentimento de #tamojunto, eu também não desperte este sentimento em tantos outros.
Viajar sozinha na Ásia exige FORÇA. Nestes 6 meses passei por lugares paradisíacos, lugares de forte energia, hostels sujos, coincidências, alunos me aguardando pro yoga, sonhos, confissões, novas amizades, pobreza escancarada, amores de verão, fim de romance com dor no coração, solidão, medo, festas, fuga de indianos ‪de madrugada‬, alergias, pulgas na cama, sorrisos, cremações a olho nu, abraços em dogs de rua, comida boa, muita pimenta, queimadura séria na perna, paisagens de tirar o fôlego, choques culturais com diversas religiões, dificuldade de comunicação, cansaço do mochilão nas costas e auto-conhecimento puro.
E apesar do grande movimento, escolhi ficar comigo mesma por 7 dias em uma praia no Myanmar na baixa temporada e, apesar do lindo lugar, ficar comigo mesma, meus sonhos e insights foi difícil, mas necessário. Uma semana depois, enfrentei 19 horas em um ônibus pra chegar na capital e tive o pior atendimento em hostel que já tive na vida, fui muito destratada por uma pessoa amargurada, isto em um hostel sujo onde dei de cara com um rato na calçada ao chegar….No meu estado mais vulnerável, às 3 horas da manhã, o choro veio, junto do cansaço e da solidão.
Tem hora que o perrengue é forte, a saudades de casa só aumenta, vontade de estar na minha cama e dormir abraçada com o meu cachorro, comer a comida da minha mãe de domingo e encontrar os amigos no fim do dia.
Mas as fases ruins passam e nos fortalecem, e seguimos explorando o mundo e a nós mesmos!