Reflexões

Rotina sem rotina

Este nome roubei de uma amigo que conheci nesta jornada chamada sabático, o Dani, e usarei para descrever minha rotina (sem rotina) na Dinamarca.

Hoje é segunda, até trabalhei, mas nem é toda segunda que trabalho, comecei o dia de uma maneira MUITO atípica pro meu lifestyle minimalista sabático: em uma clínica de estética!! Eu sempre fui vaidosa e vivia na dermato na minha antiga vida corporativa patricinha em SP, até dois anos atrás, e é verdade que durante estes 28 meses sabáticos desencanei demais da minha aparência, raspei a cabeça, fiquei meses sem maquiagem, comecei a fazer exercício pelo simples prazer e não pela estética e nunca mais usei salto alto.

Mas as rugas na minha testa…essas me incomodam, e aumentaram muito nestes dois anos de poeira indiana, zero skin care, semanas seguidas de praia na Indonésia, Filipinas e Grécia, noites dormidas em aeroportos, trens e beliches distintas de hosteis e pouco protetor solar (sim, errei)…enfim, nestes 28 meses viajando a verdade é que minha pele do rosto envelheceu aceleradamente e eu estava incomodada. Então aproveitei que caiu do céu um quarto mais barato pra eu alugar aqui em Copenhagen, fiz as contas, e a economia que farei em aluguel e transporte nos próximos 3 meses me pagam a aplicação de botox na testa (afinal 35 anos, né mores?). Então hoje comecei meu dia indo de bike até a clínica de estética, recebendo botox sem pomada anestésica (diferente do Brasil) e pagando pelo celular (mobile pay), porque aqui cartão ou dinheiro em espécie são pré-históricos. Procedimento simples e rápido por aqui, já falei que as dinamarquesas são lindas e vaidosas?

Mas voltando a minha rotina, e ignorando este evento atípico, às 9h da manhã desta segunda-feira eu estava livre, parei num café delícia pra um brunch (depois de pesquisar preços pelas internet),  pedalei na beira do rio, fui na biblioteca real pra conhecer e estudar e de lá fui pedalando pro trabalho ao meio dia. Saí às 20h, de bike, e parei num parque pra contemplar o pôr-do-sol antes de ir pra casa ver um filme com uma taça de vinho (na verdade foi um episódio “ugly delicious” do Netflix sobre uma pizzaria que conhecerei aqui esta semana e é uma das 5 melhores pizzas do mundo!). Isto é uma segunda-feira feliz!

Estou desde abril trabalhando em uma loja bem turística no centro de Copenhagen, é uma joalheria que vende jóias em Âmbar,  produto super tradicional da Dinamarca, e as únicas exigências para se trabalhar lá eram ter boa comunicação e quanto mais idiomas melhor para atender turistas do mundo todo. Então passo o dia fina no meu terninho atendendo brasileiros, portugueses, mexicanos, espanhóis, alemães e americanos e gastando meus idiomas que sempre amei estudar! A maior parte do tempo falo inglês e espanhol, me arrisco bastante no alemão (embora todo alemão fale muito bem inglês) e uso e abuso do vocabulário que aprendi no meu mochilão mundo usando palavras em russo, hindi, italiano… e quando entra turista de algum país que já visitei, já puxo uma conversa sobre meu prato favorito ou praia que mais gostei. Estou trabalhando, mas me sinto ainda num lobby de hostel trocando experiências com viajantes. 

Às vezes trabalho do meio dia às 20h, outras vezes das 9h às 16h, geralmente tenho folga às quartas, quintas ou sextas, prefiro trabalhar aos finais de semana onde o salário é maior e ter folga na semana pra aproveitar parques e museus mais vazios, mas enfim, cada semana é diferente, sem horário fixo, e cada dia aproveito de uma maneira diferente. E trabalhar de vendedora é assim: acabou o expediente, acabou. Não tem que ler e-mail em casa ou preparar material pra reunião do dia seguinte.

Nas minhas folgas durante a semana, aproveito pra ir à praia ou fazer uma viagem curta a algum museu ou parque ao redor de Copenhagen, nos dias que saio às 4 da tarde, aproveito que está escurecendo às 10 da noite e tenho mais estas 6 horas livres onde nado no canal, encontro amigos, vou ao cinema, faço pic nic no parque ou marco uma cerveja num bar. Até sessão de fotos nas horas livres já rolou, e convite pra ser figurante, acontece de tudo nesta Dinamarca!

Quando trabalho do meio dia às 8 da noite, tento aproveitar minhas manhãs com caminhada no parque, yoga ou marcando um brunch com as amigas (como será amanhã).

Quando dou sorte e minhas folgas se acumulam todas juntas, viajo. Em junho sem querer no meu calendário tive 6 dias seguidos de folga que fui conhecer a Estônia, em julho pedi um fim de semana de folga e fui fazer um curso em Berlin, e no fim do mesmo mês calhou de ter 4 folgas seguidas de novo que fui visitar amigos em Amsterdam, aqui é tudo pertinho, dá pra ir de carona de blabla car, de ônibus Flixbus ou arrumar uma passagem em promoção da Ryanair ou Norwegian Airlines. 

Minha vida aqui não tem muita regra, e apesar de eu estar trabalhando, chamo ainda de sabático, porque acordo, sinto meu corpo, respeito minhas vontades e sigo o flow: como quando tenho fome, pulo num canal gelado quando sinto calor, pedalo ou caminho quando sinto necessidade de movimentar, encontro um amigo ou date quando estou afim, estudo ou escrevo quando estou inspirada. Apenas respeito o fluxo, me respeito, tenho meus dias todinhos em silêncio, tenho meus dias sozinha, tenho meus dias que emendo brunch com um, almoço com outro, parque com outro, jantar com outro e fim do dia tenho a sensação que o dia durou uma semana. 

O mais engraçado é que na loja estou trabalhando 40 horas semanais (que é bem acima da média de carga horária da Dinamarca), mas sigo dizendo que estou num part time job…isso porque nos meus dois primeiros meses na loja, antes da alta temporada de turismo começar, eu realmente trabalhava só 2 a 3 dias na semana, e agora, apesar de trabalhar 5, sigo com essa sensação de part time, de tanto tempo livre bem aproveitado que tenho. No Brasil, trabalhar 40 horas semanais era o mínimo, mas parece que eu não aproveitava o resto do dia, pelo trânsito, stress, e-mails de trabalho fora do expediente, preparação de material, preocupações…e o fim de semana era curto para se descansar o suficiente. Hoje, mesmo num dia que trabalho 8 horas, às vezes tenho mais 5 horas livre num parque com amigos, o que me dá a sensação de um sábado inteiro no meio da semana. 

A verdade é que estou trabalhando mas sigo chamando minha vida de sabático, porque o estilo sabático se instaurou em mim. Em dezembro passado, eu estava mochilando pelo mundo faziam 20 meses quando percebi que estava cansada de mudar de país todo mês, de viver com todas as minhas roupas dentro de uma mochila e de dormir em uma cama (ou sofá, ou barraca, ou chão de aeroporto) diferente a cada 2 noites.

Então comecei a pesquisar e pensar onde me fixar pra ter uma “rotina”e não precisei pensar muito, mesmo por que se tivesse pensado as opções mais lógicas seriam Brasil ou Portugal, pelas nacionalidades, língua e amigos/família. Eu apenas senti que meu lugar era em Copenhagen em apenas 1 fim de semana de visita aqui e voltei em março pra me fixar.

Não, não é tão fácil pra brasileiro se mudar pra Dinamarca, eu fiz isso graças a minha nacionalidade Europeia e agradeço todos os dias minhas ancestrais, bisavó portuguesa e toda sua origem, que me permitem hoje este privilégio de morar neste país que admiro mais e mais a cada dia. Mas para brasileiros precisam vir empregados com visto de trabalho ou estudando com visto de estudante.

Quando mudei, graças aos rápidos contatos via instagram e facebook com outros brasileiros aqui, consegui um trabalho em uma semana. Sabe a expressão QI (quem indica)? Aqui vale também, e através de outra brasileira que me indicou pra essa vaga consegui este trabalho. Aliás, nos tornamos amigas, fomos no show do Backstreetboys juntas e até dog sitter do cachorro lindo dela já fui. Conexões da jornada!

Mas na mesma semana, através do linkedin, também consegui outro trabalho no turismo, e quando neguei a vaga já indiquei outra amiga brasileira pro meu lugar e ela está trabalhando lá, felizona, enquanto eu estou aqui na loja, felizona! Então ter contatos e conexões realmente fazem muito bem!

E após gerente de trade marketing e gerente nacional de vendas, voltar a ser vendedora? Pra mim sucesso virou sinônimo de tempo de qualidade. Mas isto vai ficar para uma outra reflexão sobre sucesso e carreira…

Reflexões

a vida de bike

Eu sempre sonhei com uma vida de bike. Nunca me arrisquei em SP a usá-la como meio de transporte diário, sempre tive medo de pedalar nas calçadas ou no meio dos carros, me contentava com os domingos de ciclofaixa na zona sul e centro de São Paulo, à passeio.

Mas há 5 meses me mudei pra Dinamarca, um país plano e “bike friendly”. O primeiro mês morei numa ilha e trabalhei como voluntária na própria casa que eu morava, nos 4 meses seguintes morei num município há 20min de trem de Copenhagen, e logo comecei a trabalhar no centro de Copenhagen, então eu vinha diariamente em trem, a bicicleta ficava pros dias de folga, pra pedalar pra praia ou pela floresta atrás de casa. 

Agora estou há 5 dias morando em um bairro que sempre sonhei pertinho do centro de Copenhagen (que na verdade é outro município, mas como está há apenas 3,5 km do centro eu chamo de bairro mesmo, afinal pra mim a Dinamarca inteira é uma grande cidade de interior do nosso Brasilzão kkkkk os dinas me matam se me ouvem falar assim).

Mas de verdade, o estado de SP tem 5x a área da Dinamarca, a população da grande São Paulo é 4x a população da Dinamarca inteira …tudo depende do nosso referencial. E o meu é: em SP eu morava “perto”dos meus pais e “perto”do trabalho, apesar de serem 3 bairros diferentes, eram 3 km pra cada um de distância (que eu sempre fazia de carro). Os meus amigos que moravam em zonas diferentes de SP chegavam a morar a 20 km do trabalho, levar 2h no trânsito, pensa num circuito Limão – Faria Lima ou Lapa – Brooklin, é isso! Longe pra caramba! Isso é considerado viagem de férias na Dinamarca, às vezes nem pra fim de semana eles pegam trem de 2h…mas enfim, estou num “município” há 3,4k do meu trabalho, bem em frente à prefeitura, o que me permite ir de bike. 

Compartilhando alguns fatos: 26% das viagens com menos de 5km na Dinamarca são feitas em bicicleta. 49% das crianças entre 11 e 15 anos vão de bike pras escolas. A cada 1 km pedalado, quando se evita carro, a população ganha 1 euro em benefícios a saúde, e em Copenhagen a população pedala na média 3km/dia.

(fonte: http://www.cycling-embassy.dk/facts-about-cycling-in-denmark/statistics/)

Que sonho de país! E voltando à minha vida de bike: mudei há 5 dias e trabalhei nos últimos 4 dias, levei exatos 11 minutos para chegar ao trabalho, o caminho todo tem ciclovia exclusiva, farol pros ciclistas e preferência pra eles (ops, pra nós, já posso me colocar nesta categoria). Carros e pedestres param para o ciclista passar.

Também tem código, que aprendi rapidinho: se for virar pra direita estica o bracinho na lateral do corpo, se for parar, ergue a mão como se tivesse cumprimentando alguém (dobra o cotovelo em 90 º com a palma aberta pra cima voltada  pra frente). A primeira vez que vi um senhor dando o sinal de parar achei que ele tava me dando tchau, até olhei pra trás pra ver se era comigo mesmo. Mas pior foi minha amiga quando mudou pra cá e deu hi-five no cara da bike que tava fazendo sinal de parar. Gente, sério!

Mas enfim, minha saga da bike começou a 4 dias, o caminho pro trabalho é quase uma reta só, mas ainda tenho dificuldades de tirar a mão do guidão pra fazer sinal de parar ou de virar, sempre tive essa dificuldade, perco o equilíbrio.

Outra grande dificuldade é que só consigo começar a pedalar quando o pedal direito está pra cima. Quando é o esquerdo, começo devagar desgovernada até pegar impulso. E quando os dois pedais param em paralelo ao chão, ferrou, coloco os dois pezinhos no chão e vou no passinho pra frente… sou só eu ou tem mais gente lesada assim? Isso porque minha bike freia no pé quando pedala pra trás, então quando estou paradinha não consigo girar o pedal pra trás até a minha posição favorável: pedal direito acima, pedal esquerdo abaixo. 

Falando em passinho pra frente só consigo parar se alcanço os 2 pés no chão, sem sair do banco. Admiro muito aquelas pessoas que deixam o banco altão e quando param saem do banco à frente pra colocar o pé no chão. Admiro mais ainda as minas de saia lápis e salto que fazem isso (dêem google em imagens da princesa Mary aqui) essa é cena mais comum aqui.

Admiro mais mais ainda, quem começa o pedal de ladinho na bike, dá um impulso com um pé, e depois passa o outro pro ouro lado da bike, wowwww!

Admiro mais mais mais ainda quem pedala segurando o copo reutilizável de café, e ainda faz tudo isso listado acima.

Mas um dia… um dia chego ao estágio destas pessoas e farei um vídeo no youtube sobre como pedalar com maestria. No meu momento atual:  falta só eu colocar rodinhas laterais, né? Mas aos poucos vou tomando jeito. 

Os começos são difíceis, sempre, até se tornarem confortáveis. Estes primeiros dias de bike, preocupada em não atrapalhar os outros e não causar acidentes, em fazer os sinais, decorar o caminho, me trouxeram uma lembrança muito forte de quando comecei a dirigir. Eu tinha 19 anos, já tinha carta mas tinha muito medo de dirigir. Morava em São Carlos, interior de SP, o ano era 2003, e de repente meu pai me deu o carro que era dele antes: um Uno Mile modelo 1990, da idade do meu irmão. O carro já tinha sido do meu pai por 9 anos e do meu avô por mais 4 anos, só tinha 4 marchas, 2 portas e era cor baunilha. Ahhh quem não lembra do Baunilhinha pela UFSCar… foram tantas caronas!

Mas no começo eu morria de medo de dirigir, e nos primeiros dias eu ia pra faculdade 1 hora mais cedo que a aula só pra não cruzar ninguém na rua, pra ir na minha velocidade 20km/hora, sem passar da segunda marcha e fazer as várias tentativas de parar na vaga 45º da faculdade, sem nenhum carro ao redor. Mesmo assim na primeira semana recebi o bilhetinho no parabrisa “aprenda a parar numa vaga só”… nuca esqueço. Boas lembranças!

E esta vida atual no pedal está neste começo devagar e receoso, mas está me deixando muito feliz! Não gasto com transporte, não poluo o meio ambiente, faço um exercício diário, vejo a cidade com outros olhos, pedalo devagar conhecendo cantinhos novos: ja descolei a loja de fantasia pra parada gay e uma floricultura pra encher meu quarto de flores, além de muitos cafés e restaurantes indianos. A gente olha a cidade com outros olhos na bicicleta, observa as pessoas e são aqueles 20min diários (de ida e volta) pra pensar na vida, ter estas reflexões, como esta aqui, e quem sabe a partir desta não reativo este blog que estava parado e trago reflexões semanais sobre a vida na Dinamarca e do sabático? Que assuntos vcs queriam que eu trouxesse aqui?

Reflexões

Nossos ciclos

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Descobri que minha produtividade neste blog sem café é ZERO. Dia 15 de novembro de 2018 eu cheguei na Islândia debaixo de chuva e dia seguinte também choveu o dia todo, então minha amiga e eu tomando um cafezinho na beira da estrada fizemos um pedido e uma promessa pra Santa Clara, ficaríamos 6 meses sem café se parasse de chover…

Santa Clara clareou e tivemos 10 lindos e maravilhosos dias de Islândia! 

De lá pra cá já se passaram 4 meses, visitei outros 8 países, vi a aurora boreal, visitei amigos e família, fiz curso de yoga e thetahealing, mais uma experiência de workaway, e nada de relato no blog, nadinha, sobre nenhuma das experiências ou lugares visitados! 

Ando preguiçosa…

Aí a única relação que consegui fazer foi a do bom e velho café que me acompanhava em frente ao computador quando eu me inspirava a escrever e compartilhar algo. Mas parei hoje neste restaurante vegano em Copenhagen pra refletir sobre produtividade e no que percebi isso aqui já estava virando um post,  mesmo sem café, com um litro de chá verde na minha frente.

E a produtividade que comecei a refletir e queria compartilhar, é a produtividade de nós, mulheres. Com certeza vocês já notaram que tem dias que produzimos mais e outros que produzimos menos, mas muitas de nós nunca conectaram cada dia destes com nossas fases. 

Eu nasci em São Paulo, classe média, e sabe o que acontece com adolescentes com espinhas (muitas) da classe média quando menstruam pela primeira vez? A mãe leva na ginecologista particular e a gineco taca pílula anticoncepcional na gente pra controlar as espinhas e pra já começar a prevenção, que qualquer momento pode surgir um namoradinho. E lá ficamos no uso continuo da pílula por 10, 20 anos.

Não é com todo mundo que acontece isso (Graças a Deusa), e nem tenho dados estatísticos para provar, mas acontece com muita gente, principalmente da minha geração, e baseado na minha pequena amostragem de público feminino do instagram, o dia que coloquei este assunto em pauta choveu direct com “pelo amor da Deusa, mana, comigo também!!!”.

Mas o que tem a gineco particular da classe média paulistana a ver com a produtividade do blog? Nada. Tudo. A pílula na verdade tem tudo a ver.

Entramos na pílula nos 13 pra 14 anos e lá ficamos 20 anos até parar pra tentar ter filho (algumas). Eu fiquei dos 13 aos 30 porque me despertei antes. A pílula é confortável, as espinhas somem, o fluxo menstrual é contido, sabemos exatamente o dia que vamos menstruar e se for réveillon ou carnaval, opa, é só emendar a cartela pra “se livrar”.

O que acontece, é que com o uso da pílula não ovulamos, não produzimos nossos hormônios de forma natural, não conhecemos nosso corpo, nosso real humor, intuição, fases, nossa mulher lobo.

E eu posso estar falando tudo errado aqui do ponto de vista médico, porque sou engenheira e isto não é um artigo acadêmico, e sim uma reflexão da minha auto observação e do que aprendi em cursos e leituras de tantra e de sagrado feminino. Então me poupe! Brincadeira, lê aí se você se identifica!

Depois dos 30, que parei a pílula e passei a me observar, a anotar meus dias de ciclo, meu humor, minha energia pra fazer as coisas, meus dias de preguiça, fui percebendo similaridades a cada ciclo, e após alguns cursos e estudos descobri que é isso mesmo! Se estamos livres de hormônios fakes, isto é, da pílula, em nosso estado natural de ciclo e em contato como nosso feminino, temos 4 fases de 4 arquétipos do feminino bem definidos:

  1. menstruação: fase da bruxa ou anciã. Onde o óvulo não fecundado precisa sair, é a fase de limpeza, momento de introspecção, onde temos a tendência de não socializar muito e não fazer muita atividade física. Então, pra colocar objetivo nos nossos treinos, deveríamos nos cobrar menos nesta fase, e respeitar nossa vontade de pular aquela balada, mesmo que seja A balada. 
  2. pré-ovulação: a donzela. Começamos um novo período, energia de criação bem alta, esta é a melhor fase pra nossa produtividade, intuição, movimento e tomada de ação. Onde estamos com nossa auto-estima mais elevada. 
  3. ovulação: a mãe. É na ovulação que o corpo está se preparando pra gerar uma nova vida, então é nossa fase mais cuidadora, melhor ouvinte, de maior interação social, e é nesta fase que nossa criatividade atinge o ápice, melhor momento pra novos projetos, pra escrever, desenhar.
  4. pós-ovulação: feiticeira ou sacerdotisa. A famosa TPM! Todas as emoções afloram mais nesta fase, quem nunca terminou um namoro e mandou o namorido pra fora de casa pra sempre nesta fase? ops…talvez só eu. Mas é uma ótima fase de reavaliar nossos sentimentos, porque o que está guardado e camuflado vem à tona!

Então, há 4 anos venho me observando nestas fases, anotando cada dia, encontrando as similaridades e faz todo sentido! Eu anoto em tabelinha online, uso o aplicativo WomanLog, onde posso marcar a os dias da menstruação e outras observações, como humor, sexo, produtividade. Também me recomendaram usar o Clue ou o Flow. Se você não toma pílula, começa a anotar seus ânimos, preguiça, criatividade e compara com estas fases!

Recentemente comecei também a fazer minha Mandala Lunar, que super recomendo! Nela você anota na legenda que quiser e com as cores que quiser, o que tem ocorrido com você dia a dia, marca o ciclo e acompanha com as fases da Lua. Não encontrei aplicativo pra isso, se alguém tiver um comenta aqui, mas eu recebo a minha mensalmente pelo site www.mandalalunar.com.br, com ilustrações lindas!

Falando em lindas, esta foto linda no topo do texto foi de um curso na Índia, e uma das primeiras vezes que tive contato com este tema dos ciclos, apesar de ter parado a pílula 3 anos antes sem saber direito porque estava parando, por uma simples necessidade de me limpar de qualquer tipo de medicamento. Mas este curso, ‘Poderes do Feminino’, foi compartilhado pela Deva Geeta e Aysha Almeé, que trabalham no Brasil e super recomendo! E, além do livro ‘Mulheres que Correm com os Lobos’ da Clarissa Pinkola que já li e reli, elas também recomendaram ‘A Lua Vermelha’ da Miranda Gray que ainda não li, mas fala exatamente das energias criativas do ciclo menstrual.

Aproveito e deixo mais 2 dicas amigas relacionadas com o tema: o documentário ‘Period. End of sentence’ disponível no Netflix sobre o tabu menstruação na Índia e o podcast ‘Talvez seja isso’  sobre o livro Mulheres que Correm com os Lobos disponível no Spotfy.

Pois é, rolou um post, e na verdade não tinha nada a ver com a abstinência do café, abro minha mandala lunar e vejo que estou na fase MÃE, da criação. Então todos estes dias que separei na minha agenda pra escrever, fui até um café, sentei confortável, pedi um chá e não saiu texto nenhum, eu estava na verdade em outras fases lunares não propícias pra isso. Se aprendemos isso sobre a gente, podemos administrar nosso tempo e compromissos do jeito mais apropriado, sem nos forçar a nada. 

Confia na sua intuição, mulher, e não se cobre tanto! Respeita seu corpo, respeita sua criatividade, respeita seu humor. E agora vou aproveitar a fase de criação e já emendar outro post sobre Yoga na Índia ou sobre o roteiro da Islândia. Em breve posto aqui, beijo!

ah! acho que nem preciso comentar que para a prevenção de gravidez AND doenças sexualmente transmissíveis sou #teamcamisinha, né? Porque mesmo tomando pílula eu já usava, vocês me poupem se não usam!

Reflexões

Vida pré-sabático

 

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Esses dias atrás, aqui no meu segundo curso de Yoga na Índia, tive que fazer uma tarefa de casa pra aula de filosofia: montar uma aula sobre qualquer tema e apresentar! Filosofia é a matéria mais difícil pra mim, sou das Exatas, né? Mas sentei, meditei um pouco, refleti, e me lembrei de um poema que escutei há um ano atrás de um indiano aqui na Índia: The Calf Path, de Sam Foss.

Então montei minha aula sobre este poema, e uma analogia com a vida moderna que levamos! Em resumo, o poema conta de um caminho desordenado que o um bezerro fez um dia, seguido de um cachorro dia seguinte, de umas ovelhas depois, de uns homens, e um dia este caminho virou uma pequena estrada de um vilarejo, e por fim uma grande avenida toda desordenada no centro de uma cidade, onde milhares de pessoas passam todos os dias sem saber porque aquela avenida  tem formato zigue zague, sem saber que seguiam os passos de um bezerro de 300 anos atrás…

Então eu trouxe pra aula este tema, e o fato de que hoje em dia muitas pessoas nascem, vão pra escola, estudam pra passar na faculdade, fazem faculdade, se formam, batalham por um emprego, financiam o primeiro carro, trabalham mais ainda, são promovidas, casam, financiam o apartamento, trabalham mais e mais, têm seu primeiro filho, e o ciclo se reinicia, mas muitas vezes elas não sabem o porquê. E não tem problema nenhum realizar este ciclo! Desde que se tenha consciência e desejo de realizá-lo, e não fazê-lo porque todo mundo o faz.

Tudo que é feito com consciência é saudável!

Eu estava neste ciclo, terminei o colégio, fiz cursinho, entrei na faculdade.

Todo mundo ia pra faculdade na minha escola, fui também.

Passei em engenharia de produção em faculdade pública do interior, fui morar em São Carlos, aproveitei ao máximo essa fase: a vida em república, os estágios, projetos, voluntariado na Amazônia, intercâmbio, as cervejadas, vivi tudo intensamente, até chegar a fase de me formar e passar num processo de trainee. Lembro que os professores só falavam em processo de trainee, era o assunto do último ano, eram duas possibilidades: ser promovido a analista no estágio atual ou entrar em um processo de trainee, era aquele “calf path”.

Todo mundo prestava processo de trainee na minha faculdade, então prestei também. 

Lembro que me candidatei a mais de 20, e no primeiro que passei já desisti dos outros. Comecei, foi intenso, difícil e eu vivia infeliz, me sentia despreparada, estava numa grande empresa, com um bom salário para um recém formado, mas eu não aprendia muito e era cobrada por coisas que eu não sabia. Me rendeu uma úlcera no estômago e uma sensação eterna de que eu não era boa o suficiente, sempre sendo comparada aos demais. Então mais de um ano depois, desisti. 

As pessoas me achavam louca, desistir de um processo de trainee que ao final de 2 anos o cargo “garantido” era uma gerência! Que sucesso né? Mas pra mim sucesso era ser feliz.

Peguei a recisão, as férias pendentes, o 13º e fui pra Londres fazer 2 meses de curso de inglês. Lembro que nesta época eu dizia “não volto nunca mais pro mercado corporativo!!!”, eu pensava em ser fotógrafa, mas sempre vinha o pensamento “ser fotógrafa dá dinheiro?” e logo eu achava que não, e que se não dava dinheiro eu não deveria tentar, pois foi assim que aprendi na vida: que precisávamos ganhar dinheiro.

Então voltei de Londres, sem um real no bolso, mas eu estava morando com meus pais e eles me apoiavam incondicionalmente, voltei pras entrevistas de emprego, logo passei em uma e virei coordenadora de Trade Marketing. Foi um salto de trainee pra coordenadora, ter a responsabilidade de um time, ser gestora, e eu tinha apenas 26 anos, me considerava nova, mas dessa vez, foi um sucesso: fui feliz! Tinha muitas responsabilidades e em poucos meses fui promovida a gerente de Trade Marketing, o time cresceu, aos 27 anos eu gerenciava 2 analistas, 4 coordenadores regionais e quase 200 promotores, daqueles que executam aquelas gôndolas perfeitinhas em supermercados. Eu adorava dar treinamento a eles, criar processos, rodar os supermercados do Brasil checando gôndola de supermercado!

E aí o fluxo seguiu: recebi proposta de outra empresa, com salário maior e no mercado de beleza, me empolguei tanto! FUI! Fiquei 6 anos, era apaixonada por esta empresa, sou ainda, aprendi, construi muita coisa, fiz amigos incríveis, fui sendo promovida, financiei carro novo,

Todo mundo ao redor tinha carro, comprei também.

Fui sendo promovida, financiei apartamento,

Todo mundo ao redor tinha apartamento, comprei também.  

entra namorado, sai namorado, chega cachorro que eu trato como filho, dedicação total à firma, trabalho, trabalho…

Eu era feliz, mas quando perguntavam quem eu era, eu descrevia meu cargo. Quando perguntavam o que eu fazia da vida, eu respondia a empresa que eu trabalhava. Fui percebendo que meu cargo, meu diploma e minha profissão me representavam. E aquela não era eu. Mas eu também não sabia quem eu era. Estava fazendo tudo seguindo padrões, mas sem consciência.

Aí entraram as terapias, “tradicionais” e as holísticas, cursos de auto conhecimento, livros, sessões, rodas de sagrado feminino, fui me abrindo pra um campo novo, e este processo durou uns dois anos até o dia que quis viver só o que eu considerava  na época “o lado B”. 

Sobre o momento da coragem de tirar o sabático, já contei outra vez aqui! Foram muitas sincronicidades e um momento de trabalho onde eu já não me entregava tanto e a empresa também precisava de outra pessoa em meu lugar. Fui desligada! Oh my god!!! Mentira, foi maravilhoso, foi a coragem que me faltava pra acertar o momento de partir pra esta aventura chamada sabático. 

Eu interrompi um ciclo que estava seguindo por comodidade, porque estava na minha zona de conforto, porque era conhecido e certo, assim como o Calf Path,  que apesar de ser em formato zigue e zague, todo mundo seguia porque era conhecido e certo. Mas eu queria algo desconhecido e novo.

Lembro que em uma das minhas  despedidas da ‘firma’, onde eu contava meus planos de viagem, disse que começaria pela Ásia fazendo uma formação em Yoga na Índia, e uma das meninas do trabalho me disse “que bom, porque no final, se tudo der errado, você pode ser professora de yoga”… na hora eu pensei “eu estou fazendo uma formação em yoga porque se tudo der CERTO eu serei professora de yoga”. Mas eu não julgo e nem culpo este tipo de pensamento, é normal pensar assim, não é todo mundo que quer mudar. Semana passada um dos professores aqui na Índia contou a mesma história, trabalhava em Dubai no mercado da moda, gerente de marketing de marcas de luxo, e largou tudo pra trabalhar com yoga, quando visitou seus antigos amigos em Dubai, um perguntou porque ele tinha feito este “downgrade” de carreira… As pessoas atribuem sucesso à salário e cargos, eu atribuo à felicidade, à ter tempo, e consciência. O dinheiro acompanha quando nos encontramos.

Eu não acho que todo mundo tenha que interromper este ciclo da sociedade, só o que estão inconformados com ele, estes devem! Por que pra muita gente, seguir o ciclo faz completo sentido, é realmente do desejo e consciência deles, então tá ótimo!

Quem eu sou agora? Depois de 22 meses vivendo um sabático? Não sei a resposta…kkk…sou tantas que não sei descrever!

Meu futuro? eu não sei, estou manifestando o que eu quero e sei que o melhor virá! Tenho muitos caminhos que quero seguir agora e alguns paralelos a outros, pois não precisamos ser uma pessoa só. E dentre este caminhos,  pode até ser que eu volte a trabalhar em uma ‘firma’, mas será na cidade que eu escolhi, com um propósito certo e com a consciência do que estou fazendo e porquê. 

E neste exato momento recebo uma msg no Instagram “oi, comecei a te seguir a pouco tempo acabo de largar a engenharia pra trabalhar com energia!”. 

É, Ana Carol, somos muitas!

Reflexões

The Calf Path – Sam Foss

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Há um atrás, aqui na Índia, eu conversava com um indiano sobre sabático, mudança de carreira, sobre deixar de seguir “padrões”… e ele me apresentou este poema de Sam Foss, que vez ou outra eu releio. Então resolvi compartilhar aqui! O original é este, em inglês, mas dá pra passar no tradutor se precisar.

(mas a foto é da estrada na Islândia, hahahaha, só porque gosto da foto mesmo!)

Um poema que conecta e nos questiona!

The Calf Path

(Sam Foss)

“One day through the primeval wood

A calf walked home as good calves should;

But made a trail all bent askew,

A crooked trail as all calves do.

Since then three hundred years have fled,

And I infer the calf is dead.

But still he left behind his trail,

And thereby hangs my moral tale.

The trail was taken up next day,

By a lone dog that passed that way;

And then a wise bell-wether sheep

Pursued the trail o’er vale and steep,

And drew the flock behind him, too,

As good bell-wethers always do.

And from that day, o’er hill and glade.

Through those old woods a path was made.

     

And many men wound in and out,

And dodged, and turned, and bent about,

And uttered words of righteous wrath,

Because ‘twas such a crooked path;

But still they followed—do not laugh—

The first migrations of that calf,

And through this winding wood-way stalked

Because he wobbled when he walked.

     

This forest path became a lane,

that bent and turned and turned again;

This crooked lane became a road,

Where many a poor horse with his load

Toiled on beneath the burning sun,

And traveled some three miles in one.

And thus a century and a half

They trod the footsteps of that calf.

     

The years passed on in swiftness fleet,

The road became a village street;

And this, before men were aware,

A city’s crowded thoroughfare.

And soon the central street was this

Of a renowned metropolis;

And men two centuries and a half,

Trod in the footsteps of that calf.

   

Each day a hundred thousand rout

Followed the zigzag calf about

And o’er his crooked journey went

The traffic of a continent.

A Hundred thousand men were led,

By one calf near three centuries dead.

They followed still his crooked way,

And lost one hundred years a day;

For thus such reverence is lent,

To well established precedent.

A moral lesson this might teach

Were I ordained and called to preach;

For men are prone to go it blind

Along the calf-paths of the mind,

And work away from sun to sun,

To do what other men have done.

They follow in the beaten track,

And out and in, and forth and back,

And still their devious course pursue,

To keep the path that others do.

They keep the path a sacred groove,

Along which all their lives they move.

But how the wise old wood gods laugh,

Who saw the first primeval calf.

Ah, many things this tale might teach—

But I am not ordained to preach.”

Reflexões

O segredo pra viajar sempre

Por Cacau Ribeiro e Marina Storch

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O que você faz para viajar tanto?

Esta é a pergunta que eu e a Cacau do @cacautells ouvimos sempre. Como sabem, eu estou em sabático há 20 meses e a Cacau trabalha de forma remota com a Mrs. Marketing, o que nos permite ter maior disponibilidade para viajar.

Mas, você que trabalha em emprego formal também pode realizar seus sonhos de viajante!

Nós, quando trabalhávamos como executivas, também viajávamos sempre.

Qual é o segredo? Focar, reduzir os custos da viagem, mudar de hábitos e mudar a rota.

1. Sonhe, foque 

Qual é seu destino do sonhos?

Faça sua lista dos sonhos e defina o primeiro da lista. Separe um tempo para definir quando você poderá ir e quanto você precisará para visitar o local desejado.

Qual é o valor médio das passagens? Qual é o valor médio das diárias? Qual é o valor médio gasto com alimentação? Quanto custam os passeios que você deseja fazer?

Você precisa chegar a um valor alvo, sem esta informação você nunca saberá se possui recursos suficientes e quanto tempo precisa para conseguí-lo.

2. Reduza os custos da sua viagem

Há várias formas de viajar gastando menos, seguem algumas dicas.

2.1 Passagens

Este item pede um texto só para ele, porque é mais complexo. Mas a dica base é pesquisar e comparar os preços das passagens.

Você precisa saber como o preço está se comportando para entender quando ele estará mais barato.

Antes de procurar qualquer preço, use janela anônima pois os sites podem identificar a sua procura e aumentar o preço quando você procurar pela segunda vez.

– Data específica

Vá em sites que trabalham com mais de uma empresa aérea e use os recursos de alertas (Skyscanner, Decolar, Submarino, Viajanet, Passagens Imperdíveis , Melhores Destinos etc.).

Você cadastra os destinos, mês ou o período específico e será notificado por e-mail sempre que o preço chegar no valor que gostaria ou quando ele sofrer alguma variação.

Se receber o alerta e a passagem estiver baixa, não espere.

Mas, antes, confira no site da companhia aérea se o valor está menor, geralmente as OTAs (agências online) vendem mais caro, mas parcelam.

Já comprando nas companhias aéreas o valor pode estar menor, porém as condições de pagamento não são tão boas.

– Datas flexíveis

Se você não tem data específica, use sites como Skyscanner e Google Voos para pesquisar quando as passagens estão mais baratas para aquele destino e você programa a sua viagem levando em consideração menores valores.

Estes sites mostram o valor das passagens por dia e comparam várias companhias. Assim, você terá mais chance de escolher a passagem mais baratas.

Também vale cadastrar seu e-mail nos sites agência (Skyscanner, Decolar, Submarino, Viajanet, Passagens Imperdíveis , Melhores Destinos)

Eles enviam para você as principais promoções independente do destino. Basta ficar de olho e comprar quando aparecer algo interessante para você.

E se estiver completamente aberto, pode buscar no skyscanner vôo da cidade onde estiver para “qualquer destino”e ele vai te dar as opções de destino por preço, quem sabe desta ferramenta não sai seu próximo destino de férias, foi assim que da Índia, fui parar no Nepal!

2.2 Hospedagens

– Contatos 

É a hora de bater na porta de amigos, conhecidos e parentes.

Não há nada melhor que rever uma pessoa querida e ainda economizar com hospedagem (amigos de amigos e instafriends também estão valendo!!)

– Economia compartilhada

A economia compartilhada é uma mão na roda quando falamos de hospedagem.

Alguns exemplos:

– Airbnb : pessoas alugam casas ou apartamentos inteiros ou quartos em suas casas. Dependendo da localidade é mais barato que as hospedagens tradicionais e é bem seguro.

– Couchsurfing : neste site pessoas oferecem espaço nas suas casas de graça. Aqui nem sempre o conforto é prioridade e deve-se ficar atento as referências da pessoa.

– Workaway e Worlpackers: você paga uma taxa anual e pode inscrever-se para vagas do mundo todo em que troca-se trabalho por hospedagem. (contei minha experiência trabalhando em hostel neste link).

– Comparar 

Os bons e velhos Booking , Trivago e  Agoda (muito usado na Ásia) não devem ser esquecidos.

Caso você não deseje aventurar-se nas formas mais baratas, compare preços até encontrar algo que caiba no seu bolso.

Lembre-se também que os hostels continuam sendo uma boa opção para quem quer economizar e muitos já priorizam o conforto e segurança dos hóspedes.

– Desconto e bônus

Abuse e use dos meus links de descontos e bônus:

– Desconto de € 40 na sua primeira hospedagem pelo Airbnb usando meu link.

– Bônus de R$50,00 em qualquer hospedagem feito pelo Booking usando meu link.

Neste sabático eu testei diversas formas de hospedagens, até camping rolou na Grécia que foi a opção mais econômica na alta temporada) e relatei um pouco de cada experiência neste outro post aqui.

2.3 Alimentação

Priorize hospedagens que permitam o uso da cozinha.

Esta é uma modalidade muito usada por pessoas que alugam quarto pelo Airbnb e por alguns hostels.

Evite comer fora todos os dias, deixe estes momentos para dias especiais e sempre ande com seu lanche na mochila. (gostamos de lanches).

2.4 Passeios 

Pesquise o que pode ser feito de graça onde você vai.

Em Paris, por exemplo, ver a Torre Eiffel é de graça, você só paga se quiser subir nela. A experiência de ver a torre de longe ou ficar embaixo dela já é de tirar o fôlego.

Quando a Cacau foi, esticou a toalha dela no gramado e ficou apenas contemplando, depois foi a uma apresentação de opera na praça que fica ao lado.

Experiência maravilhosa e grátis!

Visitar outros lugares é muito mais do que entrar e pagar por atrações turísticas.

2.5 Transporte

Procure ficar em locais bem localizados para evitar o uso de transporte, caso esteja em um local cujo transporte público é precário (ou caríssimo).

Já na Europa, você pode ficar um pouco mais afastado e pagar menos com hospedagem. Já que usar o transporte é fácil e rápido (baixe os mapas do metrô e faça do Google Maps ou maps.me seus melhores amigos).

A bicicleta também é uma ótima opção em alguns locais. Em alguns países você pode optar por bicicletas compartilhadas.

Aplicativos como Uber ou o Grab (usado na Ásia) também são uma boa opção caso você precise de carro. Em alguns países, você pode também compartilhar a corrida!

Já caronas, a Cacau e eu nunca nos arriscamos, mas caronas seguras podem ser definidas pelo BláBlácar, onde o aplicativo consta as informações de quem está dando e recebendo a carona.

3. Mude seus hábitos  

Não tem para onde correr, se você não ganhou na loteria, precisará economizar se quiser viajar sempre.

Já que você agora sabe quanto precisará para viajar, é hora de economizar para conseguir pagar as passagens, hospedagens e ter dinheiro para gastar lá.

Tanto eu quanto a Cacau tivemos que mudar alguns hábitos quando decidimos fazer nossa primeira grande viagem.

Seguem alguns deles:

– Fuja de feriados

Evite viajar em feriados e finais de semana.

Opte por viajar nas férias para poder passar mais tempo viajando e gastar menos.

– Baladas

Diminuir as saídas e/ou trocá-las por passeios e baladas grátis.

Um montante considerável de dinheiro vai embora nas baladas, no cinema, nos shows, etc.

Sei que é complicado cortar este hábito, mas pense que em breve você estará no destino que tanto sonhou e por um tempo maior que a maior parte das pessoas.

É também possível divertir-se gastando pouco, procure e você achará boas opções na sua cidade. Parque e piqueniques, pipoca e Netflix, festinha em casa e comidinha caseira também são opções viáveis.

– Bebida

Se sair, beba menos ou não beba (por causa do álcool perdemos muito da nossa economia e muitas vezes a memória kkk).

– Roupas

Compre apenas o que você precisa e não o que você deseja.

Reutilize, aproveite bazares e promoções e vá em brechós.

– Alimentação

Por causa do yoga me tornei vegetariana, mas acabei economizando muito em restaurantes, pratos com carne são sempre mais caros. Também cortei a bebida e o cafezinho, e a conta diminuiu.

Fuja de Ifood e restaurantes. Comer em casa ou levar comida de casa sempre é mais barato.

– Renda Extra

Procure uma forma de ganhar dinheiro extra.

A Cacau aluga um quarto da casa dela pelo Airbnb e usa parte da renda para as viagens.

Já eu me desfiz do meu guarda-roupa, deixei apenas o que coube no mochilão e vendi o resto em bazares e no site do Enjoei (pode procurar a lojinha de Marina Storch lá que está em promo).

Agora é colocar a mão na massa e começar a arrumar as malas.

Você ficou com alguma dúvida?

Depois olha um pouco dos destinos que já exploramos:

Cacau: https://www.depoisdeumpenabunda.com.br

Marina: https://mudeiarota.com/category/roteiros-de-viagem/

Até breve!

Reflexões

em trânsito

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Aqui estou eu no aeroporto de Dublin, na verdade nesta foto eu já estou na casa da minha amiga em Zurique, 24h depois de uma longa viagem, mas quando escrevi este texto eu estava no aeroporto de Dublin, então vamos lá: aqui estou no aeroporto de Dublin, são quase 2h da manhã, saí ao meio dia da casa do meu irmão em Killarney, do outro lado da Irlanda, passei a tarde em Cork, onde deixei meu mochilão em uma loja, e a noite peguei um ônibus de 4 horas pra Dublin. Cheguei 11 da noite num ponto de ônibus no meio do nada e esperei o próximo ônibus pro aeroporto. Meu vôo mesmo é só amanhã às 6h da manhã. Mas quando somos mochileiros, colocamos no papel se vale mesmo ir até a cidade, pagar hostel, enfrentar busão na madrugada… melhor passar a noite aqui, do jeito que estou, de meia, com um sanduíche e uma cerveja, bolsa colada no corpo, e dois bancos unidos pra eu conseguir deitar e tirar um cochilo. Esta situação de busão, mochilão, aeroporto, já faz parte da minha rotina.

Já são 20 meses viajando e foram incontáveis noites de aeroporto, o de Kuala Lumpur era minha segunda casa na Ásia,  os vôos mais baratos são via Air Asia e sempre tinham escala em Kuala Lumpur, lembro que uma vez eu tinha 6 horas de espera lá, de madrugada, resolvi me dar um luxo e paguei 55 dólares por um quarto no aeroporto, eu tava muito cansada e só queria dormir, mas quando cheguei no quarto, chuveiro bom, secador, TV, quarto só pra mim, um monte de luxo que eu não tinha há meses, resolvi aproveitar tudo e nem dormi! 

E já teve noite no chão do aeroporto de Istambul, com sleeping esticado no carpete que fui acordada 4h da manhã com o moço querendo passar aspirador, teve 5 horas de espera no aeroporto da Etiópia, numa sala entupida de gente sem lugar pra sentar, e teve noite em triliche de trem na Índia, isto mesmo, TRI-liche em um trem em movimento, 16 horas em trem numa micro cama e um medo…um medo gente, no meio daqueles indianos todos, sem saber o que poderia acontecer, dormindo mas acordando a cada 5min só pra checar se estava tudo como estava antes. E o medo não é à toa, recentemente vi o relato do @caiotravels sobre a Índia, alguém se aproveitou dele dormindo no trem e colocou 1 kilo de ópio no mochilão dele, tem traficante que faz isso com medo da polícia entrar no trem e verificar, e provavelmente esse cara não conseguiu tirar a droga depois, que o Caio mudou de cama e ficou em cima do mochilão. Sim, acontece.

Ah, e teve noite em ônibus noturno na índia também, em umas cabininhas que mais parece um caixão. E que não quero nem imaginar quem tava deitado antes de mim.

Eu não consigo lembrar direito como eu era antes deste sábatico, porque aqui virou rotina me movimentar de cidade a cada 3 ou 5 dias, antes acho que eu ficava um pouco ansiosa, chegava com antecedência no aeroporto, separava a roupa certa pra viajar, mochilinha, checava todas as diretrizes do destino. Hoje vou de qualquer jeito e até esqueço, às vezes pouso num novo país, sem internet, e penso “vix, esqueci de ver como chego no hostel”, saio perguntando, pego uns ônibus locais e tudo sempre dá certo. Lembro que há um ano atrás, no início de 2018 eu tava em Gold Coast, na Austrália, tranquei meu mochilão no locker do aeroporto e andei até a praia, dei um último mergulho no Pacífico Sul, coloquei o vestido por cima do biquíni molhado, voltei, despachei o mochilão e entrei pro embarque, assim como quem sai da piscina do prédio. 

Mas também teve muito perrengue nestes longos transportes, lembro que no Sri Lanka eu tava sem chip de internet e resolvi ir da praia no sul pras montanhas no meio do país em ônibus local. O primeiro durou 4 horas e eu fiquei com muita, muita vontade de fazer xixi, obviamente o ônibus não tinha banheiro e  ninguém falava inglês, por mímica tentei fazer o motorista parar, mas ele só deu risada. De repente o ônibus parou num quiosque no meio da estrada, a mulherada desceu e foi fazer xixi atrás do muro, fui junto, e depois todo mundo pediu comida, mas eu com medo de perder o ônibus e sem ninguém falar inglês, voltei e esperei 15 minutos derretendo lá dentro. Mas foi na troca de ônibus que o bicho pegou, parei numa rodoviária pequena, nenhuma placa nem sequer no alfabeto romano, parou um primeiro moço pra me “ajudar”, me disse que o ônibus que eu queria ia sair de uma plataforma, fui e esperei. Parei outro moço que me confirmou, mas este disse que talvez o ônibus não viria, que acontecia com frequência e ele poderia me levar. Daí veio um terceiro cara e ofereceu carona também, dizendo que este ônibus não passava há dias, eu via os 3 caras parados cada um num canto, se entreolhando. PÂNICO. Parei 3 meninas adolescentes, tentei pedir informação, elas só davam risada sem entender nada de inglês. Então saí andando pelas ruas, achei um policial, ele me levou até a plataforma certa que era totalmente oposta a onde eu estava e o ônibus chegou.

Viajar sozinha é isso, é confiar nas pessoas sempre desconfiando, é perguntar a mesma coisa pra várias pessoas diferentes, é não demonstrar medo nunca, mesmo que tremendo por dentro, erguer o peito, mas saber também que tem gente do bem, gente que ajuda. O dia que cheguei na Noruega vindo da Islândia, tava com a minha amiga na máquina comprando bilhete de ônibus pra cidade, chegou um cara e ofereceu o bilhete que ele tinha a mais, sem cobrar nada, e custava uns R$ 100!

Mas um vez na Índia, na entrada da estação de trem, no raio x (na Índia tem raio x pra entrar em metrô, rodoviária, aeroporto…) tinha um cara sem uniforme nenhum, pedindo pra ver o bilhete, quando ele olhou o meu disse que o trem tinha sido cancelado e no mesmo momento surgiu um segundo cara dizendo que poderia me levar ao destino em táxi. Ainda bem que eu já era rata velha de Índia, acompanhava todos os trens pelo aplicativo, vi que o cara nem uniforme tinha, xinguei e entrei na rodoviária. Na Índia é assim, na base do xingamento, tem que enfrentar. Sim, a Índia nos fortalece, muito. 

Lembrando destes momentos tensos de Índia e Sri Lanka até me acomodo mais na poltrona aqui na Irlanda, feliz, aeroporto seguro, confortável, até esqueço que hoje serão 24h em trânsito com a mesma roupa. 

Ah, acabei de lembrar como eu era pré-sabático, eu fui 5 anos seguidos pra Rondônia de ônibus, 2 dias e meio viajando, pra fazer trabalho voluntários com as populações ribeirinhas, sim, sempre gostei de um perrengue, é normal.

Reflexões

sobre ficar offline

NY

Como ficamos tão dependentes do celular? Fiquei 3 dias sem o meu, me sobrou tempo, me faltou informação e praticidade, mas a gente se vira né? Valeu pela experiência, pelo tempo e pela reflexão.

Quando comprei minha passagem pra Europa, próxima temporada do sabático, a mais barata tinha uma conexão em Nova Iorque, conexão de 10 horas durante o dia, achei mara, afinal, NY é NY né mores? Então, como eu estava na fase desapego, vendendo meu armário inteiro e as roupas que eu trouxe da Índia, resolvi vender também meu iphone que estava comigo há 14 meses e comprar o mais recente em NY, com a câmera e a bateria melhorados. Entreguei ele há 3 dias pra uma amiga que o comprou, eu não soube fazer o backup, perdi as conversas de whatsapp, mas neste desapego maravilhoso nem liguei!

Mas vocês já experimentaram ficar 3 dias sem celular? É tão fora de rotina que não sei nem explicar. Se bem que em Piracanga mês passado fiquei 10 dias sem, mas lá era outro propósito e fora da rotina habitual, foi mais fácil.

Agora, sobre estes 3 dias em SP sem celular, primeiro eu tinha que entregá-lo na Vila Leopoldina, que é um bairro que não conheço, peguei o carro emprestado da minha mãe e poderia usar o waze, mas pensei, como vou voltar? É tão viciante que nunca mais me locomovi em SP sem waze, nem reparo mais em placa. Mas pra não ficar toda lost por SP, meu pai ainda fez o favor de vir comigo e dirigir. Beleza, celular entregue, aproveitei pra pegar meu passaporte na Lapa, e voltei pra casa pra fazer a mala.

Aquela mala confusa né? Roupa de praia pra Grécia, seguido de roupa de trekking pro caminho de Santiago, seguido de roupa de inverno pesado pra aguentar oquase ZERO grau previsto na Islândia em novembro. A toda hora eu me pegava procurando o celular, pra tudo: checar o whatsapp, ver a hora, fazer stories, buscar a temperatura, colocar uma música… “ah! lembrei! estou sem celular” bom que arrumei a mala mais rápido e sem interrupções. Como o tempo rende sem celular, gente!

Aí, antes de ir pra Guarulhos, anotei no bom e velho caderninho tudo que eu precisava: endereço do hostel em Atenas, principais direções pra chegar na Apple Store em NY de metrô e detalhes do vôo.

Pousei em NY, checkout, alfândega, checkin de novo, fui perguntando e me achando, trem pra sair do aeroporto, baldeação no metrô e cheguei no Meat Packing District. Cheguei na esquina que eu tinha anotado no caderninho, 14st com 8av…não tinha apple store não, acho que anotei errado e eu nem sabia que horas eram e se estaria aberta, perguntei pra duas pessoas na rua que não sabiam onde estava a loja,  anda mais um pouquinho, Starbucks, ótimo! Conectei o computador na internet e ainda tomei um café. Como tinha meia hora pra loja abrir, e descobri que eu estava há uma quadra, resolvi sentar e começar este relato aqui, já que vim os 45 minutos no metrô olhando as pessoas ao redor conectadíssimas e pensando na vida sem celular.

No cantinho do starbucks, onde eu esperava meu café ficar pronto, tinha um display cheio de cafés e lanches “mobile order, pickup here”, e as pessoas entravam, iam neste display, pegavam seus cafés que tinham solicitado pelo aplicativo e saíam, sem nem dar oi pra ninguém, sem nenhuma interação humana, sem a tia do starbucks nem gritar seus nomes…que aqui no caso fiquei como “Mirena” mesmo. Nem sei se já existe este sistema no Brasil, mas como o mundo está online, não? Isso é muito Black Mirror! Ainda prefiro o tradicional café da padaria da esquina, daqueles que quando você senta no balcão, te perguntam “o mesmo de sempre?”

9:00, abriu a loja, fui lá, comprei o vício, digo, iphone, configurei, voltei pro WhatsApp e já passei o dia fazendo stories, afinal tô à toa, tô viajando, tô sozinha, né não? Vida normal que segue.

Sobre passar um dia em NYC, pra quem tem escala aqui, segue minha #dicaamiga: usem o airtrain e metrô pra chegar na cidade (US$ 8 cada perna), ir para Meat Packing District, passear no parque suspenso High Line e almoçar no Chelsea Market. Pra mim, é meu programa preferido em NY! Agora, se você nunca veio a NY, e quiser focar no mais tradicional, faça a 5a Avenida com Central Park e Times Square, e um lanche no Shake Shack (amooo o veggie deles de cogumelo). E se tiver uma noite, escolha um musical da Broadway, mas minha dica de ouro vai pro musical off broadway “Sleep no more” no McKittrick Hotel, uma experiência teatral de Shakespeare, onde você entra na cena, participando pelos 5 andares de peça…ai que saudades!! queria dormir uma noite aqui só pra ter esta experiência de novo… ❤

Reflexões

‘Viajar’ por Gabriel

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” Viajar es marcharse de casa,

es dejar los amigos

es intentar volar

volar conociendo otras ramas

recorriendo caminos

es intentar cambiar.

Viajar es vestirse de loco

es decir “no me importa”

es querer regresar.

Regresar valorando lo poco

saboreando una copa,

es desear empezar.

Viajar es sentirse poeta,

es escribir una carta,

es querer abrazar.

Abrazar al llegar a una puerta

añorando la calma

es dejarse besar.

Viajar es volverse mundano

es conocer otra gente

es volver a empezar.

Empezar extendiendo la mano,

aprendiendo del fuerte,

es sentir soledad.

Viajar es marcharse de casa,

es vestirse de loco

diciendo todo y nada con una postal,

Es dormir en otra cama,

sentir que el tiempo es corto,

viajar es regresar.”

Gabriel García Márquez

Só porque me identifico, apenas porque amo, simplesmente porque é verdade.

Reflexões

Sobre viajar sozinha e fazer amigos

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Uma amiga me perguntou esses dias como é viajar sozinha e estar sempre acompanhada, como são estas novas amizades, onde vivem, como dormem, do que se alimentam … pois bem, estou numa escala de 5 horas durante a madrugada no aeroporto em Kuala Lumpur (aeroporto este que visitei mais que visitei minha avó na vida inteira) e como estou voltando da Indonésia que fui sozinha e fiz quase 40 amigos, resolvi fazer uma retrospectiva dos meus momentos sozinha de Ásia e refletir sobre isso.

Primeiro, temos que respeitar nossa natureza, não dá pra forçar nada, eu principalmente respeito meu ciclo menstrual e percebo direitinho minhas fases mais introspectiva, mais extrovertida, mais fogo no rabo (essa é longa hahahah), mais criativa.  Depois que aprendi a me observar e respeitar minhas fases, não me forço a nada. Então não tem muita regra, mas tem diferentes momentos, posso estar num hostel bombando e estarei no canto lendo meu livro de boa, como também posso estar hospedada sozinha em um quarto de hotel, mas me conectar na rua até com uma capivara e organizar um jantar onde junto todo mundo que conheci naquela semana dos mais diferentes lugares. No Kuala Lumpur, por exemplo, eu estava numa fase quietinha e tava vindo das Filipinas que foi muito relacional, então meus 3 dias de Kuala Lumpur resolvi explorar a cidade sozinha, quietinha, ignorei todo mundo no hostel.

Em segundo lugar, sou tímida. Verdade. Eu me solto muito depois que já conheci a pessoa, mas num geral, primeiro contato, sozinha, sou bem quietinha. Mas nesta viagem estou com muita vontade de conhecer gente, curiosidade, quero viver muitos momentos com as pessoas ao redor que estão vivendo o mesmo momento, então adotei o meme que mais gosto “o não eu já tenho, agora vou atrás da humilhação” hahahaha, portanto puxo papo, sem vergonha! Muita gente não me dá moral, principalmente gente bem novinha, os de 20…devem pensar “quem é essa tia?”, sim gente, porque tenho 34, e fiz o favor de raspar a cabeça antes de vir, então meu cabelo está crescendo como o de uma senhora, às vezes pareço até mais velha do que eu sou sim.  Mas a maior parte das vezes as pessoas estão bem abertas e a conversa flui. Num lobby de hotel nas Filipinas puxei papo com duas inglesas de 19 anos, e dia seguinte tive a melhor balada com elas, jesus, não sei nem como sobrevivi a tantos shots, porque se tem um povo que sabe beber, são os britânicos. Já  os australianos eu evito contato por não entender o sotaque, kkkk, mas no meu aniversário eu estava sozinha num hostel na praia no Sri Lanka e chegaram 5 australianos de 22 anos, cheguei na mesa deles e logo lancei “oi, tô fazendo 34 anos hoje e estou sozinha, posso sentar com vcs?”, basta sorrir, minha gente, eles me incluiram no drinking game deles que até hoje não entendi as regras, mas só eu bebia toda rodada e acabamos na balada. E também tiveram muitas vezes que puxei papo e a pessoa me respondeu seca, não perguntou nada em retorno, me mediu de cima a baixo e ok também, vida que segue, tentemos o próximo, é só não desistir na primeira batalha.

Terceiro: acredito que tudo ao nosso redor é movido pela energia. O que emanamos, atraímos, então se estou bem, feliz, acordo todo dia e agradeço a oportunidade de eu estar vivendo este sabático e esta viagem, acabo atraindo pessoas do bem também! Sabe o termo “o santo não bateu”? Acontece. Às vezes cruzamos pessoas que simplesmente não queremos estar junto, pessoas reclamonas, negativas, essas aí já percebo logo e caio fora, prefiro sempre estar sozinha do que mal acompanhada, principalmente pra viver e visitar estes lugares tão únicos e especiais! E esse negócio de energia é engraçado (pra quem acredita), lembro que há 7 meses eu estava em Auroville, no sul da Índia, sentada em um café tentando colocar este site no ar há horas, mas sofreniiii porque não manjo nada, aí surgiu um suíço, que tinha sentado do meu lado no ônibus numa visita a agrofloresta, ele me viu no café, pediu pra sentar comigo e em 5 minutos meu site estava no ar, ele trabalhava justamente como designer gráfico. A gente atrai o que deseja!

Agora vamos às táticas que adotei aqui nesta viagem, anotem, xuxus:

1) quando chego numa cidade e desembarco, na esteira à espera da mala no aeroporto, ou no trajeto no busão ou no trem já observo cada ser humano ao redor. Quando vejo um mochileiro ocidental mais aberto, sorrindo, observando ao redor, já vou perguntar se está indo pro mesmo lugar que eu, se tem hostel reservado,  se topa dividir o táxi ou se vai enfrentar busão pra irmos juntos e etc. Às vezes já arrumo o próximo companheiro de viagem neste momento, foi assim com um alemão no Sri Lanka, aliás a primeira aula de yoga que dei na vida foi pra ele na praia, no dia seguinte que puxei papo em um trem e dividimos o tuk tuk até os nossos hostels.

2) Aí chego no hostel, às vezes com a pessoa que já me arranjei no meio de transporte, às vezes sozinha, me hospedo em quartos compartilhados de 6 a 8 camas, começo a me instalar e qualquer pessoa que esteja no quarto já me apresento “hello, i’m marina from brazil”. E aqui é Brasil, né? Quem não gosta? Temos esta vantagem competitiva, é falar que é do Brasil, povo já abre o sorrisão, ou a pessoa já foi para o “Rio de janeiRo” (leia isso com sotaque de gringo nos R’s) ou sonha em ir. Daí o assunto já entra no embalo. Foi assim que conheci uma americana no hostel de Bali que ama churrasco, depois de 5 minutos de conversa já fechamos um driver pra ir numa cachoeira, nos juntamos com mais uma inglesa do quarto e saímos pra jantar.

3) Ainda no hostel, tento participar de algumas atividades, os tours que eles organizam, walking tour pela cidade, noite de cinema, happy hour, foi no happy hour do hostel em Gili T na Indonésia, lotado de latinos, que fiz uma turma de amigos, e minha estadia que deveria durar 3 dias, viraram 10 hablando espanhol todo o tempo. No Myanmar, fiz um tour e conheci umas meninas muito incríveis, dia seguinte já fechamos um trekking de 3 dias juntas, e na próxima cidade passamos mais 3 dias de turma, andando de bike, almoçando e jantando juntas. Às vezes dá liga!

4) Agora, se estou numa cidade que não consegui hostel e fui pra um quarto privado, tenho a tática das atrações turísticas, aqui  o foco é outro: mirar pessoas sozinhas ou duplas de amigas/amigos tirando selfies. O truque é se oferecer pra tirar foto deles, depois pedir que tirem sua, fazer uma yoga pose na foto que o povo dá risada e quer imitar depois e emendar a conversa. Eu evito casais neste momento pois eles são mais fechados hahahahah (mas há exceções!!! Conheci um casal mara holandês num trem no Sri Lanka e saímos pra almoçar na espera do segundo trem e conheci outro casal  mara da África do Sul numa mesa de bar na indonésia que fomos pra balada dia seguinte)

5) Se isto é um tabu pra você, é necessário quebrá-lo: ir pra restaurantes, bares e baladas sozinha! Chego, foco em sentar perto de quem tá sozinho também, puxo assunto, às vezes só perguntando o que a pessoa visitou aquele dia ou o que recomenda já gera assunto. Um dia no Sri Lanka eu queria muito ir pra balada e ninguém do hostel animou, fui sozinha mesmo, e dançando sozinha conheci uns espanhóis mara que acabei passando 3 dias juntos (and paquera.). Ah! Na praia também já conheci muita gente estando sozinha, olhando pros lados sorrindo, os gregos nas Filipinas conheci assim (and paquera). Sorrir é importante! Foi sorrindo na trilha do Everest que eu estava fazendo sozinha com um guia, que uns americanos vieram puxar papo, e acabaram virando minha turma pelos 12 dias de trilha (and paquera também, por que né?). Ok, vou parar de falar de paquera e focar nos amigos.

6) Este instagram mara que deus nos deu, usem! nunca imaginei que eu fosse ter tanto amigo virtual da sala de bate papo da uol. Sério, cada um que me manda direct no insta eu respondo, alguns estão na mesma cidade, ou vamos nos cruzar nos próximo destino, aí marcamos de nos encontrar. Ou algum amigo que apresenta outro pelo insta, bato um papo e encontro. Facebook também, na Índia eu entrei no grupo mochileiros do face e achei 2 brasileiros fazendo o mesmo itinerário que eu pelo Rajastão, me juntei a eles por 10 dias, olha, a viagem não teria sido a mesma sem eles! O povo também usa o site do couchsurf pra hangout, tem a opção de hospedagem gratuita no couchsurf, mas também tem esta opção de apenas se conectar com quem está na mesma cidade e marcar um café ou um tour, eu nunca usei, mas sei que existe.

7) Esta tática mais velha, mas pra mim tem apenas 1 semana porque nunca tinha usado antes: usar o tinder em viagem é mara! Muita gente usa em viagem com um intuito diferente, já coloca no profile “estou em bali até o dia 10, se estiver afim de uma praia junto, um almoço, uma cerveja, marcamos”, mais de boa sem tanto apelo sexual. Montei meu perfil e usei por um fim de semana em uma praia que eu estava sozinha em Bali, funcionou, já mandei de cara “estou sozinha, queria ir na balada domingo”e o brasileiro mara já mandou “vem com a minha turma do hostel” e ainda nos encontramos na praia, rolou date, e ainda brasileiro que eu tava com tantas saudades, mara!

8) Esta é importante: nunca deixar passar batido um brasileiro, nunca. Sabe quando você escuta  português lá do outro lado da calçada, corre lá e grita “ae brasil!”. Melhores pessoas!  Principalmente pra mim que estou há muito tempo longe de casa, amo conhecer brasileiros aqui. Não são todos que são abertos, principalmente os  que estão em férias curtas, estes estão mesmo é fugindo dos brasileiros, é batata: te dão um sorriso amarelo e não retribuem uma pergunta que vc fizer…mas se for outro viajante de longa data como você, ou alguém que está morando naquela cidade, é fervo certo, em 5 min já trocamos whatsapp, face, instagram, já temos selfie e descobrimos um amigo em comum no brasil que já mandamos aquele áudio “amigaaaaa você não acreditaaaa quem tá do meu lado”. Foi assim no Everest, sentei pra ver um filme numa das paradas de descanso da trilha e escutei dois brasileiros, ficamos amigos, e um foi meu companheiro de alguns jantares em Katmandu depois, e o outro almocei junto em Singapura um mês depois. Já em Auroville, no sul da índia, escutei uma brasileira na rua, ficamos amigas e ela me me colocou em contato com um grupo de brasileiros morando na Índia, que só por ganesha, nunca me senti tão em casa com eles, até balada funk rola quando estou em Delhi.

9) Agora, sobre a máxima “bora beber que eu nunca fiz amigo comendo salada” aqui, não é verdade. Sim, é mais fácil fazer amigo bebendo no hostel ou no bar, mas quando comecei este sabático me propus a reduzir muito o consumo de álcool, pra ajudar na minha evolução no yoga e na meditação, mas também porque beber encarece qualquer viagem, então me propus a beber 1 vez ao mês, e em países muito festeiros acabo bebendo só aos sábados ou domingos. Mas aprendi a estar na festa, no bar, no pub, bebendo uma água de coco, um suco, um café, e me relacionar com as pessoas da mesma forma, sem gastar tanto e sem ressaca dia seguinte. Comecei a fazer isso antes mesmo de viajar, meus últimos meses em São Paulo continuei frequentando as mesmas festas (e muitas gratuitas) bebendo apenas água, e fui feliz.  E sim, na Índia fiz amigos comenda salada, compartilhando mesa de restaurante vegetariano. Rishikesh na Índia veio pra me provar isso, é uma dry city (proibido o consumo de álcool) e onde eu conheci mais gente, nos restaurantes, nas aulas de yoga, na fila pros satsangs do Prem Baba, num curso que fiz, na dança circular e até na beira do rio. Tá vendo, sabático tá aí quebrando paradigmas!

Fato é, nestes 9 meses de Ásia fiz amigos apenas quando eu estava sozinha, todas às vezes que me encontrei com alguém que veio do Brasil pra fazer uma parte da viagem junto, foi mais difícil conhecer novas pessoas. E pra mim, a beleza desta viagem não está só em conhecer lugares, mas em conhecer as pessoas, as diferentes culturas, religiões, histórias de vida e pontos de vista. Foi num jantar com a israelense em Canggu e em outro jantar com a americana em Colombo que me vi no outro, que percebi não ser a única a largar a carreira corporativa e explorar o mundo, não sou a única a buscar meu propósito e uma nova carreira … nestas conversar empáticas crescemos ainda mais. E pode até ser que eu nunca mais veja estas pessoas na vida, mas elas fizeram diferença naquele momento. Outras, com certeza ainda verei, aqui mesmo fui reencontrando muita gente de país em país, e este mês saio da Ásia com uma listinha de gente pra visitar na Europa. eba!!!

Estas conexões não são lindas?