Reflexões

6 meses de Ásia!

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6 meses de Ásia completo hoje, dia 04 de outubro de 2017 eu chegava na Índia pra esta jornada de Ásia que duraria 6 meses, já cheguei com a passagem de volta comprada pro Brasil dia 04 de abril…porém, há 2 meses atrás mudei a rota e a passagem de volta para junho…

6 meses já se passaram! 6 intensos meses em 5 países asiáticos, com uma escapadinha de 15 dias pra Austrália bem no terceiro mês.

6 meses vivendo as mais diferentes culturas e religiões, visitando templos budistas, hinduístas, jainistas, mesquitas, comendo o melhor Palak Paneer na Índia e sofrendo pra achar algo vegetariano nas Filipinas…6 meses passando de hostel em hostel, divindindo quarto com holandeses, alemães, americanos, chilenos, franceses, recebendo sorrisos pela rua… Mingalabar! Namastê!

Peço informação e o que mais escuto é “i don’t know”, não importa o país … escutei mais “i don’t  know” aqui do que em todas as aulas de inglês somadas da minha vida!

A Ásia me entrega tanto, tanto aprendizado, cultura, sabores, sentimentos, até uma tatuagem que me surgiu na cabeça na noite de Mahashivaratri, entoando mantras pra Shiva e que o tatuador em Rishikesh, na Índia soube traduzir tão bem em uma mandala com a flor de lótus, o sol e a lua.

Sento no sofá do hostel em Myanmar com meu amigo lady boy da recepção, bed bugs atacam meu braço, já estou acostumada, cada lugar eh um inseto diferente. A comunicação é difícil… mas o sorriso e mímica resolvem, pelo que entendi, eu ajudei ele a escolher um filhote de cachorro pela internet. O bichinho deve chegar amanhã.

Fiz tantos amigos aqui! Saudades de cada um! A lista de contatos no celular se expande “Heleanna Barcelona”, “Cindy Paris”, “Tom Londres” e um monte de gente me oferecendo estadia quando eu for pra Europa. Faço um FaceTime com alguém especial nas Filipinas, saudades e coração apertado, troco msgs com as amigas na Índia, mais gente em comum que se conheceu por lá, este mundo é enorme e bem pequenininho.

Cheiro de sardinha frita no andar de baixo, sigo há 7 dias na mesma praia no Myanmar, Ngapali, acabei ficando mais aqui pois outros destinos que eu ia estão inseguros por ataques raciais, enjoa a mesma comida por 7 dias seguidos, tentei um jejum hoje pra limpeza do corpo, não consegui. Também não é o momento, estou no meio de um processo com Yoni Eggs, ando nostálgica, reclusa, trabalhando vários sentimentos.

Mas pelo menos estou na praia, posso usar short e biquíni, não preciso mais cobrir ombros e pernas em um país hindu. Faz um calor!!

Ásia… a internet falha, dependo do wifi do hostel que não é bom, queria tanto fazer meu IR! Querer não queria, mas preciso… quem sabe semana que vem no Nepal. Falando em Nepal, a comunicação por whatsapp torna-se impossível com o guia que me levará ao Everest, melhor resolver por lá, com mímica…

Ásia…amanhã tenho um ônibus de 14 horas pra próxima cidade, lembro-me de cada trem, ônibus e tuk tuk que tomei, achei que eu ia morrer esmagada no trem no Sri Lanka, mas sobrevivi, e quando peguei o metrô vazio e com ar bombando na Malásia? Luxo e glamour! Na Índia os trens foram os mais longos, chegando a 15 horas, mas fui dormindo na caminha.

São 19h e os mosquitos atacam, melhor entrar, no quarto, sem wifi, volto ao livro “Half the Sky” e o choque sobre o tráfico sexual de tantas mulheres no mundo, principalmente aqui, na Ásia.

Reflexões

amores sabáticos

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Porque a simples frase “fico aqui até sexta” faz o relacionamento, o casinho ou a paquera que poderiam levar semanas ou meses pra acontecer se comprimir pro espaço de 72h? E tudo é vivido nestas 72h, todo um relacionamento, dormir e acordar junto, todas as refeições, passeios, balada, histórias de infância e opinião política….e depois cada um segue pro seu próximo destino e FIM. Ficam as lembranças e algumas palavras aprendidas em alguma língua nova.

Costumam ser assim as paixões de viagem.

Viajar sozinha é estar aberto a conhecer as pessoas mais diferentes e as mais iguais a você, é fazer amigos e ter romances. Mochileiros pulando de hostel em hostel encontram naquela cerveja de fim de dia seu novo “affair”, que vira romance no dia seguinte, que vira ex no terceiro dia pois cada um segue pra sua próxima cidade. Os “dates” às vezes nem são no fim de tarde, são na trilha durante o dia, ou até mesmo na hora que acordamos, saímos na varanda e já damos de cara com o boy novo e interessante, engatamos a conversa antes mesmo do café da manhã, e quando vemos, já passou o dia inteiro de conversas e trocas de olhares e você já está no “date” sem nem perceber, sem se maquiar, sem nem contar pra amigas que tem carinha novo, quando vê, já está envolvida no romance, que em 2 dias vai acabar.

Em 72h já sabemos quanto de açúcar colocar no café dele e ele sabe qual bebida pedir pra você no jantar. Temos piadas internas, não temos frescura, não temos segredos, só sabemos o essencial um do outro, só vivemos um lado do relacionamento da forma mais intensa. Não sei dizer se é só o lado bom, ainda falta muita coisa, mas o fato é que em 72h não chegamos à crise, à briga, à decepção, só sabemos que terá uma despedida.

No vôo agora da Malásia pra Índia assisti ao 4o episódio da 4a temporada de Black Mirror, que de uma forma ou de outra, me lembrou muito essa situação das paixões de viagens, romances de férias ou como queira chamar. E se soubéssemos exatamente quanto duraria cada relação? Neste episódio, os casais sabem pelo aplicativo quantas horas, dias ou meses terão de compatibilidade com a pessoa que estão conhecendo, e quando o tempo se encerra, se despedem e cada um vai pra um lado… apesar do episódio ser triste, me lembrou muito o que vivemos em viagens.

Viajando é assim, sabemos quanto a relação vai durar. Claro que alguns marcam mais, que seguimos o contato, que até marcamos de nos encontrar em algum outro país em algum outro momento. E quem sabe algum dia alguma desta paixões não vire um verdadeiro amor pra juntar as escovas de dentes na mesma nécessaire do mochilão!

Sigo dizendo que o melhor do sabático são as pessoas: os amigos, os amores, a turma inteira que juntamos em determinada cidade. Pode ser que um dia eu olhe pra trás e nem lembre o nome da ilha ou cidade que visitei, mas com certeza lembrarei com quem estive. Porém a pior parte também são as pessoas, pois é muito difícil se despedir de quem nos conectamos tanto e que entrou na nossa não-rotina naquele curto espaço de tempo.

Mas vida que segue e ficam as melhores lembranças, não é mesmo?

Reflexões

mudei a rota. de novo.

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Há 8 meses atrás eu começava meu período sabático, o plano era viajar por 2 anos, eu tinha uma lista de coisas pra fazer, cursos pra estudar, lugares pra visitar. No começo decidi que eu passaria 6 meses no Brasil com visita aos Estados Unidos, 6 meses na Ásia com natal e réveillon na Austrália, 6 meses fazendo voluntariado na África e outros 6 meses na Europa visitando países e comunidades que ainda não conheci por lá.

O que eu não sabia, é que planos assim, formatadinhos, não se concretizam!

Comecei a primeira etapa, e da lista de coisas que eu queria fazer, que iam de conhecer o João de Deus a ir ao Burning Man, de fazer o  Vipassana ao Circo, mudei n vezes, cumpri metade da lista, incluí outras coisas, risquei outras, mas acabei ficando só 4 meses por lá…vim pra Ásia, queria começar logo meu curso de Yoga na Índia.

A Ásia é apaixonante, esta é minha segunda vez aqui, a primeira foi há 3 anos quando vim de férias por um mês e visitei Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã. Desta vez estou direto desde 4 de outubro, com uma lista de países que quero conhecer, porém em 4 meses já fugi da rota 2 vezes e fui pro Sri Lanka e pra Filipinas que nem na wishlist estavam! Comecei me planejando super, sabia dia-a-dia onde eu estaria em novembro e dezembro, depois aprendi a viajar mochileira-hippie-cigana e abandonei os planos de vez, cheguei ao cúmulo da semana passada ter um voo pra uma ilha nas Filipinas sem ter nem onde dormir e nem saber pra qual praia ir após a chegada ao aeroporto. Planejada que eu era, foi uma vitória pra mim este desapego todo. Agora aprendi que o melhor mesmo é estar livre, e os encontros da vida e o trip advisor te dirão pra onde ir.

Vim pra Ásia com passagem de ida e volta (mais barato do que comprar só uma perna), e tinha um voo programado pra voltar pro Brasil dia 04 de abril pra uma visitinha rápida antes de embarcar pra Europa, mas quando pedi o visto da Índia de 6 meses, me deram de 1 ano…veja só…e estou gostando demais daqui, dos lugares, das pessoas, da comida, a Ásia é mesmo mágica! E pra sair daqui dia 04 de abril, eu só teria mais 2 meses pra conhecer e fazer tudo que ainda quero, então…

Então ontem mudei a rota de novo, ontem mudei minha passagem, não volto mais em abril (desculpem amigos, apesar das saudades), a princípio volto fim de junho, completando 9 meses de vida cigana na Ásia, nunca imaginei! Entre cursos em ashrams, quartos compartilhados em hostels, trabalho em troca de hospedagem, mergulhos, dar aula de yoga, receber aula de yoga, sujeira na rua, comida apimentada, calor de derreter, sorrisos no rosto, praias paradisíacas, voos baratos da Air Asia, mochilão nas costas, pessoas e mais pessoas, aqui completarei 9 meses em junho.

Não passarei mais abril em São Paulo como antes planejado, não farei o Caminho de Santiago na Espanha em maio, talvez nem pra África eu vá, a ideia agora é estar no Brasil durante a copa (e tratar este momento como um carnaval), visitar todo mundo que morro de saudades no Brasil entre julho e agosto e embarcar pra Europa em setembro começando pelo Caminho de Santiago…mas nada definido, apenas ideias rascunhadas, que poderão ser mudadas o tempo todo.

E aqui seguimos, mudando a rota o tempo todo, na viagem, no sabático, na vida!

Reflexões

Se der medo, vai com medo mesmo

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Hoje percebi que não tenho mais medo de nada, tomando um expresso de manhã, após acordar atrasada porque sem querer desliguei o despertador do celular, sair correndo com a mochila toda aberta pra fazer checkout de um hostel e checkin em outro, antes de ir pro ponto de encontro do barco onde eu faria 3 mergulhos em naufrágios, parei pra tomar o expresso no caminho e acordar direito, e não senti frio na barriga de mergulhar…

Sim, eu tinha medo de mergulhar, e pra falar a verdade, mergulhar, assim como esquiar, nunca me atraiu muito, mas há um ano atrás, do nada, resolvi entrar num curso e tirar a certificação PADI open water, e no mar em Paraty na hora do checkout deu medo. E um mês depois eu estava com a mesma turma da escola embarcando pra Noronha pra uma semana de mergulhos. Deu medo.

Deu medo porque era tudo muito novo pra mim, por que tenho problema pra equalizar a pressão nos ouvidos e enquanto todo mundo desce em 3 minutos eu desço em 12… deu medo porque ainda to aprendendo, tinha medo de pular a parada de segurança, de tudo.

Mas hoje, apesar de estar completamente sozinha, nas Filipinas, numa agência x sem referências, sem nenhum conhecido pra segurar minha mão enquanto eu lentamente equalizo, hoje não senti medo. E mesmo assim, chegou uma mensagem de encorajamento por direct do instagram: “Lembre-se de respirar e soltar todo ar enquanto sobe”, obrigada Fabi, que convivi apenas há um ano atrás em Noronha, mas que hoje nos conectamos semanalmente através do insta mesmo, nesta grande jornada que é o auto-conhecimento. Como li num livro do Prem Baba, cada um buscando sua consciência chegamos em uma consciência coletiva. Awaken love!

Eu também morria de medo de montanha russa, só porque o único parque que eu conhecia era o Hopi Hari, e uma vez dei uma semi-desmaiada na queda livre do elevador (vergonha), mas precisava encarar umas montanhas russas e tinha o sonho de conhecer a Disney, então esta foi a primeira viagem do meu sabático: Orlando. Encarei todas as montanhas russas dos parques da disney, bush gardens, see world, universal, algumas até na primeira fileira quando meus amigos, que carinhosamente chamamos de “pepes”, topavam, algumas até repeti… pronto! Medo vencido! E alguns meses depois, após Burning Man e umas 24h de loucura em Los Angeles, encarei de novo as montanhas russas do Six Flags, aluguei um carro, dirigi até lá sozinha e passei o dia sozinha no parque berrando em cada brinquedo.

Ainda refletindo sobre medo e coragem, lembro que fui super acolhida no Natal por brasileiros que vivem na Austrália, e contando meus relatos do sabático, alguém me falou: que coragem a sua! Cara, você largou tudo no Brasil pra começar do zero na Austrália, que coragem a SUA. Coragem  é deixar pra trás amigos, família, carreira e mudar pro outro lado do mundo, às vezes pra um cargo inferior ao que tinha no Brasil, ou ir trabalhar nos chamados “second jobs” na Austrália buscando ter qualidade de vida e contato com a natureza. “Second” job pra quem? Pra mim, se você tem a possibilidade de surfar de manhã, trabalhar algumas horas por dia, pegar praia fim do dia, pagar preços justos por um bom apartamento e uma boa refeição, viajar, ser feliz…talvez o conceito de “second” job seja porque eles colocam a vida em primeiro lugar, e o trabalho em segundo, e na loucura de São Paulo quantos não colocam o trabalho em primeiro lugar e saem de casa ainda no escuro, voltam 13 horas depois no escuro de novo, comem comida congelada, trabalham de final de semana, não tem tempo….mas este papo de carreira deixamos pra outro momento.

Voltando ao medo,  lembro que a última vez que tive muito medo mesmo foi antes de embarcar pra Índia, fui tão desplanejada que nem sabia o que fazer em Delhi, e dias antes do embarque resolvi pesquisar,  li blogs e relatos que me aterrorizaram sobre mulheres sozinhas na Índia, casos de estupro, assédio, perigos desvelados de uma cultura reprimida. Mas eu fui com medo mesmo. E em um jantar com amigas dias antes, que estávamos falando desse medo todo, a Fer minha amiga conhecia alguém que conhecia alguém que conhecia o Junico do vemcomigoparaindia, aí pronto, né? Ele foi meu guia no meu primeiro dia em Delhi, e logo vi que não era todo aquele perigo, e tomei coragem pra ficar sozinha em tantas outras cidades naquele país maravilhoso que voltarei em fevereiro.  Sim, os homens te encaram, mas se posiciona, mulher,  e pronto. Sim, passei perrengue, voltando de um jantar com uma amiga a noite em Pushkar fomos seguidas por dois caras mas o medo e a coragem nos fizeram correr feito maratonistas e chegamos na nossa guesthouse salvas, apesar de eles terem corrido atrás.

Agora acho que pra vencer todos os medos mesmo falta um bungee jump, e já que cortei a Nova Zelândia do roteiro (porque de vez em quando a gente tem que olhar pro budget sim), busco opções de bungee jumps daqueles nonsense em outros países, aceito sugestões!

E se der medo, vai com medo mesmo.

A coragem, Reflexões, Sabático

A coragem do sabático

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Eu fiz tudo “certinho”, estudei em escola tradicional de São Paulo, fiz cursinho pra passar em faculdade pública, terminei a faculdade com algum atraso, afinal a vida de república no interior tem muitos atrativos que fazem a gente perder o foco dos estudos… Mas ainda assim fiz intercâmbio, trabalho social na Amazônia, estágio, me formei e passei em processo de trainee, passei por 3 empresas, fiz MBA, alguns cursos de extensão, fui sendo promovida…Trabalhava cada vez mais estimulando o consumo mas em alguns momentos me dava um “tilt”, me perguntava se era isso mesmo que eu queria pro mundo ou se eu estava apenas na minha zona de conforto, me sentia cada vez mais afastada de mim mesma, seguindo um fluxo da sociedade e aí vinham as terapias alternativas: retiros de yoga e meditação, constelação familiar, mapa astral, leader training, terapia convencional, parecia que eu estava sempre buscando alguma resposta a alguma pergunta que eu não sabia nem qual era. Só estava desconfortável em seguir um flow de carreira que todos ao meu redor seguiam sem eu nem saber o porquê.

Então há uns anos atrás comecei a pensar em tirar um sabático, uma pausa na carreira pra viajar, conhecer novos lugares, pessoas, profissões, estilos de vida, mas nunca veio aquele momento de largar tudo, porque é como um vício, a gente vai ganhando mais e mais, comprando mais e mais, se comprometendo em cada vez mais relações.

Faltava coragem.

Porém há cerca de um ano atrás, no trabalho, durante uma palestra do filósofo Cortella, ele mencionou “pneuma”, aquela energia vital que deveríamos sentir ao levantar todo dia da cama e trabalhar no que estamos nos dedicando, e após 5 anos em uma empresa que eu gostava muito de trabalhar, eu não sentia mais este pneuma. Então este ano vieram aqueles episódios que alguns chamam de coincidência, mas eu chamo de sincronicidade. Li na revista Vida Simples sobre o livro Sabático 45 que a autora Heloisa havia parado a carreira pra passar um ano na Irlanda e como meu pai estava indo pra lá visitar meu irmão, achei que teriam dicas da Irlanda e comprei pra ele. Mas não, o livro nos guiava sobre tirar um sabático, do ponto de vista prático e emocional, e de repente eu estava com este guia e esta vontade na mão, e um desejo enorme de conhecer a Índia, comecei a pesquisar sobre cursos de yoga pra passar uma temporada lá e decidi que a data seria outubro pois é o melhor clima pra Índia e tempo suficiente pra eu me organizar, vender coisas, alugar o apartamento, sair do trabalho…

O trabalho… como diz uma amiga, energeticamente eu já não estava naquele trabalho, porque quando um ciclo se encerra a energia muda, e quando queremos muito algo o universo dá aquela ajudinha. Em uma reestruturação da empresa, meu desligamento veio 4 meses antes do meu pedido de demissão. Lógico que ser desligada em um ano de tanta crise política e econômica no país não deveria ser tranquilo, mas foi. Foi porque eu não acredito que devemos ficar onde não estamos felizes. E foi aí que a coragem veio! E o tão esperado sabático saiu do papel.

O sabático veio em forma de tempo pra visitar as pessoas que com a correria do dia-a-dia eu não conseguia visitar, veio em forma de cursos que tenho realizado, veio em forma de desapego e viver com apenas uma mochila, veio em forma de burning man, veio em forma de raspar a cabeça e doar o cabelo, veio em forma de yoga e circo, veio em forma de viagens que sigo fazendo e dedicarei meu 2018 a elas, veio em forma de pessoas que passam pela nossa vida pra apertar um botão.

E as sincronicidades seguem acontecendo, quando meditamos todos os dias, abrimos o canal da intuição, nos conectamos com nós mesmos, entramos em uma nova frequência. Há cerca de um mês atrás, quando eu estava em Auroville, uma comunidade no sul da Índia, conheci um casal que também largou carreira em busca de seu propósito, e ao trocarmos algumas palavras, eles me apresentaram o poema mais lindo que eu não conhecia: The Calf Path. Sobre o caminho desordenado feio por um bezerro onde toda uma sociedade seguiu sem nem saber por que, vale a leitura!

Ao fim de 2018 completo 35 anos, na antroposofia completo o setênio da reorganização para entrar no meu 6o setênio da conexão espiritual e trabalho com propósito. Mas sim, sei que posso passar o ano todo e talvez a vida sem encontrar meu real propósito, e pode ser que eu volte a trabalhar com varejo, vida corporativa, se eu sentir “pneuma” novamente nisso tudo bem! Mas também pode ser que eu mude de cidade, que trabalhe com yoga, ou com algo que ainda não conheço. Eu não tenho a menor ideia. Só sei que hoje não tenho medo, acredito que devemos nos arriscar, ter coragem de parar, buscar respostas, sermos felizes sempre.

Reflexões

As pausas estratégicas

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Sabático não é férias. Não é correria, mochilão, checklist de pontos turísticos, checkout de hostel a cada 2 dias, nada disso. Na verdade  a definição de sabático é período de descanso, e existem muitas formas de se tirar um sabático, você pode escolher ficar em casa ou em uma única cidade por 6 a 12 meses estudando algo novo ou simplesmente se escutando. Ou também pode escolher viajar o mundo, conhecer países e culturas, tribos, comunidades. E mesmo que o sabático seja destinado a uma volta ao mundo, as pausas estratégicas são necessárias.

No meu sabático decidi viajar e me dedicar a conhecer alguns países e culturas, mas também a praticar alguns cursos e simplesmente parar em alguns lugares para viver, assim como vivenciei Piracanga por um mês, mas esta experiência incrível fica para um post à parte.

Aqui na Ásia que cheguei há pouco mais de dois meses, eu sabia que no primeiro mês estudando yoga no ashram eu não teria tempo para parar, pensar, ler  e me estruturar, o curso tomava o dia todo.

Depois resolvi passar 2 semanas na praia no Sri Lanka trabalhando 4 horas por dia num hostel, até pensei que lá teria este tempo. Não tive. Praia, festas e novos amigos fazendo checkin a cada dois dias, voltei de lá como se estivesse voltando de movimentadas férias.

Então voltei pra Índia, a ideia era visitar Auroville em 3 dias e depois seguir pelo sul da Índia visitando várias cidades de Kerala. Me apaixonei por Auroville e resolvi passar 10 dias apenas lá. Imaginei que lá teria este “tempo pra mim” mas acabei me envolvendo com tudo e com todos, e passei os 10 dias frequentando aulas de yoga, workshops, filmes, documentários, visitas à floresta, café com um, sorvete com outro, almoço com uma família que acabou de se mudar pra lá, e assim foi, o tempo todo absorvendo algo novo.

Eis que vim parar em Pushkar, uma cidade pequena no Rajastão, o maior estado da Índia, mas uma cidade que não tem muitas atrações turísticas. Na verdade é uma pequena cidade com um grande mercado de roupas ao redor de um lago sagrado. Mas vim passar o fim de semana com uma amiga grega que conheci no ashram, então sabia que no fim de semana inteiro não teria muito tempo pra mim, estava matando as saudades dela e visitando os amigos que ela tem por aqui.

Ela ia embora na segunda-feira, e eu tinha uma semana até encontrar uns brasileiros que havia marcado de encontrar na próxima cidade. Uma semana: 7 dias livres, que eu até poderia pegar outro trem, viajar horas, colocar mais uma cidade do Rajastão no itinerário. Mas eu quis ficar, quis parar, pra ler, refletir e escrever, decidi fazer a tal da pausa estratégica.

Eu nem sabia direito pra que eu queria esta pausa estratégica, mas lendo Propósito, livro do Prem Baba, me deparei com um capítulo que cita que nossa jornada da alma é longa e às vezes precisamos parar para identificar e absorver aprendizados. E esta pausa foi no local certo pra mim. Em uma cidade de compras.

Muita gente vem a Pushkar para comprar roupas e acessórios para si, e outros tantos vem para o business também, compram nas confecções daqui para revender em seus países. As roupas, bolsas e acessórios aqui são realmente muito lindos e o turismo aqui é comprar, comprar, comprar.

Me fez parar pra pensar na Marina consumista que já fui. Que ia de férias para Nova York ou Miami e voltava com uma mala extra cheia de roupas novas. Que gastava sem se questionar no shopping na hora do almoço, que comprava tudo que achava bonito, sem se perguntar da real necessidade de ter mais e mais. Desde que comecei o sabático optei por uma vida mais simples, minimalista, descobri que antes eu tinha 96 vestidos no armário e mais de 50 sapatos…eu acho isso exageradamente MUITO.

Desapegar não é fácil, mas fiquei bem tocada pelo documentário Minimalism disponível no Netflix, descobri um cara que tem 53 itens na vida e viaja o mundo apenas com isto (considere até a carteira e a mochila itens dessa conta) e uma mulher que lançou o desafio de viver com 33 peças por mês, inclua seus anéis nessa conta! Apesar de eu ter morado em 17 casas e a cada mudança sempre desapegar de muitos bens materiais, eu ainda assim acumulava, comprava livros que não lia, comprava roupas que usava uma só vez, e às vezes nem isso. Então desapeguei!

Me juntei com amigas em bazares e vendi quase todas minhas roupas, sapatos, bolsas, livros, além das 2 bikes que eu não usaria nos próximos meses viajando. Além das vendas, ainda doei muita roupa, e doei o meu cabelo! Vim pra Ásia pra passar 6 meses com um mochila de 15kg, não dá pra comprar nada a mais, senão pago excesso de peso nos voos domésticos, e na verdade nem preciso de nada a mais. Até comprei uma calça aqui, mas porque abandonei uma velha no Sri Lanka e deixei outra no ashram que até furou de tanto usar. A proposta desta grande jornada é esta: usar as roupas até elas se desfazerem.

Esta foi minha pausa estratégica e meu aprendizado na nova jornada.

E não é só no sabático que as pausas são necessárias, é na vida. Muitas vezes deixamos o tempo e o trabalho nos consumirem, entramos na roda girando e nem lembramos de parar e olhar o que estamos fazendo e quais foram os aprendizados das nossas jornadas.

Reflexões

Planos sem planejamento

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Semana passada eu estava no Sri Lanka, um país que não planejei, mas era pertinho da onde eu estava, tinha uma oportunidade de trabalhar num hostel, que eu queria testar, e era na praia (não precisa dizer mais nada!).

A ideia era passar 15 dias na mesma praia, trabalhando no mesmo hostel e voltar pra Índia, mas organizei as folgas, acabei com os últimos 3 dias livres e deu vontade de conhecer Ella, uma cidadezinha montanhosa no meio do país, de onde todos os mochileiros que chegavam no meu hostel vinham.

Ella sem planos: pela primeira vez na vida não olhei nem o percurso direito, resolvi seguir todos os mochileiros que conheci que se jogam e saem perguntando o caminho pras pessoas, e me joguei. Sabia apenas que tinha que pegar um ônibus pra cidade de Matara e outro pra Ella, mas não sabia os nomes, os horários, nada, nem tinha internet no meu celular. Acordei, tomei café, me despedi dos funcionários e hóspedes do hostel e fui pra avenida principal. Peguei o primeiro ônibus pra Matara, conheci duas meninas da Califórnia, e foram 20 minutos de percurso no maior bate papo sobre o Burning Man, lyndo! Chegando lá nada de guichês, balcão de informação, nada! Eram várias plataformas com os nomes das cidades, e não tinha nenhuma escrito Ella, mas um cara se aproximou da gente, mostrou meu ônibus pra Ella e o delas pra Colombo e nos despedimos.

No meu ônibus não estava escrito Ella, confirmei com o cobrador e ele disse que eu trocaria em Wellawaya para Ella. Confiei e entrei. 4 horas sem ter ideia em qual direção eu estava indo, se estava certo, se estava errado, apenas confiei. Parei em Wellawaya, 3 caras me abordaram querendo puxar papo, querendo me levar de taxi, me falaram a plataforma errada….tenso, mas enfim, achei um policial, ele me indicou a plataforma certa, subi no ônibus, confirmei com o motorista e uma hora depois cheguei em Ella. Mais uma vez, despreparada que estava, não tinha ideia da direção do meu hostel e sai perguntando na rua até descobrir que era muito longe e tive que pegar um tuk tuk pra chegar nele. Chegando lá: mais 70 lances de escada montanha acima com mochilão nas costas. Mas cheguei!

Enfim, fui sem planos no quesito logística e acabou dando tudo certo.

Ella com planos: apesar de ter me permitido sair da praia naquela sexta-feira sem ideia do caminho que percorreria nos próximos 170km, já para a hospedagem reservei uma noite antes pela internet, e reservei logo as 3 noites no mesmo hostel. Mais uma vez me lembro de todos os mochileiros que conheci nessa viagem, quase todos chegam na cidade e vão em busca de hostel, nunca bookam previamente…e quando o fazem, reservam online só a primeira noite pra checar se gostam antes de estender, mas nunca ousei dessa forma, sempre tive reserva para todo o período. E neste hostel no alto da montanha, eu tinha reserva pra 3 noites…grande erro… Além de muito longe, principalmente do centrinho com seus restaurantes e cafés, era sujo, o funcionário da noite estava bêbado e chato, e o café da manhã era uma desgraça, então cancelei a reserva das outras duas noites, fiz outra reserva em uma guesthouse bem na rua central, e mudei na manhã seguinte antes do primeiro hiking. A única coisa boa do hostel foram os 5 minutos de conversa com uma belga viajando sozinha que me renderam companhia para o hiking e para o almoço de sábado.

Conclusão: vim planejada no quesito estadia e acabei mudando a rota.

Prefiro sempre ficar em hostel pra conhecer gente, e acabei indo parar  nesta guesthouse onde eu tinha um quarto só pra mim e não tinha área comum, achei que passaria os próximos dias sozinha. Mas logo a tarde, sentada no café em frente ao ponto de ônibus, desceu uma espanhola com seu mochilão, pediu um café e a senha do wifi e começou a procurar hostel do celular. Puxei papo, indiquei algumas guesthouses na rua, ela se instalou e acabamos tendo companhia uma da outra pro jantar e pro hiking de domingo. Ela era mais uma mochileira das inúmeras que conheci que chegam na cidade sem ter reservado o lugar pra dormir.

Acho que não tem certo ou errado em planejar, importante reservar previamente se for alta temporada ou se for chegar tarde da noite, mas se não for, porque não ouvir a intuição, ou uma dica amiga, e escolher o lugar pra se hospedar apenas após um café? E se aqui não temos Viação Cometa com o site bonitinho com tarifas e horários dos busões, porque não confiar nas informações dos locais? Só é preciso um double check e confiar, ás vezes o não planejamento é um ótimo plano.

Reflexões

uma paixão por viagens

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Aos 22 anos morei na Alemanha e fiz meu primeiro mochilão Europa, acho que foi lá que começou a minha paixão por viagens e dos 22 aos 32 dediquei todas as minhas férias a revirar todos os cantos do Brasil e conhecer outros 30 países, muitos dos quais repeti a visita algumas vezes de tanto amor.

Eu fazia mágica com minhas férias CLT, tentando quebrar e encaixar com feriados pra viajar o máximo possível, mas ainda assim eu estava um pouco travada na vida corporativa, em algumas amarras da sociedade, no pré-conceito de sucesso: trabalho, apartamento, dinheiro investido, diplomas…

Foi no começo desse ano, aos 33 anos, em uma palestra do Mário Sérgio Cortella que escutei a palavra grega pneuma, e seu conceito de “sentir energia, alma, respiração” ao levantar da cama e se dedicar ao que se dedica … refleti … e eu não estava mais sentindo pneuma. E foi só tomar consciência do desejo de mudar, confiar no flow das coisas e em poucos meses meu sabático (que estava rascunhado no papel há anos) se concretizou. E pneuma? virou tatuagem na costela direita, bem perto do pulmão.

Há 6 meses larguei tudo, aluguei o apartamento, deixei meu cachorro aos super cuidados dos meus pais (benção ter eles me apoiando!), vendi quase tudo que eu tinha e saí em busca de explorar mais países, lugares, culturas, comunidades, cursos e festivais! Mudei a rota e sigo mudando, estou viajando sem roteiro definido, apenas sentindo e escolhendo (às vezes sendo escolhida).

Agora finalmente comecei a relatar tudo em um blog, nem sei fazer isto direito, mas gosto de aprender e ter uma dedicação constante, então será bom relatar além do diário de bordo, não deixar nada se perder, e se puder ajudar alguém a ter coragem para mudar, ótimo!

Não, não é um blog de viagens, é um blog de reflexões sobre um sabático, de uma vida minimalista, nômade, aberta ao novo, mas vou tentar deixar também dicas e roteiros de viagens low budget, workexchange e afins… afinal a grana tem que durar 2 anos de vida cigana!