Marrocos, Roteiros de viagem

Marrocos

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Marrocos estava na minha bucket list de sabático há 3 anos, era um grande sonho meu, mas demorou pra se realizar…um pouco por medo de ir sozinha (pelas histórias que chegaram a mim) e um pouco por mudanças de rotas e outros projetos que surgiram pela viagem, como por exemplo, passar este verão em Copenhagen ;-).

Mas eis que surgiu esta oportunidade de eu pisar em solo africano e fazer uma road trip pelo Marrocos, de carro e acompanhada, o que me deixou muito mais tranquila! Fui agora, em outubro, e a viagem durou 11 dias, um pouco corrido pros meus padrões de mochileira mas foi na baixa temporada e achei tudo muito vazio e tranquilo, ótimo pra se visitar! O que inclusive me deixou com uma sensação de muita segurança e tranquilidade pra mulheres viajando sozinhas, ainda mais pós Índia (risos de nervoso) tudo parece mais tranquilo pós Índia, não é mesmo?

A vantagem de ir acompanhada pro Marrocos, seja com marido, peguete, uma amiga, ou qualquer outrx mochileirx que encontrar (aliás minha viagem pelo Rajastão fiz com outros 2 mochileiros que conheci online, pelo facebook do mochileiros.com) é o fato de alugar e dividir um carro, que permite muito mais mobilidade e autonomia do que de ônibus. Desta vez arrumei um boy, encontrei na rua mesmo, outro viajante sabático e tínhamos este destino em comum, então por que não?

As estradas no Marrocos são ótimas, o carro de modelo mais simples saiu EUR 20 por dia (não precisa ser 4×4), a gasolina para rodar os 2.000 km entre 7 cidades foi EUR 100. Mas prepare também o dindin das multas, tem muito policial e câmeras por todas as estradas, nos pararam 3 vezes, e tivemos que pagar 1 multa, as outras conseguimos nos livrar depois de muita conversa. As multas custam de 150 a 400 dirhams (EUR 15 a 40) e é preciso pagar em cash para os policiais, que te entregam um recibo…da primeira vez achei que o policial estava sendo corrupto nos pedindo pra pagar em dinheiro na hora e discuti com ele dizendo que era brasileira, que conhecia esse tipo de “esquema”, falei tanto até o coitado desistir de me aplicar a multa kkk depois vi que a errada era eu, o sistema deles não é de envio de multa por correio, e paga-se na hora sim. Na real eu não dirigi nem um quilometro, porque minha habilitação internacional não chegou a tempo, o boy que dirigiu 2000 km… arebaba!

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pelas ruas azuis de Chefchauen

Vamos à road trip: pousamos em Fez, alugamos o carro e subimos direto 200km para Chefchauen, a cidade azul. Tem duas teorias sobre esta cidade ser azul: a primeira é que os judeus ali refugiados da Inquisição Espanhola em 1471 pintaram as casa de azul para reproduzir o paraíso e a segunda é que a cor azul repele mosquitos… não sei, não vi judeus nem mosquitos, apenas muçulmanos parando 5x por dia para a reza, que se escuta de onde estiver.  É um destino super turístico e muito gostoso, onde se fala espanhol por todas as partes, pela proximidade com a Espanha, ao contrário do resto dos destinos onde se fala mais francês que inglês (o boy também falava francês, arebaba!). Você também irá encontrar muitas bloguers de vestido amarelo, prepare-se, é que o contraste do amarelo com o azul fica lindo no feed, eu não tinha vestido amarelo… Um dia e uma noite nesta cidade são suficientes pra se perder pelas ruas azuis, ver o pôr-do-sol do alto do morro e jantar num restaurante gostoso da praça Place Outa El Hamam. Mas caso tenha dois dias neste destino, tem uma cachoeira próxima que vale um trekking.

 

De Chefchauen voltamos à Fez para apenas 1 dia e 1 noite que achei bem suficiente, não me agrada muito passar muitos dias em cidades muvucadas, mas pra quem gosta de destino de compras talvez valha a pena ficar mais. Chegando em Fez pela manhã, deixamos o carro no Hotel-Riad  (o Dar Aline delícia e com bom preço) na porta da Medina, e nos perdemos pelas ruas da Medina (a maior do mundo) até achar o famoso Cortume (Chouara Tannery), e ver dos terraços ao redor como é o processo (e o cheiro) da lavagem do couro com urina de vaca e excremento de pombo. Alguns amigos tinham recomendado pagar um guia dentro da Medina, pois dizem que pode ser perigoso se perder lá dentro, o hotel também recomendou. Não pegamos guia, e achei tranquilo de rodar sozinhos, usando maps.me e seguindo as placas da Tannery.

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Chouara Tannery em Fez

Como eu disse, comparado às ruas do Paharganj em Nova Deli, esta medina de Fez é praticamente um berçário. Mas tem que tomar cuidado porque se você estiver sem guia, vários locais vão colar em você (como na Índia) te indicando o caminho e pedirão dinheiro ao final, um garoto de 10 anos colou na gente querendo nos levar na Tannery e eu queria passear tranquila, mas ele não desgrudava e não parava de falar, fiz a Jade, rodei a baiana e mandei ele embora. Aí quando você não paga, eles te jogam uma praga. OK, cria um campo energético de proteção e boa, porque é sim um pouco estressante. Depois de visitar a Medina vale a pena cruzar o cemitério a pé subindo o morro em direção ao Les  Merinides Tombs pra ver o pôr-do-sol e a vista da cidade destas ruínas, e depois relaxar e tomar um drink ou um chá de menta no hotel de luxo Les Merinides. Voltando pra Medina, jantamos num restaurante que amei, uma fusão de comida marroquina com mexicana: Le Tarbouche!  

Tanto em Chefchauen quanto em Fez, tudo se visita a pé, guarde o carro no hotel ou na praça mais próxima, com algum guardador de carro que se chama Mohamed, gosta do Ronaldo e do Corinthians e te cobrará EUR 3 por noite. Não importa sua nacionalidade, sempre diga que é brasileiro, eles amam!

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Volubilis

Saindo de Fez, no 3º dia, o destino final seria Merzouga para visitar o deserto do Sahara, mas seriam 460km de estrada e com algumas atrações que queríamos ver no caminho, então quebramos em 2 dias e passamos uma noite em Midelt (uma cidadezinha pequena e nada turística, mas legal pra ver a vida local). Entre Fez e Midelt a primeira visita foi em Volubilis, as ruínas de uma cidade romana e hoje Patrimônio da Unesco, é uma local bem grande, dá pra ficar umas 2 horas explorando, e a entrada custa EUR 7.

Depois passamos na cidade de Azrou, na Floresta de Cedro, onde tem vários macacos soltos e tranquilos. É uma ótima parada pra sentir um pouco de umidade e friozinho em meio aquela aridez desértica do resto da viagem. Ali do lado também tem a cidade de Ifrane, que não chegamos a explorar, com construções que lembram uma pequena Suíça.

Dormimos em Midelt e no 4º dia seguimos em direção à cidade de Merzouga pra conhecer o Deserto do Sahara. Este caminho vale a pena fazer de dia pra ver o início da cordilheira Atlas e atravessá-la. Em Merzouga existem milhares de opções para passar uma noite no Sahara, tudo se encontra pelo booking.com, basta escolher quanto aproximadamente você quer gastar, pois os campings vão de EUR 20 a EUR 300 (luxo) a barraca dupla, com jantar e café-da-manhã inclusos. Escolhemos uma opção bem simples, que foi EUR 60 a barraca dupla com jantar e café, não tinha nenhuma decoração especial, mas era uma cama quentinha e comida boa, com a tradicional fogueira com música a noite. Todas as opções do booking são iguais, após reservar, você recebe um e-mail com a orientação de como chegar no ponto de apoio, em Merzouga, que geralmente é um restaurante com banheiros e chuveiros e área de descanso, lá você deixa o carro, almoça se quiser, toma um banho se quiser e escolhe a opção de transporte para o camping no deserto: camelo (EUR 15)  ou 4×4 (EUR 20). Como sou super contra o turismo com animais, fui de 4×4 e foi melhor, porque chegamos em meia hora, deixamos a mochila na barraca e subimos as dunas pra ver o pôr-do-sol no horizonte, sem ninguém por perto, apenas um mar de areia laranja à nossa frente. Já quem foi com camelo, levou 3 horas pra chegar e viu o sol se pôr atrás das dunas, no meio do caminho. No dia seguinte, vimos o nascer do sol de perto do camping e voltamos pra tomar café-da-manhã no ponto de encontro, onde deixamos o carro. A experiência (mesmo que curta) de conhecer esta pontinha do Sahara vale muito a pena, que lugar lindo! Que energia! Já a cidade de Merzouga nem visitamos.

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um pôr-do-sol no Sahara 

Depois passamos 3 dias em Todra Gorge, as Gargantas de Todra, um cânion maravilhoso na Cordilheira do Atlas, destino para trekkings e escaladas. Eu particularmente fui pra visitar uma amiga que fiz na Índia e está gerenciando uma guesthouse e uma empresa de escalada lá, e acabou sendo dos lugares mais lindos do Marrocos, a vista da guesthouse dela é uma pintura, dá vontade de passar o dia na varanda só olhando os desfiladeiros alaranjados com o vale de palmeiras abaixo, contornando o rio. Eu SUPER recomendo esta guesthouse: A Secret Garden (próximo à cidade de Tinghir, mas fica bem na boca do cânion onde se iniciam as trilhas e escaladas). O café-da-manhã e o jantar (tajine vegetariano) nesta guesthouse foram maravilhosos, fora os inúmeros chás de menta na varanda e a prática de yoga às 6pm <3. Fizemos uma trilha linda de 3 horas de caminhada, caminhei na beira do rio e entre os cânions. Já pra quem se aventura mais (não é o meu caso) tem uma Via Ferrata pra subir um paredão (com degraus em metal fixos e cabo de aço acompanhando o percurso) e também paredões de até 400m pra fazer escalada com grampos, Deus me livre mas quem me dera.

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Cenário de Cléopatra no Atlas Studios em Ourzazate

Foi nesta guesthouse que conhecemos hóspedes vindos de Marrakesh que nos disseram: “NÃO VÁ! É horrível, vários homens no Souk (mercadão) explorando cobras e macaquinhos como atração turística, e fora alguns palácios bonitos, todo o resto é horrível”. Então resolvemos mudar a rota, pular Marrakesh e o próximo destino foi Ourzazate, onde dormimos num hotel delícia (Riad Sarayas) e exploramos os Estúdios Atlas dia seguinte (custa EUR 8), local de filmagens de Cléopatra, A Múmia, Aladin, Game of Thrones, Babel, O Gladiador, entre outros, além da novela Jezabel da Record. Saindo de lá visitamos o maior projeto de energia solar do mundo em construção, o Noor I (os engenheiros piram) e o castelo Ait Ben Haddou, que foi locação de Games of Thrones, tudo isso entre a Cordilheira Atlas a caminho do Litoral.

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Essaouira

Até paramos pra jantar em Marrakesh, e nem gostei mesmo, mas seguimos viajem pro último destino: 3 dias na praia de Essaouira. Este é um destino bem turístico, perto de praias de surf, lotado de bons restaurantes e lojinhas mais tranquilas do que as de dentro das grandes medinas. Foi a primeira cidade que vimos bebida alcóolica mais liberada, tinha cerveja e drink em todos os restaurantes (por ser um país muçulmano não era natural servir álcool nos restaurantes mais locais e cidades mais tradicionais) , e aqui encontramos até uma baladinha com música ao vivo. É o local perfeito pra descansar, seja na praia, seja em um restaurante rooftop vendo o pôr-do-sol no mar, visitar o mercado de pescadores e o forte (outra locação de GOT). Recomendo fortemente o hotel Mama Souiri, confortável, linda decoração e bem localizado

E acabou! Após o descanso e uns drinks, seguimos pra Agadir pra devolver o carro e embarcarmos! PS: tem vários vôos lowcost pro Marrocos saindo da França e Bélgica, por ser um destino muito comum pra quem só fala francês, então pra mim compensou pegar um ônibus de 18h até Bruxelas pra pagar só EUR 40 no vôo.

Enfim, este foi o roteiro: sem Marrakesh, sem Rabat, sem Casablanca e sem os famosos resorts de Agadir, viagem do jeito que eu gosto, fugindo dos destinos mais famosinhos pra curtir os outros destinos muitos mais únicos! Amei e recomendo!

Já quero voltar, deu saudades de assistir O Clone.

Caminho de Santiago de Compostela

O Caminho do Norte para Santiago

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Este é o segundo post sobre o Caminho de Santiago que escrevo, este é sobre o Caminho do Norte, o Caminho do Litoral Norte da Espanha, onde todas as pessoas que haviam feito me falavam que era o mais lindo de todos. Só pode ser o mais lindo! Me apaixonei!

Como comecei minha jornada no Caminho Aragonês em Somport, migrei pro caminho Francês em Puente la Reina e voltei tudo até a França pra começar de novo pelo Caminho do Norte, posso assegurar, que destes 3 caminhos que fiz, em minha opinião, o Norte é disparado o mais lindo de todos!

Sobre o Caminho Francês que 80% dos peregrinos fazem e minha mudança de rota pro Caminho do Norte, conto no post abaixo aqui no blog. Assim também como dei a dica do que levar e quanto gastar (a média dia em qualquer um dos caminhos pra mim foi de EUR 30 entre albergues, restaurantes e supermercado). Aqui, além da dica do site http://caminodesantiago.consumer.es que eu já havia dado, no Caminho do Norte também utilizei o aplicativo Buen Camino, onde estão todas as rotas, os mapas e os telefones dos albergues.

Mas o caminho do norte gente… é uma natureza de arrepiar, de chorar de emoção, é ver o sol nascer por trás das rochas, são montanhas de um imenso verde, são bezerros  e cabras por todas as partes te acompanhando com o olhar, são os cavalos soltos com as crinas mais loiras e lindas que já vi, é sentir a maresia, subir e descer morro pra tomar banho de mar, é colocar o pé na areia, é passar por povoados onde os moradores puxam conversa só porque você é peregrino, te convidam pras suas casas, é comer maçãs, figos e amoras direto das árvores, são as praias mais lindas, cruzando o país Basco, a Cantábria e as Astúrias, antes de entrar na Galícia. Sério, é muito incrível!

Eu não sei explicar o que aconteceu neste Caminho, ele começou de uma decisão por impulso no meu terceiro dia de Caminho Francês, quando cheguei em Logroño, em La Rioja, após caminhar 20km desde a última cidade, quando eu estava há 3 dias frustada com tanta gente e muvuca, decidi ir pro Norte e recomeçar de uma praia, San Sebastian. Então olhei no mapa, parei na Oficina de Apoio ao Peregrino em Logroño, falei do meu desejo, e além deles dizerem que muita gente estava desistindo do caminho francês, me mostrarem o ônibus pra San Sebastian, ainda me deram um alfajor e parabenizaram pela decisão de mudar…saí com a certeza, naquele minuto, que eu estava fazendo a coisa certa. Aproveitei minha tarde em Logroño numa festa do vinho, peguei o ônibus e 5 horas depois eu chegava no fim de tarde em San Sebastian. Aí foi um balde de água fria…parei na oficina turística pra perguntar onde era o albergue de peregrino, e a moça me respondeu: IMPOSSÍVEL, estamos no meio do festival de cinema, não há onde dormir por menos de 200 euros, todos os albergues lotados. Eram 19h e me desesperei, ela até ligou em cidades ao redor, e não havia vaga em lugar nenhum, busquei no booking.com e a opção mais barata estava 600 euros.

Saí meio perdida pelas ruas, disposta a esticar meu sleeping em uma praça pra passar a noite, embora ela tenha me dito que poderia ser perigoso, por ser uma cidade muito movimentada, mas cruzei um peregrino no meio da rua, com a concha pregada na mochila (como eu) e pedi ajuda. Ele nem estava fazendo o caminho, apenas já o tinha feito uma vez e nunca tirou a concha a mochila, mas como o destino é bom, ele logo me indicou um trem para Irun, começo do caminho e 30 km pra trás, me disse que lá seguramente haveria cama livre no albergue e eu poderia andar dia seguinte e chegar novamente a San Sebastian, quando o festival terminava e voltaria a ter disponibilidade em albergue. Assim foi, e o destino me fez começar o Caminho do Norte do primeiro ponto mesmo, Irun, quase na fronteira com a França. A ideia inicial era escapar esta parte e começar de uma praia, mas o Caminho me fez fazê-la, e foi uma parte linda, de serra sempre com vista para o litoral, no País Basco. 

O resto do Caminho não irei detalhar as etapas, basta ver no site ou aplicativo que eu indiquei aqui. O Caminho de Norte inteiro, de Irun até Compostela, tem 815km, eu fiz apenas 700, pulei uma parte entre Bilbao e Santader, pois já tinha andado 256km antes no Caminho Francês, e porque esta parte é bem industrial, de estradas e menos praias. Mas um dia volto num feriado qualquer pra fazer só este trechinho, em 4 dias é possível, e dizem que Portugalete que fica lá tem um litoral lindo.

No Caminho eu andava uma média de 30km por dia, sempre com a minha mochila de 7 kilos nas costas, peguei chuva, andei de capa de chuva, peguei sol que já saía do albergue com biquíni por baixo, peguei ventania de 75km/h, que mal conseguia andar, teve de tudo! Tinha dia que eu desembestava a andar e iam 25km sem parar, tinha dia que eu estava mais preguiçosa e parava a cada 5km pra comer algo que eu carregava comigo ou sentar pra descansar. Mas quando tinha praia eu sempre parava! A Praia de San Sebastian é linda, numa cidade super turística, cheia de restaurantes e bares chiques, acabei passando uma tarde e a manhã seguinte toda lá e este dia andei só a tarde (muito raro algum peregrino começar a andar 14h como eu fiz).

Depois foram tantas outras praias, que não importava a temperatura (e às vezes tava 12º graus fora) mas eu colocava o biquíni e às vezes entrava no mar! Gijón, Playa da Cueva, Penarronda, Comillas, Tapa de Casariego, Cudillero, Playa de Po, La Isla, e tantas outras praias que perdi a conta! 

A rotina era mais ou menos assim: eu acordava empolgada, tomava café, preparava o lanche pra levar e via no mapa as praias do caminho, colocava um pin no mapa e mesmo se eu tinha que sair do Caminho oficial eu ia, fazia meu próprio caminho entre os povoados e campos do litoral, tinha dia que escolhi ir acompanhada, tinha dias que fui sozinha, tinha dia que saía cedo 2 horas antes do nascer do sol, outros eu era a última e saía às 9h quando fechava o albergue, tinha dias que eu encontrava alguém no meio do dia e seguia com a pessoa, tinha dias que eu ia em silêncio absoluto, tinha dias que ia com a maior playlist andando e dançando! Mas o que eu mais gostava era quando eu via o mar de longe, me aproximava, e descia na praia, colocava o biquíni, tomava sol, fazia yoga, mergulhava no mar. Às vezes eu comprava algo de comer num supermercado ou café antes e fazia picnic na praia. Estes dias eu decidia ficar sem hora pra sair, mas como o celular podia ficar sem bateria, ou eu podia chegar no destino e encontrar o albergue municipal lotado (que custam 6 euros), sempre procurava antes no booking.com ou ligava nos Hostels privados do aplicativo e já deixava minha vaga garantida, pra ficar na praia sem hora pra sair, e chegar no albergue depois de anoitecer, era a última.

Se teve perrengue? sempre! Mas eu não ligava, tudo sempre dá certo no final. No meu último dia de litoral, cruzando das Astúrias pra Galícia, eu ia parar em umas 6 praias (afinal depois seriam 6 dias sem litoral até Santiago de Compostela), e ia dormir em Ribadeo. Liguei nos albergues privados de lá mas só tinha quarto individual de 30 euros, achei caro e resolvi arriscar sem reservar nada. Aproveitei as praias até o último minuto e quando cheguei no albergue municipal de Ribadeo (os municipais não aceitam reserva) ele estava lotado. Já estava escurecendo e eu não queria pagar 30 euros nos privados, então andei mais 6 km (além dos 24km que eu já tinha andado) até a próxima cidade que tinha cama por 10 euros, nem liguei. Mas outro dia que parei em La Isla pra dormir (uma praia bem pequena) eu cheguei cansada e passando mal de algo que comi no caminho, o albergue estava fechado e o único hotel da cidade também, mas eu estava com um espanhol e saímos ligando em alguns números até achar um quarto pra alugar por 30 euros pra nós dois, então sempre há uma alternativa, se não fosse este quarto, eu ia andar 5km a mais até a próxima cidade, mesmo passando mal.

O Caminho é assim, nos ensina a ter paciência, perseverança, nos ensina a viver com pouco, a conviver com os outros e com nós mesmos, mostra que nosso corpo aguenta muito mais do que imaginamos, mostra como somos felizes em meio a natureza. O choro vem, muitas vezes de felicidade, de emoção, as coincidências acontecem, as pessoas certas surgem, e às vezes passamos até 7h totalmente sozinhas. Foram 33 dias caminhando, 940km entre os 3 Caminhos que percorri, cheguei a fazer 42km de caminhada em um dia, sem nem notar! Também enfrentei o medo, de estar sozinha numa floresta escutando uns sons do além, o medo de um cavalo que correu até mim pra ficar cara a cara e me olhar nos olhos, mas nenhum grande susto e sempre a confiança que tudo dará certo.

O Caminho é lindo, e falo pra todo mundo: FAÇA!!! Principalmente se for o do Norte ❤️.

Caminho de Santiago de Compostela

O Caminho Francês pra Santiago

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El Camino ❤️ , acho que o mês mais feliz deste sabático! Ante de tudo, explicando aos que não sabem, existem vários caminhos de peregrinação que levam a Santiago de Compostela  na Espanha (uns 10 diferentes). Alguns saem de outros países e continuam na Espanha e qualquer pessoa pode escolher qualquer um dos caminhos e qualquer ponto de saída. Eles podem ser feitos a pé, de bicicleta ou a cavalo e é preciso fazer a Credencial do Peregrino antes de sair, para poder se hospedar nos albergues de peregrino e ir recebendo os carimbos a cada parada até chegar ao carimbo de Santiago de Compostela na chegada!

Além da credencial, outra tradição importante é a concha que identifica o peregrino, todos tem esta concha amarrada em suas mochilas e o caminho é todo sinalizado por conchas e setas amarelas (nos postes, placas, árvores, chão). É como buscar ovos de páscoa, tem que andar atento buscando as conchas!

Para esta minha primeira vez (sim, creio que haverão muitas) escolhi o Caminho Francês que é o mais popular/comercial de todos. Mas como eu tava com preguiça e já subi o basecamp do Everest este ano (you go girl!!), resolvi não começar como todo mundo de Saint Jean de Pied de Port  (subindo os Pirineus)  e fui pelo caminho francês alternativo que já sai do alto dos Pirineus na cidade de Somport na França, descobri depois que este Caminho “alternativo” Francês se chama Caminho Aragonês pois atravessa o estado do Aragão, de Somport até Puente la Reina, completando 165 km. Pra chegar em Somport peguei um trem de Madrid a Zaragoza e outro trem até Jaca, dormi em Jaca em um albergue de peregrinos, deixei minha mochila e peguei um ônibus para Somport dia seguinte, onde desci caminhando meus primeiros 33km (mas sem a mochila) até Jaca. Quem não aguenta tantos km em um dia também pode dormir no meio do caminho, em Canfranc.

Não vou detalhar o caminho e as paradas, porque a dica MARA que eu dou é usar este site aqui que sinaliza tudo de cada caminho da Espanha: http://caminodesantiago.consumer.es. Nesta primeira etapa do Caminho, eu não usei aplicativo, não usei mapa, não usei 3G no caminho, apenas dava print da próxima etapa neste site antes de sair do wifi de manhã e se precisava de uma ajuda olhava os prints, mas tentei fazer o caminho sem muita tecnologia, apenas seguindo as setas e conchas amarelas.

A ideia de sair de Somport ao invés de Saint Jean foi ao mesmo tempo boa e ruim,  é desta experiência que quero contar aqui no post, esta rota alternativa (Caminho Aragonês) completa 165km em 6 dias de Somport até Puente la Reina, onde se une com o Caminho Francês e vira um único caminho. Mas como esta rota alternativa não é tão conhecida, eu senti que ela tem sido abandonada ao longo dos anos…muitos postes com a sinalização das setas amarelas caíram e fiquei indecisa sobre a rota, também não achei que tinham setas o suficiente, cheguei a andar 1 km sem ver seta, mas mesmo assim não cheguei a me perder, intuição nos guia também! Mas o pior (pra quem não gosta de perrengue) foi que as cidades pequenas no meio de cada etapa estão vazias, alguns albergues e bares nelas foram fechados (mesmo setembro ainda ser temporada), então às vezes não havia alternativa de encurtar uma etapa dormindo no meio do caminho ou realizar uma parada para comer algo. Cheguei a andar 20km sem nenhuma opção de comida, então tem que se organizar e carregar lanche mesmo! E por dois dias nem fontes de água achei, cheguei a ficar com sede depois que meu litro de água acabou (e acho difícil levar mais de um litro pelo peso da mochila).

A parte boa do caminho é que por ele ser tão menos frequentado, você caminha sozinho, livre, na natureza, vendo paisagens incríveis! Eu amei! cheguei a andar 6 horas sem cruzar ninguém, mas isso é pra quem curte esta solidão né? Eu prefiro do que fazer trilha com gente. E também, por ser menos frequentado, uma média de 15 pessoas passam por ele todos os dias, e só há um albergue por parada, então todas as noites acabei encontrando e dormindo com as mesmas 13 pessoas e criamos vínculo (nenhum abaixo dos 55 anos, tá?), mas todos uns fofos, e eu fui a tradutora oficial entre os franceses, os espanhóis, o alemão, o inglês e a belga (muito amô por eles!).

Apesar deste caminho alternativo não subir os pirineus, é um caminho pesado sim, pelas longas distâncias de cada etapa (25 a 33 km por dia), algumas subidas e descidas, com poucas paradas para uma bebida fria ou algo de comer. Também não há farmácias ou médicos (apenas no dia 1 em Jaca e no dia 4 em Sangüesa) e muito menos supermercado para preparar seu lanche do dia seguinte, levar frutas e até cozinhar no hostel, apenas em Jaca e Sangüesa isso é possível. As pernoites em Arrés, Ruesta e Monreal são literalmente no meio do nada, onde o próprio albergue tem um bar que vai te preparar jantar, café da manhã e o “bocadillo” pra trilha do dia seguinte, mas pra minha fome não era suficiente, e pro meu bolso saía caro, se comparado com a possibilidade de um supermercado, mas tudo bem, as paisagens e a trilha sem ninguém compensaram este perrengue.

Quando cheguei em Obanos, pouco antes da pernoite em Puente la Reina e cruzei com o pessoal vindo do outro caminho, o Caminho Tradicional Francês, notei a diferença entre os dois caminhos! De cara em Obanos vi duas fontes de água, parei pra abastecer a garrafa e começou a passar gente, gente, gente…grupos, duplas, casais, não dava 3 minutos sem passar alguém, não tem nem comparação com o caminho que eu vinha. Logo puxei papo com duas meninas da minha idade (eram 6 dias sem ver ninguém abaixo dos 50 kkk), duas espanholas de Barcelona, fomos andando e conversando, e após 2 minutos da última seta amarela uma delas se desesperou em não ver outra seta, mas estávamos em uma rua reta, eu não entendi o desespero hahaha,  eu estava acostumada a andar até 1 km sem ver seta! Me espantei com a diferença! E fui reparando como é muito sinalizado este caminho! E a cada km há um bar ou quiosque ou vending machine (no meio do nada!), as pessoas  param, pedem sanduíche, suco, café, cerveja, eu estava acostumada a passar minhas 6 a 8 horas diárias de caminhadas com meus lanches na mochila e racionando minha água pra não faltar! E a partir deste caminho, todas as cidades que passamos tinham vários albergues ou pousadas, então pra alguém que queira fazer trechos curtos de 10 a 15km por dia, é super possível.

Gostei muito de ter começado pelo Caminho Aragonês e depois ter juntado com o Francês, assim posso viver as duas coisas, e as pessoas que conheci nos 6 primeiros dias desde Somport: maravilhosas! Um senhor francês que perdeu uma perna em um acidente de moto há 18 anos e hoje faz o caminho com prótese e muleta, ele vai de carro até a cidade da próxima pernoite, daí volta andando 5km pra esperar a esposa em uma sombrinha e  segue de novo estes 5km com ela, completando apenas 10km por dia, que é o que ele aguenta. Uma belga de 71 anos que está fazendo 1000 km de Caminho desta vez, mas há 10 anos ela fez 2700km desde a Bélgica até Santiago. E um espanhol nos seus 60 e muitos que teve um problema no coração este ano e colocou um marcapasso, está fazendo o caminho devagar, com uma bengala e acompanhado dos seus dois filhos. E também conheci o Pepe, que em 2014 se deu conta que seu tempo não valia trabalho ou salário nenhum, então pediu demissão, doou todos seus livros e roupas, devolveu o apartamento alugado e vive há 4 anos peregrino pela Espanha, tudo o que ele tem está na sua mochila de 20 kg, ele vive ao redor do Caminho, mas ás vezes sai dele, volta, vai conhecendo pessoas que lhe dão coisas, distribui tempo para conversa, sorrisos e mensagens impressas em marca-páginas, e essa é a sua vida, andarilho!

Esta foi a  particularidade desta minha experiência no caminho alternativo ao francês: as pessoas que cruzei! E isto não tem preço. No Caminho Francês o perfil dos peregrinos é outro, conheci poucos fazendo o caminho sozinho, são mais grupos de amigos e casais, um pouco mais de festa e menos introspecção, mais jovens, porém com menos propósito em fazer o caminho, todos que eu perguntava “por que fazer” me respondiam “porque é bonito”, “porque eu tinha férias”, “porque fulano me chamou”. Ponto. Nenhuma pessoa que eu conheci no Francês tinha um propósito espiritual, ou religioso, ou de busca interior, ou de superação. Também conheci grupos organizados de turismo nesta rota, agências que levam grupos, transportando suas mochilas em carros e fazendo suas reservas em hotéis, às vezes até mesmo com guia. Achei o Caminho Francês bem mais comercial!

Mas esta foi uma visão pontual minha, de apenas 3 dias de Caminho Francês, apenas 70 km, e conto o porquê: faltando 780km pra chegar em Santiago, eu não estava gostando da “muvuca” dos últimos 3 dias do Caminho Francês e saí deste caminho!! Eu estava cruzando mais de 100 pessoas por dia na trilha, um pouco incomodada com a quantidade de quiosques e bares, as pessoas bebendo e falando alto, sem eu conseguir fazer minha caminhada em silêncio, então desisti, ignorei que tinha andado já 235km, voltei pra França e comecei tudo de novo por outro caminho de santiago: O Caminho do Norte. Isto mesmo, mudei a rota! E não me arrependo um só momento, foi a melhor decisão de mudança deste sabático!!! E um reflexo do que tem sido minha vida nos últimos tempos: a coragem de mudar diante do incomodo e /ou do comodismo. Não é porque escolhemos um caminho, um trabalho, um relacionamento lá trás que precisamos ficar pra sempre, se não está bom, temos que ter a coragem de mudar!

Mas deixando a filosofia de lado e voltando ao Caminho: o fato de eu não ter gostado do Caminho Francês não impede de outras pessoas gostarem, quem prefere andar com suporte de restaurantes, quem não se sente confortável ou seguro de estar tantas horas sozinho na natureza, principalmente mulheres que me enviarem dúvidas com seus medos, sim, o Caminho Francês é indicado para quem prefere andar com mais infra-estrutura e encontrar mais pessoas! É que euzinha prefiro o “into the wild style” e um perrengue básico pra chamar de meu!

Ainda sobre o caminho Francês, falando das paisagens, ele é lindo tá? Não desisti pelo visual, porque o visual é lindo, de planícies, passando por muitas plantações e muitas cidades fofas! Só fui até Logrono, não deu tempo de passar por Leon e Burgos que eu queria conhecer, com catedrais góticas incríveis, mas tudo bem. Este caminho só tem alguns dias maçantes em trechos de Navarra e La Rioja de puras plantações com sol na cabeça e clima bem seco, mas o visual é bonito!

Já o Caminho do Norte que eu migrei é outro visual, ele é no litoral. Então as paisagens são de serra, floresta e praias. P-R-A-I-A-S !!! Por isso me apaixonei tanto! Mas antes de migrar pro outro post que eu conto do Caminho do Norte, queria dar duas dicas aos interessados que me mandaram perguntas sobre o caminho: os gastos e a mochila!

O ideal é que a mochila tenha 10% do seu peso, e que não passe dos 40 litros, tem que ser aquelas que ajustam bem na cintura pra distribuir o peso! Considere que a própria mochila já pesa cerca de 1 kg e o litro de água também, então de resto, eu trouxe: sleeping bag, casaco corta vento que também é a capa de chuva, capa de chuva pra mochila (se não for embutida), um casaco de fleece, uma papete pra chegar no destino e passear com os pés respirando, uma havaina pra tomar banho, toalha de camping, necessaire pequena, uma calça e blusa pra dormir. E daí são dois looks: o 01 e o 02, hahaha um você usa, chega e lava, e o outro você usa dia seguinte se o de ontem não tiver seco, então são 2 bermudas de lycra (e 1 legging se esfriar), 2 camisetas de dryfit, 2 tops, 2 calcinhas e 2 meias. A bota de trekking tem que ser muito confortável, cano médio e estar amaciada no seu pé! Tem gente que faz com tenis de corrida, mas não é indicado pros dias de chuva e as pedras que eu encarei na serra do litoral, onde amarrei bem o cano médio protegendo o tornozelo.

Esta é a mochila ideal pra quem vem neste clima que estou, em setembro/outubro ou abril/maio, estas são as melhores épocas. Junho a agosto além de ser muito quente é bem cheio de gente, inclusive excursões de escolas espanholas!! E de novembro a março é bastante frio, então a mochila precisa ser reforçada com outras roupas (nesta época também muitos albergues fecham, então aconselham até a levar barraca, isolante térmico, etc).

Os gastos: eu gastei exatamente 30 euros por dia! Os albergues de peregrino vão de 5 a 12 euros, os menus nos restaurantes vão de 10 a 12 euros (dois pratos, bebida e sobremesa) e um café-da-manhã ou lanche sai 4 a 5 euros. Como neste momento o euro está nos saindo R$5,20, eu prefiro fazer supermercado onde o meu jantar, café do dia seguinte e lanche pra trilha me saem no máximo 7 euros. De resto, é só andar, porque a natureza e nossas pernas são grátis!

Sri Lanka

Sri Lanka, onde?

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Há um ano atrás eu conhecia o Sri Lanka, mas resolvi contar só hoje sobre esta experiência porque me veio toda a memória do ano passado, então voltei lá nas minhas anotações, tabelinha de gastos (engenheira ela) e fotos, e montei este relato aqui. Estava eu na minha terceira semana de curso de formação de Yoga na Índia em outubro de 2017, o clima estava cada vez mais quente, eu cada vez mais coberta (em ashrams também precisamos cobrir ombros e pernas) e a quarta e última semana do curso se aproximava com uma vontade louca de ir pra praia. Eu estava em Nashik, ao sul de Mumbai e pensei que poderia ir para as praias de Goa ou Kerala na Índia mesmo. Porém, um belo dia, por sincronicidade de conversas diferentes, 2 pessoas citaram suas viagens ao Sri Lanka, que eu confesso que nem sabia se era na Ásia ou na África (geografia nunca foi meu forte)…olhei no mapa, bem ao sul da Índia, pertinho, com praia…entrei no site do Worldpackers e tinha oportunidade de work exchange em hostel (troca de 20 horas semanais de trabalho por hospedagem e refeições), então me candidatei à vaga, comprei minha passagem e uma semana depois estava indo passar um mês  neste país tão pouco visitado (especialmente por brasileiros).

Bom, minha ida ao Sri Lanka foi mais pra curtir uma praia e ter a experiência de work exchange (que conto neste outro post ) do que pelo país em si, mas acabei sendo surpreendida por um destino incrível (e muito barato)! Logo me encantei, vi que é um país com muito pra se visitar, e tentei explorar ao máximo, mas não estive nas montanhas do norte, por exemplo, e nem litoral leste que conheci muita gente vindo de lá.

Pousei em Colombo, mas nem cheguei a conhecer a capital, dia seguinte de manhã já peguei um trem pra Mirissa, barato (US$ 1,50) mas pensa num aperto de quase 5 horas…sem lugar pra sentar…enfim, fui de pé quase até o final, a última hora de viagem vagou uma poltroninha que ocupei. Negombo é outra cidade ao lado de Colombo que dizem ser charmosinha, mas eu estava tão sedenta por praia, que pulei esta parte e fui logo pra Mirissa.

Mirissa é a praia que escolhi ficar e onde arrumei o job no hostel, dá pra passar dias nela, é calma e linda com pôr-do-sol especial, os hostels costumam custar US$ 10 com café da manhã (tanto o My Hostels que eu trabalhei quanto o Hostel First que visitei) e de Mirissa também dá pra fazer uma trilha pra Secret Beach, uma prainha isolada que eu amei e acabei indo vários dias. 

Em Mirissa dá pra alugar caiaque, stand up padle, sair de barco, fazer snorkeling ou sentar em alguns dos restaurantes com espreguiçadeira na praia e relaxar o dia todo, é uma vibe muito parecida com a de algumas ilhas na Tailândia, mas ainda com pouca exploração turística, então é menos cheio e tudo é muito barato! 

Um prato em restaurante custa de 300 a 700 rúpias, que equivale a 2 a 5 dólares, a cerveja Lion 600ml custa US$ 2 no horários de happy hour (que tem promos) e US$ 3 na balada.

Não é toda cidade que vende álcool fora dos bares, por exemplo em Mirissa pra comprar em supermercado precisa de uma licença que só os moradores possuem. Já em Weligama (que dá pra ir de tuk tuk) se compra álcool em loja especializada para trazer pra casa. Mas a famosa bebida é o arrack, uma espécie de rum que custava US$ 2 a garrafa e tomávamos com coca na baladinha (arrack attack é o drink ;-). Falando em balada, gostei muito da organização deles, como a praia é larga e cheia de bares, mas não tem tanto turista como nas ilhas da Tailândia, todos os bares funcionam pra happy hour, mas após as 11 apenas 1 por dia da semana abre pra balada, assim não tem dispersão e concorrência, eles se organizam, anunciam em cartazetes a programação semanal e sinalizam qual o bar da noite com um holofote na areia (tipo aquele holofote que chama o batman). O problema de ser o mesmo holofote migrando de bar em bar é que é o mesmo DJ que acompanha, e todo dia é a mesma playlist (risos…)

E assim todo dia tem baladinha pé na areia! Sem pagar pra entrar e com drinks baratos. Durante o dia, além de curtir a praia de Mirissa, fui também em lugares próximos visitar, Matara é a maior cidade com bons restaurantes, Galle Fort é uma pequena Holanda dentro de um forte, com hotéis boutique, restaurantes e sorveterias artesanais (que eu tive a sorte de visitar com uma holandesa hóspede do hostel) e Weligama é uma praia boa pra surf, com aulas, aluguel de prancha, reggaes a noite e vários surf camps. Também fui a algumas praias em Unawatuna, mas acho que dei azar com o tempo, porque no google imagem a água parecia transparente mas quando eu fui estava escuro pela chuva.

Conheci apenas este litoral sul do país, que eu considero a “Tailândia ainda não descoberta” pela beleza natural, poucos europeus estão começando a explorar mas no mês todo eu conheci apenas um sulamericano na região.  Mas para visitar o Sri Lanka precisa se atentar à época de monções que é diferente em cada região do país, por exemplo eu fui em outubro e era seca no litoral sul, já minha amiga visitou em maio e explorou o litoral leste, principalmente Arugam Bay, aliás para roteiros de Ásia super indico o trabalho dela, agente de viagens nômade digital, podem buscá-la no insta: @mari.seligardi!

Depois destas semanas trabalhando no hostel na praia, eu só tinha poucos dias livres antes de voltar pra Índia, então fui conhecer as montanhas de Ella, no centro do país, uma cidadezinha muito charmosa que parece Campos do Jordão. Eu fui de ônibus local, numa longa viagem de 7 horas (que custa US$1) sendo a única turista em meio aos locais, mas muita gente vai de trem. Ella é uma cidade pequena, cheia de cafés e massagens baratas, e o mais gostoso de fazer são as trilhas nas montanhas pra visitar os pontos turísticos: Nine Archs Bridge, Ella Rock, Little Adam’s. 

Ella é muito famosa pelo trem que chega nela vindo da cidade Kandi, é considerada uma das rotas de trens mais bonitas do mundo, e geralmente os turistas chegam na capital Colombo, pegam um trem pra Kandi e depois seguem nesta rota linda de trem de para Ella. Eu fiz o contrário, cheguei do litoral em Ella e fiz a rota linda de trem pra Kandi ao contrário, mas a rota é a mesma, e é mesmo muito linda, são horas de paisagens montanhosas e plantações, num trem antigo. Passeio maravilhoso!!

Outra atração turística famosa no Sri Lanka são os safaris, que eu não cheguei a fazer, o país tem quase 20 parques e reservas nacionais, e muitos com safaris, e alguns até com pernoite em cabana e jantar em roteiro de luxo. Aliás, o Sri Lanka começou a ter muito resort babado pra quem gosta de turismo de luxo, mas a preços mais razoáveis que Tailândia e Indonésia.

É isso, um pequeno país asiático, com forte influência das ex colônias portuguesa e holandesa, rodeado de um litoral lindo e com uma cadeia montanhosa maravilhosa! Pessoas simples, com feições parecidas a dos indianos, comida boa e roteiros muito, muito baratos! Completamente fora da rota da maioria dos mochileiros brasileiros pela Ásia, mas vale a pena incluir! 

Eu incluí e amei!

Nepal - Everest, Roteiros de viagem

Everest, o maior desafio até agora

Oie! Vou contar hoje, com um pouco de atraso, como foi o meu trekking de 12 dias para o basecamp do Everest, no Nepal, que fiz em abril! A coisa mais difícil que fiz neste sabático, e talvez, na minha vida inteira! Foi intenso, fiquei emotiva, quis desistir muitas vezes, chorei, fiquei doente, me perguntava pra quê, senhor, pra quê?? Lá no instagram coloquei nos destaques dos stories a jornada completa com os 12 dias, com o choro todo envolvido e as paisagens mais lindas!!!

Os 12 dias são o mínimo necessários para subir em 8 e descer em 4 dias, garantindo as paradas de aclimatização (para seu corpo ir acostumando com a altitude), conheci pessoas que não fizeram as paradas e subiram direto, ficaram doentes, tiveram que baixar até melhorar, e acabaram precisando de até 16 dias pra conseguir chegar de novo, então não vale a pena este risco! O problema em subir rápido esta altitude é pegar o mal da altitude onde os sintomas são falta de apetite, enjôo, diarréia, tontura, dor de cabeça… se estes sintomas aparecerem, a pessoa tem que baixar pelo menos uns 500m imediatamente, senão o risco de algo mais sério é grande! No caminho eu via diariamente 3 a 4 resgates de helicóptero de gente passando mal, e também conheci muita gente baixando que não tinha conseguido seguir em frente em diferentes pontos de altitude, não é tão fácil não!!

É possível fazer em grupo com agências, sozinho com guia ou até sozinho mesmo sem guia, como eu não conhecia direito e estava insegura, fui numa agência e fechei um guia só pra mim, mas depois conheci muita gente fazendo sozinho, hoje eu arriscaria. Para se ter ideia de custos, conheci um cara que fez tudo sozinho e gastou US$ 600 durante os 12 dias (com o vôo de ida e volta de Katmandu pra Lukla, todas as hospedagens, todas as refeições e as licenças no parque). Já pra mim com guia e tudo incluso que citei acima ficou US$1.000 o pacote com a agência (e ainda ganhei emprestado a mochila, o casaco e o sleeping). E os grupos que encontrei pagaram de US$ 1.000 a US$4.000, pelo mesmo roteiro, mesmas estadias e mesmas refeições, então pesquise muito antes de ir e feche com uma agência em Katmandu mesmo, tem uma em cada esquina, e sempre com vaga, mesmo pro dia seguinte, as pessoas que conheci que pagaram caro, de US$2.000 a US$4.000 tinham fechado com agências no Brasil, Argentina, e acabaram pagando este preço abusivo.

Foram 12 dias, subindo de 2.650m para 5.200m, percorrendo 130km com a mochila nas costas. Fui só eu e o guia, e eu tinha medo dele ser muito quietão, de eu me sentir muito sozinha, mas nada, fiz amigos do começo ao fim, o guia realmente era quieto, ele guiava o caminho falando pouco e nas refeições não sentava comigo. Mas eu sempre tava com amigos, principalmente um grupo de americanos que conheci no segundo dia e fizemos todas as paradas juntos, ok, um virou paquera, maraaaaaa! E era um grande amigo pra me incentivar quando eu queria chorar hahahha. Apesar do meu guia não ser tão bom, ainda preferi ir assim do que me enfiar em um grupo grande, acompanhei várias brigas de grupos grandes, com gente querendo ir mais devagar, parar antes, o grupo tendo que se dividir, difícil! Cada um tem um ritmo!

Vou contar o roteiro aqui:

1. Primeiro dia, vôo 7:30 da manhã de Katmandu pra Lukla (menor pista do mundo…emoção!), café da manhã em Lukla e caminhada de 1:30h até o almoço, depois só mais 1h de caminhada e estávamos em Phakding às 13h com a tarde e noite livre pra descanso, a 2650m de altitude. Leve um livro! Ou baixe filmes no Netflix do celular, mas lembre-se que paga em cada parada pra carregar celular e a bateria consome muito rápido no frio, então durma com ele dentro do sleeping, mesmo desligado.

2. Segundo dia foi trekking de 6 horas de Phakding para Namche Bazar, 11 km, chegando há 3,450m com parada pra almoço no caminho. Passamos por aquela ponte dupla suspensa que aparece no filme everest. Esse dia é de bastante subida, mas eu nem sabia o que vinha pela frente.

3. Namche é uma cidadezinha maravilhosa! Tem lojinhas, cafés, padaria, pub, várias opções de guesthouse, sabe o filme Everest? Onde eles chegam numa cidadezinha e umas crianças ultrapassam eles correndo na escadaria? É em Namche. O terceiro dia é todo parado em Namche pra aclimatizar, mas também fizemos um trekking até o Hotel Everest a 3.850m, deixando a mochila na guesthouse. Em Namche na verdade dá até pra ficar mais de um dia, e muita gente só chega até aqui pra passar uns dias e já volta. Tem o pub mais alto do mundo, mas melhor deixar pra encher a cara na volta que paramos lá de novo.

4. Daí fomos para Tangbouche, as paisagens pareciam aqueles quebra cabeças de 3000 peças. Descemos 200m pra subir 600m, bem íngreme, mas a vista compensa, apesar de ser um dia andando umas 6 horas. Chegamos em um monastério, mas não cheguei na hora da cerimônia que dizem ser linda. Este dia foi de subida e dor na perna, cheguei achando que era o pior dia da minha vida hahahahhah mal sabia eu…

5. E então fomos de Tangbouche para Dingbouche no quinto dia, chegando a 4.413m, foi bem tranquilo.

6. Dingbouche era outra cidadezinha para aclimatizar, até subi um morro pra ver a vista, mas andei bem pouco, descansei muito. Lá tem um café que passa o filme Everest todo dia às 14:30, e servem doces mara!

7. No 7º dia o certo seria ir de Dingbouche para Loubuche, chegando a 4.903m e mais pertinho do Everest, mas esta foi a vantagem de eu estar com guia só pra mim, minha sinusite atacou, comecei a ter muita dor de cabeça, e na parada do almoço em Tukla, pedi pra dormir lá mesmo. Chorei, viu? Achei que não ia dar conta de chegar no Everest, sentia dores no corpo, pontadas na cabeça, mas me entupi de sopa de alho e antigripal, conheci uma inglesa fofa que também parou por causa da sinusite e dormi cedo, num frio de doer os ossos. Já comecei a sentir a altitude também, algumas tonturas…e tava -8oC… o banheiro no relento, foi o maior pesadelo!

8. Aí o dia 8 foi o mais pesado, tive que fazer o trecho anterior, fui de Tukla pra Labouche e de Labouche pra Gorakshep e chegando lá 4 da tarde morrendo, ainda fui até o Basecamp do Everest, porque o guia disse que não poderíamos deixar pro dia seguinte, era arriscado passar de 24h em 5.250m de altitude. Não sei se era verdade, mas realmente eu não aguentaria uma segunda noite lá. Fui até o Basecamp mas não desci no portão, fiquei com medo de não conseguir subir de volta, eu estava a ponto de chamar o helicóptero de resgate, a sinusite parecia facadas na testa e o corpo parecia atropelado de dor, eram todos os sintomas de gripe elevados, muito foda! Mas voltei às 18h e dormi em Gorakshep toda entupida sem conseguir resoirar direito e num frio de rachar!

9. Dia 9 a galera costuma acordar às 4h da manhã e subir o morro Kalapatar pra ver o sol nascer no Everest, não fui nem morta! A noite anterior foi a pior. Mas acordei às 7h e comecei a voltar, e melhorar. Descemos pra Periche pra almoçar e dormir, que está a 4.370m, e só de baixar a altitude já reduziu a sinusite, já fiquei bem melhor, e voltei a me comunicar normalmente sem chorar kkk. Detalhe que neste dia já estava há 4 sem banho!

10. Dia 10 voltamos de Periche pra Namche Bazar de novo e lá sim, pudemos parar no pub e beber!!! Só que no meu caso tomei chá porque eu tava medicada. Este dia tinha nevado de noite e o caminho tava branquinho lindo.

11. 11º dia voltamos para Lukla, cidade da pista de aeroporto menor do mundo, lá tem lojinhas, cafés, clima de despedida, de conquista e tem o Irish pub que vira balada com a galera chegando, mara!

12. Logo cedo pegamos o voo pra Katmandu no dia 12, este é o único dia sem caminhada, então na verdade são 11 dias de trekking.

FIM!!

Agora vamos a mochila: eu não pesei a minha, e não paguei pra ninguém levar minha mochila (a maioria das pessoas pagam um Sherpa pra isso, mas eu não me sentia bem em vê-los carregando 6 a 8 mochilas nas costas, todas amarradas, pesando mais de 30 kilos), então carreguei tudo o que era meu, devia estar com uns 8 a 10 kilos, mas realmente não pesei. Levei muito pouca coisa, mas o sleeping bag (que deve aguentar até 0 grau) e meu down jacket para ate -10ºC graus, já pesavam o suficiente e ocupavam quase toda a mochila. Além disso levei outro casaco que era protetor térmico, quebra vento e capa de chuva, tudo misturado, um outro casaco de fleece (tipo um moletonzinho), uma calça e uma camiseta de manga pra dormir, e outra calça térmica e outro dryfit (além dos que estavam no corpo), isso mesmo, usei uma calça e um dryfit 6 dias seguidos e o outro mais 6 dias seguidos…sem lavar, mas nem banho eu tomava direito, então o importante era não carregar peso. Já calcinhas levei 12 e fui jogando fora, porque não daria nem pra lavar, não secaria naquele frio e garoa que eu pegava. Boné, óculos, gorro, luva. De higiene, levei uma toalha de camping, 1 havaiana q eu usava dentro das guesthouses com meia mesmo, lenço umedecido, hidratante pro corpo e papel. Precisei de muito muito papel higiênico, porque fiquei bem gripada, levei dois rolos mas ainda comprei uns 4 no caminho e cheguei a pagar 5 dólares por um rolo (quanto mais alto vamos indo mais os preços sobem, inclusive preço de água, banho e de tomada pra carregar celular, tudo isso é pago)

Tudo isso dá pra comprar em Katmandu, bem barato, e algumas agências emprestam o sleeping, a mochila e o downjacket, como a minha emprestou.

Ah! Importantíssimo é beber 5 litros de água por dia pra combater o mal da altitude!!!

Bom, foi isso! Intenso, difícil, mas pra mim valeu a pena! A conquista e a paisagem superam qualquer sofrimento! E se seguir estes passos dos 12 dias acima, dá pra ir tranquilo sem guia!

Bom everest pra você!

Grécia, Roteiros de viagem

Grécia sem Mykonos e Santorini

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Ai Grécia, por onde eu começo? Vou começar falando sobre expectativa e realidade. Primeiro que quando resolvi passar um mês na Grécia (neste sabático costumo dedicar 1 mês para cada país) e todo mundo me falava que a Grécia era muuuuuito barata, se comparada a outros países da Europa, eu imaginei barato mesmo…nível Ásia. Só que não. Só que eu vim em agosto, só que não é barato em agosto, que é alta temporada! 

Além de eu ter vindo na alta temporada, este não é um país para mochileiros, não há muitos hostels! Mas depois descobri que é um país onde se acampa em qualquer lugar! Então existe sim uma Grécia pra mochileiros com barraca. Bom, vim com uma listinha de ilhas pra visitar: Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta…em 30 dias…ops! Acho que eu já tinha escolhido ilhas demais pra tempo de menos. Poucos dias antes de vir comecei a pesquisar nos sites do Booking e Hostelworld os Hostels e não encontrava acomodação mais barata que 100 euros por noite, e apenas em hotéis…oi??? surtei.

Então mudei a rota. Resolvi ir sem planos, resolvi me arriscar no couchsurfing, decidi comprar uma barraca usada no meio do caminho, resolvi deixar a rota ser traçada através das pessoas que eu ia conhecendo no caminho e tudo deu certo! Nas 35 noites que passei gastei a média de 14 euros de acomodação entre hostel, camping, hotel, airbnb e casa de couchsurfing.

Comecei por Atenas, lá sim tinham Hostels de 10 a 15 euros por noite, fiz um amigo uruguaio que estava terminando a viagem da Grécia e também estava de sabático pelo mundo, ele me recomendou ir pra ilha de Paros (no complexo das ilhas cyclades onde estão Mykonos e Santorini), me disse que lá havia um hostel de 5 EUR. E como Zakynthos apesar de ser uma ilha muito luxo ainda era meu sonho pra conhecer a “praia mais bonita do mundo”, dei google em “zakynthos – camping” e achei um por 6 euros. Resolvi que ia também.  Ainda em Paros, me encontrei com uma brasileira que eu tinha amizade pelo facebook, ela viaja o mundo de couchsurfing, me convenceu arriscar, e logo consegui alguém pra me hospedar em Naxos de graça, outra ilha perto de Paros. 

E foi assim, uma coisa leva a outra. Vim com o plano Atenas, Corfu, Lefkada, Cephalônia, Zakynthos, Mikonos, Santorini, Milos, Ios, Creta e acabei realizando Atenas, Creta, Paros, Antiparos, Naxos e Zakynthos. Com certeza volto, com certeza fora da temporada, pra conhecer as ilhas que ainda não visitei, se bobear venho com mochila e barraca e ainda acampo nos free campings. 

Vou contar da Grécia, da minha falta de planejamento e das dicas de lugares baratos que passei. Começando por Atenas, muitos me falaram que 1 dia era suficiente pra conhecer Acrópoles e já poderia seguir pras ilhas, pode até ser, mas eu me conectei com esta cidade e com as pessoas desta cidade que acabei passando por Atenas 3 vezes. 

O primeiro fim de semana foi mais turístico, fiz walking tour e paguei um ingresso de 30 euros pra conhecer as 6 principais atrações, gostei mais de Acrópoles, Ágora Museum e Temple of Zeus. Tudo isso dá pra fazer a pé. Os pores-do-sol na pedra em frente a Acrópoles e no morro Philopappos são maravilhosos. Fiquei em um hostel perto da praça central Monastiraki que paguei 15 euros com café da manhã e comia as outras refeições em 2 lugares bem baratos: Tzatziki e Street Souvlaki (refeições de 2 a 3 euros). 

O segundo fim de semana voltei pra pegar balada com o pessoal que eu tinha conhecido, perto de Monastiraki tem vários bares e baladas, fui indo de um pro outro, começando com cerveja de rua na rua Protogenenous e na região de Psyri, depois parei no bar Six Dogs que é lindo e por último na balada Boiler, do circuito alternativo que amo, fica num beco.

E por último, minha última visita à Atenas acabei passando uma semana por causa de um grego mara, até peguei um apartamento no Airbnb pra mim e foi aí que me senti em São Paulo, que conheci outros bairros, fui em shopping, cinema, restaurantes fora do circuito turístico. O bairro Halandri é pouco turístico mas cheio de bares e restaurantes muito gostosos, parece muito com Pinheiros e Itaim em SP, mas o preço não se compara, um jantar com drink sai por 7 a 8 euros. Atenas também tem praia, não tão paradisíaca como as ilhas, mas pertinho da cidade, basta pegar um metrô e um tram e se chega em Kalamaki. Como passei uma semana, valeu passar um dia na praia. Outras duas visitas que dá pra fazer de Atenas (mas que pra mim bateu preguiça e não fui…risos) é o Templo de Poseidon e Meteora, algumas agências até organizam visitas de um dia.

Quanto às ilhas, sei que todo brasileiro vai pra Mykonos e Santorini, e o que eu ouvia era: Mykonos é destino pra quem gosta de balada gay e Santorini é destino romântico para casais. Não sei dizer, não fui nelas, ao chegar na Grécia conheci muitos gregos que me falaram que Mykonos é o destino mais superfaturado e as praias não se comparam com a beleza de outras ilhas menos turísticas, por isso os gregos não costumam ir e Santorini não há praia, apenas vista, então o pessoal também não frequenta. Cheguei a pesquisar hospedagem nesses lugares, mas na alta temporada não haviam hostels disponíveis e desisti, Mas não me arrependo, as ilhas que conheci me surpreenderam muito!

Comecei por Creta, a maior ilha da Grécia, fui de balsa de Atenas (e não pensem naquela balsa de Santos, as balsas na Grécia são verdadeiros cruzeiros) , esse trajeto de balsa foi o mais longo e custou EUR 38. Lá recomendo ficar na cidade de Chania, achei um hostel novinho e maravilhoso por 15 euros, chama Kumba, as camas são naquele modelo cápsula com cortina blackout, primeiro dia sem despertador acordei quase 1 da tarde sem nem perceber, nenhum barulho, nenhuma luz, milagre pra hostel. De Chania dá pra pegar ônibus locais pras praias mais lindas, fui em Seitan (uma praia pequena que parece um rio turquesa entrando no meio das rochas, precisa descer uma trilha pra chegar nela), Stavros (tem uma lagoa maravilhosa que parece uma piscina imensa) e Elafonisi (uma praia de areia rosa e água turquesa com pôr do sol na lagoa), são impressionantes, também recomendam conhecer Balos que não fui.

Os ônibus pras praias custavam 2 euros, com exceção de Efalonisi que era do outro lado da ilha e havia um ônibus de turismo por 20 euros ida e volta. Nela eu fui de carro com uns amigos, mas acho que vale a pena alugar um carro ao invés de usar o ônibus, e assim também dá pra ficar ate o pôr do sol.

A noite em Chania perto do porto é lotado de opção de bar, restaurante e lojinha. Aqui não achei opções de refeição por 2 euros, apenas restaurantes com pratos por 5, mas como o hostel tinha cozinha e supermercado perto, rolou fazer uns lanches pra cafe da manhã e almoço na praia. 

Depois fui pro complexo de ilhas cyclades onde fica Mykonos, Santorini, Milos, Ios, etc. Escolhi conhecer Paros e a balsa de Creta pra Paros custou 60 euros (comprada de última hora, com certeza é mais barato com antecedência), mas escolhi esta ilha porque quando eu estava em Atenas um uruguaio me falou de um hostel que pelo booking.com quando se faz a reserva pro mesmo dia custa apenas EUR 5 o quarto feminino com 3 beliches. Chama Surfing Beach Huts e fica na praia de Santa Maria, então todo dia eu renovava minha reserva pelo site e assim fui pagando 5 euros por dia. Este hostel fica em um camping com restaurante, piscina, mercadinho, de frente pra praia e de lá dá pra pegar ônibus pra conhecer outras praias e ir pro centrinho de Naoussa a noite, nos bares e restaurantes. Eu amei esta praia de Santa Maria, cheguei em um dia que tinha Sunset Party, e nos outros dias acabei indo a pé pra outra praia no sul da ilha, Lagkeri, que é mais deserta.

Um dia também fui conhecer a ilha de Antiparos, tive que pegar um bus pra Naoussa, outro pra Parikia e depois um barco pra Antiparos, e ainda chegando em Antiparos precisei tomar outro ônibus pras praias mais bonitas, então todo este rolê me custou 18 euros e 3 horas, não sei se vale tanto pelo bate e volta, pois as praias são parecidas, mas se for dormir uma noite em Antiparos ou fazer free camping vale. Lá conheci a praia de Soros, bem tranquila e linda com um restaurante mais no alto com vista incrível. Também tem umas cavernas pra visitar, mas pelo meu dia mais curto não fui. 

Fiz tanto amigos neste hostel em Paros, gente que ia e ficava, 5, 10, 15 dias no mesmo lugar, que quase não saí de lá também, mas após 6 dias de Paros e Antiparos, joguei no couchsurfing.com algumas outras ilhas no complexo Cyclades e consegui um host pra me hospedar na ilha de Naxos, então lá fui eu. Balsa de EUR 10 e cheguei. Fiquei bem próxima ao centrinho, de graça, na casa deste host do couchsurfing, cheio de opções de bares e restaurantes para ir a pé e lá no meio tem um mercado labirinto que lembra muito as ruas de Santorini. Em Naxos não achei hostel e não cheguei a pesquisar os hotéis, mas não cruzei com ônibus circulando, então é uma ilha que precisa mesmo alugar carro ou moto. Como meu host era um querido (e gato) me levou de carro pras praias mais bonitas e vazias, não sei se vou lembrar os nomes aqui, mas lembro de Hawai e Aghios Prokopios (top 3 de água transparente da minha vida). 

Neste complexo de Cyclades ainda quero conhecer Milos e Ios (esta última está bombando ultimamente de baladinhas), vão ficar pra próxima! E quem sabe quebro meu preconceito do turismo default e visito Mykonos e Santorini também. 

Por fim: a praia mais bonita do mundo (dizem)! Voltei pra Atenas pra um fim de semana antes de atravessar a Grécia pro outro lado e ir parar no Arquipélago Jônico, onde está a famosa ilha de Zakynthos e a praia de Navaggio considerada a mais bonita do mundo! Eu até queria conhecer 4 ilhas por lá: Zakynthos, Corfu, Lefkada e Cephalônia, mas tinha apenas 1 semana, os transportes sem carro não são fáceis e então dediquei a semana toda a Zakynthos, que foi maravilhoso pra fechar com chave de ouro! Lá resolvi acampar, comprei uma barraca usada no caminho e achei pelo google o Tartaruga Camping no sul da ilha. Pra chegar na Ilha peguei um ônibus de Atenas (EUR 28) e uma balsa (EUR 10), mas como cheguei tarde pra ir até o camping montar barraca, dormi num hotel de EUR 35 numa praia mais próxima da rodoviária, chama Laganas e é bem lotada de bares e baladas a noite, mas achei o público bem teenager. Na manhã seguinte peguei dois ônibus e fui pro camping, perto da praia de Keri, gostei, pero no mucho, a praia é de pedras e longe do camping (caminhada de 4 km) e no camping só falavam alemão (bom pra treinar, mas tô sussa), então conheci um casal que tava vindo de outro camping do norte, e assim desmontei barraca, peguei dois ônibus e fui pro norte da ilha montar barraca de novo na praia de Alykes. Lá sim o camping era melhor localizado, em frente à praia com piscina e bar, perto de supermercado e dos bares e restaurantes. Lá também está bem pertinho da praia de Navaggio, que fui visitar duas vezes, uma de barco pra curtir a praia e outra de carro pra vê-la de cima. 

Esta praia de Navaggio é realmente de um turquesa inexplicável e no meio da areia tem um navio enorme naufragado! Como eu estava sozinha fui num barco enorme que leva multidões e custa EUR 20 parando também nas Blue Caves e na praia de Xigia, o problema é que pelo horário você chega na Navaggio junto com outros barcos enormes que levam multidões e fica lotada! O ideal, se tiver mais gente pra dividir, é pegar uma lancha por EUR 150 e ir mas cedo ou mais tarde que estes barcos. E para ver a praia de cima, precisa de carro, não tem ônibus que leve. O aluguel de um carro sai no mínio EUR 45, que obviamente não paguei, mas eu tava com um boy da ilha que tinha carro e me levou, fofo.

Em resumo, apesar da alta temporada, a Grécia não saiu cara, gastei:

  • EUR 5 a 15 em hostel e campings
  • EUR 26 a 30 em Aibnb e hotel (sozinha, pois dividindo seria a metade)
  • EUR 3 a 5 em refeições
  • EUR 2 a 5 em drinks e cerveja (que controlei bem)
  • EUR 1,7 na media em ônibus e metrô dentro das cidades
  • EUR 23 na média em cada balsa ou bus para as ilhas

Amei, e com certeza volto pra este país maravilhoso!

Indonésia, Roteiros de viagem

Indonésia <3 <3 <3

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Ai, não sei nem por onde eu começo a contar deste destino tão irresistível, foi meu último destino na Ásia, após 8 meses viajando por lá, eu já estava cansada dos perrengues, confesso, e zero empolgada de ir pro paraíso do surf (sem saber surfar), o país onde só se locomove de moto (e tenho medo), no auge da temporada: MAIO e eu já com preguiça dos beer games de hostel…mas fui, e tive uma grata surpresa de viagem incrível pra fechar a temporada asiática! Tudinho me surpreendeu, bom ir com a expectativa baixa não?

Fui sozinha e foi o país que mais fiz amigos, estava o tempo todo com uma turma nova, a vibe do lugar proporciona isto. Passei um mês e fui pra duas grandes ilhas: Lombok (onde estão as Gili Islands) e  Bali (onde estão as Nusas, Ubud, Uluwatu, Seminyak, Canggu – este último lê-se “xangu”). 

Lombok é uma ilha muçulmana enquanto Bali é predominantemente Hindu… e que que isso tem a ver?? Tem muita diferença cultural, por exemplo, os muçulmanos praticam o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico dedicado ao jejum diurno, onde eles comem apenas entre o pôr e o nascer do sol, em meio a muita reza, com isto, durante o Ramadã as festas reduzem ou são canceladas, por respeito a religião, e as mulheres locais usam burca até na praia. Em Lombok vemos mesquitas e escutamos a reza nas ruas (que é lindo) enquanto em Bali visitamos templos hindus e nos deparamos com oferendas em cada esquina: as pujas. Pisar nelas dá azar!!! Bad karma.

Comecei por Lombok, pousei na Indonésia em Bali, no aeroporto de Denpasar e já peguei um vôo interno pra Lombok,  porque estava barato, mas dá super pra ir de balsa pra lá. Do aeroporto de Lombok rachei um taxi com umas meninas que conheci no vôo e fomos pra Kuta Lombok. 

Atenção: existe Kuta Bali e Kuta Lombok, eu fui pra Kuta Lombok e é muito legal, mas Kuta Bali ninguém recomenda e eu cortei da lista, muita gente foi e se arrependeu, então melhor não arriscar. 

Eu gostei muito de Kuta Lombok, mas realmente precisa de moto pra visitar as praias mais bonitas, a praia local de Kuta eu até fui a pé, mas não me senti à vontade em ficar de biquini em meio a mulherada toda de burca e os homens de calça e camisa, então voltei pra piscina do hostel. As praias distantes que visitei de carona com amigos que fiz lá, foram Mawi e Tajung Aan, vazias, lindas e boas pra surf. O resto do tempo fiquei na piscina do Botchan Hostel (diária de US$ 11) e ia a pé pra rua principal comer nos restaurantes maravilhosos El Bazar e Kuta Lombok. Depois de 4 dias peguei um transfer até o porto no norte de Lombok e um barco pras Gili Island.

Aí eu estava indecisa quanto a qual Gili escolher, são 3 e vou falar da fama que cada uma tem: Gili Trawangan é a maior e famosa pela vida noturna, Gili Air é mais calma e romântica e Gili Meno tem menor estrutura de hotéis e restaurantes. Eu estava zero na vibe de balada com adolescentes, e meio indecisa sobre qual ilha ir primeiro, mas dei sorte, duas vezes, primeiro que a semana que cheguei começou o Ramadã (mês do jejum que expliquei acima), então imaginei que a Gili T não teria tantas baladas, mas por ser maior com mais opção de yoga e restaurante eu achei interessante, e segundo que minha última noite em Kuta Lombok conheci uma alemãs voltando de Gili T que me recomendaram o hostel La Favela com vibe latina, aí lá fui eu, pra inicialmente 3 dias de Gili T…que viraram 10.

Eu simplesmente amei Gili T, apesar de ser Ramadã, os bares funcionavam e rolava uma baladinha mais tímida que acabava mais cedo. Mas o que amei foram as praias, com aquele mar piscina turquesa, areia branca e várias tartarugas nadando entre nós. Nas Gilis não há onda, não é destino de surf, mas sim de mergulho. O pôr-do-sol é mágico, tem várias aulas de yoga por US$ 8, dá pra comer comida local barata nos Warungs (o famoso Mi Goreng por US$ 2) até bowls saudáveis de US$ 10, super recomendo o Banyan Tree pra saladas e bowls. O hostel La Favela com diária de US$13 realmente tem uma vibe muito boa, com noites de salsa, churrasco, piscina, acabei passando 10 dias só falando espanhol com a galera, latino atrai latino, foi mara! O único meio de locomoção são as bicicletas, eu alugava todo dia, dava a volta na ilha, parava nas praias, e fim do dia estava no Sunset point, pra admirar aquele céu laranja maravilhoso! Lá no Sunset point é comummmm, assim, é comum, mas você faz se quiser…tomar shake de cogumelo, hehehe. Eu tomei óbvio, só um dia, mas é legal tomar umas 5 da tarde, curtir o pôr do sol mais laranja da sua vida e umas 9h já vai ter passado o efeito após dançar um pouco em volta da fogueira e vida que segue, pega a bike e vai jantar!

Já Gili Meno, que fui conhecer, aluguei um caiaque em Gili T e atravessei até Meno, fiz snorkeling nas estátuas debaixo da água, que chamam Nest e voltei remando algumas horas depois. E Gili Air resolvi ir de balsa passar dois dias, fui só com uma mochilinha, cheguei lá, aluguei uma bike, dei a volta na ilha, passei o dia na praia, jantei, aluguei um quarto e voltei de balsa dia seguinte, achei a ilha mais parada mesmo, gostei muito mais de Gili T. 

Mas vamos lá, eu fui no único mês do ano sem baladas, pode ser que num período normal, aquilo vire um inferno de adolescentes bêbados de festa em festa. Inferno não, mentira, gosto. Mas não sempre. E tem gente que não quer isso, então já aviso.

Estava quase decidindo passar o mês todo em Gili T, aquele paraíso sem barulho de moto, sem onda e onde só se ouve reggae, mas resolvi partir pra Bali, ia ser uma ofensa passar um mês na Indonésia e pular Bali, não? Peguei um fast boat e comecei Bali pelas Nusas Penida e Lembongan. Elas fazem parte da província de Bali mas são 2 ilhas no meio do mar entre Bali e Lombok. Me juntei com um chileno e uma argentina que conheci em Gili T e pegamos um hostel em Lembongan, lá começaram os rolês de moto, mas como sou cagona, eu ia na garupa. Não achei nada super incrível em Lembongan, praias bonitas, mas acho eu eu tava na nostalgia Gili T “quero voltarrrr”, já Nusa Penida….MEU DEUSSS que lugar lindo!!!

Pra chegar em Nusa Penida tem barco de Lembongan e lá alugamos moto, mas dá pra fazer tudo de carro, logo na saída do barco já tem carros e motoristas oferecendo, se eu tivesse sozinha iria em um, as estradas são cheias de curvas e ladeiras, mas na garupa da moto do chileno fui segura. Tem muito lugar incrível pra visitar em Nusa Penida, mas como dedicamos um dia só, acabamos focando no penhasco com a melhor vista: KellingKing Cliff, a vista dele é incrível, e o melhor foi descer a trilha até a praia, que pouca gente faz e fiquei com dor na perna por 3 dias, mas valeu muito chegar naquela praia deserta maravilhosa!

Depois de 3 dias nas Nusas, peguei um fastboat pra Bali, e se você enjoa em alto mar já prepara os saquinhos, tinha muita gente passando mal no barco! Mas como não tenho essas coisas, fiquei bem tranquila assistindo 13 Reasons no netflix. Já em Bali, pra quem não dirigi moto como eu, pode usar o aplicativo Go-Jek, uma espécie de Uber dos mototaxis, baratinho e achei seguro, os motoqueiros te emprestam até capacete. Comecei Bali por Canggu, praia que tem ficado mais famosa ultimamente pelo surf, já haviam me avisado antes de eu ir e confirmei no local, que a areia é vulcânica, escura, então a praia não é tão bonita (saudades Gili T…) mas a vibe do local, os restaurantes, cafés, barzinhos, lojinhas…ai credo que delícia!. Dediquei meu primeiro dia pra praia, mas não gostei muito, o segundo resolvi pagar a diária de um beachclub e aproveitar a piscina com vista pro mar e espreguiçadeira (a diária foi US$ 20 consumíveis em comida e bebida no The Lawn), e o terceiro dia fiquei na piscina do hostel com os novos amigles. Este hostel era uma pernada da praia, mas era bom e barato (Point Break Hostel: US$ 8 a diária) e era do lado do MELHOR CAFÉ DA MANHÃ DO MUNDO no Crate Café, sério, procure eles no insta @cratecafe e apenas babe. Dediquei meus 4 cafés da manhã lá, e o resto do dia comi em vários lugares gostosos que não anotei os nomes, mas tudo lá é bom com ddecoração maravilhosa, e a baladinha foi de quarta-feira no Oldmans, que bomba! (bali não é muçulmana então habemus balada durante o Ramadã). 

De Canggu peguei um taxi pra Uluwatu (umas 2 horas de estrada e trânsito). Uluwatu: venha em maio! Apesar deste ano o ramadã ter caído em maio e eu ter perdido as baladas de Gili T (que no final fiquei até mais feliz assim), maio é a alta temporada do surf em Uluwatu, então bomba de gatenhos e gatenhas #ficaadica. Eu não sei como está Uluwatu agora, houve um incêndio em boa parte da cidade recentemente, uma tristeza. Mas eu fiquei hospedada em Padang Padang (uma praia lotada de macacos) e visitei outras praias com o Go-Jek: Balangan, Dreamland e Bingin. Todas as praias são paradisíacas e ótimas pra surf, mas também tranquilas pra nadar, as ondas são mais afastadas da costa. E um lugar muito lindo pra ver o pôr-do-sol é o Uluwatu Temple. Em Uluwatu o café-da-manhã mara ficava por conta do Bukit Cafe e a melhor balada bomba de domingo, no Single Finns, dá pra ir pro pôr-do-sol e ficar direto pra festa.

Entre Canggu e Uluwatu tem um lugar que eu não fui porque não é a minha cara, que chama Seminyak, onde estão os beachclubs e hotéis mais famosos, tipo o Potato Head.

E eis que se acabaram as praias e fui pra Ubud, mas muita gente começa a viagem de Bali por Ubud, eu deixei pro final, sou dessas. Como tinha muito ponto turístico perto de Ubud que eu queria conhecer, e a viagem de Uluwatu para Ubud levaria ainda umas 4 horas de carro, resolvi contratar um motorista pelo dia todo, que me pegou cedinho no hotel em Uluwatu, me levou em 5 pontos turísticos e me deixou fim de tarde no meu hostel em Ubud, tudo por US$40, se eu tivesse alguém pra dividir ainda, ia ser maravilhoso, porque o carro era pra 6 passageiros.

Ubud é uma cidade maravilhosa, tem um mercadão ótimo pra comprar roupas e bolsas, várias lojinhas, restaurantes, casas de massagem, lugares pra práticas de Yoga (Radiantly e Yoga Barn) e cheio de pontos turísticos ao redor, que fiz quase todos com o meu driver na ida e os outros dividi um táxi com duas amigas novas:

  • Templo Tirta Empul é um templo onde se pode fazer o ritual de purificação passando pelas fontes de águas naturais, junto com os hindus, só precisa vestir o sarong correto, receber a orientação e entrar na fila dentro da água para o seu ritual;
  • Campo de arroz Tegalalang é lindo, vale a pena dar uma voltinha nele;
  • Balanço de Bali, sabe aquela tour bem clichê? Eu fui. É aquele mega balanço no arrozal, a vista é linda e dá um friozinho na barriga, mas vale;
  • Café do côco do bicho Luwak, é um dos cafés mais valorizados do mundo, achei o gosto bem normal, mas a degustação pode ser feita no mesmo local do balanço, então eu fui;
  • Monkey Forest é dentro de Ubud, mas cuidados que os macacos roubam tudo;
  • Cachoeiras, são várias, mas a que gostei mais fica dentro de uma caverna em Tukad Cepung;
  • Portal: tem alguns grandes portais pra tirar aquele fotão do instagram em Bali, eu fui com umas amigas do hostel no Handara Golf, mas até pra tirar a foto paga tá? US$3;
  • Mount Batur: este foi um trekking que acordamos às 2h da manhã pra ir de van até o pé desta montanha, fazer o trekking no escuro e ver o sol nascer atrás do vulcão, super valeu!

Em Ubud é tanto campo de arroz em todo o canto, que até dentro do meu hostel tinha um, ao lado da piscina, chamava Puja Bungalows e era bem localizado, com diária de US$ 9. O café-da-manhã maravilhoso (e almoço e jantar também) era no Clear Cafe, um dia cheguei a ficar o dia todo lá entre computador e livros, emendei o brunch no doce da tarde no jantar, sem sair da mesa…vish….esse dia a conta deu US$ 20 e isso é bem caro pra Ásia! Perceba que a Indonésia me encantou mesmo pelos cafés-da-manhã de bowls de chia, smoothies e eggs benedict…dei até uma engordada!

Bom, resumo foi que eu amei tudo neste país, curti praias paradisíacas, baladinhas, fiz mil amigos e contradizendo a todos consegui passar um mês na Indonésia sem dirigir moto, só nas caronas e no mototaxi e isso é possível. Mas se você dirige moto, tire a habilitação internacional antes de vir, pra não cair no pedido de propina de algum guardinha e alugue uma  por US$ 4 /dia pra rodar mais livre que eu.

Quanto ao tempo, eu fiz tudo isso porque tinha 1 mês, mas se você tem menos tempo, poderia cortar Kuta Lombok e focar mais nas Gilis, Nusa Penida e Bali. E se tiver mais tempo (ou não se perder por 10 dias em Gili T como eu…) acrescente Komodo, que pra mim não deu tempo mas é maravilhosoooo.

Enjoy the journey!

Butão, Roteiros de viagem

Um pequeno país chamado Butão

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Aqui, apenas um breve relato sobre o Butão, mesmo porque em 3 dias não dá pra dizer que se conheceu um país, ainda que este país tenha apenas 40 mil km2 com 70% do território de florestas preservadas e menos de 800 mil habitantes…ainda assim, 3 dias é pouco.

Pra começar, neste sabático tenho dedicado no mínimo um mês pra cada país, mas aqui isto seria impossível, pra visitar o Butão há que pagar uma taxa de US$ 250/dia que inclui guia, motorista, carro, entradas para as atrações, 3 refeições e acomodação em hotel mínimo 3 estrelas… 250 dólares/dia é totalmente fora do meu budget que tem circulado entre US$ 20 e US$ 50 diários, mas estava na minha listinha de sonhos, então vim conhecer os principais highlights por 3 dias e 2 noites.

Aqui não há como chegar ou circular sozinho, não tem hostels, o visto só se consegue através desta taxa diária, isto é, fugiu completamente do meu padrão mochileira, mas eu queria muito conhecer e eu tava tão pertinho… então lá fui eu, com minha guia particular, meu motorista de Tucson e os hotéis luxoooooo….Vim com uma agência de Katmandu, mas tanto Nepal quanto Índia oferecem estes tours de 3 ou 5 dias para o Butão, e os pacotes geralmente englobam o visto e o vôo, além da taxa diária. Também não gastei nada extra, nem troquei dinheiro, só o que faltava, né? Foi meu budget mensal em apenas 3 dias…

O Butão me atraía muito por ser considerado o país mais feliz da Ásia, e um dos mais felizes do mundo (competindo com os países nórdicos) mas o interessante aqui é que o governo (uma monarquia com a 5ª geração de rei no poder) não mede PIB do país, e sim FIB (felicidade interna bruta) avaliada em 33 critérios.

Realmente, pelas ruas das duas cidades que passei, Paro e a capital Thimphu, só encontrei pessoas sorrindo, mas até aí não achei nada diferente das pessoas que encontrei nos Himalaias no Nepal ou das pessoas que cruzei no mês que passei no Myanmar; o que mais me chocou aqui foi a imensa quantidade de verde nas cidades, para onde se olha se encontram árvores e morros completamente preenchidos por pinheiros, as  casas são poucas, lindas e grandes, espalhadas em meio ao verde, e os carros são de porte grande da Hyundai, Mitsubishi, Honda (além de inúmeras concessionárias destas marcas que vi), aqui não há tuk tuk ou carros velhos como os que se encontra em Katmandu, New Delhi, Yangon. Gente, mas não tem farol no país inteiro… sabe farol? sinaleiro? nada! Apenas rotatórias e faixas de pedestres sempre respeitadas por um trânsito que flui bem.

Aqui também não vi pobreza, moradores de rua, sujeira, nada disso, todos na rua estavam bem vestidos com seus Kiras e Ghos (trajes típicos), é um país bem tradicional. Me deparei com fotos do Rei (que tem 38 anos), rainha e o príncipe de 2 anos em todos os restaurantes, hotéis, e outdoors que passei, minha guia me contou com orgulho que também tem foto do Rei em sua casa e que todos adoram o Rei e seu pai que governou até poucos anos atrás, se orgulham do sistema de saúde e educação que possuem, e entendem que o turismo no país é bem caro, mas ajuda na riqueza do país, uma vez que 80% da taxa de US$ 250 é investida em educação e saúde.

Este tour de 3 dias e 2 noites é curto, mas suficiente se seu grande objetivo é conhecer o Tiger Nest (um monastério construído na boca de uma caverna sobre as pedras no alto de uma montanha a 3200m de altitude). Claro que se fizer o turismo de 5 dias, poderá também conhecer alguns vilarejos do interior, que devem ser incríveis!

O Tiger Nest para mim era a grande expectativa da viagem, e realmente é maravilhoso! Uma construção incrível cravada na pedra, em meio a uma imensidão de montanhas verdinhas, uma paisagem surreal, me senti em um quebra-cabeças de 2500 peças, em um conto de fadas, um desenho da Disney!

Pra chegar lá é um trekking, uma subida de aproximadamente 2 horas para visitar o monastério, o morro é inclinado e a subida cansa, finalizando com 700 degraus, mas tranquilona comparada com Everest que enfrentei semana passada, né? O almoço pode ser feito lá na cafeteria mesmo, e se der sorte com o guia, como eu dei, além dele te explicar cada sala e imagem dentro do monastério, você ainda terá tempo de meditar nas salas e ver os rituais dos monges, eu me diverti com os mini monges de 10 anos rindo escondido do ritual do monge tutor deles que era bravo.

Em Paro, cidade onde fica o aeroporto e o Tiger Nest, também dei uma volta pela cidade (pra quem gosta de compras tem muita opção de artesanias) e visitei o Forte, mas o que mais encanta na cidade é a arquitetura das casas, com cada pórtico de madeira decorado à mão, lindo!

(além de algumas casas terem pênis – leia-se pênis, pinto, piroca – desenhado nas portas pois este é um sinal de prosperidade, principalmente em casas de casais recém casados)

Em Thimphu, na capital, que está há pouco mais de 1 hora de carro numa estrada linda, visitei também o Forte, a rua principal de lojas, vi um campeonato de arco e flecha que é o esporte oficial do país e  visitei o Buda Gigante, de 51m todo dourado, vale a pena visitar, lindo, além da vista da cidade de lá de cima.

No Forte, o que valeu a pena foi a história que minha guia me contou, que há pouco mais de 100 anos o Butão era um conjunto de feudos com seus líderes que viviam em guerra, e em 1907 foi coroado o Rei deste Forte (de Thimphu) e sua família governa até hoje (estão na 5a geração), mas é uma história muito nova, pra um país tão evoluído, com emissão de carbono negativa, carros elétricos, saúde de qualidade.

Fora estes pontos turísticos, come-se muito bem e há que se aproveitar os hotéis, que são bem charmosos e alguns com spas com sauna, massagem, etc…

Achei o Butão uma viagem charmosa, boa para casais, faltou um paquera pra me acompanhar lá, principalmente nos hotéis lindinhos! Mas se você tem o seu paquera (ou não como eu), e pensa em investir esta grana, vale a pena conhecer sim!

Myanmar, Roteiros de viagem

Myanmar, o sonho

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Myanmar – o sonho, foi com este grupo montado no WhatsApp pelo meu “melhor amigo da ex firma” que resolvi mudar a rota de novo, liguei na Ethiopian Airlines, mudei minha volta pro Brasil e resolvi incluir de novo 28 dias de Myanmar no roteiro, que haviam sido substituídos antes nem lembro por qual país.

E então fui conhecer o tão “recém” famoso Myanmar, que teve sua abertura pro turismo apenas há 7 anos, após um governo militar de quase 50 anos isolado do resto do mundo. Sobre o meu roteiro, aproveitem os lugares, mas não a rota, pois fiz uma verdadeira zona…pousei em Mandalay, peguei um ônibus pra Kalaw, fiz uma trilha pra Inle Lake, de lá paguei caro em um voo para Ngapali Beach (senão seriam 2 ônibus de 12 horas cada), depois um ônibus para Yangon, outro ônibus para Bagan e novamente ônibus para Yangon…se olhar no mapa vai perceber o zigue e zague que fiz, mas é porque fui cruzando roteiros com quem eu queria encontrar e enfim…eu tinha tempo.

Pra passar 28 dias aqui paguei US$ 50 no visto e achei os voos de saída e entrada no país mais caros que a média dos países em volta. Porém, em estadia, fiquei na rede Ostello Bello em 3 cidades,  muito bonito e vibe boa, pagando US$ 10 a estadia com café-da-manhã, recomendo!

Vamos aos lugares: é possível pousar em Mandalay ou Yangon e foi por Mandalay que comecei, fui ao Palácio, mas não achei que valeu a pena (principalmente porque paga-se US$ 8 para visitar e não é tudo isso), as pagodas são mais lindas, como a Kyauktawgyi e a Kuthodaw, e eu fiz tudo a pé do hostel, mas foi uma caminhada de 14km ida e volta, também é possível alugar bike ou pegar um moto taxi.

Para o nascer e pôr-do-sol, (afinal Myanmar trata-se de se programar para o nascer e o pôr-do-sol), recomendo a U-Bein bridge (maior ponte de madeira do mundo) e a Mandalay Hill com uma pagoda no alto da montanha. E de passeios vale muito a pena o “3 Ancient Cities”, passando por Amarapura, Ava (Inwa) e Sagaing, custa US$ 18, com uma van, guia e um trecho de barco, visitando monastérios, pagodas, ruínas, tecelagens e a ponte de madeira ao final pro pôr do sol.. Outro passeio que eu poderia ter feito mas soube depois é um passeio de barco para Mingun para visitar a Hsinbyume, pagoda MARAVILHOSA, eu soube apenas depois, senão teria ido.

De Mandalay peguei um ônibus de 6 horas para Kalaw (US$ 11), e fui pra lá apenas porque é o ponto de partida de um trekking de 3 dias e 60 km para Inle lake, que eu queria fazer, mas se for pular Kalaw e Inle Lake do roteiro por falta de tempo, há ônibus de Mandalay para Bagan também.

Este ônibus saiu 9h da manhã e chegou 15h, então tive tempo em Kalaw de visitar a pagoda, comer, ver o pôr-do-sol e dormir cedo, mas a maior parte do pessoal que está com tempo mais corrido, pega o ônibus em Mandalay 20h, chegando em Kalaw às 3h da manhã, dorme algumas horas em um hotel e às 8h já estão na agencia agendando o trekking (dá pra agendar no próprio dia sim) e o trekking sai entre 9h e 10h.Tem muita agencia! Todos com os mesmos percursos para trilhas de 2 ou 3 dias para Inle Lake, eu escolhi a trilha de 3 dias com a Jungle King e custou US$ 28, com guia, hospedagens e refeições inclusas.

Gente, eu amei a trilha! Mas é porque amo trekkings e estou me preparando pra 900km de Compostela e Basecamp do Everest, aqui o primeiro dia de trilha teve subida e muita sombra durante 6 horas de percurso, mas o segundo dia castigou em mais 6 horas de caminhada debaixo de sol e tempo seco  (fiz em março) e o terceiro dia são apenas 4 horas castigadas na estrada debaixo de sol e mais 1 de barco. Se não estiver acostumado com exercício  e calor melhor nem arriscar, especialmente em março que é muito seco. Todo o trajeto a gente leva apenas uma mochilinha, com água, troca de roupa e casaco pra noite pois a agencia entrega seu mochilão no seu hotel em Inle Lake. O visual da trilha é lindo, a comida no caminho sensacional (sério, eu não esperava tão boa),as pernoites em casa de um vilarejo e em um monastério, e o percurso todo é sem banho! Mas no segundo dia tomamos um banho de rio que aproveitei pra passar sabonete. Além da paisagem, vamos cruzando vilarejos de camponeses trabalhando, povo mais fofo este do Myanmar, no campo eles não falam inglês mas sorriem, e mandamos um “Mingalabar!” para cada um que cruzamos.

Chegamos em Inle Lake às 15h, fiz checkin, tomei um banho e já fui direto pra uma massagem tailandesa maraaaaa de US$ 5 pra aliviar pós trilha, e no dia seguinte me juntei com os amigos da trilha, alugamos bike pra dar uma volta na cidade e a tarde pedalamos 5km até a Red Monatain Winery para fazer a degustação de vinho por US$ 4, emendados de uma garrafa de vinho para ver o pôr-do-sol…e que vista!!!

Dia seguinte fretamos um barco  por US$ 18 que dividimos em 6 pessoas, saindo às 5:30 da manhã pra ver o sol nascer do meio do lago e visitamos 2 complexos de ruínas de templos, o mercado Indeim e os jardins flutuantes. Às 11h estávamos de volta. Todos os hostels e hotéis oferecem este mesmo passeio de barco, caso não queira fretar um privado, e se tiver apenas um dia em Inle Lake, dá para sair de barco de manhã e alugar a bike a tarde pra vinícula.

Repetindo: eu tinha teeeempoooo…então acabei ficando 4 dias em Inle Lake, aluguei bike de novo (US$ 1 o dia todo), passeie, parava em restaurantes e cafés delicia para escrever e ler, repeti massagem e pratiquei yoga. Lugares que eu comi e gostei em Inle Lake: French Toast e The Garden para uma comida mais refinada, Sunflower para uma comida caseira bem farta e gostosa, Pub Asiático para happy hour, e o melhor: o indiano Innlay Hut com o nepalês mais gente boa deste país, sério, todo turista que eu cruzava tambem amou este restaurante em Inle lake (só eu jantei 3 vezes lá)…e sim, é um restaurante indiano, servido por um nepalês, no myanmar. Ah! Em Inle Lake fiquei na verdade em Nyaung Shwe, onde está o Ostello Bello e estes restaurantes, pois há hoteis também mais perto do lago, mas mais distante deste centrinho.

Depois, de avião cheguei em Ngapali, uma praia linda, tranquila, cheia de resorts, acho que me hospedei no único hostel do lugar, chama We Stay@Chillax (US$ 10 com café da manhã), pois a praia é tomada de resort mais luxuosíssimos. Ngapali é bem tranquila na época que eu fui, pois a alta temporada é de novembro a fevereiro, agora em março a praia estava deserta, mas é linda, e aproveitei pra ficar bastante à toa…caminhar nos 3.5km de praia, pedalar pras praias ao redor, alugar barco pra conhecer as ilhas em volta, ler e comer muito bem nos restaurantes Two Brothers, Ambrosia, Mingalabar e na Jone’s Pizza.

Deixei pro final os lugares mais visitados: Yangon e Bagan, porque eu ia encontrar meus amiguxos que estavam em férias. Pra quem está de férias e tem Myanmar como destino junto com outros países asiáticos, costuma deixar uma semana pra cá e visitam apenas Bagan e Yangon. Minha opinião: apesar de em Yangon estar a maior pagoda do Myanmar, me encantei muito mais com a trilha e a paradinha em Inle Lake ou com as pagodas de Mandalay do que Yangon, que é cidade grande, mas sei que a maior parte dos voos internacionais chegam em Yangon, o que facilita visitar esta cidade.

Em Yangon fiquei no pior hostel da minha vida, evitem: Dengba Hostel perto da Sule Pagoda, a recepcionista era grosseira, o hostel era bem sujo e tinha barata no quarto! Planejávamos 2 dias em Yangon, mas estava tão quente, e o hostel tão ruim, que em um dia visitamos os 4 pontos que queríamos: o Buda gigante, a Sule Pagoda e a Shwedagon Pagoda, almoçamos no Shan Noodle 999 e a noite já pegamos o ônibus noturno de US$ 15 para Bagan.

Bagan já tem carinha de cidade de interior de novo, ruas de terra, 2000 templos e ruínas espalhados neste sítio arqueológico, sorrisos pela rua… Bagan é sobre acordar às 5h, ver o nascer do sol de algum templo, voltar pro café da manhã às 8h, aproveitar a piscina no pico do sol entre 9h e 14h, almoçar e sair pra circular nos templos até o pôr-do-sol, simples assim! Toda a locomoção na cidade pode ser feita com e-bike (uma scooter elétrica) que o aluguel custa US$ 1 por hora, mas eu fui a única a alugar bicicleta convencional e pedalar (foi um belo exercício!).

No nascer do sol, além do espetáculo natural, balões complementam a vista e o fotão, a gente estava na baixa temporada e pegamos o último dia de balões no ar, mas mesmo assim contamos mais de 10. O passeio de balão custa US$ 300 (ui!) pra quem quiser ver tudo lá de cima e outro ponto alto para o nascer e o pôr do sol também é a Torre Nan Myint.

Sobre os templos, todos podem ser visitados, mas poucos podem ser acessados no andar de cima, devido a abalos sísmicos do ano passado, muitos templos desabaram ou estão com risco de desabamento e estão sendo trancados com grades e cadeados nos acessos das escadas. Muita gente ainda pula a grade, quando possível, mas eu particularmente não me senti à vontade, então encontramos um bom ponto pro nascer do sol em umas ruínas atrás do  Dhama yan gyi ao lado dos templos gêmeos Myauk Guni (tinha gente que tinha pulado o portão deste no dia e realmente a vista é mais alta do que de onde eu estava, mas valeu mesmo assim – foto capa deste post). Além destes tem os bem famosos pra visitar: Ananda, Shwesandaw, Shwezigon, Sulamani, Tayoke e ouros milhares que vamos cruzando no caminho.

Alguns outros highlights que eu queria ter ido no Myanmar mas deixei de visitar foram: as mulheres com rostos tatuados perto de Mindat, em Kanpetlet que achei o guia careiro (US$ 100), um trekking de 2 dias em Hsipaw que está perigoso devido a conflitos de posse de terras, e a Golden Rock em Kyaikto, que descobri que mulheres não podem entrar, apenas homens, então achei um absurdo e risquei da rota.

Sobre budget, gastei no total US$ 1300 nos meus 28 dias, considerando visto, meu voo pra cá, toda locomoção, estadia, alimentação e passeios que eu citei aí em cima, hostel na média US$ 10 e refeições entre US$ 2 e US$ 8. Não é um país caro, mas claro que quando comparo com Índia, acho carinho sim…mas é apenas uma questão de referencia. Já no quesito simpatia da população e sorrisos, Myanmar está em primeiro lugar na Ásia pra mim!

Jay zuu par!

Thank you!

Roteiros de viagem, Sudeste asiático

1 mês de camboja, laos, vietnã, tailândia

thai

Minha primeira vez na Ásia foi há 4 anos, quando eu ainda trabalhava e tirei 30 dias de férias para conhecer Camboja, Laos, Vietnã e Tailândia. Agora no sabático, apesar dos 9 meses dedicados à Ásia, não estou pensando em repetir estes destinos, mas como sempre encontro gente vindo e voltando destes 4 países, resolvi resgatar aqueeeeele e-mail de dicas que eu passava pra todos os amigos  que me perguntavam da viagem (sabe aquele e-mail útil?) e postar aqui se for ajudar no roteiro de alguém.

Um mês é corrido para 4 países, mas é possível, como sou mais praieira ainda dediquei a maior parte do mês a 6 ilhas na Tailândia, então dos outros países só visitei highlights mesmos, mas vamos lá:

No Camboja fui apenas para Siem Reap, fiquei num hotel gostoso, Palm Village Resort, com piscina, massagem, bangalôs e ótimo restaurante. Mas precisava de tuk tuk pra sair a noite, pq é longe do centrinho. Fui 2 dias nos templos em Angkor Wat (sabe onde foi filmado o filme Tomb Raider?), um de tuk tuk com guia e no outro de bike mais livre. A noite a galera se junta numa balada que chama Angkor What? na  região de Psar Chaa, onde estão também alguns restaurantes.  De lá, saí 4:30 da manhã pros templos de Angkor novamente e me posicionei em frente ao lago  de vitórias régias pra ver o sol nascer…o lugar bomba todas as madrugadas, então bom chegar cedo. Só conheci Siem Reap no Camboja, e dois dias inteiros são suficientes, aproveitei o terceiro na piscina do hotel com massagem, mas o pessoal costuma conhecer também a cidade de Phnom Penh que não cheguei a ir.

Do Camboja fui para o Laos e também escolhi apenas uma cidade pra passar 3 dias, por questão de tempo (o que me faltava nas férias hoje sobra no sabático…), só conheci Luang Prapang, uma cidadezinha charme! Cheia de restaurantes, cafés franceses, templos budistas, monges por todas as ruas, uma cidade delícia. Vale madrugar um dia às 4h da manhã e sair às ruas pra acompanhar os moradores dando comida aos monges, e se na sua guesthouse for possível cozinhar arroz, você pode fazer o mesmo. Também fiz o curso de culinária no restaurante Tamarind, que foi mara! E super vale o passeio pras cachoeiras de Kwang Si, das mais lindas que já vi, cachoeiras de tom verde esmeralda! Bom, foram 3 dias em Luang Prapang, mas se eu tivesse mais tempo, também teria ido pra Vientiane e Vang Vieng (pra descer o rio de boia).

No Vietnã, conheci apenas Hanoi e Halong Bay, muita gente vai também para Ho Chi Minh (Saigon) e Hue, mas não conheci. Em Hanoi é caos, eu dediquei apenas um dia para conhecer os principais pontos turísticos, tudo a pé, desviando das motinhos o tempo todo, e fui logo pra Halong Bay de ônibus pra fugir da poluição e muvuca (na época eu não conhecia a Índia, me assustava com essas coisas kkk). Em Halong Bay fiz o cruzeiro, que foi a melhor parte, fiz o party boat de 3 dias, paguei 140 dólares, que inclui os 3 dias de barco com as refeições, entrada nas cavernas, aluguel de caiaques e pernoites (a primeira no barco e a segunda em uma cabana em uma praia deserta). Eu amei! A paisagem das formações rochosas na baía é incrível, e o nascer do sol na prainha que dormimos foi o auge pra mim.

Fiz estes 3 países (4 cidades apenas) em 12 dias considerando os deslocamentos e depois dediquei mais 17 dias para a Tailândia (país maraaaaa, quero voltar).

Em Thai, Bangkok foi legal por 3 dias pra conhecer os templos, o Buda gigante do Wat Phra Kaew, o mercado flutuante de barco, tomar banho com elefantes, ir em um sky bar, tomar buckets na Khao San Road (drinks em baldinhos) e fazer massagem de US$ 5. Eu gostei de me hospedar na região da Khao San Road pra rodar os barzinhos e mercado toda noite. Muita gente visita também a cidade de  Chiang Mai, não deu tempo de incluir no meu roteiro, mas certamente voltarei pra Tailândia pra esta cidade de templos incríveis!

Quanto às ilhas, dediquei 2 semanas, basicamente 1 semana em Phuket e 1 em Ko Samui, fazendo passeios pra outras ilhas saindo destas duas. Mas hoje eu não recomendaria Pukhet, eu teria ficado em Phi Phi Island, por ser mais roots e natureba.

Phuket é uma ilha grande, cheia de resorts, restaurantes e baladas, fiquei hospedada em Patong, perto do agito, mas por 2 dias aluguei moto pra conhecer praias mais afastadas (Banana, Na Thorn, Paradise e Kamala) que são lindas!

De Phuket fiz 2 passeios de barco, um para Phi Phi Island e Maya Bay (do filme A Praia) e outro para Similan Island. Pouca gente conhece Similan e é incrível, pois é uma ilha que só abre 4 meses ao ano e é bem distante, fomos de lancha e deve ter demorado umas 4 horas pra chegar, mas é paradisíaca!!!

De Phuket peguei um voo para Ko Samui, uma ilha mais tranquila mas com barzinhos de frente pro mar, bem gostosa, fiquei em Chaweng Beach por mais uma semana, e de  lá fiz mais dois passeios de barco para outras duas ilhas, um foi Ko Tao pra passar o dia, muito linda, mas muita gente se hospedada lá pra fazer cursos de mergulho baratos. E a outra ilha foi Ko Pha-Ngan, onde fui passar a noite na Full Moon Party, uma mega festa na praia que acontece todo mês na lua cheia, mas não cheguei a conhecer as praia dessa ilha durante o dia.

Bom, este foi meu roteiro de um mês em 4 países asiáticos. Cuidado! Ásia apaixona, tanto que agora no sabático resolvi passar 9 meses por aqui 😉