Indonésia, Roteiros de viagem

Indonésia <3 <3 <3

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Ai, não sei nem por onde eu começo a contar deste destino tão irresistível, foi meu último destino na Ásia, após 8 meses viajando por lá, eu já estava cansada dos perrengues, confesso, e zero empolgada de ir pro paraíso do surf (sem saber surfar), o país onde só se locomove de moto (e tenho medo), no auge da temporada: MAIO e eu já com preguiça dos beer games de hostel…mas fui, e tive uma grata surpresa de viagem incrível pra fechar a temporada asiática! Tudinho me surpreendeu, bom ir com a expectativa baixa não?

Fui sozinha e foi o país que mais fiz amigos, estava o tempo todo com uma turma nova, a vibe do lugar proporciona isto. Passei um mês e fui pra duas grandes ilhas: Lombok (onde estão as Gili Islands) e  Bali (onde estão as Nusas, Ubud, Uluwatu, Seminyak, Canggu – este último lê-se “xangu”). 

Lombok é uma ilha muçulmana enquanto Bali é predominantemente Hindu… e que que isso tem a ver?? Tem muita diferença cultural, por exemplo, os muçulmanos praticam o Ramadã, o nono mês do calendário islâmico dedicado ao jejum diurno, onde eles comem apenas entre o pôr e o nascer do sol, em meio a muita reza, com isto, durante o Ramadã as festas reduzem ou são canceladas, por respeito a religião, e as mulheres locais usam burca até na praia. Em Lombok vemos mesquitas e escutamos a reza nas ruas (que é lindo) enquanto em Bali visitamos templos hindus e nos deparamos com oferendas em cada esquina: as pujas. Pisar nelas dá azar!!! Bad karma.

Comecei por Lombok, pousei na Indonésia em Bali, no aeroporto de Denpasar e já peguei um vôo interno pra Lombok,  porque estava barato, mas dá super pra ir de balsa pra lá. Do aeroporto de Lombok rachei um taxi com umas meninas que conheci no vôo e fomos pra Kuta Lombok. 

Atenção: existe Kuta Bali e Kuta Lombok, eu fui pra Kuta Lombok e é muito legal, mas Kuta Bali ninguém recomenda e eu cortei da lista, muita gente foi e se arrependeu, então melhor não arriscar. 

Eu gostei muito de Kuta Lombok, mas realmente precisa de moto pra visitar as praias mais bonitas, a praia local de Kuta eu até fui a pé, mas não me senti à vontade em ficar de biquini em meio a mulherada toda de burca e os homens de calça e camisa, então voltei pra piscina do hostel. As praias distantes que visitei de carona com amigos que fiz lá, foram Mawi e Tajung Aan, vazias, lindas e boas pra surf. O resto do tempo fiquei na piscina do Botchan Hostel (diária de US$ 11) e ia a pé pra rua principal comer nos restaurantes maravilhosos El Bazar e Kuta Lombok. Depois de 4 dias peguei um transfer até o porto no norte de Lombok e um barco pras Gili Island.

Aí eu estava indecisa quanto a qual Gili escolher, são 3 e vou falar da fama que cada uma tem: Gili Trawangan é a maior e famosa pela vida noturna, Gili Air é mais calma e romântica e Gili Meno tem menor estrutura de hotéis e restaurantes. Eu estava zero na vibe de balada com adolescentes, e meio indecisa sobre qual ilha ir primeiro, mas dei sorte, duas vezes, primeiro que a semana que cheguei começou o Ramadã (mês do jejum que expliquei acima), então imaginei que a Gili T não teria tantas baladas, mas por ser maior com mais opção de yoga e restaurante eu achei interessante, e segundo que minha última noite em Kuta Lombok conheci uma alemãs voltando de Gili T que me recomendaram o hostel La Favela com vibe latina, aí lá fui eu, pra inicialmente 3 dias de Gili T…que viraram 10.

Eu simplesmente amei Gili T, apesar de ser Ramadã, os bares funcionavam e rolava uma baladinha mais tímida que acabava mais cedo. Mas o que amei foram as praias, com aquele mar piscina turquesa, areia branca e várias tartarugas nadando entre nós. Nas Gilis não há onda, não é destino de surf, mas sim de mergulho. O pôr-do-sol é mágico, tem várias aulas de yoga por US$ 8, dá pra comer comida local barata nos Warungs (o famoso Mi Goreng por US$ 2) até bowls saudáveis de US$ 10, super recomendo o Banyan Tree pra saladas e bowls. O hostel La Favela com diária de US$13 realmente tem uma vibe muito boa, com noites de salsa, churrasco, piscina, acabei passando 10 dias só falando espanhol com a galera, latino atrai latino, foi mara! O único meio de locomoção são as bicicletas, eu alugava todo dia, dava a volta na ilha, parava nas praias, e fim do dia estava no Sunset point, pra admirar aquele céu laranja maravilhoso! Lá no Sunset point é comummmm, assim, é comum, mas você faz se quiser…tomar shake de cogumelo, hehehe. Eu tomei óbvio, só um dia, mas é legal tomar umas 5 da tarde, curtir o pôr do sol mais laranja da sua vida e umas 9h já vai ter passado o efeito após dançar um pouco em volta da fogueira e vida que segue, pega a bike e vai jantar!

Já Gili Meno, que fui conhecer, aluguei um caiaque em Gili T e atravessei até Meno, fiz snorkeling nas estátuas debaixo da água, que chamam Nest e voltei remando algumas horas depois. E Gili Air resolvi ir de balsa passar dois dias, fui só com uma mochilinha, cheguei lá, aluguei uma bike, dei a volta na ilha, passei o dia na praia, jantei, aluguei um quarto e voltei de balsa dia seguinte, achei a ilha mais parada mesmo, gostei muito mais de Gili T. 

Mas vamos lá, eu fui no único mês do ano sem baladas, pode ser que num período normal, aquilo vire um inferno de adolescentes bêbados de festa em festa. Inferno não, mentira, gosto. Mas não sempre. E tem gente que não quer isso, então já aviso.

Estava quase decidindo passar o mês todo em Gili T, aquele paraíso sem barulho de moto, sem onda e onde só se ouve reggae, mas resolvi partir pra Bali, ia ser uma ofensa passar um mês na Indonésia e pular Bali, não? Peguei um fast boat e comecei Bali pelas Nusas Penida e Lembongan. Elas fazem parte da província de Bali mas são 2 ilhas no meio do mar entre Bali e Lombok. Me juntei com um chileno e uma argentina que conheci em Gili T e pegamos um hostel em Lembongan, lá começaram os rolês de moto, mas como sou cagona, eu ia na garupa. Não achei nada super incrível em Lembongan, praias bonitas, mas acho eu eu tava na nostalgia Gili T “quero voltarrrr”, já Nusa Penida….MEU DEUSSS que lugar lindo!!!

Pra chegar em Nusa Penida tem barco de Lembongan e lá alugamos moto, mas dá pra fazer tudo de carro, logo na saída do barco já tem carros e motoristas oferecendo, se eu tivesse sozinha iria em um, as estradas são cheias de curvas e ladeiras, mas na garupa da moto do chileno fui segura. Tem muito lugar incrível pra visitar em Nusa Penida, mas como dedicamos um dia só, acabamos focando no penhasco com a melhor vista: KellingKing Cliff, a vista dele é incrível, e o melhor foi descer a trilha até a praia, que pouca gente faz e fiquei com dor na perna por 3 dias, mas valeu muito chegar naquela praia deserta maravilhosa!

Depois de 3 dias nas Nusas, peguei um fastboat pra Bali, e se você enjoa em alto mar já prepara os saquinhos, tinha muita gente passando mal no barco! Mas como não tenho essas coisas, fiquei bem tranquila assistindo 13 Reasons no netflix. Já em Bali, pra quem não dirigi moto como eu, pode usar o aplicativo Go-Jek, uma espécie de Uber dos mototaxis, baratinho e achei seguro, os motoqueiros te emprestam até capacete. Comecei Bali por Canggu, praia que tem ficado mais famosa ultimamente pelo surf, já haviam me avisado antes de eu ir e confirmei no local, que a areia é vulcânica, escura, então a praia não é tão bonita (saudades Gili T…) mas a vibe do local, os restaurantes, cafés, barzinhos, lojinhas…ai credo que delícia!. Dediquei meu primeiro dia pra praia, mas não gostei muito, o segundo resolvi pagar a diária de um beachclub e aproveitar a piscina com vista pro mar e espreguiçadeira (a diária foi US$ 20 consumíveis em comida e bebida no The Lawn), e o terceiro dia fiquei na piscina do hostel com os novos amigles. Este hostel era uma pernada da praia, mas era bom e barato (Point Break Hostel: US$ 8 a diária) e era do lado do MELHOR CAFÉ DA MANHÃ DO MUNDO no Crate Café, sério, procure eles no insta @cratecafe e apenas babe. Dediquei meus 4 cafés da manhã lá, e o resto do dia comi em vários lugares gostosos que não anotei os nomes, mas tudo lá é bom com ddecoração maravilhosa, e a baladinha foi de quarta-feira no Oldmans, que bomba! (bali não é muçulmana então habemus balada durante o Ramadã). 

De Canggu peguei um taxi pra Uluwatu (umas 2 horas de estrada e trânsito). Uluwatu: venha em maio! Apesar deste ano o ramadã ter caído em maio e eu ter perdido as baladas de Gili T (que no final fiquei até mais feliz assim), maio é a alta temporada do surf em Uluwatu, então bomba de gatenhos e gatenhas #ficaadica. Eu não sei como está Uluwatu agora, houve um incêndio em boa parte da cidade recentemente, uma tristeza. Mas eu fiquei hospedada em Padang Padang (uma praia lotada de macacos) e visitei outras praias com o Go-Jek: Balangan, Dreamland e Bingin. Todas as praias são paradisíacas e ótimas pra surf, mas também tranquilas pra nadar, as ondas são mais afastadas da costa. E um lugar muito lindo pra ver o pôr-do-sol é o Uluwatu Temple. Em Uluwatu o café-da-manhã mara ficava por conta do Bukit Cafe e a melhor balada bomba de domingo, no Single Finns, dá pra ir pro pôr-do-sol e ficar direto pra festa.

Entre Canggu e Uluwatu tem um lugar que eu não fui porque não é a minha cara, que chama Seminyak, onde estão os beachclubs e hotéis mais famosos, tipo o Potato Head.

E eis que se acabaram as praias e fui pra Ubud, mas muita gente começa a viagem de Bali por Ubud, eu deixei pro final, sou dessas. Como tinha muito ponto turístico perto de Ubud que eu queria conhecer, e a viagem de Uluwatu para Ubud levaria ainda umas 4 horas de carro, resolvi contratar um motorista pelo dia todo, que me pegou cedinho no hotel em Uluwatu, me levou em 5 pontos turísticos e me deixou fim de tarde no meu hostel em Ubud, tudo por US$40, se eu tivesse alguém pra dividir ainda, ia ser maravilhoso, porque o carro era pra 6 passageiros.

Ubud é uma cidade maravilhosa, tem um mercadão ótimo pra comprar roupas e bolsas, várias lojinhas, restaurantes, casas de massagem, lugares pra práticas de Yoga (Radiantly e Yoga Barn) e cheio de pontos turísticos ao redor, que fiz quase todos com o meu driver na ida e os outros dividi um táxi com duas amigas novas:

  • Templo Tirta Empul é um templo onde se pode fazer o ritual de purificação passando pelas fontes de águas naturais, junto com os hindus, só precisa vestir o sarong correto, receber a orientação e entrar na fila dentro da água para o seu ritual;
  • Campo de arroz Tegalalang é lindo, vale a pena dar uma voltinha nele;
  • Balanço de Bali, sabe aquela tour bem clichê? Eu fui. É aquele mega balanço no arrozal, a vista é linda e dá um friozinho na barriga, mas vale;
  • Café do côco do bicho Luwak, é um dos cafés mais valorizados do mundo, achei o gosto bem normal, mas a degustação pode ser feita no mesmo local do balanço, então eu fui;
  • Monkey Forest é dentro de Ubud, mas cuidados que os macacos roubam tudo;
  • Cachoeiras, são várias, mas a que gostei mais fica dentro de uma caverna em Tukad Cepung;
  • Portal: tem alguns grandes portais pra tirar aquele fotão do instagram em Bali, eu fui com umas amigas do hostel no Handara Golf, mas até pra tirar a foto paga tá? US$3;
  • Mount Batur: este foi um trekking que acordamos às 2h da manhã pra ir de van até o pé desta montanha, fazer o trekking no escuro e ver o sol nascer atrás do vulcão, super valeu!

Em Ubud é tanto campo de arroz em todo o canto, que até dentro do meu hostel tinha um, ao lado da piscina, chamava Puja Bungalows e era bem localizado, com diária de US$ 9. O café-da-manhã maravilhoso (e almoço e jantar também) era no Clear Cafe, um dia cheguei a ficar o dia todo lá entre computador e livros, emendei o brunch no doce da tarde no jantar, sem sair da mesa…vish….esse dia a conta deu US$ 20 e isso é bem caro pra Ásia! Perceba que a Indonésia me encantou mesmo pelos cafés-da-manhã de bowls de chia, smoothies e eggs benedict…dei até uma engordada!

Bom, resumo foi que eu amei tudo neste país, curti praias paradisíacas, baladinhas, fiz mil amigos e contradizendo a todos consegui passar um mês na Indonésia sem dirigir moto, só nas caronas e no mototaxi e isso é possível. Mas se você dirige moto, tire a habilitação internacional antes de vir, pra não cair no pedido de propina de algum guardinha e alugue uma  por US$ 4 /dia pra rodar mais livre que eu.

Quanto ao tempo, eu fiz tudo isso porque tinha 1 mês, mas se você tem menos tempo, poderia cortar Kuta Lombok e focar mais nas Gilis, Nusa Penida e Bali. E se tiver mais tempo (ou não se perder por 10 dias em Gili T como eu…) acrescente Komodo, que pra mim não deu tempo mas é maravilhosoooo.

Enjoy the journey!