Myanmar, Roteiros de viagem

Myanmar, o sonho

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Myanmar – o sonho, foi com este grupo montado no WhatsApp pelo meu “melhor amigo da ex firma” que resolvi mudar a rota de novo, liguei na Ethiopian Airlines, mudei minha volta pro Brasil e resolvi incluir de novo 28 dias de Myanmar no roteiro, que haviam sido substituídos antes nem lembro por qual país.

E então fui conhecer o tão “recém” famoso Myanmar, que teve sua abertura pro turismo apenas há 7 anos, após um governo militar de quase 50 anos isolado do resto do mundo. Sobre o meu roteiro, aproveitem os lugares, mas não a rota, pois fiz uma verdadeira zona…pousei em Mandalay, peguei um ônibus pra Kalaw, fiz uma trilha pra Inle Lake, de lá paguei caro em um voo para Ngapali Beach (senão seriam 2 ônibus de 12 horas cada), depois um ônibus para Yangon, outro ônibus para Bagan e novamente ônibus para Yangon…se olhar no mapa vai perceber o zigue e zague que fiz, mas é porque fui cruzando roteiros com quem eu queria encontrar e enfim…eu tinha tempo.

Pra passar 28 dias aqui paguei US$ 50 no visto e achei os voos de saída e entrada no país mais caros que a média dos países em volta. Porém, em estadia, fiquei na rede Ostello Bello em 3 cidades,  muito bonito e vibe boa, pagando US$ 10 a estadia com café-da-manhã, recomendo!

Vamos aos lugares: é possível pousar em Mandalay ou Yangon e foi por Mandalay que comecei, fui ao Palácio, mas não achei que valeu a pena (principalmente porque paga-se US$ 8 para visitar e não é tudo isso), as pagodas são mais lindas, como a Kyauktawgyi e a Kuthodaw, e eu fiz tudo a pé do hostel, mas foi uma caminhada de 14km ida e volta, também é possível alugar bike ou pegar um moto taxi.

Para o nascer e pôr-do-sol, (afinal Myanmar trata-se de se programar para o nascer e o pôr-do-sol), recomendo a U-Bein bridge (maior ponte de madeira do mundo) e a Mandalay Hill com uma pagoda no alto da montanha. E de passeios vale muito a pena o “3 Ancient Cities”, passando por Amarapura, Ava (Inwa) e Sagaing, custa US$ 18, com uma van, guia e um trecho de barco, visitando monastérios, pagodas, ruínas, tecelagens e a ponte de madeira ao final pro pôr do sol.. Outro passeio que eu poderia ter feito mas soube depois é um passeio de barco para Mingun para visitar a Hsinbyume, pagoda MARAVILHOSA, eu soube apenas depois, senão teria ido.

De Mandalay peguei um ônibus de 6 horas para Kalaw (US$ 11), e fui pra lá apenas porque é o ponto de partida de um trekking de 3 dias e 60 km para Inle lake, que eu queria fazer, mas se for pular Kalaw e Inle Lake do roteiro por falta de tempo, há ônibus de Mandalay para Bagan também.

Este ônibus saiu 9h da manhã e chegou 15h, então tive tempo em Kalaw de visitar a pagoda, comer, ver o pôr-do-sol e dormir cedo, mas a maior parte do pessoal que está com tempo mais corrido, pega o ônibus em Mandalay 20h, chegando em Kalaw às 3h da manhã, dorme algumas horas em um hotel e às 8h já estão na agencia agendando o trekking (dá pra agendar no próprio dia sim) e o trekking sai entre 9h e 10h.Tem muita agencia! Todos com os mesmos percursos para trilhas de 2 ou 3 dias para Inle Lake, eu escolhi a trilha de 3 dias com a Jungle King e custou US$ 28, com guia, hospedagens e refeições inclusas.

Gente, eu amei a trilha! Mas é porque amo trekkings e estou me preparando pra 900km de Compostela e Basecamp do Everest, aqui o primeiro dia de trilha teve subida e muita sombra durante 6 horas de percurso, mas o segundo dia castigou em mais 6 horas de caminhada debaixo de sol e tempo seco  (fiz em março) e o terceiro dia são apenas 4 horas castigadas na estrada debaixo de sol e mais 1 de barco. Se não estiver acostumado com exercício  e calor melhor nem arriscar, especialmente em março que é muito seco. Todo o trajeto a gente leva apenas uma mochilinha, com água, troca de roupa e casaco pra noite pois a agencia entrega seu mochilão no seu hotel em Inle Lake. O visual da trilha é lindo, a comida no caminho sensacional (sério, eu não esperava tão boa),as pernoites em casa de um vilarejo e em um monastério, e o percurso todo é sem banho! Mas no segundo dia tomamos um banho de rio que aproveitei pra passar sabonete. Além da paisagem, vamos cruzando vilarejos de camponeses trabalhando, povo mais fofo este do Myanmar, no campo eles não falam inglês mas sorriem, e mandamos um “Mingalabar!” para cada um que cruzamos.

Chegamos em Inle Lake às 15h, fiz checkin, tomei um banho e já fui direto pra uma massagem tailandesa maraaaaa de US$ 5 pra aliviar pós trilha, e no dia seguinte me juntei com os amigos da trilha, alugamos bike pra dar uma volta na cidade e a tarde pedalamos 5km até a Red Monatain Winery para fazer a degustação de vinho por US$ 4, emendados de uma garrafa de vinho para ver o pôr-do-sol…e que vista!!!

Dia seguinte fretamos um barco  por US$ 18 que dividimos em 6 pessoas, saindo às 5:30 da manhã pra ver o sol nascer do meio do lago e visitamos 2 complexos de ruínas de templos, o mercado Indeim e os jardins flutuantes. Às 11h estávamos de volta. Todos os hostels e hotéis oferecem este mesmo passeio de barco, caso não queira fretar um privado, e se tiver apenas um dia em Inle Lake, dá para sair de barco de manhã e alugar a bike a tarde pra vinícula.

Repetindo: eu tinha teeeempoooo…então acabei ficando 4 dias em Inle Lake, aluguei bike de novo (US$ 1 o dia todo), passeie, parava em restaurantes e cafés delicia para escrever e ler, repeti massagem e pratiquei yoga. Lugares que eu comi e gostei em Inle Lake: French Toast e The Garden para uma comida mais refinada, Sunflower para uma comida caseira bem farta e gostosa, Pub Asiático para happy hour, e o melhor: o indiano Innlay Hut com o nepalês mais gente boa deste país, sério, todo turista que eu cruzava tambem amou este restaurante em Inle lake (só eu jantei 3 vezes lá)…e sim, é um restaurante indiano, servido por um nepalês, no myanmar. Ah! Em Inle Lake fiquei na verdade em Nyaung Shwe, onde está o Ostello Bello e estes restaurantes, pois há hoteis também mais perto do lago, mas mais distante deste centrinho.

Depois, de avião cheguei em Ngapali, uma praia linda, tranquila, cheia de resorts, acho que me hospedei no único hostel do lugar, chama We Stay@Chillax (US$ 10 com café da manhã), pois a praia é tomada de resort mais luxuosíssimos. Ngapali é bem tranquila na época que eu fui, pois a alta temporada é de novembro a fevereiro, agora em março a praia estava deserta, mas é linda, e aproveitei pra ficar bastante à toa…caminhar nos 3.5km de praia, pedalar pras praias ao redor, alugar barco pra conhecer as ilhas em volta, ler e comer muito bem nos restaurantes Two Brothers, Ambrosia, Mingalabar e na Jone’s Pizza.

Deixei pro final os lugares mais visitados: Yangon e Bagan, porque eu ia encontrar meus amiguxos que estavam em férias. Pra quem está de férias e tem Myanmar como destino junto com outros países asiáticos, costuma deixar uma semana pra cá e visitam apenas Bagan e Yangon. Minha opinião: apesar de em Yangon estar a maior pagoda do Myanmar, me encantei muito mais com a trilha e a paradinha em Inle Lake ou com as pagodas de Mandalay do que Yangon, que é cidade grande, mas sei que a maior parte dos voos internacionais chegam em Yangon, o que facilita visitar esta cidade.

Em Yangon fiquei no pior hostel da minha vida, evitem: Dengba Hostel perto da Sule Pagoda, a recepcionista era grosseira, o hostel era bem sujo e tinha barata no quarto! Planejávamos 2 dias em Yangon, mas estava tão quente, e o hostel tão ruim, que em um dia visitamos os 4 pontos que queríamos: o Buda gigante, a Sule Pagoda e a Shwedagon Pagoda, almoçamos no Shan Noodle 999 e a noite já pegamos o ônibus noturno de US$ 15 para Bagan.

Bagan já tem carinha de cidade de interior de novo, ruas de terra, 2000 templos e ruínas espalhados neste sítio arqueológico, sorrisos pela rua… Bagan é sobre acordar às 5h, ver o nascer do sol de algum templo, voltar pro café da manhã às 8h, aproveitar a piscina no pico do sol entre 9h e 14h, almoçar e sair pra circular nos templos até o pôr-do-sol, simples assim! Toda a locomoção na cidade pode ser feita com e-bike (uma scooter elétrica) que o aluguel custa US$ 1 por hora, mas eu fui a única a alugar bicicleta convencional e pedalar (foi um belo exercício!).

No nascer do sol, além do espetáculo natural, balões complementam a vista e o fotão, a gente estava na baixa temporada e pegamos o último dia de balões no ar, mas mesmo assim contamos mais de 10. O passeio de balão custa US$ 300 (ui!) pra quem quiser ver tudo lá de cima e outro ponto alto para o nascer e o pôr do sol também é a Torre Nan Myint.

Sobre os templos, todos podem ser visitados, mas poucos podem ser acessados no andar de cima, devido a abalos sísmicos do ano passado, muitos templos desabaram ou estão com risco de desabamento e estão sendo trancados com grades e cadeados nos acessos das escadas. Muita gente ainda pula a grade, quando possível, mas eu particularmente não me senti à vontade, então encontramos um bom ponto pro nascer do sol em umas ruínas atrás do  Dhama yan gyi ao lado dos templos gêmeos Myauk Guni (tinha gente que tinha pulado o portão deste no dia e realmente a vista é mais alta do que de onde eu estava, mas valeu mesmo assim – foto capa deste post). Além destes tem os bem famosos pra visitar: Ananda, Shwesandaw, Shwezigon, Sulamani, Tayoke e ouros milhares que vamos cruzando no caminho.

Alguns outros highlights que eu queria ter ido no Myanmar mas deixei de visitar foram: as mulheres com rostos tatuados perto de Mindat, em Kanpetlet que achei o guia careiro (US$ 100), um trekking de 2 dias em Hsipaw que está perigoso devido a conflitos de posse de terras, e a Golden Rock em Kyaikto, que descobri que mulheres não podem entrar, apenas homens, então achei um absurdo e risquei da rota.

Sobre budget, gastei no total US$ 1300 nos meus 28 dias, considerando visto, meu voo pra cá, toda locomoção, estadia, alimentação e passeios que eu citei aí em cima, hostel na média US$ 10 e refeições entre US$ 2 e US$ 8. Não é um país caro, mas claro que quando comparo com Índia, acho carinho sim…mas é apenas uma questão de referencia. Já no quesito simpatia da população e sorrisos, Myanmar está em primeiro lugar na Ásia pra mim!

Jay zuu par!

Thank you!