onde dormir

Hospedagens por este mundão

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Chego ao meu 16º mês sabático, viajando por Brasil, Estados Unidos, Ásia e iniciando minha temporada Europa, e agora que já testei todos os tipos de hospedagens da minha listinha, resolvi escrever aqui sobre as experiências, que foram:

  • Hostel
  • Work exchange
  • Hotel
  • Couchsurfing
  • Camping
  • Airbnb

Primeiro, pra contextualizar esta vida nômade, saí da casa dos meus pais em São Paulo aos 18 anos, fui fazer faculdade no interior e morar em república, de lá em diante foram 17 casas moradas entre república com amigas, apartamento sozinha, apartamento com namorado(s), 3 intercâmbios até eu ter o meu próprio apartamento que comprei aos 31 anos. Apesar de ser meio nômade, eu sempre gostei de ter meu cantinho, amava morar sozinha, até que entrei no meu sabático e NUNCA MAIS! Minha vida agora tem sido em quartos de hostel, dividindo com 3 a 10 pessoas cada quarto…pois é minha gente!!!

Vamos falar de hostel: é a hospedagem que mais uso nestas viagens, os quartos compartilhados são uma opção barata (na Ásia era uma média de US$10 e aqui na Europa tem sido EUR15) e é o lugar que mais faço amigos, pois reúne muitos viajantes solos, como eu. Basicamente reservo meus Hostels pelo booking.com, já usei o hostelworld.com também mas com eles tive alguns problemas de reservas.  E às vezes quando chego de dia em alguma cidade me arrisco a desembarcar e sair procurando e pesquisando preço até achar um que eu goste. 

Sempre me perguntam sobre a segurança em hostel, eu nunca fui roubada (apenas uma indiana uma vez me roubou uma calcinha linda da Victoria’s Secret que estava secando na cabeceira da minha cama…whaaaattt?? quem rouba calcinha? ela pegou, mas não pedi de volta). Na grande maioria das vezes os hostels tem lockers individuais, onde tranco meus pertences com meu cadeado, nunca vou nem ao banheiro deixando bolsa ou qualquer coisa de valor solto na cama, levo comigo ou tranco tudo. 

Não vou dizer que é a coisa mais simples do mundo dividir quarto com até 10 pessoas, gente fazendo checkin na madrugada, gente acordando 4 da manhã pra pegar vôo, gente chegando bêbada de madrugada… eu chegando bêbada na madrugada… às vezes tudo isso junto na mesma noite…mas não sei, acostumei. Hoje em dia durmo em qualquer situação, inclusive triliches de trens indianos e chão de aeroportos. 

Com certeza já fiquei em mais de 100 Hostels nesta vida, dediquei várias férias a esta hospedagem e aos 23 anos fiz um mochilão Europa de alguns meses onde também só me hospedei em hostel…nunca vou esquecer o primeiro, foi em Stuttgart, eu estava recém chegada pra um intercâmbio na Alemanha, cheguei com uma mala maior que eu de 30 kilos e subi muitas escadas com ela e logo no café conheci uma alemã de Hamburg de quase 40 anos que me ofereceu hospedagem se eu quisesse conhecer Hamburg, e logo conheci um brasileiro que frequentava uma  igreja que eu nunca havia ouvido falar, mas ele achou uma “filial”em Stuttgart e fui no culto com ele no domingo.

O que eu mais gosto em hostel são estas conexões que fazemos nas áreas comuns: a piscina, a sala, a varanda, o bar onde o povo se reúne e as amizades surgem, raras foram as vezes que não fiz nenhum amigo, só as vezes que eu precisava mesmo ficar introspectiva e evitava conversar. 

Outra forma de hospedagem é ficar de graça em hostel, no modelo de workexchange, onde se trocam algumas horas diárias de trabalho por hospedagem gratuita e às vezes até refeições também. Também testei este modelo na Ásia, e mais detalhes dele conto neste outro post workexchange, onde conto do Worldpackers e do Workaway.

Outras raras vezes pego um quarto de hotel, aconteceu em partes da viagem que eu estava viajando com amigos do Brasil e fechamos quarto de hotel, e também cheguei a ficar sozinha em hotel 6 ou 7 vezes nesta viagem, em cidades que não arrumei hostel ou que eram mal localizados. Nada muito caro, mas uma única vez cheguei a pagar US$60 em uma noite de hotel na Índia pra dormir num Haveli (antigo palácio) que era baphônico dentro de um forte no Rajastão. Aqui na Grécia também não tem muito a cultura de hostels nas ilhas, então uma noite também fiquei em um quarto de hotel por EUR 30. Eu não gosto muito de hotel, nem só pelo preço, mas porque fico muito sozinha, mais difícil fazer amizades. Mas pra quem viaja de casal acredito ser a melhor opção.

Agora outras 3 acomodações que eu nunca tinha tentado no sabático, e esta Grécia linda me proporcionou 3 de uma vez foi couchsurfing, camping e airbnb.

OK, se eu voltar estes 16 meses, camping eu até tinha feito no Burning Man em agosto passado, mas foi diferente, não era exatamente uma barraca, era um yurt maravilhoso. E sendo mais franca ainda couchsurfing eu tinha feito em Singapura uma vez, mas o francês que me hospedou, apesar de estar registrado no site do couchsurfing, já era conhecido de uma amiga que se hospedou lá, então eu acabei entrando em contato com ele por whatsapp, não era um total desconhecido do site, então digamos que na Grécia foi minha primeira experiência real do sabático acampando sozinha e fazendo couchsurfing com um desconhecido.

Couchsurfing é uma rede social, com website e aplicativo, onde pessoas do mundo inteiro se cadastram e oferecem estadias em suas casas, pedem estadias e organizam encontros, os famosos “hangouts”, isto é, se estiver viajando de mochileiro sozinho e der azar de não conhecer ninguém no hostel basta dar um checkin na cidade que está visitando nos ‘hangouts’ do aplicativo e mais algum viajante sozinho pode entrar em contato e marcar de fazer algo junto: praia, museu, bar, jantar, o que for, em grupo ou dupla. Mas a rede é mais famosa pela troca de hospedagens gratuitas. Você pode ou não hospedar alguém, não é necessariamente uma troca, mas é uma abertura a pessoas que viajam o mundo, ideal se você já se hospedou em algum couchsurfing é que um dia você esteja aberto a hospedar alguém também, para fortalecer a rede! Não há troca monetária, mas não é apenas chegar e dormir de graça na casa da pessoa, tem que haver uma troca cultural, conversas, momentos juntos. 

O couchsurfing que fiz em uma ilha na Grécia trabalhava em um bar a noite, mas fazia questão de passar o dia com seu convidado, levando de carro para as praias mais bonitas da ilha. Outros couchsurfings trabalham o dia inteiro, mas esperam que seus convidados estejam a noite para jantar junto, conversar, tomar um drink, a ideia é o intercâmbio cultural, a troca de experiências, pra pessoa que hospeda é uma maneira de viajar sem sair de casa. E pro convidado é de bom tom oferecer algo, como preparar um jantar um dia, ou pagar uma cerveja, mas nada obrigatório.

Importante no couchsurfing é encontrar uma pessoa com interesses em comum, por isso precisa de um perfil bem detalhado no site, e trocar algumas mensagens antes, a pessoa precisa querer te hospedar e você precisa querer se hospedar lá. Eu quando tiver minha próxima moradia com certeza hospedarei pelo couchsurfing pra continuar estas trocas de experiências com pessoas do mundo inteiro, hospedando viajantes no meu sofá, em uma cama extra, um colchão no chão, onde eu puder alojar alguém.

Quanto a segurança, principalmente para nós, mulheres, dá pra ficar tranquilo em casa de homem (pra mim nenhuma mulher da Grécia respondeu minhas solicitações, apenas os homens), mas precisa ler antes as referências de quem já se hospedou com a pessoa pra se certificar. E terminando seu couchsurfing é importantíssimo já deixar sua referência sobre a pessoa para que outras manas também possam ter uma boa experiência. 

A Andrea, uma brasileira que eu já conhecia ‘online’ e nos encontramos presencialmente na Grécia, que me apresentou o couchsurfing, ela já viajou mais de 30 países neste modelo, e acabou sendo hospedada mais por homens do que por mulheres mesmo. Agora, se rolar um affair, uma paquera, se rolar algo que você queira e a pessoa que está te hospedando queira também…rolou! Não sei se há alguma regra pra isso, se não deveria acontecer para que a rede não mude o objetivo, não sei, não sou muito ligada às regras…. e não vou nem falar dos meus casos que geram um livro…

Agora camping: este realmente não estava nos meus planos, mas me deparei com uma Grécia que eu não esperava, na maior parte das ilhas que eu queria visitar não existiam hostels, e logo na primeira vi que a galera por lá acampa muito! Aí o destino me trouxe junto com a Andrea (a brasileira) uma barraca. Ela estava buscando couchsurfing em Mykonos e acabo se conectando com uns brasileiros que tinham comprado uma barraca e estavam acampando em Mykonos e iam embora no dia que ela chegava. A barraca nova que tinha custado EUR35 pra eles foi vendida por EUR20 pra ela, e como íamos nos encontrar na próxima ilha, ela logo me ofereceu e acabou sendo minha por EUR15. Aí sim fui parar em Zakynthos, uma ilha na Grécia que eu estava namorando fazia tempo mas não tinha nenhum hostel, nenhum couchsurfing me respondia e os hotéis estavam no mínimo 30 euros…Fui pra lá, levei a barraca, e acampei. Sozinha. 

Foi incrível! Difícil montar a barraca sozinha, pois era grande pra 4 pessoas e eu estou acostumada com minha barraca menor no Brasil, mas consegui! E foi difícil também dormir sem colchão nem sleeping que não comprei, mas fiz uma caminha com as minhas roupas e não foi nada diferente de dormir no chão de um aeroporto. Fiquei em dois campings nesta ilha e conheci muitos europeus que acampam pela Europa, este modelo de hospedagem é bem comum no verão europeu, paguei 10 euros pelo suporte: espaço com sombrinhas, tomadas perto da barraca, banheiros, chuveiros, cadeira de praia, cozinha e no segundo camping até piscina tinha. 

Também é super comum na Grécia realizar free campings, algumas praias pode-se simplesmente montar barraca e dormir e alguns restaurantes de praia oferecem banheiro e chuveiro pra essas pessoas. Esta minha barraca comprada da recompra da recompra já dei de presente, mas ainda considero a opção de acampar na Europa, veremos, talvez próximo verão.

Agora como o Airbnb surgiu nesta viagem amiguinhos… na verdade verdadeira, neste segundo camping em Zakynthos minha barraca virou apenas armário das minhas roupas, nos primeiros 5 minutos de piscina já conheci um deus grego e acabei passando meus dias lá com ele. Eu não vou nem falar dos meus casos que geram livro (parte 2)… mas 5 dias depois, que eu já estava de volta em Atenas em um hostel e deveria embarcar pra Madrid, resolvi ficar. 6 horas antes do embarque resolvi ficar. E foi aí que fui atrás de um Airbnb pela primeira vez na vida. Foi um misto de paixonite (voltei com ele pra Atenas mas lá ele estava na casa dos pais) com uma canseira deste mês de Grécia, de tantas balsas, casa de couchsurfing, hostel, barraca sem colchão, eu estava muito precisada de um canto meu antes de seguir viagem pra Espanha, então busquei um apartamento pelo aplicativo do Airbnb e me mudei no dia seguinte. 

Eu nunca havia procurado Airbnb antes pois nunca considerei ficar sozinha em um apartamento durante a viagem, sem conhecer pessoas, mas me surpreendi com os preços, muito mais barato que hotel. Paguei EUR26 por dia em um apartamento bem decorado com sala, quarto, cozinha e banheiro, que abriga 4 pessoas facilmente. O bairro não era gostoso, mas era bem perto do metrô e 4 estações do centro que eu ia todo dia. O apartamento era limpo, decorado, deu pra comer em casa e o wifi era maravilhoso, baixei vários filmes pra próxima etapa da viagem. Tive problemas no primeiro dia, quando eu estava chegando o proprietário me avisou que o encanador estava resolvendo um vazamento do banheiro, e no dia seguinte ele ainda voltou pra trocar uma peça. Mas isso foi azar, a sorte é que pelo transtorno o dono me deixou fazer o checkout às 16h ao invés das 12h, e como meu vôo era só a noite, isto foi ótimo!

Bom, assim tem sido meus 16 meses viajando o mundo, cheio de surpresas, mudanças de rota, pouco planejamento e assim foi meu mês de Grécia, com opções de hostel, hotel, couchsurfing, camping e Airbnb testadas e aprovadas!

Tendo mais opções de acomodação que queiram me sugerir, to aberta aqui a testar tudo e contar depois!

o que levar

Um mochilão pela Ásia de 11 quilos e 9 meses

photoNeste post eu vou falar de roupa, tá?

Não, não comecei com 11 quilos, comecei com 15kg, em um mochilão de 90 litros e mais a mochila “de combate” como costumam chamar, de 5 quilos. O mochilão era para despachar sempre nos vôos, e a mochilinha era pra andar comigo com os pertences pessoais e computador.

No segundo mês de viagem o mochilão foi de 15kg para 11kg, e assim seguiu pelos próximos 8 meses, pois doei todos os excessos que percebi que trouxe logo no primeiro mês. Sobre o tipo de mala para levar, entre mala de rodinha e mochilão, eu sempre prefiro mochilão, acho muito mais prático pra pegar ônibus, caminhar até o hostel, subir e descer escada. Pra quem tem dúvida, eu comprei um de 90 litros, que foi um exagero pois ele vivia meio vazio, mas até que não era ruim, sobrando espaço nele era mais fácil de organizar. Mas hoje eu faria uma viagem com um mochilão de 70 litros no máximo. Aliás, estou pensando em vender este e na Europa daqui um mês vou usar o menor que tenho em casa.

Falando em vender, vamos começar por este tópico, quando resolvi largar a vida em São Paulo e viajar o mundo, a primeira coisa que fiz foi abrir o guarda roupa e separar tudo o que eu realmente iria precisar nos próximos meses viajando, onde o plano inicialmente eram 6 meses de Ásia, 6 meses de Europa e 6 meses de África, mas já mudei toda a rota e sigo mudando… tirei tudo que eu não iria usar no próximo 1 ano e meio: vestidos de festa, calças jeans, casacões, jaquetas, blazers, sapatos de salto, contei tudo e descobri que tinha 90 vestidos (um absurdoooo), do mais levinho de usar com biquíni ao mais chique de casamento, fiz uma limpa e fiquei com 30 (que ainda é muito, mas fato é que eu usava mais vestido do que calça e saia).

A difícil arte de abandonar tudo: foi difícil, mas consegui separar e desapegar de tudo que ficaria parado sem uso. Muito influenciada pelo documentário “Minimalism”que eu me inspirei em  gente que passa o mês com apenas 30 peças, e gente que viaja o mundo com 56 itens, recomendo este doc! Então, junto com amigas, fiz um grande bazar e vendi todas as roupas, ainda sobraram algumas que baixei mais ainda o preço e fui recebendo as amigas em casa para provar e comprar. Com isso ainda levantei uma graninha pra viagem!

Mas vamos ao que eu trouxe pra Ásia nesta viagem!

Quando comecei a fazer a mala, logo me veio a dúvida, pois eu iria passar por países de pura praia, países religiosos onde devo me cobrir toda, precisava também de roupa de esporte para fazer trekkings, ia pegar balada na Austrália e ainda passar por lugar bem frio (Everest), destinos bem heterogêneos! Mas por fim, resolvi focar nos países quentes de praia e nas roupas que cobrem bem o corpo pra Índia, pois não ia carregar excessos de inverno por meses só por causa do Everest, quando chegasse a hora, eu me vivaria. Já a bota de trekking foi essencial levar pois usei muito, ela pesava, então eu sempre calçava ela pra viajar de ônibus, trem ou avião.

Pra quem quer uma listinha pra ajudar na sua trip Ásia, vou falar primeiro do que eu trouxe de EXCESSO e logo me desfiz doando em hostels e para viajantes que cruzaram meu caminho:

  1. calça jeans e de sarja: pesa, não é prática e não usei em um mês, então no segundo mês já doei as duas;
  2. all star/converse: é legal pra passear em cidade e até uma baladinha, mas usei muito pouco e sempre carregava ele pesando na mochila;
  3. malha de manga comprida, sabe aquelas malhinhas gola V, bem básicas e vão com tudo? mas se o destino é Ásia, você não vai usar;
  4. calça de moletom: achei que seria confortável e que eu usaria, mas era muito quente pra Ásia e logo doei, em países como Indonésia, Índia, Tailândia se encontram calças levinhas de algodão por R$ 10, bem mais prático;
  5. bata de manga comprida, aliás, tudo que é de manga comprida acabei doando, a bata, um moletonzinho e a malha gola V;
  6. rasteirinha: carreguei, carreguei e não usei, em países de praia eu vivia de havaianas, mesmo na balada, e nas cidades achei melhor deixar o pé mais fechadinho com alpargatas ou tênis.

Agora vamos pra listinha amiga do que levar: se seu destino for a Ásia, países quentes, como foi o meu, o mochilão ideal pode ter:

  • 1 tênis (eu levei de trekking, mas pode ser tênis esportivo confortável pra caminhar o dia todo)
  • 1 havaianas
  • 1 alpargatas (destas de tecido, não pesa na mala, protege o pé e é confortável)
  • 2 shorts: levei um jeans e um de tecido
  • 1 saia (eu acabei trazendo 3, mas no meio da viagem já doei duas) e comprei uma que me apaixonei na Índia
  • 3 a 4 vestidinhos: a dica aqui é levar uns vestidos mais lisos, ou de estampas que não enjoem, de algodão, que dá pra usar de várias maneiras: eu colocava como saída de praia com biquíni, ou com um brincão pra sair a noite, e até com baby look e legging por baixo pra passar o dia todo turistando na índia (onde devemos cobrir ombros e pernas)
  • 3 biquínis (melhor os lisos pra não enjoar, e poder também alternar as combinações)
  • maiô: eu acho mara! Dá pra usar como body com short ou saia, dá pra usar na praia e é ótimo pra mergulho, levei 2
  • 1 legging, acabei levando 2 pretas e foi muito útil! Serve de segunda pele por baixo da calça em lugar mais frio, serve pra praticar yoga e trekking, serve como meia calça por baixo do vestido pra sair a noite
  • 2 calças levinhas (mas dá pra comprar na ásia também)
  • 3 regatas lisas
  • 3 baby looks/camisetinha lisas (eu levei estampadas, e não aguentava mais as mesmas estampas nas fotos, kkk, daí uma manchou, outra furou, enfim, me desfiz e comprei 3 lisas da Índia por R$5 cada: branca, vermelha, azul, pronto, combina com tudo!)
  • 1 vestido longo pras fotos diva hahahahaha esse só se quiser se sentir diva, eu levei 2 mas foi exagero, acabei ficando só com um e dei o outro pra uma amiga
  • 1 canga que também sirva de echarpe (praticidade! comprei uma na Índia que eu usava pra deitar na areia ou pra cobrir a cabeça em templo)
  • camisa jeans: este é must have! É bom pra proteger do ar condicionado no avião, fica lindo amarrado na cintura com um vestidinho, dá pra colocar com legging, e se for jantar em algum lugar mais arrumadinho dá até pra abotoar até o pescoço e colocar com a saia, um ahazo!
  • casaco: acabei levando um que também foi peça chave, sabe aqueles casacos que ficam num saquinho igual sleeping bag? Acho que chama down jaquet, o mais famosinho é da marca japonesa Uniqlo, mas até a Decathlon e a Renner começaram a vender. Levei um destes, porque no saquinho não ocupava espaço e usei em trekkings de madrugada, em vôos noturnos mais frios, e nos Himalaias
  • calcinha, sutiã e top: poucos, as calcinhas eu lavava sempre no banho e deixava secando com a toalha, e a cada 50 dias ia pra alguma cidade grande passear num shopping e aproveitava pra comprar novas calcinhas e jogar as velhas fora
  • um short e uma camiseta de pijama, pra dormir em quartos mistos acho melhor algo assim do que camisola
  • toalha de camping (aquela que fica bem pequena, pois muitos hostels não oferecem toalha)
  • lençol: se tem uma coisa que vale a pena comprar (e se encontra na decathlon ou lojas de camping) é um lençol-sleeping, é tipo um sleeping bag que fica num saquinho, mas é de tecido leve, eu dormia em todo lugar com ele, hostel, trem, ônibus, acho mais higiênico.
  • eco bag: nunca pensei que usaria tanto! Mas eu levei, e usei pra ir pra praia, usei como bolsa pra sair, usei pra fazer compras em mercadinho e evitar sacola plástica, é mara!

Daí chegou o Nepal e o Everest, mas para fazer o trekking escolhi uma agência que me emprestou a mochila de 40 litros, o casacão de neve e o sleeping, além disso comprei uma calça mais resistente de inverno, alternei minhas 2 leggings como segunda pele e comprei ainda um moletom fleece e um corta vento. Lá não era caro comprar, então valeu a pena do que carregar a viagem toda. Ter o tênis de trekking aqui foi essencial, senão teria que ter comprado também e este sim seria mais caro. A calça depois doei, mas os casacos os preços tavam bons e eu poderia aproveitar na Europa ainda, então mandei pro Brasil pelo correio, pra não seguir carregando.

Fora isso, uma necessáire pequena: tente levar tudo em frascos pequenos, e conforme os produtos forem acabando vai comprando mais (na Ásia vende-se tudo em embalagens menores);  uma necessáire menor ainda com poucas makes (quase não se usa na Ásia, mesmo pra pessoas que eram viciadas, como eu) e uns 5 brincos e colarzinhos num saquinho. #dicaamiga é adotar o copinho menstrual ao invés de ficar comprando absorvente, que além de ser caro, prejudica o meio ambiente!

Mas olha, não precisa levar muita roupa não, em todo lugar na Ásia se encontram as lavanderias, e é bem barato, então a cada 5 dias é só levar as roupas em uma laundry que dia seguinte tá tudo limpo (mas talvez um pouco encardido…por isso recomendo levar roupas velhas pra Ásia). Outro problema das laundries é que às vezes somem peças, elas se confundem, entregam pra pessoa errada, mas enfim, acontece!

Dica importante para a mochileira: você vai usar muito as mesmas roupas, até enjoar, então esteja aberta às conexões e às trocas! Eu doei e ganhei muita roupa conforme fui fazendo amigas. Nas Filipinas encontrei uma amiga recém chegada do Brasil que não tinha vestido pra baladinha, doei um florido que eu já estava cansada da estampa, 4 meses depois reencontrei ela em Singapura, e ela me doou um vestido que tinha comprado na Indonésia e também tinha enjoado da estampa. Em Delhi, doei meu all star e um vestido longo pra uma amiga que me hospedou, já em Singapura, ganhei um macaquinho de outra brasileira que me hospedou e não o usava mais. Também troquei short e canga. Doei mais coisas que ganhei, pois meu intuito era me desfazer mesmo do que não usava mais. E comprei também, pouco, mas às vezes me apaixonava por algo barato e comprava, como uma saia dupla face na Índia, que dava pra usar nas duas estampas, um macacão no Nepal e um biquíni na promoção na Indonésia.

E muitas roupas na Ásia também são baratas, mas descartáveis, cheguei a comprar 2 calças na Índia pra praticar yoga logo que cheguei, que 2 meses depois estavam rasgadas ou desbotadas e me desfiz.

Eu tenho um prazer em desapegar, na verdade, conto os dias pra fazer a limpa. Então assim que acabaram as praias na viagem, já doei pra faxineira do hostel 2 biquínis, 2 shorts e as 3 regatas que eu não usaria mais na Índia. E assim que terminei a última trilha no Nepal, doei no orfanato minha luva, gorro, um casaco, cachecol e 2 camisetas.

Gente, desapegar é vida!!! E pra quem gosta de comprinhas, o desapego das coisas velhas vai abrindo espaço no mochilão pras roupas maras e baratas que vamos encontrando na viagem! Espero ter ajudado com a minha experiência!

a grana

Vivendo um sabático

sabatico

Dá pra escolher viver uns meses de sabático, até um ano, dois, três…é uma escolha…basta se planejar pra isso, principalmente financeiramente. Viver um sabático significa viver fora da sua carreira comum, se dedicando a algum projeto, estudo ou viagem, ou até mesmo ficando em casa, tendo TEMPO que é tão raro hoje em dia.

Meus amigos me perguntam como juntei dinheiro pra ficar estes 2 anos sem trabalhar apenas viajando, quanto gasto por mês, como me preparei financeiramente pra isso…pois bem, eu nunca fui modelo de controle orçamentário e economia,  e educação financeira a gente infelizmente não aprende na escola…mas aqui no sabático faço um super controle e planejamento. Quem me conhece da minha antiga vida paulistana sabe como eu era gastadeira e descontrolada…shame on me….mas hoje, apesar de estar em viagem o tempo todo sem rotina, me transformei em outra pessoa, controlo, coloco budget pra cada coisa, faço escolhas e ainda gasto menos do que gastava em São Paulo, mesmo comendo 3 refeições fora por dia e dormindo em hostels e hotéis todos os dias.

Começando pelo controle: eu utilizo iphone e nele uso o aplicativo numbers (uma espécie de excel) para preencher cada centavo que gasto por cidade e categoria, assim sei quanto gastei no total de cada mês, total de cada país, média dia, quanto gastei em comida, diversão, transporte, vistos, etc…Gosto de usar ele pois fica salvo na nuvem, então eu acesso também do MacBook e consigo fazer análises como eu fazia no excel (tá toda engenheira ela…). Mas tem muito aplicativo que ajuda nisso ( guia bolso, mobills, minhas economias, organizze, etc.)

Para se ter dimensão, nestes 6 meses de Ásia, eu gasto na média:

  • US$ 10 em quartos compartilhados de hostel com café da manhã
  • US$ 2 a 6 em cada almoço ou jantar
  • US$ 20 a 50 em passeios, mergulhos, entradas (que faço 1 a 2 por semana)
  • US$ 10 a 20 em transporte entre cidades (trem, bus, ferry)
  • US$ 40 a 90 em vôos internos e US$ 100 a US$ 300 em vôos entre países
  • US$ 20 a US$ 50 de visto em cada país

Em países mais baratos como Índia, Sri Lanka, Tailândia dá pra passar o mês todo com US$1.000 viajando e conhecendo tudo. No Myanmar eu penei pra achar comida por menos de US$ 3, mas mesmo assim gastei US$ 1.300 nos meus 28 dias, na Índia meu último mês gastei  US$ 1.100, descontando o curso que fiz, já Filipinas é um pouco mais caro e exige voos internos pra se locomover entre as ilhas, também fiz mergulhos, acabei gastando quase US$ 1.800 pra passar um mês, foi meu destino mais caro.

Tudo isso considerando IOF e taxas de saque, visto, plano de saúde quando faço, chip de celular local e vôo para chegar em cada país, além de tudo que listei lá em cima.

Pense assim, cidade que o turismo é praia ou templos, gasta-se nada em atrações, no máximo uma gorjeta em um city tour ou um tuk tuk …nestes casos considere então 10 dólares de acomodação com café, 2 dólares em um almoço simples ou snack de rua, 6 dólares em um jantar mais consistente e mais uns 2 dólares de gorjeta ou água pelo caminho: US$20 foi o seu gasto no dia. Mês passado fiquei 7 dias em uma praia e gastei exatamente isso, nadinha a mais. Hoje (2018) com a nossa moeda, to falando de R$ 68 o dia inteirinho…em SP eu tinha almoço em restaurante que saía mais caro que meu dia inteiro aqui… agora, se o rolê exigir um passeio, um mergulho, uma entrada em atração, considere mais US$ 20 a US$ 50 no seu dia. Mas isso porque escolhi não beber neste sabático, tá gente? de vez em quando rola uma cervejinha de sábado, mas beber encarece qualquer viagem…e como decidi viajar por 2 anos….não rolava. E NADA de comprinhas, por mais lindas que sejam as roupas e souvenirs, to evitando.

Bom, mas isso foi Ásia, né? as moedas aqui são bem desvalorizadas e tudo é barato. Segundo semestre estarei na Europa e sei que lá sairá tudo mais caro, por isso meu plano é fazer work exchange por lá, trabalhando nos hostels em troca de hospedagem e café, um pouquinho disso eu explico neste outro post, aqui tenho usado Worldpackers e Workaway. No Sri Lanka trabalhei em um hostel em troca de alimentação e hospedagem, gastei apenas US$ 400 no mês, com vôos, baladas, passeios, visto.

E tudo são escolhas também, esta semana estou indo pro basecamp do Everest, CARO, US$1.000 o trekking de 12 dias, mas escolhi pagar menos em hostels nos últimos 2 meses e assim posso pagar este trekking agora. Então precisa ir equilibrando as bandejas.

Sobre as passagens, eu pesquiso muito antes de decidir qual país irei, busco as baixas temporadas, pesquiso no Skyscanner os vôos com janelas de 1 semana, e quando encontro o mais barato, compro direto no site da cia aérea. O Skyscanner também tem uma opção de destino “qualquer lugar”onde ele lista os destinos mais baratos da cidade origem que você estiver, já escolhi ir pra um país usando esta função!

Agora, sobre economizar a grana, eu tinha este sonho há uns anos, então estava economizando para isso,  mas algo que me ajudou muito no início do sabático foi o desapego, abri meu armário, provei as roupas, avaliei cada look e deixei apenas o que eu realmente iria usar pelos próximos 2 anos que eu não pretendia voltar pra vida corporativa, isto é: sapatos de salto, vestidos chiques, camisas, e mesmo roupas de balada foram separadas para um grande bazar. Eu era daquelas que acumulava bijoux, óculos escuros, comprava roupas que não usava…descobri que eu tinha 90 vestidos, resolvi ficar com 30 (que ainda é muito, aqui pra Ásia eu trouxe apenas 8, que ainda é muito kkk)…mas enfim, em um grande bazar com amigas vendi roupas, sapatos e acessórios por R$20 a R$50, além das minhas 2 bikes, tablet, ipod, utensílios de cozinha, livros…gente, a grana que eu levantei pagou minha passagem de ida e volta pra Ásia AND um mochilão novo, então acreditem, temos tesouros guardados sem uso que podem ser transformados em passagens aéreas, sim!!! E desapega, que o melhor da vida que levamos são experiências e não objetos!

A coragem, Reflexões, Sabático

A coragem do sabático

yoga

Eu fiz tudo “certinho”, estudei em escola tradicional de São Paulo, fiz cursinho pra passar em faculdade pública, terminei a faculdade com algum atraso, afinal a vida de república no interior tem muitos atrativos que fazem a gente perder o foco dos estudos… Mas ainda assim fiz intercâmbio, trabalho social na Amazônia, estágio, me formei e passei em processo de trainee, passei por 3 empresas, fiz MBA, alguns cursos de extensão, fui sendo promovida…Trabalhava cada vez mais estimulando o consumo mas em alguns momentos me dava um “tilt”, me perguntava se era isso mesmo que eu queria pro mundo ou se eu estava apenas na minha zona de conforto, me sentia cada vez mais afastada de mim mesma, seguindo um fluxo da sociedade e aí vinham as terapias alternativas: retiros de yoga e meditação, constelação familiar, mapa astral, leader training, terapia convencional, parecia que eu estava sempre buscando alguma resposta a alguma pergunta que eu não sabia nem qual era. Só estava desconfortável em seguir um flow de carreira que todos ao meu redor seguiam sem eu nem saber o porquê.

Então há uns anos atrás comecei a pensar em tirar um sabático, uma pausa na carreira pra viajar, conhecer novos lugares, pessoas, profissões, estilos de vida, mas nunca veio aquele momento de largar tudo, porque é como um vício, a gente vai ganhando mais e mais, comprando mais e mais, se comprometendo em cada vez mais relações.

Faltava coragem.

Porém há cerca de um ano atrás, no trabalho, durante uma palestra do filósofo Cortella, ele mencionou “pneuma”, aquela energia vital que deveríamos sentir ao levantar todo dia da cama e trabalhar no que estamos nos dedicando, e após 5 anos em uma empresa que eu gostava muito de trabalhar, eu não sentia mais este pneuma. Então este ano vieram aqueles episódios que alguns chamam de coincidência, mas eu chamo de sincronicidade. Li na revista Vida Simples sobre o livro Sabático 45 que a autora Heloisa havia parado a carreira pra passar um ano na Irlanda e como meu pai estava indo pra lá visitar meu irmão, achei que teriam dicas da Irlanda e comprei pra ele. Mas não, o livro nos guiava sobre tirar um sabático, do ponto de vista prático e emocional, e de repente eu estava com este guia e esta vontade na mão, e um desejo enorme de conhecer a Índia, comecei a pesquisar sobre cursos de yoga pra passar uma temporada lá e decidi que a data seria outubro pois é o melhor clima pra Índia e tempo suficiente pra eu me organizar, vender coisas, alugar o apartamento, sair do trabalho…

O trabalho… como diz uma amiga, energeticamente eu já não estava naquele trabalho, porque quando um ciclo se encerra a energia muda, e quando queremos muito algo o universo dá aquela ajudinha. Em uma reestruturação da empresa, meu desligamento veio 4 meses antes do meu pedido de demissão. Lógico que ser desligada em um ano de tanta crise política e econômica no país não deveria ser tranquilo, mas foi. Foi porque eu não acredito que devemos ficar onde não estamos felizes. E foi aí que a coragem veio! E o tão esperado sabático saiu do papel.

O sabático veio em forma de tempo pra visitar as pessoas que com a correria do dia-a-dia eu não conseguia visitar, veio em forma de cursos que tenho realizado, veio em forma de desapego e viver com apenas uma mochila, veio em forma de burning man, veio em forma de raspar a cabeça e doar o cabelo, veio em forma de yoga e circo, veio em forma de viagens que sigo fazendo e dedicarei meu 2018 a elas, veio em forma de pessoas que passam pela nossa vida pra apertar um botão.

E as sincronicidades seguem acontecendo, quando meditamos todos os dias, abrimos o canal da intuição, nos conectamos com nós mesmos, entramos em uma nova frequência. Há cerca de um mês atrás, quando eu estava em Auroville, uma comunidade no sul da Índia, conheci um casal que também largou carreira em busca de seu propósito, e ao trocarmos algumas palavras, eles me apresentaram o poema mais lindo que eu não conhecia: The Calf Path. Sobre o caminho desordenado feio por um bezerro onde toda uma sociedade seguiu sem nem saber por que, vale a leitura!

Ao fim de 2018 completo 35 anos, na antroposofia completo o setênio da reorganização para entrar no meu 6o setênio da conexão espiritual e trabalho com propósito. Mas sim, sei que posso passar o ano todo e talvez a vida sem encontrar meu real propósito, e pode ser que eu volte a trabalhar com varejo, vida corporativa, se eu sentir “pneuma” novamente nisso tudo bem! Mas também pode ser que eu mude de cidade, que trabalhe com yoga, ou com algo que ainda não conheço. Eu não tenho a menor ideia. Só sei que hoje não tenho medo, acredito que devemos nos arriscar, ter coragem de parar, buscar respostas, sermos felizes sempre.