onde dormir

Hospedagens por este mundão

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Chego ao meu 16º mês sabático, viajando por Brasil, Estados Unidos, Ásia e iniciando minha temporada Europa, e agora que já testei todos os tipos de hospedagens da minha listinha, resolvi escrever aqui sobre as experiências, que foram:

  • Hostel
  • Work exchange
  • Hotel
  • Couchsurfing
  • Camping
  • Airbnb

Primeiro, pra contextualizar esta vida nômade, saí da casa dos meus pais em São Paulo aos 18 anos, fui fazer faculdade no interior e morar em república, de lá em diante foram 17 casas moradas entre república com amigas, apartamento sozinha, apartamento com namorado(s), 3 intercâmbios até eu ter o meu próprio apartamento que comprei aos 31 anos. Apesar de ser meio nômade, eu sempre gostei de ter meu cantinho, amava morar sozinha, até que entrei no meu sabático e NUNCA MAIS! Minha vida agora tem sido em quartos de hostel, dividindo com 3 a 10 pessoas cada quarto…pois é minha gente!!!

Vamos falar de hostel: é a hospedagem que mais uso nestas viagens, os quartos compartilhados são uma opção barata (na Ásia era uma média de US$10 e aqui na Europa tem sido EUR15) e é o lugar que mais faço amigos, pois reúne muitos viajantes solos, como eu. Basicamente reservo meus Hostels pelo booking.com, já usei o hostelworld.com também mas com eles tive alguns problemas de reservas.  E às vezes quando chego de dia em alguma cidade me arrisco a desembarcar e sair procurando e pesquisando preço até achar um que eu goste. 

Sempre me perguntam sobre a segurança em hostel, eu nunca fui roubada (apenas uma indiana uma vez me roubou uma calcinha linda da Victoria’s Secret que estava secando na cabeceira da minha cama…whaaaattt?? quem rouba calcinha? ela pegou, mas não pedi de volta). Na grande maioria das vezes os hostels tem lockers individuais, onde tranco meus pertences com meu cadeado, nunca vou nem ao banheiro deixando bolsa ou qualquer coisa de valor solto na cama, levo comigo ou tranco tudo. 

Não vou dizer que é a coisa mais simples do mundo dividir quarto com até 10 pessoas, gente fazendo checkin na madrugada, gente acordando 4 da manhã pra pegar vôo, gente chegando bêbada de madrugada… eu chegando bêbada na madrugada… às vezes tudo isso junto na mesma noite…mas não sei, acostumei. Hoje em dia durmo em qualquer situação, inclusive triliches de trens indianos e chão de aeroportos. 

Com certeza já fiquei em mais de 100 Hostels nesta vida, dediquei várias férias a esta hospedagem e aos 23 anos fiz um mochilão Europa de alguns meses onde também só me hospedei em hostel…nunca vou esquecer o primeiro, foi em Stuttgart, eu estava recém chegada pra um intercâmbio na Alemanha, cheguei com uma mala maior que eu de 30 kilos e subi muitas escadas com ela e logo no café conheci uma alemã de Hamburg de quase 40 anos que me ofereceu hospedagem se eu quisesse conhecer Hamburg, e logo conheci um brasileiro que frequentava uma  igreja que eu nunca havia ouvido falar, mas ele achou uma “filial”em Stuttgart e fui no culto com ele no domingo.

O que eu mais gosto em hostel são estas conexões que fazemos nas áreas comuns: a piscina, a sala, a varanda, o bar onde o povo se reúne e as amizades surgem, raras foram as vezes que não fiz nenhum amigo, só as vezes que eu precisava mesmo ficar introspectiva e evitava conversar. 

Outra forma de hospedagem é ficar de graça em hostel, no modelo de workexchange, onde se trocam algumas horas diárias de trabalho por hospedagem gratuita e às vezes até refeições também. Também testei este modelo na Ásia, e mais detalhes dele conto neste outro post workexchange, onde conto do Worldpackers e do Workaway.

Outras raras vezes pego um quarto de hotel, aconteceu em partes da viagem que eu estava viajando com amigos do Brasil e fechamos quarto de hotel, e também cheguei a ficar sozinha em hotel 6 ou 7 vezes nesta viagem, em cidades que não arrumei hostel ou que eram mal localizados. Nada muito caro, mas uma única vez cheguei a pagar US$60 em uma noite de hotel na Índia pra dormir num Haveli (antigo palácio) que era baphônico dentro de um forte no Rajastão. Aqui na Grécia também não tem muito a cultura de hostels nas ilhas, então uma noite também fiquei em um quarto de hotel por EUR 30. Eu não gosto muito de hotel, nem só pelo preço, mas porque fico muito sozinha, mais difícil fazer amizades. Mas pra quem viaja de casal acredito ser a melhor opção.

Agora outras 3 acomodações que eu nunca tinha tentado no sabático, e esta Grécia linda me proporcionou 3 de uma vez foi couchsurfing, camping e airbnb.

OK, se eu voltar estes 16 meses, camping eu até tinha feito no Burning Man em agosto passado, mas foi diferente, não era exatamente uma barraca, era um yurt maravilhoso. E sendo mais franca ainda couchsurfing eu tinha feito em Singapura uma vez, mas o francês que me hospedou, apesar de estar registrado no site do couchsurfing, já era conhecido de uma amiga que se hospedou lá, então eu acabei entrando em contato com ele por whatsapp, não era um total desconhecido do site, então digamos que na Grécia foi minha primeira experiência real do sabático acampando sozinha e fazendo couchsurfing com um desconhecido.

Couchsurfing é uma rede social, com website e aplicativo, onde pessoas do mundo inteiro se cadastram e oferecem estadias em suas casas, pedem estadias e organizam encontros, os famosos “hangouts”, isto é, se estiver viajando de mochileiro sozinho e der azar de não conhecer ninguém no hostel basta dar um checkin na cidade que está visitando nos ‘hangouts’ do aplicativo e mais algum viajante sozinho pode entrar em contato e marcar de fazer algo junto: praia, museu, bar, jantar, o que for, em grupo ou dupla. Mas a rede é mais famosa pela troca de hospedagens gratuitas. Você pode ou não hospedar alguém, não é necessariamente uma troca, mas é uma abertura a pessoas que viajam o mundo, ideal se você já se hospedou em algum couchsurfing é que um dia você esteja aberto a hospedar alguém também, para fortalecer a rede! Não há troca monetária, mas não é apenas chegar e dormir de graça na casa da pessoa, tem que haver uma troca cultural, conversas, momentos juntos. 

O couchsurfing que fiz em uma ilha na Grécia trabalhava em um bar a noite, mas fazia questão de passar o dia com seu convidado, levando de carro para as praias mais bonitas da ilha. Outros couchsurfings trabalham o dia inteiro, mas esperam que seus convidados estejam a noite para jantar junto, conversar, tomar um drink, a ideia é o intercâmbio cultural, a troca de experiências, pra pessoa que hospeda é uma maneira de viajar sem sair de casa. E pro convidado é de bom tom oferecer algo, como preparar um jantar um dia, ou pagar uma cerveja, mas nada obrigatório.

Importante no couchsurfing é encontrar uma pessoa com interesses em comum, por isso precisa de um perfil bem detalhado no site, e trocar algumas mensagens antes, a pessoa precisa querer te hospedar e você precisa querer se hospedar lá. Eu quando tiver minha próxima moradia com certeza hospedarei pelo couchsurfing pra continuar estas trocas de experiências com pessoas do mundo inteiro, hospedando viajantes no meu sofá, em uma cama extra, um colchão no chão, onde eu puder alojar alguém.

Quanto a segurança, principalmente para nós, mulheres, dá pra ficar tranquilo em casa de homem (pra mim nenhuma mulher da Grécia respondeu minhas solicitações, apenas os homens), mas precisa ler antes as referências de quem já se hospedou com a pessoa pra se certificar. E terminando seu couchsurfing é importantíssimo já deixar sua referência sobre a pessoa para que outras manas também possam ter uma boa experiência. 

A Andrea, uma brasileira que eu já conhecia ‘online’ e nos encontramos presencialmente na Grécia, que me apresentou o couchsurfing, ela já viajou mais de 30 países neste modelo, e acabou sendo hospedada mais por homens do que por mulheres mesmo. Agora, se rolar um affair, uma paquera, se rolar algo que você queira e a pessoa que está te hospedando queira também…rolou! Não sei se há alguma regra pra isso, se não deveria acontecer para que a rede não mude o objetivo, não sei, não sou muito ligada às regras…. e não vou nem falar dos meus casos que geram um livro…

Agora camping: este realmente não estava nos meus planos, mas me deparei com uma Grécia que eu não esperava, na maior parte das ilhas que eu queria visitar não existiam hostels, e logo na primeira vi que a galera por lá acampa muito! Aí o destino me trouxe junto com a Andrea (a brasileira) uma barraca. Ela estava buscando couchsurfing em Mykonos e acabo se conectando com uns brasileiros que tinham comprado uma barraca e estavam acampando em Mykonos e iam embora no dia que ela chegava. A barraca nova que tinha custado EUR35 pra eles foi vendida por EUR20 pra ela, e como íamos nos encontrar na próxima ilha, ela logo me ofereceu e acabou sendo minha por EUR15. Aí sim fui parar em Zakynthos, uma ilha na Grécia que eu estava namorando fazia tempo mas não tinha nenhum hostel, nenhum couchsurfing me respondia e os hotéis estavam no mínimo 30 euros…Fui pra lá, levei a barraca, e acampei. Sozinha. 

Foi incrível! Difícil montar a barraca sozinha, pois era grande pra 4 pessoas e eu estou acostumada com minha barraca menor no Brasil, mas consegui! E foi difícil também dormir sem colchão nem sleeping que não comprei, mas fiz uma caminha com as minhas roupas e não foi nada diferente de dormir no chão de um aeroporto. Fiquei em dois campings nesta ilha e conheci muitos europeus que acampam pela Europa, este modelo de hospedagem é bem comum no verão europeu, paguei 10 euros pelo suporte: espaço com sombrinhas, tomadas perto da barraca, banheiros, chuveiros, cadeira de praia, cozinha e no segundo camping até piscina tinha. 

Também é super comum na Grécia realizar free campings, algumas praias pode-se simplesmente montar barraca e dormir e alguns restaurantes de praia oferecem banheiro e chuveiro pra essas pessoas. Esta minha barraca comprada da recompra da recompra já dei de presente, mas ainda considero a opção de acampar na Europa, veremos, talvez próximo verão.

Agora como o Airbnb surgiu nesta viagem amiguinhos… na verdade verdadeira, neste segundo camping em Zakynthos minha barraca virou apenas armário das minhas roupas, nos primeiros 5 minutos de piscina já conheci um deus grego e acabei passando meus dias lá com ele. Eu não vou nem falar dos meus casos que geram livro (parte 2)… mas 5 dias depois, que eu já estava de volta em Atenas em um hostel e deveria embarcar pra Madrid, resolvi ficar. 6 horas antes do embarque resolvi ficar. E foi aí que fui atrás de um Airbnb pela primeira vez na vida. Foi um misto de paixonite (voltei com ele pra Atenas mas lá ele estava na casa dos pais) com uma canseira deste mês de Grécia, de tantas balsas, casa de couchsurfing, hostel, barraca sem colchão, eu estava muito precisada de um canto meu antes de seguir viagem pra Espanha, então busquei um apartamento pelo aplicativo do Airbnb e me mudei no dia seguinte. 

Eu nunca havia procurado Airbnb antes pois nunca considerei ficar sozinha em um apartamento durante a viagem, sem conhecer pessoas, mas me surpreendi com os preços, muito mais barato que hotel. Paguei EUR26 por dia em um apartamento bem decorado com sala, quarto, cozinha e banheiro, que abriga 4 pessoas facilmente. O bairro não era gostoso, mas era bem perto do metrô e 4 estações do centro que eu ia todo dia. O apartamento era limpo, decorado, deu pra comer em casa e o wifi era maravilhoso, baixei vários filmes pra próxima etapa da viagem. Tive problemas no primeiro dia, quando eu estava chegando o proprietário me avisou que o encanador estava resolvendo um vazamento do banheiro, e no dia seguinte ele ainda voltou pra trocar uma peça. Mas isso foi azar, a sorte é que pelo transtorno o dono me deixou fazer o checkout às 16h ao invés das 12h, e como meu vôo era só a noite, isto foi ótimo!

Bom, assim tem sido meus 16 meses viajando o mundo, cheio de surpresas, mudanças de rota, pouco planejamento e assim foi meu mês de Grécia, com opções de hostel, hotel, couchsurfing, camping e Airbnb testadas e aprovadas!

Tendo mais opções de acomodação que queiram me sugerir, to aberta aqui a testar tudo e contar depois!