Empreendendo

Kell Haller mudou a rota

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Duas engenheiras trabalhando no varejo, foi assim que eu conheci a Kell, há 6 anos atrás. Trabalhávamos juntas, ela responsável pelo planejamento de demanda e compras de produtos e eu responsável pelo trade marketing e comercial….blablabla, papo chato este de cargos, vamos pular esta parte.

Mas a gente trabalhava lá, no mesmo ambiente, mesma firma, mesas separadas, gestões separadas, e vira e mexe uma estava ajudando a outra nas inaugurações de loja e datas comemorativas. A gente tinha muito em comum, engenheiras, planejadas, certinhas, num varejo louco que muda o tempo todo, e ainda nos encontrávamos pros papos holísticos sobre anjos, hipnose, terapias, comunicação não violenta, reike, e assim vai…

Aprendemos demais no varejo, aprendemos a mudar a rota, porque varejo é isso né? Uma escola! E eu aprendi demais nas trocas que tinha com a Kell, nos cafés e almoços, lembro direitinho de uma inauguração de loja no Recife, ambas descolando um adesivo filho da put@ da vitrine com aquelas colas que agarram no vidro, no meio da tensão do natal, e lá estávamos nós, plenas na vitrine, conversando sobre terapias holísticas. E a gente era daquele tipo que punha a mão na massa sempre!

A palavra “resiliência” aprendi com ela, não por que ela queria me ensinar não, porque ela era o exemplo de resiliência na firma. E até quando ser muito resiliente é bom? Resiliência pelo dicionário é a capacidade de se adaptar facilmente às mudanças, ou a capacidade de um objeto de retornar a sua forma original, mas deve machucar pra um objetivo sair e voltar pra sua forma original tantas vezes! E a Kell estava lá, mostrando ser uma fortaleza, mesmo com as condições mudando o tempo todo, ela sempre se adaptava, imagino que devia machucar, mas ela estava sempre lá, firme. 

Trabalhamos 4 anos na mesma firma, fomos nos conectando cada vez mais, até psicóloga ela me recomendou num momento que eu queria muito começar terapia, e foi indicação certeira: fiz 3 anos de terapia com esta indicação e me descobri muito. 

Até o dia que a Kell e eu fomos desligadas, no mesmo dia! Uma às 8h da manhã, a outra às 9h. Mas como dizia uma amiga minha, energeticamente já não estávamos na firma, estávamos desconectadas daquele espaço de trabalho, então não foi surpresa, recebemos a notícia de forma madura, marcamos de ir ao sindicato juntas dia seguinte assinar os papéis e já fomos de legging e tênis pra curtir o dia no parque depois! Lembro muito daquela manhã de parque, água de côco e planos, em plena terça-feira!

Naquele momento, já falávamos de reike e thetahealing, e a Kell logo foi fazer os primeiros cursos de Thetahealing, foi uma decisão certeira na vida dela! Após ela realizar o básico já me deu uma sessão, e me ajudou a derrubar uma barreira de medo que eu tinha de me jogar no sabático pra me descobrir em uma nova profissão…e olha que após dois anos também estou me descobrindo no thetahealing como uma nova profissão…

Naquela época, a Kell logo foi trabalhar em uma nova firma, mas foi por poucos meses, porque no fundo ela sabia o que queria: trabalhar com cura e energia. Em paralelo, ela se formou em mais de 10 cursos do Thetahealing, foi até a Espanha ter formações como instrutora e em poucos meses largou a firma e passou a se dedicar 100% com o que queria:  atendimentos e cursos de Theta!

Foi uma decisão fácil? Mudar da estabilidade para o novo nunca é fácil, exige coragem, mas se não tentarmos nunca saberemos. Tem o salário que cai certinho todo mês no mesmo valor? Não. Tem a segurança financeira, plano de saúde, 13º? Não. Mas ela está feliz e confiante. Porque quando a gente faz o que ama, manifesta positivo, corre atrás, o resto vem.

Esta decisão também não foi fácil porque o marido da Kell tem uma profissão fora do “comum”: é mágico e hipnólogo. Então os ganhos dele são sazonais, dependem dos eventos! Ter o salário da Kell antes, caindo redondo todo mês era uma segurança para ambos. Aliás, se ela fosse escutar muitos palpites que escutou na vida, nem com ele estaria há 12 anos, pois foram muitos julgamentos ao que seria um relacionamento ideal, afinal, “mágico, né?”. Mas o que é um relacionamento ideal? Pra Kell é onde existe amor, respeito e admiração e é valorizando as diferenças que um impulsiona o outro. Agora ambos resolveram viver e se entregar a seus verdadeiros propósitos! Hoje o Paolo também embarcou no Thetahealing e apoia a Kell nos cursos! Sobre as contas pra pagar? Ainda existem e estão sendo pagas. Confie, trabalhe no que você ama, que o dinheiro virá. 

Porque eu queria contar a história dela aqui? Porque eu a admiro e queria inspirar muitas outras mulheres a não ficarem em suas zonas de conforto. Inspirar a escolherem seus boys pelo amor e companheirismo e não pela segurança financeira ou social. Inspirar a se dedicarem às profissões que sonham em trabalhar, e não às que estão em suas zonas de conforto!

Ah! E sobre o Thetahealing, passo a palavra à Kell que está neste mundo há bem mais tempo que eu: “ Nós construímos nossa vida a partir de nossas crenças, muitas estão no nosso inconsciente, aproximadamente 90% do que fazemos é inconsciente segundo a ciência. Mas calma, nem tudo é ruim!!! Com o ThetaHealing conseguimos acessar esses padrões inconscientes e mudar aquilo que a pessoa entende como limitante. Ao reconhecer todos os aprendizados que aquele padrão trazia pra pessoa, re-significamos e a partir daí a pessoa pode criar algo novo pra si, inclusive se livrar de doenças físicas. ThetaHealing (cura da alma) é uma técnica de autoconhecimento e transformação , com diversas ferramentas fantásticas e com uma energia de puro amor que trabalha 3 pilares importantes: mente, corpo e espiritualidade.” Kell Haller.

É isso! E pra quem tem interesse em uma sessão ou formação em Thetahealing em SP, super indico esta minha amiga! O contato da Kell: (011) 98342 9453.

E espero ter inspirado mais gente por ai!

Empreendendo

Cacau mudou a rota

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Eu não lembro exatamente a primeira vez que a gente se falou pelo Instagram e nem como uma achou a outra, mas a sintonia de mulheres que viajam sozinhas é assim, a gente simplesmente se conecta, e vira best friend! Eu acho que nos falamos a primeira vez quando ambas estavam na Indonésia, porque Bali enamora… e compartilhamos da mesma lágrima ao deixar a ilha (apesar de nunca termos nos visto ao vivo), aí não paramos mais de trocar mensagem, sobre dica de hostel, de airbnb, causos do tinder, bafões e etc…

Mas eu lembro bem a primeira vez que conversamos mais profundamente após algumas trocas de dicas de viagem, e foi sobre “como esquecer um boy”! hahahaha logo usei a dica de um texto do blog dela e apaguei o contato do grego do meu celular, porque né? O fim já estava decretado desde o começo, eu que ainda criava expectativas sozinha. 

E naquela noite conversei com a Cacau, e conheci um pouco da vida dela, ela tem um blog que narra recomeços, um Instagram de viagens, um carisma incrível e um sorriso largo! Escreve tão bem que está lançando um livro. De repente estávamos amigas, destas amizades virtuais que nunca nos vimos mas conversamos quase todo dia, tanto que parece até que estamos viajando juntas.

Até que um dia batemos um papo, e foi numa live no instagram, resolvemos nos conhecer “ao vivo”, e então conheci sua história! 

Cacau Ribeiro tomou um pé na bunda do marido após um relacionamento de 15 anos e do emprego que mantinha firme há 2 anos, após 11 anos na empresa anterior. Ela podia ter entrado nas cobertas e só lamentado a vida pro resto dos dias (opa, cobertas não, ela mora no Ceará…mas ela poderia ter se isolado em casa). Houve luto? Sim, e o luto precisa ser sentido mesmo, para nos reconstruirmos, como dizem aqui na Índia: moksha (morte para ressurreição). Mas o luto dela durou 3 meses de cama, onde ela perdeu alguns kilos e ganhou apoio de psicólogos…não foi fácil, nunca é, mas a Cacau aprendeu a recomeçar! 

Logo ela pegou estes limões que a vida lhe deu e fez uma bela caipirinha! Embarcou pra dois meses de Itália e Grécia!

Depois disso a Cacau se (re)descobriu viajando, após os 30: teve Indonésia, retiro na Tailândia, Paris, Londres, Lisboa, pé na estrada! Saiu explorando o mundo sozinha! Antes deste período ela já havia conhecido alguns lugares do Nordeste Brasileiro, Estados Unidos e Canadá em suas férias, mas nunca desta maneira, livre, sem planos e sem a necessidade de voltar com data marcada. 

Pra Cacau sempre acaba tendo uma data de volta, canceriana ela, sente saudades de casa e volta entre uma viagem e outra. Não é do estilo dela passar 20 meses longe de casa como eu, mas cada uma do se jeitinho, nós vamos explorando o mundo às nossas maneiras. A Cacau se permite passar estes meses sozinha desbravando o mundo e se conectando com as pessoas ao redor, da poltrona ao lado no avião, aos colegas de hostel até às instafriends, conectadas por esta rede online de mulheres viajantes!

Neste período ela voltou a escrever, começou a escrever suas reflexões em um blog onde  narra recomeços, encoraja outras mulheres a seguirem seus sonhos, dá dicas, conta das viagens, fala dos dias de luta e dos dias de glória. E agora está lançando seu primeiro livro! 

Ela também abriu uma agência de marketing, a Mrs Marketing, e virou empreendedora! E hoje concilia uma vida de Home Office onde se divide entre o livro, reflexões pro blog, projetos da agência e os planejamentos da próxima viagem. É fácil? Não, tem que batalhar muito pra seguir os sonhos, mas é gratificante, é real, está acontecendo, e isso que importa!

São mulheres assim que inspiram, inspiram a mudar, a seguir a intuição, realizar os sonhos, a descobrir o mundo e junto se descobrirem! Eu amei conhecer a Cacau, e por isso quis dividir um pouco da história dela aqui!

Ah! E se você ficou curiosa em como esquecer o boy, leiam este texto maravilhoso da Cacau!

Comunidade, Vida alternativa

Visitando Piracanga

IMG_5583Quando comecei meu sabático, há 15 meses, resgatei a listinha de desejos e lá estava Piracanga, uma comunidade que eu queria muito visitar e todo mundo que me conhecia bem falava “você vai amar, não vai voltar, certeza!”. Bom, eu fui, e voltei, fui duas vezes, e voltei as duas, kkk. Piracanga não me prendeu a ponto de eu querer ficar ‘pra sempre’, mas me encantou, me apaixonei de verdade pelo lugar, pelas pessoas, estilo de vida, natureza, toda a energia ao redor!

Inkiri Piracanga, onde o rio encontra o mar, é uma ecovila e um centro holístico, uma comunidade com vida ‘alternativa’ pra quem considera ‘normal’ a vida de trânsito-escritório-apartamento. Uma vida na natureza, com mergulho no rio na hora do almoço, onde se faz tudo a pé, um  laboratório de autoconhecimento, mais de 20 projetos ligados a arte, sustentabilidade e desenvolvimento humano, uma comunidade vegana, onde é proibido beber ou fumar, onde as crianças são livres dentro e fora da escola.

Minhas duas idas tiveram propósitos diferentes e foram muito diferentes! Não saberia contar aqui como é morar lá, mas posso passar meu relato como visitante, o que senti da vida em comunidade, do espírito de união e compartilhamento, da vida na natureza.

A primeira vez, em julho do ano passado, escolhi a Imersão em Circo pra fazer, e passei quase um mês na comunidade. Após 8 anos de vida corporativa usando mais da mente que do corpo, sentada a maior parte do tempo no computador ou salas de reunião, variando entre idas a academia e corridinhas de 5km nos finais de semana, escolhi fazer a imersão em circo com atividades corporais manhã, tarde e ensaios a noite! Foi o mês do slackline, seguido dos malabares, da cambalhota, do trapézio, da dança de contato, do tecido, o mês de ser palhaça e rolar na areia fazendo graça e nas folgas do circo eu estava nas aulas de yoga ou nos banhos de rio, movimentando o corpo de 10h a 12h por dia. Pra mim foi diferente de tudo que já vivi. Foi mágico! Aliás mágica tinha também, o mágico do circo morava na casa que compartilhamos, e mágica tinha todo dia no jantar. 

Como esta imersão em circo era nova e com um preço muito justo, a acomodação era numa casa compartilhada na comunidade e apenas os almoços estavam inclusos, as outras refeições nós comprávamos legumes e frutas na feira dos produtores orgânicos e cozinhávamos em casa. Deu pra sentir mais a rotina da comunidade, fiz amigos que moravam lá, nos reuníamos na nossa casa ou em outra pra fazer rodas de música a noite, através de cada um conheci melhor dos projetos, da permacultura, da música, da escola, do reike. Bem pertinho da nossa casa estava a Universidade Piracanga, e com a turma da Uni fizemos o retiro do palhaço, foram as melhores pessoas que conheci nesta viagem! Eles eram mais de 10, entre 18 e 20 e poucos anos, eu com 33 na época, me encantei por cada um, cada conversa inteligente, espiritualizada, aberta ao auto conhecimento, incertezas, medos, questões profundas, política, sustentabilidade ….gente, eu com 18 só queria saber da cervejada da quinta-feira na faculdade, que geração maravilhosa é esta de agora? Fiz amigos que nasceram no fim da década de 90, e aprendi muito com eles, fora que nos divertimos horrores como palhaços!

Aquele mês a rotina era acordar 5:30, pegar a trilhazinha pra aula de yoga, sair de lá e dar um pulo no mar, voltar de biquíni molhado pra casa pra comer tapioca e frutas, aproveitar este tempinho pra lavar roupa, limpar a casa, entrar nas aulas de circo as 9h, variadas, almoçar com o pessoal da Uni, passar 1 horinha pós almoço na beira do rio, nadando, tomando sol ou jogando vôlei, voltar pro circo a tarde, parar pra dança circular todo dia às 17h e ir cozinhar legumes com o povo em casa a noite.  Terminamos este mês com uma grande apresentação de circo pra comunidade, como foi lindo!

Um pouco sobre a comunidade inkiri piracanga: 

  1. A comunidade é vegana, e a comida deliciosa! Mesmo o que compramos pra cozinhar em casa não tem origem animal. Para comer tem a opção do restaurante com 3 refeições veganas maravilhosas por dia, o Café Lotus que serve salgados, doces e o famoso cacau quente e uma vendinha pra comprar grãos, doces, etc.
  2. Lá é proibido fumar, beber ou usar drogas, mas tivemos cada vivência de música e dança que entrávamos em transe!
  3. O banheiro é seco, daqueles que jogamos serragem por cima e aquilo tudo vira adubo após a compostagem. Xixi e cocô em buracos separados, isto exigia uma certa coordenação. Mas o ciclo da água fecha, sem contaminação e retorna para uso. 
  4. Os cosméticos permitidos para uso são os 100% biodegradáveis para não contaminar a água, e lá mesmo há produção e lojinha. Aprendi também a lavar cabelo com bicarbonato e vinagre, e descobri que bastava isso, sabão neutro pro banho, desodorante de lavandin, pasta de dente de juá e cúrcuma e protetor solar de vários óleos essenciais, mais nada para viver. (isso que eu vinha do mundo dos cosméticos).
  5. A energia é solar, por isso a maior parte das casas não tem geladeira, passei o mês sem geladeira, cozinhando alimentos naturais e vi como isso é possível! Secador de cabelo, máquina de lavar, TV, essas coisas não há em nenhuma casa! E celulares e computadores devem ser carregados apenas de dia. 
  6. Existe a ecovila, onde estão os moradores, as casas, a escola das crianças e o centro holístico, onde ficam os hóspedes, as terapias e os cursos.
  7. Algumas atividades são diárias e abertas tanto para os hóspedes quanto para os moradores da ecovila, como a meditação das rosas, a meditação sonora e as rodas de dança circular
  8. Conectividade, só se pagar pelo wifi, o meu celular não pegava. Na minha primeira visita tive wifi mas usava pouco, nesta segunda vez passei 10 dias totalmente offline.

Mas resolvi escrever tudo isso apenas agora, mesmo tendo visitado há um ano atrás, pois acabo de sair da minha segunda visita, um retiro de 10 dias no curso de Leitura da Aura, e relembrei cada momento do ano passado com carinho e saudades. Desta vez foi diferente, fiquei hospedada no centro holístico, dedicada ao curso manhã, tarde e noite, com poucos momentos de folga que eu dedicava a um mergulho no rio, não tive contato com a ecovila e poucos amigos que fiz ano passado estavam lá. Este retiro é um mergulho interior, a gente nem quer interagir muito, só quer sentir cada processo interno, onde fomos trabalhando um chakra por dia. 

Foi uma limpeza pro meu corpo e meu espírito, foi difícil, bem difícil, 10 dias tomando apenas líquidos (viciei real na água de côco), 10 dias abrindo o coração, tirando as máscaras, de profundo auto conhecimento e, de quebra, saímos sabendo a técnica da Leitura de Aura, aliás, me chama se quiser que estou em treino! Foi difícil, mas também lindo,  mágico, teve rio, mar, música, dança circular e vivências lindas a noite.

O centro holístico oferece diversos cursos e terapias, é possível se hospedar em quartos individuais ou compartilhados apenas para curtir a praia e o rio, descansar e comer saudável, agendar massagem ou terapias, ou ainda realizar diversos cursos que sempre oferecem, se tiver curiosidade, visita a programação no site: http://piracanga.com.

Um dos focos deste meu sabático é visitar comunidades com modo de vida alternativo, como Piracanga e Auroville, que visitei na Índia, nenhuma por enquanto me despertou aquela vontade de parar e morar, mas quem sabe um dia…ainda visitarei algumas na Europa, e vou contando aqui!

Vida alternativa, Vida em ashram

Osho Meditation Resort

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Um resort, do Osho, localizado na cidade de Pune, na Índia… polêmico, mas eu fui ver qual é que é. Pra mim a polêmica começa no nome do lugar: resort, e não ashram, mas ao chegar entendi o porquê. Depois a polêmica passa pelo nome OSHO, que eu já havia escutado tantos boatos, ainda mais agora com o documentário “Wild Wild Country” em alta no Netflix, e muita gente assistindo e comentando.

Mas como eu já praticava algumas meditações ativas do Osho, desde alguns cursos de tantra que fiz, coloquei na minha listinha sabática visitar este lugar, em Pune, e só depois tirar minhas próprias conclusões.

Sobre o resort, eu havia escutado 2 boatos apenas: que para frequentar precisava fazer teste de HIV (sim, pasmem, escutei de 2 fontes!) e que era necessário usar uma túnica vermelha , assim como no seriado! O primeiro boato é mentira, não solicitam teste e não há práticas sexuais ou sem roupa, pelo menos não com os visitantes (eu não vi nada disso), o segundo boato confirmei, túnica vinho para as meditações de dia e uma túnica branca no encontro noturno. Eu nem liguei pra esse “uniforme”, achei tranquilo.

Há 2 opções de conhecer o Osho Resort, como visitante ou no living program. Como visitante você paga uma diária de aproximadamente R$ 100 pra frequentar todas as meditações do dia e usufruir dos espaços comuns, que são delícia, mas a hospedagem é à parte, podendo ser na guesthouse lá dentro ou em algum lugar fora (peguei um hostel mais barato há 4 quadras dali). Já o living program (de 7, 15 ou 30 dias) engloba a guesthouse, as meditações ativas diárias e alguns cursos e terapias.

Meditações ativas são meditações que aumentam a energia no corpo (principalmente a energia kundalini), diminuem stress e liberam emoções através de movimento, vibração, dança, respiração e sons, em algumas até provocamos gritos e gargalhadas, pra espantar toda a emoção presa que retemos, mas outros momentos são imóveis, deitados ou sentados. Estas meditações são o chakra breathing, vipassana, dinâmica, circular, nadabrahma, entre outras, pra quem interessar, este link explica: http://www.osho.com/meditate.

No dia a dia no Osho Resort você escolhe o que fazer, são 15 tipos de meditação, das 6 da manhã às 20:30, dá pra encaixar umas 9 no dia, mas também é possível agendar terapias, como crânio sacral, alinhamento energético, constelação familiar, massagem relaxante, por aproximadamente R$ 300 cada sessão ou ainda pagar R$ 15 para uso da piscina, sauna e hidromassagem. Se quiser também, dá pra simplesmente ficar no café lendo um livro ou passeando no parque contemplando a natureza. O lugar é lindo, maravilhoso, e o restaurante delicioso! Foi aí que entendi que é um resort, lá é um lugar de descanso e entretenimento, até uma baladeeenha rola a noite, mas como fui na baixa temporada, a única balada que participei foi a noite latina, onde os indianos não sabiam dançar e sobrou pra euzinha aqui conduzir a aula de salsa, kkkk, mais um check pro sabático.

Agora sobre o Osho, a pessoa, o Rajneesh Osho, uma coisa me chamou muito a atenção: apesar dele ter sido muito popular no ocidente, principalmente como o “guru do sexo” nos Estados Unidos, no resort a grande maioria dos visitantes são indianos, diferente de tantos outros Ashrams que eu vi lotados de ocidentais em Rishikesh. Já os moradores, são muitos europeus na faixa etária 50-60 anos, que viveram os 5 anos no Oregon na época de Rajneehpuram e estão em Pune há 10-12 anos, gostei muito de puxar papo com estas pessoas no café e nos almoços, entender a visão deles sobre o guru. Porque sobre o Osho mesmo eu conheci pouco, tentei uma vez ler um livro e achei uma visão machista, e esta visão se confirmou pra mim nas meditações noturnas onde havia sempre um vídeo com um discurso dele (uma espécie de satsang), não gostei do que escutei e parei de ir a noite, apenas fiz as meditações de dia que me faziam bem. Mas enfim, esta é só a minha humilde opinião sobre ele. E só depois que saí do resort assisti ao documentário “Wild Wild Country”!

Mas o melhor do resort, depois da prática das meditações, foi conversar com as pessoas que moram lá em Pune e que moraram com o Osho no Oregon, que o tem como Guru, eu adorei os pontos de vistas, a grande maioria o defende até a morte, dizem que a Sheela era a única manipuladora e que acabou com a reputação dele,  sempre a viam com raiva nos olhos, que era mandona, não meditava, apenas dava ordens e dormia, mas enfim…

Já no meu quinto dia, engatei uma conversa tão interessante que me fez perder as duas meditações da tarde, mas que no fundo só ganhei com a conversa. Era uma suíça de uns 60 anos que pediu pra sentar comigo e embalamos uma conversa de 2 horas. Historiadora, estudou o matriarcado, psicologia e sociedades alternativas, entramos em um papo sobre feminismo, sociedade indiana, osho, filmes de bollywood e tudo que envolve o papel e o trato com a mulher, com estórias desde o tempo de Esparta, foi incrível, uma aula! 

Ela  está há 12 anos em Pune, tem seu próprio apartamento lá, trabalha online, não mora e nem trabalha no resort, mas frequenta todos os dias todas as meditações de manhã cedo e as da noite, ela também viveu no Oregon de 82 a 85, foi sem dinheiro, apenas com a passagem aérea, e lá teve tudo que era compartilhado: comida, casa, trabalho, amor. Esta conversa…valeu a semana toda! Ela era muito mais aberta a ouvir opiniões contrárias e também tinha uma visão bem crítica do Osho apesar de ser o seu Guru, concordava comigo que ele era bem sexista, também desconfiava que ele estivesse envolvido em muita sujeira apesar de acreditar que a maior parte vinha mesmo da Sheela. Perguntei então por que ela dedicava a vida a seguir o Osho, desde 82, se o considerava machista, e a resposta com os olhos cheios de água, foi que desde a primeira vez que esteve na presença dele, sentiu um amor inexplicável, que ela nunca mais sentiu com ninguém, ela disse que não importava se haviam 5 ou 10 mil pessoas no salão, quando ele entrava, ela só sentia um calor no peito, como um abraço e não queria deixar a comunidade para não perder aquela energia. Para quem acredita nisso, entenderá. 

E desta conversa incrível saí com a indicação de um livro sobre o momento de quebra do matriarcado no mundo e ela com a indicação do filme “I’m not an easy man”.

Bom, assim foi minha curta experiência no Osho Meditation Resort em Pune, eu adorei, me senti bem, em contato com a natureza, conectada, conversei com pessoas de diferentes pontos de vista, aprendi. Super indico, vale a pena! E além de Pune, há outro resort do Osho em Rishikesh também para praticar as meditações.  Agora se quiser saber mais sobre outros ashrams, contei da minha experiência de 1 mês estudando yoga neste post aqui “Vida em Ashram”. E mais sobre a Índia, dos meus outros 3 meses viajando, escrevi aqui: “Roteiros de Viagem: Índia“.

Namastê!

Empreendendo, Vida alternativa

Mari Luz mudou a rota

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Nos conhecemos na última “firma”, departamentos diferentes, mas próximos, como era uma startup, e o time ainda pequeno, entre um happy hour e um coquetel de inauguração de loja, logo nos conectamos, ambas solteiras, nos 30 e poucos, após algumas separações conturbadas, vivendo a vida de forma entregue, ali nos conectamos, viramos amigas e não nos desgrudamos mais. Acho que nos conectamos mesmo em uma balada sertaneja pós inauguração de loja em BH, daquelas que a gente nem lembra quem a gente pegou, daquelas que não sabemos nem como fomos parar no hotel, e fomos acordadas por alguma amiga sã pra pegar o avião e voltar pra São Paulo pra trabalhar, daquele jeito, com a roupa do dia anterior, socando tudo na mala e com bafo de vodca, daquele jeito…mas assim é a Mari, intensa, como eu, e pura luz, agarrei que nunca mais larguei.

A Mari trabalhava no Trade Marketing, mas pouco depois descobri que era formada em turismo, e logo entendi sua paixão por viagens, quando fomos juntas pro México de férias, após já termos viajado pra Caraíva e Alter do Chão em dois réveillons, ô delícia que é viajar com ela, pura energia! Ela é daquelas que em viagem vive apenas o presente, agradece o tempo inteiro estar ali, sorri, gargalha, dança, brinda e de vez em quando solta um “ai que saudades da cadeia!”

Mas logo houveram mudanças na estrutura da firma, e meu time dobrou de tamanho, ganhei a área de Trade Marketing e com ela veio a Mari Luz, que nesta altura já era daquelas best friends…fiquei com medo, muito medo de ter uma amiga na minha equipe, medo de misturarmos as coisas, da amizade esfriar após um momento tenso de trabalho, enfim, de dar ruim… e um ano depois, deu ruim (mas hoje olhando sob outra perspectiva, vemos que na verdade deu bom), explico: após outra reestruturação da firma optamos (eu e a diretoria) por extinguir alguns cargos, algumas funções, e naquele momento eu teria que desligar a minha amiga Mari Luz. Me senti fraca por não conseguir encaixá-la em outra área,  me senti desleal por fazer isso com uma amiga, me senti um lixo,  aquele momento tá nos top 5 mais difíceis da minha vida corporativa.  No momento do desligamento eu chorei, enquanto ela escutou tudo com o maior profissionalismo e compreensão…1 ano depois, eu que fui a desligada da vez, e entendi perfeitamente a postura dela, senti o mesmo, me senti plena no meu desligamento, acho que energéticamente já não estávamos conectadas com aquela função, aqueles desafios, aquela corporação, já queríamos algo mais que não sabíamos o que era, mas também faltava a coragem de nos desligarmos.

Enfim, voltando ao ano anterior: tive que desligá-la, com muito medo de perdermos nossa amizade pra sempre, mas no fim do dia ela me ligou “Má, tá tudo bem, eu entendo o momento da empresa”. “Então vamos tomar um vinho em casa?” e naquele mesmo dia enchemos a cara em casa fazendo planos de viagens e próximos passos pra vida da Mari Luz. Um ano depois, repetimos o tradicional vinho da demissão, no meu desligamento, onde ela palpitava nos destinos do meu sabático com o habitual brilho nos olhos quando o tema é viagem.

A Mari ainda seguiu na vida corporativa, mudou de firma, continuou no Trade Marketing, ela realmente brilhava nas convenções de venda, fazia cada evento de emocionar, mas seguia sentindo que faltava algo estando na vida corporativa, mais 10 meses e lá estava ela novamente no mercado, mas desta vez não buscava emprego.  Aí entra a vida com seu papel de encaixar tudo, como ela é pura Luz, e faz amigos por onde passa, já foi convidada pra se unir a uma agência de eventos corporativos, trabalhando pontualmente nas produções dos eventos e prospecções, uma vida completamente diferente do que estava acostumada, sem horário de trabalho, tendo às vezes a terça-feira livre pra tomar sol na piscina, mas o sábado pra virar madrugada montando palco, o retorno financeiro também  não caía mais todo dia 30, recebia conforme os eventos surgiam, mas resolveu arriscar, e ser feliz. Com estes meses trabalhando com eventos, veio mais experiência na área e a CORAGEM, coragem de tirar um de seus sonhos do papel (ou da maleta turquesa em seu quarto que ela guarda todos os sonhos por escrito).

Esta semana ela lançou o seu próprio negócio: “um+um, assessoria para casamentos de duas ou de dois”. Ahhhh que orgulhooooo!!! Bom, a gente só tem amigo beeee, né?, vivemos mesmo é no  Vale dos Homossexuais, e simplesmente amamos, é lá que nos sentimos mais em casa, não tinha como ter um negócio mais bonito pra ela se dedicar. Existe hoje esta lacuna no mercado, um olhar específico pra celebrações homoafetivas, o protocolo é o mesmo em um casamento gay ou hétero? O discurso é o mesmo? O cuidado é o mesmo? Quem entra primeiro entra as duas noivas? Não há certo nem errado, mas o que a Mari vai se dedicar é a organizar os casamentos dando este olhar mas carinhoso, entendendo o casal e celebrando o amor, da forma mais linda!

Ah Mari, já vivemos tantas coisas, foram tantos carnavais, tantos vinhos filosóficos, tantas festas, áudios longoooos, declarações de amor, e até uns boys em comum, mas tudo bem, né? Eu tô muito feliz por este seu momento, e quis compartilhar aqui, pra quem sabe com esta história não encorajar alguém aí a correr atrás dos seus sonhos de empreender, ou de seu casamento.

O que eu quero dizer, é que às vezes não importa no que nos formamos na faculdade ou no curso técnico, não importa os sonhos e aspirações que tínhamos nos nossos 20 anos, nós mudamos! Nossos sonhos  não são os mesmos a vida toda, não somos as mesmas pessoas que tinham aqueles sonhos, podemos mudar a rota aos 30, 40, 50, quando for, de repente vem um click e a coragem, outras vezes a vida se encarrega de dar um empurrãozinho e basta agarrar a oportunidade!

Vida alternativa, Vida em ashram

Vida em ashram

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Acredito que muita gente que leu ou assistiu ‘Comer, Rezar, Amar’ já deve ter pensado em dar um tempo em um ashram. Ashrams são como mosteiros religiosos, tradicionalmente hindus, onde pessoas vivem afastadas da sociedade buscando evolução espiritual, muitos são liderados por gurus que neles vivem, outros são liderados por seus discípulos que sustentam sua filosofia. Passei um mês em um aqui na Índia e foi uma experiência maravilhosa! Descobri que dá pra viver, meses, talvez até anos em um!

Sempre gostei de retiros, a cada 6 meses me enfiava em algum pra passar feriado ou até 1 semana. Retiro de yoga, de silêncio, tantra, meditação, respiração… alguns eram em ashrams, outros em hotéis afastados, mas eu ia pra descompressar  da loucura de SP mesmo. Porém, viver um mês todo em um ashram é diferente, esquecemos do mundo lá fora.

Vida em ashram é bem simples, mas é no simples que damos valor a muita coisa, minha vida em SP era muito confortável, salário pingava todo mês, morava em um lugar legal, frequentava restaurantes, quando dava vontade de comer algo era só descer no Pão de Açúcar (quantas vezes fui de pijama e casacão) ou simplesmente pedir pelo Ifood.

Mas passando um mês no ashram, com súbitos desejos de um cafezinho ou chocolate, quem dera os dois juntos no Starbucks, dividindo quarto com desconhecidos, dormindo em colchonete, acordando antes do sol nascer, praticando a seva (limpando banheiro, descascando legumes, tirando o limo do pátio com uma escovinha), aí sim damos valor ao conforto que temos em nossas casas, mas ao mesmo tempo encontramos um conforto diferente no simples. Dá uma paz!

Para conhecer e se hospedar em um ashram, principalmente aqui na Índia, há várias formas, pode-se escolher retiros de 3 a 15 dias com algum objetivo como silêncio, yoga ou cura, pode-se simplesmente se hospedar e participar das atividades diárias de yoga e meditação, pode-se também voluntariar e viver nele  por meses até (realizando a seva ou trabalho voluntário), ou ainda se matricular em algum curso: yoga, meditação, ayurveda, reiki, etc.

Eu escolhi este último caminho, passei meu primeiro mês de Índia em um Ashram realizando o curso de 250 horas de Yoga Teacher Training (TTC), focado no Hatha Yoga, um curso em período integral por 4 semanas, muito comum aqui na Índia. Há milhares! E por isso o cuidado ao escolher um bom curso é fundamental. Eu fui através de indicações, mas é possível pesquisar na internet, buscar em grupos de facebook quem já realizou o curso  que você está pesquisando, entrar em contato, pedir opinião. Só neste site https://www.yogaalliance.org são quase 400 opções na Índia.

Se você estiver pesquisando com certeza vai se deparar com as opções em Rishikesh,  a capital do yoga no mundo, principalmente Hatha Yoga. Agora, se escolher estudar Ashtanga Yoga, há mais opções em Mysore, e se quiser estudar Ayurveda, busque Kerala.  Eu tinha nos meus planos estudar em Rishikesh, mas como sabia que eu passaria a temporada de satsangs do Prem Baba por lá, resolvi escolher outro ashram numa região mais central da Índia, mais afastado de qualquer cidade para fazer o curso, e foi uma ótima escolha, afastado de tudo, no meio das montanhas, não dava pra sair do ashram pra nada: nem um cafezinho, nem uma refeição em restaurante, nada. Eu sou do tipo da dedicação total e isolamento, funcionou melhor pra mim, mas pra quem não gosta desta sensação de não liberdade, melhor optar por algum em cidade, com permissão de saídas a noite pós curso.

Contando um pouquinho sobre o meu dia-a-dia, era assim, acordávamos todos os dias pouco antes das 6 da manhã com um sino tocando e nos reuníamos no salão para meditar juntos e entoar alguns mantras por meia hora, e na sequencia praticávamos 1 hora e meia de yoga: asanas (que são as posturas) e pranayamas (exercícios de respiração). Isso tudo em jejum, e às 8 horas estávamos liberados para…o karma yoga! sim, ainda em jejum tínhamos 1 hora de dedicação ao chamado karma yoga, disciplina da ação, ou seva, que era nossa dedicação de trabalho ao ashram, nos revezávamos entre limpeza dos salões, do pátio, da biblioteca, jardinagem, cozinha pra ajudar no preparo do café ou almoço.

Íamos tomar café apenas às 9h da manhã, no começo era muito difícil ficar estas 3 horas acordada sem comer, mas sempre soube que as práticas são melhores em jejum e depois o corpo acaba acostumando. Mas no café, óbvio, eu comia um monte! A gente se servia à vontade de frutas, mingau, arroz com vegetais (sim, bem asiático) e chá. O horário do café era longo e ainda dava pra tomar banho e limpar nosso quarto e banheiro, que eu dividia com 2 inglesas fofíssimas. Acho que eu não desencardia um banheiro como este do ashram desde a época de república na faculdade! Mais aprendizados.

Das 10:30 às 12:30 tínhamos aulas teóricas sobre anatomia, filosofia e história do yoga, ayurveda, benefícios do yoga, entre outros temas com professores todos indianos dando o curso em inglês, mas naquele sotaque que exige um esforço extra.

Depois tínhamos o almoço, onde também podíamos nos servir à vontade, vegetariano, obviamente, com muitos vegetais, arroz, lentilha, e sempre acompanhado do famoso chapati (feito na chapa com farinha e água). Sim,  consegui engordar no ashram de tanto chapati que comi. Mesmo levando alguns chapatis pra vaquinhas depois do almoço, eu ainda comia vários…#mejulguem

Às 2 da tarde, voltávamos pro salão pra praticar o yoga nidra, que é um relaxamento completo de corpo e mente por 40 minutos (melhor momento), os alunos mesmo se revezavam pra cada dia um liderar a prática. E das 3 as 4:30 da tarde tínhamos mais aulas teóricas e das 4:30 às 6 tínhamos mais 1 hora e meia de práticas. Sim, eram 6 horas por dia de práticas de postura e respiração, mas mesmo assim eu engordei de tanto que comi aquela comida delícia.

Às 6 da tarde nos juntávamos com o pessoal de outros cursos e voluntários do ashram para entoar 108 vezes um mantra, em uma cerimônia do fogo muito linda, todos os dias, e seguíamos pro jantar. Todas as refeições eram (ou deveriam ser feitas) em silêncio, e ao longo das semanas tínhamos também um dia de silêncio por semana que era ótimo pra concentração.

E todas as noites, entre 8 e 10 da noite (horário que todas as luzes eram apagadas) ficávamos livres pra usar o wifi, meditar, ler, ir na lojinha comprar um doce vegano delícia, e muitas vezes tinha sessão de contos hindus ou dança.

O curso foi nesta intensidade durante 4 semanas, com folgas apenas às sextas,  quando estávamos livres pra visitar templos ao redor, fazer trilha nas montanhas, ir conhecer a cidade mais próxima, e no meu caso…kkk…arrumei com umas amigas um resort lá perto onde usávamos a piscina pagando o equivalente a 10 reais toda sexta. #luxo. Mas mesmo almoçando no resort às sextas, mantínhamos a dieta vegetariana. Só confesso que uma sexta escapei e tomei um café…com sorvete….#vidaloka

Uma coisa que gostei muito no meu curso, além da turma ser de apenas 18 alunos, foi que desde a segunda semana do curso, começamos a nos revezar para liderar pequenas práticas como professores, por 10 minutos todos os dias, em grupos menores, íamos treinando liderar o mantra, o pranayama (respiração) ou a prática de posturas de yoga, até no final do curso conduzirmos 2 aulas inteiras de 1 hora, como parte do exame final. Obviamente 1 mês de curso não é suficiente para virarmos professores de yoga, mas saí de lá confiante em compartilhar yoga, e logo na semana seguinte conduzi algumas práticas em um hostel no Sri Lanka, ensinando o que eu havia aprendido e aprendendo mais ainda com outros hóspedes.

Pra quem gosta de yoga, e tiver tempo, como um mês todo de férias ou um período maior livre, eu super recomendo este curso de yoga na Índia. Não precisa fazer para tornar-se professor depois, faça pra se aprofundar em suas práticas diárias, é maravilhoso!

 

Vida alternativa, Work exchange

Work exchange: uma alternativa!

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No começo do mês fui parar no Sri Lanka atrás de uma experiência que estava no meu check list sabático: trabalhar em troca de alimentação e hospedagem, conhecido como work exchange! E desde que comentei isso com amigos brasileiros e amigos de todos os continentes que fiz no ashram, vi que muita gente não conhecia esta opção, então ESTE POST CONTÉM DICAS!

Work exchange é uma ótima alternativa para viagens low budget, você trabalha algumas horas por dia em troca de hospedagem e algumas refeições e ainda tem tempo de sobra pra turistar e curtir! Conheci gente trabalhando em hostels por meses, surfistas que escolhem uma praia, se candidatam a um work exchange e passam 4 meses surfando e trabalhando algumas horas por dia, recebendo estadia e alimentação sem gastar com nada! Sim, é uma forma de viver alguns meses explorando um lugar novo!

Eu escolhi o worldpackers, pois além do site, eles tem o aplicativo pra escolher e gerenciar as vagas (ela é tecnológica, ela),  paguei US$50 de anuidade (pra um ano viajando vale muito), e minha primeira experiência foi mara! Fiquei em um hostel na praia de Mirissa no Sri Lanka por 2 semanas trabalhando 20 horas semanais em troca de hospedagem, café, almoço e jantar (as refeições eram muito maravilhosas, sérião!). Isto é, em 2 semanas de estadia nesta praia lynda, gastei apenas com água de coco, aulas de surf e bebidas nas baladas a noite. O trabalho era bem tranquilo de gerenciar as mídias sociais e os reviews nos sites de reserva, e combinei uma carga horária de 4 horas nas manhãs de segunda a sexta, o resto do dia e fim de semana eu estava livre, podia ir pra outras praias, visitar outras cidades e até assistir a segunda temporada de Stranger Things nos dias de chuva. Comi muito bem, fui muito bem tratada pelo staff, pude dar umas aulas de yoga no hostel e ainda fiz muitos amigos, pois a cada 3 dias era uma turma totalmente nova que se hospedava no hostel e saía comigo pras praias e baladas.

As opções de trabalho em hostel variam conforme sua experiência, tem vaga pra videomaker, pra artista grafitar mural, pra desenvolvedor de site, bartender, recepção, DJ, chef de cozinha, administrativo, mas se não tiver estas experiências há opções para limpeza e help na cozinha também! No worldpackers você pode escolher trabalhar em hostel, voluntariar em projetos sociais, ou ainda trabalhar em ecovilas e permaculturas aprendendo estes temas. Nos 3 modelos o voluntário ganha acomodação e ao menos 1 refeição ao dia, dependendo da proposta.

Similar ao worldpackers tem o workaway, onde a anuidade é mais barata – US$ 32 e ainda tem uma opção para se cadastrar como casal e encontrar oportunidades de trabalho para os dois juntos (mas no caso aqui eu tô na pixta mesmo). Nas minhas pesquisas achei que o workaway tinha mais oportunidades sociais e menos oportunidades em hostel, e minha intenção era conhecer o trabalho em hostel, então depende do intuito de cada um ao procurar. No workaway as categorias se dividem em ONGs, fazendas, comunidades, cuidados com animais e escolas. Com certeza testarei uma destas categorias e o workaway mais pra frente.

Tanto o worldpackers quanto o workaway possuem oportunidades no mundo todo, inclusive no Brasil, sim Braseeeellll, dá pra começar viajando por aí mesmo, gastando apenas com o transporte!! Ou se quiser se jogar na carona, nem isso! Mas tem um site especializado em Brasil: o worknomads, que nunca usei mas já amo, afinal tem uma oportunidade lá em Alter do Chão (ô glória!), neste o valor para usar um semestre é de R$87.

Para trabalhar em fazendas em troca de hospedagem e alimentação, acredito que o maior portal de oportunidades para aprender e contribuir em fazendas orgânicas seja o WWOOF, eles são uma organização presente no mundo todo que conecta fazendeiros e voluntários em prol de um mundo mais sustentável. Aqui não basta apenas contribuir com a anuidade de US$35, precisa também ter os mesmos propósitos em prol da sustentabilidade, é uma maneira de aprender e contribuir para um mundo mais sustentável e justo, vai além de um simples trabalho. Geralmente as oportunidades duram mais semanas ou até meses. Tá na minha listinha sabática também trabalhar em uma fazenda na Itália pelo wwoof, na colheita de uvas ou olivas, vamos ver se dá certo ano que vem! Daí eu conto!

Encontrei também nas pesquisas o teachandhost, mas ele é focado em Europa e América e você se hospeda na casa das pessoas em troca de ensinar algo a elas, geralmente estão interessados em aprender línguas. Achei o site mais bagunçado e falta informação sobre os anfitriões, então não sei se me arriscaria neste.

Agora, se a idéia é viajar, não gastar, mas também não trabalhar at all: couchsurfing! Aqui você se cadastra, escolhe o lugar que vai viajar, se conecta com pessoas que vivem lá e hospedam de forma gratuita e vai! Geralmente são pessoas que adoram fazer amigos, conversar sobre viagens, aprender línguas novas, conhecer e compartilhar culturas. Definitivamente a opção de hospedagem mais barata pra estadias curtas!