Work exchange

work exchange em permacultura

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Eu já havia testado trabalhar em troca de hospedagem sendo voluntária em um hostel no Sri Lanka, um ano antes, através da plataforma Worldpackers, e escrevi um post sobre esta experiência aqui, mas desta vez, agora em 2019, usei a plataforma do Workaway para esta experiência de work exchange (troca de trabalho por hospedagem) na Dinamarca, que é uma ótima forma de viajar sem gastos com hospedagens!

No fim do ano passado, completando 18 meses de estrada mochilando, conheci Copenhagen e me apaixonei pelo estilo de vida da cidade, resolvi voltar pra passar (ao menos) o verão aqui, segui minhas viagens por Suíça, Índia e Rússia mas estava sempre de olho em Copenhagen, de olho em empregos pelo linkedin e buscando apartamento pra alugar pelos grupos de facebook, mas à distância não é muito fácil conseguir oportunidades e ainda mais decidí-las, como por exemplo alugar um quarto sem nunca ter visitado. 

Foi daí que me surgiu a ideia de fazer um work exchange (trabalho em troca de hospedagem) ao menos no primeiro mês de Dinamarca, pra eu me instalar no país de graça e ir buscando trabalho e quarto pra alugar presencialmente. Tentei pela plataforma do workaway, e o que me surpreendeu é que não eram apenas hostels, eram muitas casas de família  buscando gente pra cuidar dos filhos e limpar a casa, muitas fazendas querendo ajuda em jardinagem e plantio, muitos campings e centros de retiro buscando ajuda pra reparos gerais e limpeza. Mandei quase 20 e-mails me apresentando e pedindo um mês de trabalho, mas apenas dois me responderam, e nem em Copenhagen eram, mas tudo bem, escolhi uma mulher que tinha um sítio de permacultura há 1 hora de trem de Copenhagen e precisava de ajuda no jardim e na renovação da casa.

Ela pedia alguém com experiência em reforma e jardinagem, e eu não tinha, mas ela me escolheu porque já tinha sido mochileira por 15 anos e se identificou com muita coisa que contei naquele e-mail. Eu a escolhi porque era numa ilha, pertinho do mar, e eu já tinha conhecido um pouco de permacultura em Piracanga e me interessei em me aprofundar mais.

Fiquei com um pouco de medo de morar na casa de uma pessoa, é como dividir apartamento com alguém, às vezes o santo não bate, mas foi simplesmente incrível! Tínhamos filosofias de vidas parecidas, experiências em comum, ambas feministas, conectadas às terapias holísticas, minimalistas e lutávamos pelo meio ambiente e não desperdício, o match foi certeiro e passei 1 mês com esta host que virou amiga.

Aprendi muito sobre permacultura. Permacultura é uma forma de plantio que busca replicar os padrões da própria natureza, simular pequenos ecossistemas, além de toda uma filosofia de vida de reaproveitamento, não desperdício, e uso de aprendizados ancestrais.

Eu plantava mudinhas, fazia compostagem, arrancava muito mato, removia pedras das passagens, buscava plantas selvagens comestíveis no jardim pro jantar, me aventurava na cozinha mesmo sem nunca ter cozinhado nada direito, alimentava os patos e as galinhas, trazia lenha para aquecer a casa, separava o lixo e levava na estação de reciclagem.

Eu que nunca tinha usado a furadeira na minha casa, aprendi a serrar madeira, lixar, furar as tábuas, e instalei prateleiras pras plantas! Fiquei craque na furadeira! Mas escapei da serra elétrica, graças a Deus, ela ia me ensinar a cortar lenha pro aquecimento central da casa, mas o amigo dela visitou a gente e ele gostava desta função. Além da estante, erguemos uma cerca ao redor de todo o terreno. 

A ideia de comer uma refeição quase toda vindo direto da natureza, a salada do jardim e os ovos do galinheiro no quintal, me encantava, é o conceito “farm to table”que está tão na moda nos restaurantes por aqui. E o que era industrializado na refeição vinha do que seria desperdiçado nos supermercados. Isso mesmo, lá descobri o que era dumpster diving (retirar das grandes lixeiras dos supermercados produtos à vencer ou danificados, fizemos em uma noite!) e descobri que na Dinamarca tem até feira de doação de alimentos e que a rede de mercados wefood só vende produtos à vencer ou vencidos que iriam para o lixo.

Além das atividades no jardim, eu também ficava encarregada da faxina na casa, de limpar as janelas, e pintar algumas portas e janelas pois a casa estava em renovação. Foi a primeira vez que trabalhei com faxina na vida, e isto foi muito importante pro meu crescimento pessoal, humildade e ego. Em SP, venho de uma família de classe média onde sempre tivemos apoio de funcionários para limpar nossas casas, sejam diaristas, outras épocas mensalistas, pra mim, foi de extrema importância me encontrar no lugar destas pessoas, o medo de quebrar algo na casa dos outros, o cuidado, o tentar não fazer barulho enquanto o dono da casa está trabalhando no computador. 

Eram apenas 5 a 6 horas de trabalho por dia, mas com muitas pausas para um chá no jardim com bate papo, e a maior parte das atividades fazíamos em dupla, minha host e eu, depois cozinhávamos juntas, escutávamos música, tomávamos vinho no jantar. Eu sempre tinha um tempo só pra mim de manhã, onde eu pedalava pela ilha ou praticava yoga e um tempo após o jantar onde eu lia, estudava e via documentários. A rotina era de 5 dias de trabalho para dois de folga, que eu sempre ia pra Copenhagen fazer entrevistas de emprego, visitar quartos pra alugar e participar de um curso de empreendedorismo da rede Professional Women’s Network. Era engraçado faxinar uma casa que não era minha em um dia e no dia seguinte colocar minha melhor roupa para este curso com executivas do mundo inteiro, gosto muito desta pluraridade!

A experiência foi incrível e recomendo demais o uso das plataformas workaway, worldpackers ou wwoof para fazer voluntariado, trocar trabalho por hospedagem e continuar suas viagens de forma barata por este mundão!

Vida alternativa, Work exchange

Work exchange: uma alternativa!

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No começo do mês fui parar no Sri Lanka atrás de uma experiência que estava no meu check list sabático: trabalhar em troca de alimentação e hospedagem, conhecido como work exchange! E desde que comentei isso com amigos brasileiros e amigos de todos os continentes que fiz no ashram, vi que muita gente não conhecia esta opção, então ESTE POST CONTÉM DICAS!

Work exchange é uma ótima alternativa para viagens low budget, você trabalha algumas horas por dia em troca de hospedagem e algumas refeições e ainda tem tempo de sobra pra turistar e curtir! Conheci gente trabalhando em hostels por meses, surfistas que escolhem uma praia, se candidatam a um work exchange e passam 4 meses surfando e trabalhando algumas horas por dia, recebendo estadia e alimentação sem gastar com nada! Sim, é uma forma de viver alguns meses explorando um lugar novo!

Eu escolhi o worldpackers, pois além do site, eles tem o aplicativo pra escolher e gerenciar as vagas (ela é tecnológica, ela),  paguei US$50 de anuidade (pra um ano viajando vale muito), e minha primeira experiência foi mara! Fiquei em um hostel na praia de Mirissa no Sri Lanka por 2 semanas trabalhando 20 horas semanais em troca de hospedagem, café, almoço e jantar (as refeições eram muito maravilhosas, sérião!). Isto é, em 2 semanas de estadia nesta praia lynda, gastei apenas com água de coco, aulas de surf e bebidas nas baladas a noite. O trabalho era bem tranquilo de gerenciar as mídias sociais e os reviews nos sites de reserva, e combinei uma carga horária de 4 horas nas manhãs de segunda a sexta, o resto do dia e fim de semana eu estava livre, podia ir pra outras praias, visitar outras cidades e até assistir a segunda temporada de Stranger Things nos dias de chuva. Comi muito bem, fui muito bem tratada pelo staff, pude dar umas aulas de yoga no hostel e ainda fiz muitos amigos, pois a cada 3 dias era uma turma totalmente nova que se hospedava no hostel e saía comigo pras praias e baladas.

As opções de trabalho em hostel variam conforme sua experiência, tem vaga pra videomaker, pra artista grafitar mural, pra desenvolvedor de site, bartender, recepção, DJ, chef de cozinha, administrativo, mas se não tiver estas experiências há opções para limpeza e help na cozinha também! No worldpackers você pode escolher trabalhar em hostel, voluntariar em projetos sociais, ou ainda trabalhar em ecovilas e permaculturas aprendendo estes temas. Nos 3 modelos o voluntário ganha acomodação e ao menos 1 refeição ao dia, dependendo da proposta.

Similar ao worldpackers tem o workaway, onde a anuidade é mais barata – US$ 32 e ainda tem uma opção para se cadastrar como casal e encontrar oportunidades de trabalho para os dois juntos (mas no caso aqui eu tô na pixta mesmo). Nas minhas pesquisas achei que o workaway tinha mais oportunidades sociais e menos oportunidades em hostel, e minha intenção era conhecer o trabalho em hostel, então depende do intuito de cada um ao procurar. No workaway as categorias se dividem em ONGs, fazendas, comunidades, cuidados com animais e escolas. Com certeza testarei uma destas categorias e o workaway mais pra frente.

Tanto o worldpackers quanto o workaway possuem oportunidades no mundo todo, inclusive no Brasil, sim Braseeeellll, dá pra começar viajando por aí mesmo, gastando apenas com o transporte!! Ou se quiser se jogar na carona, nem isso! Mas tem um site especializado em Brasil: o worknomads, que nunca usei mas já amo, afinal tem uma oportunidade lá em Alter do Chão (ô glória!), neste o valor para usar um semestre é de R$87.

Para trabalhar em fazendas em troca de hospedagem e alimentação, acredito que o maior portal de oportunidades para aprender e contribuir em fazendas orgânicas seja o WWOOF, eles são uma organização presente no mundo todo que conecta fazendeiros e voluntários em prol de um mundo mais sustentável. Aqui não basta apenas contribuir com a anuidade de US$35, precisa também ter os mesmos propósitos em prol da sustentabilidade, é uma maneira de aprender e contribuir para um mundo mais sustentável e justo, vai além de um simples trabalho. Geralmente as oportunidades duram mais semanas ou até meses. Tá na minha listinha sabática também trabalhar em uma fazenda na Itália pelo wwoof, na colheita de uvas ou olivas, vamos ver se dá certo ano que vem! Daí eu conto!

Encontrei também nas pesquisas o teachandhost, mas ele é focado em Europa e América e você se hospeda na casa das pessoas em troca de ensinar algo a elas, geralmente estão interessados em aprender línguas. Achei o site mais bagunçado e falta informação sobre os anfitriões, então não sei se me arriscaria neste.

Agora, se a idéia é viajar, não gastar, mas também não trabalhar at all: couchsurfing! Aqui você se cadastra, escolhe o lugar que vai viajar, se conecta com pessoas que vivem lá e hospedam de forma gratuita e vai! Geralmente são pessoas que adoram fazer amigos, conversar sobre viagens, aprender línguas novas, conhecer e compartilhar culturas. Definitivamente a opção de hospedagem mais barata pra estadias curtas!