Reflexões

Nossos ciclos

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Descobri que minha produtividade neste blog sem café é ZERO. Dia 15 de novembro de 2018 eu cheguei na Islândia debaixo de chuva e dia seguinte também choveu o dia todo, então minha amiga e eu tomando um cafezinho na beira da estrada fizemos um pedido e uma promessa pra Santa Clara, ficaríamos 6 meses sem café se parasse de chover…

Santa Clara clareou e tivemos 10 lindos e maravilhosos dias de Islândia! 

De lá pra cá já se passaram 4 meses, visitei outros 8 países, vi a aurora boreal, visitei amigos e família, fiz curso de yoga e thetahealing, mais uma experiência de workaway, e nada de relato no blog, nadinha, sobre nenhuma das experiências ou lugares visitados! 

Ando preguiçosa…

Aí a única relação que consegui fazer foi a do bom e velho café que me acompanhava em frente ao computador quando eu me inspirava a escrever e compartilhar algo. Mas parei hoje neste restaurante vegano em Copenhagen pra refletir sobre produtividade e no que percebi isso aqui já estava virando um post,  mesmo sem café, com um litro de chá verde na minha frente.

E a produtividade que comecei a refletir e queria compartilhar, é a produtividade de nós, mulheres. Com certeza vocês já notaram que tem dias que produzimos mais e outros que produzimos menos, mas muitas de nós nunca conectaram cada dia destes com nossas fases. 

Eu nasci em São Paulo, classe média, e sabe o que acontece com adolescentes com espinhas (muitas) da classe média quando menstruam pela primeira vez? A mãe leva na ginecologista particular e a gineco taca pílula anticoncepcional na gente pra controlar as espinhas e pra já começar a prevenção, que qualquer momento pode surgir um namoradinho. E lá ficamos no uso continuo da pílula por 10, 20 anos.

Não é com todo mundo que acontece isso (Graças a Deusa), e nem tenho dados estatísticos para provar, mas acontece com muita gente, principalmente da minha geração, e baseado na minha pequena amostragem de público feminino do instagram, o dia que coloquei este assunto em pauta choveu direct com “pelo amor da Deusa, mana, comigo também!!!”.

Mas o que tem a gineco particular da classe média paulistana a ver com a produtividade do blog? Nada. Tudo. A pílula na verdade tem tudo a ver.

Entramos na pílula nos 13 pra 14 anos e lá ficamos 20 anos até parar pra tentar ter filho (algumas). Eu fiquei dos 13 aos 30 porque me despertei antes. A pílula é confortável, as espinhas somem, o fluxo menstrual é contido, sabemos exatamente o dia que vamos menstruar e se for réveillon ou carnaval, opa, é só emendar a cartela pra “se livrar”.

O que acontece, é que com o uso da pílula não ovulamos, não produzimos nossos hormônios de forma natural, não conhecemos nosso corpo, nosso real humor, intuição, fases, nossa mulher lobo.

E eu posso estar falando tudo errado aqui do ponto de vista médico, porque sou engenheira e isto não é um artigo acadêmico, e sim uma reflexão da minha auto observação e do que aprendi em cursos e leituras de tantra e de sagrado feminino. Então me poupe! Brincadeira, lê aí se você se identifica!

Depois dos 30, que parei a pílula e passei a me observar, a anotar meus dias de ciclo, meu humor, minha energia pra fazer as coisas, meus dias de preguiça, fui percebendo similaridades a cada ciclo, e após alguns cursos e estudos descobri que é isso mesmo! Se estamos livres de hormônios fakes, isto é, da pílula, em nosso estado natural de ciclo e em contato como nosso feminino, temos 4 fases de 4 arquétipos do feminino bem definidos:

  1. menstruação: fase da bruxa ou anciã. Onde o óvulo não fecundado precisa sair, é a fase de limpeza, momento de introspecção, onde temos a tendência de não socializar muito e não fazer muita atividade física. Então, pra colocar objetivo nos nossos treinos, deveríamos nos cobrar menos nesta fase, e respeitar nossa vontade de pular aquela balada, mesmo que seja A balada. 
  2. pré-ovulação: a donzela. Começamos um novo período, energia de criação bem alta, esta é a melhor fase pra nossa produtividade, intuição, movimento e tomada de ação. Onde estamos com nossa auto-estima mais elevada. 
  3. ovulação: a mãe. É na ovulação que o corpo está se preparando pra gerar uma nova vida, então é nossa fase mais cuidadora, melhor ouvinte, de maior interação social, e é nesta fase que nossa criatividade atinge o ápice, melhor momento pra novos projetos, pra escrever, desenhar.
  4. pós-ovulação: feiticeira ou sacerdotisa. A famosa TPM! Todas as emoções afloram mais nesta fase, quem nunca terminou um namoro e mandou o namorido pra fora de casa pra sempre nesta fase? ops…talvez só eu. Mas é uma ótima fase de reavaliar nossos sentimentos, porque o que está guardado e camuflado vem à tona!

Então, há 4 anos venho me observando nestas fases, anotando cada dia, encontrando as similaridades e faz todo sentido! Eu anoto em tabelinha online, uso o aplicativo WomanLog, onde posso marcar a os dias da menstruação e outras observações, como humor, sexo, produtividade. Também me recomendaram usar o Clue ou o Flow. Se você não toma pílula, começa a anotar seus ânimos, preguiça, criatividade e compara com estas fases!

Recentemente comecei também a fazer minha Mandala Lunar, que super recomendo! Nela você anota na legenda que quiser e com as cores que quiser, o que tem ocorrido com você dia a dia, marca o ciclo e acompanha com as fases da Lua. Não encontrei aplicativo pra isso, se alguém tiver um comenta aqui, mas eu recebo a minha mensalmente pelo site www.mandalalunar.com.br, com ilustrações lindas!

Falando em lindas, esta foto linda no topo do texto foi de um curso na Índia, e uma das primeiras vezes que tive contato com este tema dos ciclos, apesar de ter parado a pílula 3 anos antes sem saber direito porque estava parando, por uma simples necessidade de me limpar de qualquer tipo de medicamento. Mas este curso, ‘Poderes do Feminino’, foi compartilhado pela Deva Geeta e Aysha Almeé, que trabalham no Brasil e super recomendo! E, além do livro ‘Mulheres que Correm com os Lobos’ da Clarissa Pinkola que já li e reli, elas também recomendaram ‘A Lua Vermelha’ da Miranda Gray que ainda não li, mas fala exatamente das energias criativas do ciclo menstrual.

Aproveito e deixo mais 2 dicas amigas relacionadas com o tema: o documentário ‘Period. End of sentence’ disponível no Netflix sobre o tabu menstruação na Índia e o podcast ‘Talvez seja isso’  sobre o livro Mulheres que Correm com os Lobos disponível no Spotfy.

Pois é, rolou um post, e na verdade não tinha nada a ver com a abstinência do café, abro minha mandala lunar e vejo que estou na fase MÃE, da criação. Então todos estes dias que separei na minha agenda pra escrever, fui até um café, sentei confortável, pedi um chá e não saiu texto nenhum, eu estava na verdade em outras fases lunares não propícias pra isso. Se aprendemos isso sobre a gente, podemos administrar nosso tempo e compromissos do jeito mais apropriado, sem nos forçar a nada. 

Confia na sua intuição, mulher, e não se cobre tanto! Respeita seu corpo, respeita sua criatividade, respeita seu humor. E agora vou aproveitar a fase de criação e já emendar outro post sobre Yoga na Índia ou sobre o roteiro da Islândia. Em breve posto aqui, beijo!

ah! acho que nem preciso comentar que para a prevenção de gravidez AND doenças sexualmente transmissíveis sou #teamcamisinha, né? Porque mesmo tomando pílula eu já usava, vocês me poupem se não usam!